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terça-feira, 14 de março de 2017

VI Congresso Latinoamericano de Agroecologia e X Congresso Brasileiro de Agroecologia



Chamada de apresentação de trabalhos e experiências
Atenção a data limite é 10 de abril.
Lembrem-se que tem uma modalidade de relato de experiência exclusiva para apresentação por agricultores/as.
Entre na página: http://agroecologia2017.com/


domingo, 12 de março de 2017

Onde se escondem as 300 onças-pintadas que sobraram na Mata Atlântica?

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  • Jason Edwards/National Geographic Creative
Restam apenas cerca de 300 onças-pintadas (Panthera onca) na Mata Atlântica. É muito, muito pouco. São inúmeras as razões para o desaparecimento iminente do maior felino das Américas ao longo do bioma que um dia se estendia desde o norte da Argentina, passando pelo Paraguai e Uruguai, até o Nordeste brasileiro.
A primeira e mais óbvia razão é que só restam 7% da Mata Atlântica original. A segunda, uma consequência direta, é que o pouco que sobrou é composto por áreas muito fragmentadas. Ou seja, as onças remanescentes precisam percorrer áreas muito maiores do que suas congêneres da Amazônia ou do Pantanal, por exemplo, para encontrar caça ou achar parceiros para cruzamento.
E como as áreas são muito fragmentadas, as andanças das onças na Mata Atlântica envolvem riscos cada vez mais frequentes de contato com humanos – o que envolve todo um leque de consequências letais para os grandes felinos. Elas viram alvo de caçadores, são atropeladas, são vítima da retaliação por parte de fazendeiros e pecuaristas ou perseguidas pela população em geral, que tem medo desses bichos.
Todas essas conclusões foram publicadas em novembro em um grande estudo internacional na Scientific Reports, da Nature. Entre os pesquisadores envolvidos no trabalho está o conservacionista Ronaldo Gonçalves Morato, do ICMBio.
Em outro artigo, publicado no fim de dezembro, Morato e colaboradores vão além das conclusões do trabalho sobre as onças da Mata Atlântica para começar a compor um retrato dos padrões de deslocamento das onças-pintadas em cinco grandes biomas brasileiros – e os riscos que elas correm em cada um deles. O artigo foi publicado na revista PLoS ONE. 
Arquivo ICMBio/PNPB/WikiParques
Restam apenas cerca de 300 onças-pintadas na Mata Atlântica
"O objetivo da pesquisa foi verificar as condições de deslocamento e o tamanho da área de vida das onças-pintadas em cada um desses biomas brasileiros: Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pantanal e Amazônia, e também no norte da Argentina", disse Morato.
Para a obtenção dos dados de deslocamento, entre 1998 e 2016 foram monitorados 21 indivíduos no Pantanal, 12 na Mata Atlântica, oito na Amazônia, um no Cerrado e dois na Caatinga. Foram amostrados 22 machos e 22 fêmeas. As idades estimadas variaram de 18 meses até 10 anos, sendo que a maioria das onças (41) era adulta, com mais de três anos.
"Os colares tinham baterias capazes de durar cerca de 500 dias de uso. Mas bem antes disso, geralmente com 400 dias de monitoramento, acionamos um dispositivo que permite a soltura automática do colar do pescoço do animal", disse Morato. 
"Sabemos se o animal morreu quando o sinal do GPS permanece na mesma localização por 24 horas. Neste caso, dispara um sinal automático."
De acordo com Morato, cerca de 80% dos animais residiam na região de monitoramento. Os demais apresentaram padrões de deslocamento nômades ou estavam em dispersão.
Os machos exibiram as maiores áreas de vida – o território ocupado durante a vida de cada animal. É um resultado compatível com a hipótese de que a necessidade de maiores áreas por parte dos machos de espécies carnívoras está ligada à distribuição das fêmeas e à necessidade de maximizar as oportunidades reprodutivas.
As onças com a maior área de vida foram as da Mata Atlântica, que muitas vezes precisam se aventurar por pastagens e campos cultivados para passar de um fragmento de floresta ao outro, correndo o risco de contato com humanos."

Mobilidade limitada

Entre todos os animais, o do Cerrado mostrou necessidade de maior área de vida (1.268 km²). No Brasil, a onça com menor área de vida (36 km²) estava no Pantanal. Para efeito de comparação, a ilha de Santa Catarina tem 424 km².
"Pela primeira vez conseguimos comparar os deslocamentos das onças nos diversos biomas. O próximo passo envolve saber como os animais se comportam nas diferentes estruturas e paisagens. Queremos verificar quais são os fatores que limitam a mobilidade das onças em cada bioma", disse Morato.
Segundo o pesquisador, é importante saber o que limita os deslocamentos das onças, uma vez que a saúde do animal depende da sua variabilidade genética, que por sua vez depende da capacidade de os indivíduos encontrarem parceiros sexuais de outros grupos que não os familiares. É a mesma lógica que não indica o casamento entre primos, por exemplo.
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Onça resgatada de garimpo viaja 3.000 km para ser tratada5 fotos

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Uma onça-pintada foi resgatada por agentes do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) de um garimpo do Pará. O animal recebeu o nome de Felipe. Ele era tratado como mascote no garimpo e mantido preso em uma corrente para que não comesse os animais domésticos do local. A onça-pintada viajou 3.000 km para receber tratamento em Jundiaí, no interior de São Paulo. Felipe será monitorado e deverá voltar a viver na naturezaVEJA MAIS >Imagem: Divulgação/ONG Associação Mata Ciliar

segunda-feira, 6 de março de 2017

VI Congresso Latinoamericano de Agroecologia e X Congresso Brasileiro de Agroecologia


http://www.agroecologia2017.com/



Vendidos como cação, tubarão e raia ameaçados de extinção vão parar no prato dos brasileiros









Você sabe exatamente qual é a espécie de peixe que está no seu prato? Em diversos lugares do Brasil, o cação é um muito popular, principalmente por ter um preço mais em conta. O que comumente chamamos de cação são os peixes cartilaginosos, de porte pequeno e médio, como raias e tubarões. Encontrados no mundo todo, habitam, preferencialmente, águas tropicais.
Só no sul do país, há mais de 100 espécies destes tipos de peixe, chamados de condrictes pela Biologia. Todavia, devido à sobrepesca, muitas delas estão ameaçadas de extinção ou em situação muito vulnerável e, por esta razão, sua caça está proibida.
Mas o que pesquisadores gaúchos descobriram é que apesar da proibição, raias e tubarões em risco de extinção, segundo a União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), continuam sendo vendidos livremente nos mercados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
A equipe de biólogos e estudantes do Grupo de Pesquisa em Evolução, Ecologia e Genética da Conservação, do Programa de Pós-Graduação em Biologia, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) fez um levantamento ao longo dos últimos anos, coletando amostras de filés vendidos como cação, nas localidades de Torres, Itapeva, Rondinha, Tramandaí, Porto Alegre e Rio Grande, no Rio Grande do Sul, e de Itajaí, Florianópolis, Imbituba, Laguna, Araranguá, Passo de Torres, em Santa Catarina.
Depois disso, por meio de testes de DNA, uma técnica denominada “código de barras de DNA”, as amostras eram identificadas para determinar quais espécies de raias e tubarões eram as mais pescadas nestes estados e comercializadas como cação. “Com essa tecnologia em mãos é possível, com apenas uma pequena amostra do animal, ou mesmo um fragmento do filé de pescado comercializado, identificar rapidamente de qual espécie se trata”, explica Victor Hugo Valiati, biólogo geneticista e coordenador da equipe.
O resultado, como os pesquisadores suspeitavam, apontou que muitas espécies proibidas ainda estão indo parar na rede de pescadores. Entre elas, os biólogos destacam a raia-viola (Squatina occulta), considerada criticamente ameaçada, o tubarão-martelo-entalhado (Sphyrna lewini), classificado como vulnerável e o tubarão-azul (Prionace glauca).
Entre as amostras de filé de cação coletadas, o tubarão-martelo-entalhado foi o mais encontrado: 23% do total. Os filhotes dele ficam facilmente presos em redes e linhas de pesca. Por lei, desde 2014, a captura, transporte e comercialização dele é proibida no Brasil.
Vendidos como cação, tubarão e raia ameaçados de extinção vão parar no prato dos brasileiros
Nem supermercados e nem peixarias sabem exatamente o que vendem. O que acontece é que, para fugir da fiscalização, pescadores jogam fora, ainda no mar, as partes que identificam as espécies, como cabeça e barbatanas, deixando os peixes já em filés ou postas. Valiati denuncia, inclusive, que muitas barbatanas são comercializadas com o mercado asiático porque lá ela é considerada uma iguaria e corpos inteiros de tubarões são descartados.
A única maneira de dar um basta neste crime seria através da implementação de um selo ou certificação no setor pesqueiro. “Ainda acredito que podemos fazer pressão no governo para que isso seja viabilizado”, diz Valiati.
Atualmente no Brasil é realizada apenas a contagem da quantidade de animais retirados das águas, mas não há um controle sobre quais espécies são pescadas. “Enfrentamos um grande problema de sobrepesca em nosso litoral. Somente tendo mais informações sobre quais espécies são capturadas, será possível termos um manejo sustentável”, alerta.
Enquanto isso, o que o consumidor deve fazer? O pesquisador gaúcho aconselha evitar a compra do cação e sugere outras espécies como peixe-rei, sardinha e peixes de rio, como truta e linguado.

O impacto da sobrepesca na vida marinha

A grande maioria das espécies de tubarão não representa risco ao ser humano. Predadores de outros peixes, mamíferos e moluscos, eles estão no topo da cadeia alimentar dos oceanos e desta forma, contribuem para o equilíbrio das populações marinhas. “Retirá-los deste ecossistema causará grande desequilíbrio nos oceanos, gerando, por exemplo, a superpopulação de outras espécies e provocando impacto ainda na vida das comunidades ribeirinhas e do comércio pesqueiro”, afirma Victor Valiati. “Não há como ter certeza do que acontece com a retirada de um predador de topo de cadeia, mas, com certeza, as consequências são catastróficas tanto em termos de biodiversidade como econômicas.”
A pesca indiscriminada também tem grave impacto sobre as raias. “Como são capturadas ainda jovens, cada vez mais percebemos que elas têm um número menor de filhotes porque são mães pequenas”, revela o pesquisador. Estes animais são facilmente pegos pela pesca artesanal com arrastão de praia e industrial. O declínio populacional está associado à elevada mortalidade das fêmeas prenhes, facilmente capturadas nestes locais.
O trabalho de pesquisa da equipe da Universidade do Vale do Rio dos Sinos teve o apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.
Foto: NOAA Photo Library/Creative Commons/Flickr