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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

A crítica a agroecologia de Zander Navarro e seu “autismo científico”


Em recente artigo publicado no O Estado de S. Paulo, o sociólogo e professor aposentado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Zander Navarro, escreveu o texto intitulado Fadas, duendes e agricultura, em que deslegitimava o modelo de produção agrícola baseado na agroecologia.
Nele, Navarro critica o recém lançado Plano Nacional de Agroecologia e Agricultura Orgânica, do governo federal, chamando-o de fictício, ridículo, absurdo e algo inacreditável e espantoso.
Em resposta a Zander Navarro, José de Souza Silva, Ph.D. em Sociologia da Ciência e Tecnologia, rebate os argumentos do sociólogo a mercê do agronegócio, a quem considera “autismo científico”.
Para José de Souza Silva, Navarro afirma que o desempenho produtivo da agricultura brasileira produz sustentabilidade, quando o modo capitalista global de produção e consumo replicado pelo agronegócio é a causa profunda da vulnerabilidade do Planeta.
Em contrapartida, ao propor “o cultivo das relações, significados e práticas que geram, sustentam e dão sentido à vida humana e não humana, a agroecologia é um obstáculo à acumulação infinita num planeta finito. Por isso Zander é tão agressivo em sua defesa implícita do agronegocio; a agroecologia é o ‘novo inimigo a combater’”.

Confira o artigo

A hybris do ‘ponto zero’ e o ‘autismo científico’

Por José de Souza Silva
Poderia ser o “dia da arrogância científica”, mas este foi apropriado por Zander Navarro com Fadas, duendes e agricultura publicado no Estado de São Paulo (30/10). Melhor designá-lo como o dia do ‘autismo científico’.
O autismo é um transtorno global do desenvolvimento que ocorre na infância e institui um mundo particular para alguém que passa a operar dentro de seus limites. O caso desse autor revela um novo tipo de autismo, o ‘autismo científico’. Este é um transtorno no sistema de verdades, sobre o que é e como funciona a realidade, que ocorre entre cientistas durante sua (de)formação profissional.
Cientistas afetados vivem num mundo especial e não operam fora dele. O fenômeno pode ser entendido a partir do significado da hybris (ou hubrys) do ‘ponto zero’. O filósofo colombiano Santiago Castro-Gómez explica que a ideia de ciência moderna supõe um conhecimento que nega seu lugar de enunciação para legitimar sua neutralidade e universalidade. Mas é essa pretensão de autoridade absoluta que constitui a mais radical das posições políticas.
A aspiração de universalidade nega outras formas de conhecer e intervir e transforma o detentor da razão e da verdade no legítimo porta voz de todos. A hybris é a prepotência do ‘ponto zero’ (não-lugar), a arrogância de quem nega seus interesses humanos, posição política e subjetividade para falar em nome de todos.
Zander vive no ‘ponto zero’. Isso o autoriza a definir quem pode ou não enunciar certas verdades, discernir entre o certo e o errado, distinguir o falso do verdadeiro e separar o joio do trigo. Ele vive na Casa de Salomão que Bacon propôs em Nova Atlântida, a ciência organizada que cria as verdades com as quais o Estado governaria a sociedade.

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Furioso com o governo federal, por lançar o Plano Nacional de Agroecologia e Agricultura Orgânica sem visitar a Casa de Salomão nem consultar os semideuses habitantes do ‘ponto zero’, o autor condena o “fictício” conteúdo da proposta, a “ridícula” iniciativa do governo, o “inacreditável” edital do CNPq para fomentar a misteriosa agroecologia, os “espantosos” R$ 98,3 milhões do MDA para ampliar os processos de agroecologia já existentes, os “militantes” que organizaram esse assalto à razão e os “ideólogos” que enquadraram o Planalto em algo tão “absurdo”. Todos estão errados; só ele está certo. A elite científica da Casa de Salomão não autorizou o Plano.
Esquecendo que um cientista atua sob a autoridade do argumento e não sob o argumento da autoridade, o autor perde a razão e faz afirmações autoritárias que o colocam na situação frágil que ele só percebe naqueles que critica.
Condena o Plano por não definir agroecologia, sem definir o que é ciência ao acusar a agroecologia de não ser uma ciência; critica a complexidade dos sistemas agrícolas e defende a uniformidade da produção moderna (mono-cultivos), sem informar que, na natureza, a uniformidade significa vulnerabilidade; afirma que o desempenho produtivo da agricultura brasileira produz sustentabilidade, quando o modo capitalista global de produção e consumo replicado pelo agronegócio é a causa profunda da vulnerabilidade do Planeta.
A tarefa secreta cumprida pelo artigo foi realizada com a maestria de quem domina a arte do “jogo sujo das sombras” que o autor condena em seu artigo. Usa a estratégia do Papa Leão XIII no texto da Rerum Novarum publicada em 1891. Nela, o Papa faz uma defesa do capitalismo, sem falar seu nome, ao defender a propriedade privada como um “direito natural”. Zander também defende o capitalismo, sem falar nele, ao condenar os agroecologistas como anticapitalistas. Esta é a “agenda oculta” de um guardião do capitalismo.
Propondo o cultivo das relações, significados e práticas que geram, sustentam e dão sentido à vida humana e não humana, a agroecologia é um obstáculo à acumulação infinita num planeta finito. Por isso Zander é tão agressivo em sua defesa implícita do agronegocio; a agroecologia é o “novo inimigo a combater”.
Curiosamente, Zander não informa que hoje o saber científico continua imprescindível, mas é apenas um entre outros saberes relevantes e que, dentro da ciência, não existe apenas uma forma de fazer ciência, a positivista prenhe do gene do autismo científico.
Emergem outras opções paradigmáticas, como o neo-racionalismo, neo-evolucionismo e construtivismo. O paradigma positivista perdeu seu monopólio; sua contribuição continua imprescindível, mas restrita aos fenômenos físicos, químicos e biológicos cuja natureza e dinâmica não dependem da percepção humana.
Vinculada à mudança conceitual no processo de inovação, a agroecologia emerge com o construtivismo percebendo a realidade como uma trama de relações, significados e práticas entre todas as formas e modos de vida. Para Zander, o mundo é um mercado onde a existência é uma luta pela sobrevivência através da competição. Salve-se o mais competitivo!
A Casa de Salomão cultiva uma ciência para a sociedade, mas não da sociedade. A ciência praticada aí, que já foi imperial, colonial e nacional, é agora uma ciência comercial comprometida com a sustentabilidade da acumulação capitalista e não com a sustentabilidade dos modos de vida.
Na Casa de Salomão onde reside Zander, o que não emana do mercado, não serve ao mercado e não pode ser traduzido à linguagem do mercado, não existe, não é verdade ou não é relevante. Até quando? A que custo?

Por Página do MST

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

El pasado oscuro de las transnacionales alemanas: Bayer, BASF, Hoechst
Fernando Bejarano González
La transnacional alemana Bayer celebra 150 años desde su fundación con diversas actividades alrededor del mundo y describe su historia como una línea continua de innovaciones científicas que han mejorado la vida de personas y animales, pero guarda silencio sobre la contaminación del medio ambiente, la intoxicación por plaguicidas, las protestas de los trabajadores y la colaboración con el Tercer Reich que son simplemente ignorados, ofreciendo un retrato engañoso de su historia, señala  la Coalición contra los peligros de Bayer.
Miembros de dicha coalición que son accionistas minoritarios de la Bayer presentaron una serie de contramociones en la reunión anual de accionistas de esta empresa en abril del 2013, que se publicaron en su página electrónica, donde enumeran algunos de los problemas ambientales y sociales creados por la corporación. Se cita por ejemplo, su contribución económica para que se derrotara la propuesta del etiquetado de los cultivos genéticamente modificados en California, que si acepta en Europa, aplicando un doble estándar en perjuicio de los consumidores; las muertes por ensayos clínicos de productos de la empresa en la India;   las víctimas de píldoras anticonceptivas en Estados Unidos; las deformidades de una prueba hormonal en Alemania y Reino Unido; la experimentación animal con laboratorios y prácticas cuestionables, entre muchos otros problemas. 

En la contramoción relativa a la celebración de su aniversario la Coalición contra los peligros de Bayer hace responsable al Consejo de Dirección de la trasnacional por el “retrato engañoso de la historia de la empresa en su año de aniversario” y señala algunos hechos criminales. Entre ellos, destacan los acuerdos con la SS para desarrollar experimentos con prisioneros del campo de concentración de Auschwitz cuando formaba parte del cartel I.G. Farben quien tuvo el campo de trabajo esclavo de Buna/Monowitz también en Auschwitz, durante la Segunda Guerra Mundial; hechos de los que profundizaremos en este artículo con la consulta de otras fuentes y que representan el lado más oscuro no solo de la historia de la Bayer sino también de la BASF y la extinta Hoechst.
Origen de la I.G. Farben
Como señala Diarmuid Jeffreys en su 
historia de la I.G. Farben, éste fue el nombre corto de lo que se denominó la “Comunidad de intereses de las empresas del teñido” un poderoso cartel   fundado en diciembre de 1925  como resultado de la fusión de la Bayer con la  BASF, Hoechst  Agfa, Weiler -ter.Meer y Grieshem. En los  siguientes años  (1925-1945) la I.G. Farben fue consolidando su poder monopólico en Alemania, atrayendo inversionistas, fortaleciendo su inversión en investigación y desarrollo, diversificándose en otros sectores por la compra de acciones en otras empresas y expandiéndose en el mercado mundial,  hasta convertirse en la mayor corporación química del mundo, por encima de la inglesa Imperial Chemical Industries (ICI) y la estadounidense Dupont, y ser la cuarta mayor del mundo -después de  la General Motors, U.S Steel y la Standard Oil- con operaciones comerciales en 50 países de los 5 continentes.  Sus sectores productivos ya no estaban sólo en el área de los colorantes de telas, sino de insumos químicos orgánicos e inorgánicos intermedios, la farmacéutica, minas de carbón y gasolina, nitratos sintéticos (necesario para la producción de fertilizantes y explosivos) equipo fotográfico y fibras sintéticas.
Vínculos con el Partido Nacional Socialista
De acuerdo a la 
Fundación Wollheim, Diarmuid Jeffreys y otros estudiosos del tema, la I.G. Farben al crecer y aumentar su poder económico, extendió su influencia en la política alemana, apoyando a diversos partidos, desde el centro a la extrema derecha e incluso tuvo algunos representantes en el parlamento. Directivos de I.G. Farben empezaron a tener contactos con Herman Göring, brazo derecho de Hitler, y la empresa fue el contribuyente individual principal del Partido Nacional Socialista en las elecciones de 1933. Aunque su principal motivación era económica (seguir creciendo y maximizar sus ganancias como toda corporación capitalista) más que por afinidad ideológica, la I.G. Farben fue un aliado estratégico del régimen nacionalsocialista para lograr la autarquía y no depender de materias primas e insumos externos en sectores claves de la economía, como la dependencia petrolera, necesarios para los preparativos de la guerra. A Hitler le interesaban particularmente los planes de la  I.G. Farben para la producción de gasolina de síntesis proveniente del carbón, y la fabricación de caucho sintético que la corporación había denominado “Buna”. 
Los invitamos a leer el artículo completo con las referencias bibliográficas en
http://caata.org/comunicados-de-la-lista-electr-nica-de-rapam.html  donde se comenta la construcción del  complejo químico IG Auschwitz por la  IG Farben y su campo de trabajo esclavo en Auschwitz, el uso de Zkylon B en los campos de exterminio, los experimentos de la Bayer y Hoechst en prisioneros, el juicio militar de Núremberg a la IG Farben y su resolución. así como la lucha por la compensación de los sobrevivientes.
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