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domingo, 22 de setembro de 2013

Uma verdade cientificamente comprovada: os agrotóxicos fazem mal à saúde das pessoas e ao meio ambiente

Nota Conjunta Contra os Agrotóxicos - Fiocruz, INCA, Abrasco

6 de setembro de 2013


  

Historicamente, o papel da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) e da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) é de produção de conhecimento científico pautado pela ética e pelo compromisso com a sociedade e em defesa da saúde, do ambiente e da vida. Essas instituições tiveram e têm contribuição fundamental na construção e no fortalecimento do Sistema Único de Saúde.

Quando pesquisas desenvolvidas nas referidas instituições contrariam interesses de negócios poderosos, incluindo o mercado de agrotóxicos, que movimenta anualmente bilhões de reais, eventualmente elas sofrem ataques ofensivos que, transcendendo o legítimo debate público e científico, visam confundir a opinião pública utilizando subterfúgios e difamações para a defesa e manutenção do uso de substâncias perigosas à saúde e ao meio ambiente.

A Fiocruz, o Inca e a Abrasco não se eximem de seus papéis perante a sociedade e cumprem a missão de zelar pela prevenção da saúde e proteção da população. Por esta razão têm se posicionado claramente no que diz respeito aos perigos que os agrotóxicos e outras substâncias oferecem à saúde e ao meio ambiente. Desde 2008, o Brasil lidera o ranking de uso de agrotóxicos, o que gera um contexto de alto risco e exige ações prementes de controle e de transição para modelos de produção agrícola mais justos, saudáveis e sustentáveis.

As pesquisas sociais, clínicas, epidemiológicas e experimentais desenvolvidas a partir de pressupostos da saúde coletiva, em entendimento à complexa determinação social do processo saúde-doença, envolvem questões éticas relativas às vulnerabilidades sociais e ambientais que necessariamente pertencem ao mundo real no qual as populações do campo e das cidades estão inseridas.

Neste sentido, a Fiocruz, o Inca e a Abrasco estão seguros do cumprimento de seu papel. Portanto, repudiam a acusação de que são guiados por um “viés ideológico” e sem qualidade científica. As referidas instituições defendem os interesses da saúde pública e dos ecossistemas, em consonância com os direitos humanos universais, e firmados pelos princípios constitucionais que regem o Brasil.

A Fiocruz, o Inca e a Abrasco atuam há décadas em parceria com diversas universidades e institutos de pesquisas, como a Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), em que atua o professor e pesquisador Wanderlei Pignati – citado em reportagem da revista “Galileu” mencionada abaixo –, e outros que desenvolvem pesquisas sobre os impactos dos agrotóxicos e de micronutrientes na saúde e no ambiente que são idôneas, independentes, críticas, com metodologias consistentes e livres de pressões de mercado. Tais pesquisas vêm revelando a gravidade, para a saúde de trabalhadores e da população em geral, do uso de agrotóxicos, e reforçam a necessidade de medidas mais efetivas de controle e prevenção, incluindo o banimento de substâncias perigosas já proibidas em outros países e o fim da pulverização aérea.

O “Dossiê Abrasco–Um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na Saúde” registra e difunde a preocupação de pesquisadores, professores e profissionais com a escalada ascendente de uso de agrotóxicos no Brasil e a contaminação do ambiente e das pessoas dela resultante, com severos impactos na saúde pública e na segurança alimentar e nutricional da população.

Os agrotóxicos podem causar danos à saúde extremamente graves, como alterações hormonais e reprodutivas, danos hepáticos e renais, disfunções imunológicas, distúrbios cognitivos e neuromotores e cânceres, dentre outros. Muitos desses efeitos podem ocorrer em níveis de dose muito baixos, como os que têm sido encontrados em alimentos, água e ambientes contaminados. Além disso, centenas de estudos demonstram que os agrotóxicos também podem desequilibrar os ecossistemas, diminuindo a população de espécies como pássaros, sapos, peixes e abelhas. Muitos desses animais também desempenham papel importante na produção agrícola, pois atuam como polinizadores, fertilizadores e predadores naturais de outros animais que atingem as lavouras. O “Dossiê Abrasco” cita dezenas dos milhares de estudos publicados em periódicos científicos nacionais e internacionais de renome que comprovam esses achados.

É direito da população brasileira ter acesso às informações dos impactos dos agrotóxicos. Faz-se necessário avançar na construção de políticas públicas que possam proteger e promover a saúde humana e dos ecossistemas impactados negativamente pelos agrotóxicos, assim como fortalecer a regulação do uso dessas substâncias no Brasil, por meio do SUS.

Nesse sentido, a Fiocruz, o Inca e a Abrasco repudiam as declarações do diretor-executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), Eduardo Daher, e de Ângelo Trapé, da Unicamp, veiculadas na revista “Galileu” nº 266, edição de setembro de 2013, e também na entrevista divulgada no site da publicação, que atentam contra a qualidade científica das pesquisas desenvolvidas nessas instituições e, em especial, contra o “Dossiê Abrasco – Um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na Saúde”.

As palavras do diretor-executivo da Andef, que tentam desqualificar e macular a credibilidade dessas instituições, são inéditas, dado o prestígio nacional e internacional e a relevância secular que temos na área da pesquisa e formulação de políticas públicas de ciência, tecnologia e inovação em saúde, bem como na formação de profissionais altamente qualificados.

A Andef é uma associação de empresas que produzem e lucram com a comercialização de agrotóxicos no Brasil. Em 2010, o mercado dessas substâncias movimentou cerca de US$ 7,3 bilhões no país, o que corresponde a 19% do mercado global de agrotóxicos. As seis empresas que controlam esse segmento no Brasil são transnacionais (Basf, Bayer, Dupont, Monsanto, Syngenta e Dow) e associadas à Andef. As informações sobre o mercado de agrotóxicos no Brasil, assim como a relação de lucro combinado das empresas na venda de sementes transgênicas e venenos agrícolas, estão disponíveis no referido Dossiê Abrasco “Um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na Saúde”.

A Fiocruz, o Inca e a Abrasco não aceitarão pressões de setores interessados na venda de agrotóxicos e convocam a sociedade brasileira a tomar conhecimento e se mobilizar frente à grave situação em que o país se encontra, de vulnerabilidade relacionada ao uso massivo de agrotóxicos.

Misgivings About How a Weed Killer Affects the Soil
David Eggen for The New York Times Jon Kiel, left, and Verlyn Sneller of the agriculture company Verity with a corn stalk produced without a glyphosate-based herbicide.

Published: September 19, 2013
ALTON, Iowa — The puny, yellow corn stalks stand like weary sentries on one boundary of Dennis Von Arb’s field here.
David Eggen for The New York Times
Dennis von Arb, near Orange City, Iowa, is concerned about the use of glyphosate on crops.
On a windy day this spring, his neighbor sprayed glyphosate on his fields, and some of the herbicide blew onto Mr. Von Arb’s conventionally grown corn, killing the first few rows.
He’s more concerned, though, about the soil. During heavy rains in the summer, the runoff from his neighbor’s farm soaked his fields with glyphosate-laden water.
“Anything you put on the land affects the chemistry and biology of the land, and that’s a powerful pesticide,” Mr. Von Arb said.
But 20 miles down the road, Brad Vermeer brushes aside such concerns.
He grows “traited,” or biotech, corn and soy on some 1,500 acres and estimates that his yield would fall by 20 percent if he switched to conventional crops and stopped using glyphosate, known by brand names like Roundup and Buccaneer.
In short, it is just too profitable to give up.
“Local agronomists are starting to say we have to get away from Roundup,” Mr. Vermeer said. “But they’re going to have to show me that conventional genetics can produce the same income.”
The local differences over glyphosate are feeding the long-running debate over biotech crops, which currently account for roughly 90 percent of the corn, soybeans and sugar beets grown in the United States.
While regulators and many scientists say biotech crops are no different from their conventional cousins, others worry that they are damaging the environment and human health. The battle is being waged at the polls, with ballot initiatives to require labeling ofgenetically modified foods; in courtrooms, where lawyers want to undo patents on biotech seeds; and on supermarket shelves containing products promoting conventionally grown ingredients.
Now, some farmers are taking a closer look at their soil.
First patented by Monsanto as a herbicide in 1974, glyphosate has helped revolutionize farming by making it easier and cheaper to grow crops. The use of the herbicide has grown exponentially, along with biotech crops.
The pervasive use, though, is prompting some concerns.
Critics point, in part, to the rise of so-called superweeds, which are more resistant to the herbicide. To fight them, farmers sometimes have to spray the toxic herbicide two to three times during the growing season.
Then there is the feel of the soil.
Dirt in two fields around Alton where biotech corn was being grown was hard and compact. Prying corn stalks from the soil with a shovel was difficult, and when the plants finally came up, their roots were trapped in a chunk of dirt. Once freed, the roots spread out flat like a fan and were studded with only a few nodules, which are critical to the exchange of nutrients.
In comparison, conventional corn in adjacent fields could be tugged from the ground by hand, and dirt with the consistency of wet coffee grounds fell off the corn plants’ knobby roots.
“Because glyphosate moves into the soil from the plant, it seems to affect the rhizosphere, the ecology around the root zone, which in turn can affect plant health,” said Robert Kremer, a scientist at the United States Agriculture Department, who has studied the impact of glyphosate on soybeans for more than a decade and has warned of the herbicide’s impact on soil health.
Like the human microbiome, the plants’ roots systems rely on a complex system of bacteria, fungi and minerals in the soil. The combination, in the right balance, helps protect the crops from diseases and improves photosynthesis.
In some studies, scientists have found that a big selling point for the pesticide — that it binds tightly to minerals in the soil, like calcium, boron and manganese, thus preventing runoff — also means it competes with plants for those nutrients. Other research indicates that glyphosate can alter the mix of bacteria and fungi that interact with plant root systems, making them more susceptible to parasites and pathogens.
“Antibiotics kill bacteria or reduce their growth, but some of those bacteria are useful,” said Verlyn Sneller, president of Verity, a small company that sells sugar-based fertilizers and water systems and works to persuade farmers like Mr. Vermeer to switch to conventional crops.
But research detailing the adverse effects with glyphosate is limited, and other studies counter such findings.
Monsanto, which sells Roundup and seeds resistant to glyphosate, says “there is no credible evidence” that the herbicide “causes extended adverse effects to microbial processes in soil.” A team of scientists from the Agriculture Department similarly reviewedmuch of the research and found the herbicide to be fairly benign. In response to a request from Monsanto, the Environmental Protection Agency recently increased the amount of glyphosate that is allowed on food and feed crops.
 “Another factor that weighed on our minds quite a bit was that when you look at the yields of the three major glyphosate-resistant crops — corn, soybeans and cotton — there’s generally been a trend upwards that hasn’t changed since they were adopted,” said Stephen O. Duke, one of the U.S.D.A. scientists who worked on the review. “If there was a significant problem, I don’t think you’d see that.”

The roots appear healthier on the conventionally raised plant, right.
In defending the herbicide, Monsanto scientists and others cite research that has found that mineral deficiencies caused by glyphosate can be mitigated with soil additives. They also point to studies showing that the increase in plant diseases — which some have attributed to the use of the herbicide — instead could be linked to weaknesses in the variety of the plant that was chosen for genetic modification, or to the rise of “no-till” farming, which leaves plant materials that harbor pathogens on top of the soil where they can infect the next crop.
The company and the government continue to assess the impact of the herbicide.
The U.S.D.A. is conducting studies in Illinois, Mississippi and Maryland. Earlier this year, Monsanto bought parts of a company founded by J. Craig Venter, the first scientist to sequence the human genome, as part of an effort to develop microbes and other “agricultural biologicals.” The foray into microbes, said Robert T. Fraley, Monsanto’s chief technologist, is to improve yield and address some of the issues raised about glyphosate.
Until the debate is settled, some farmers in the Corn Belt are rethinking their methods.
Several years ago, Mike Verhoef switched to biotech corn and soybeans on his 330 acres in Sanborn, Iowa. He regularly rotated the two crops with oats, which are not genetically engineered, to help replenish the nutrients in the soil.
Almost immediately, he said problems emerged. He noticed that his soil was becoming harder and more compact, requiring a bigger tractor — and more gas — to pull the same equipment across it. The yield on his oats also dropped over time by about half.
“It took me that long to figure out what was going on,” Mr. Verhoef said. “What I was using to treat the traited corn and soy was doing something to my soil that was killing off my oats.”
Two years ago, he gave up and started growing conventional crops again. He is now working with Verity to improve soil quality and says his yields of conventional corn and soy are “average to above average” compared with neighbors growing biotech crops. It does take a bit more work, he acknowledges, since he has to walk his fields and figure out what mix of products is needed to treat the issues.

Although a neighbor told him that he would go broke growing conventional crops, Mr. Verhoef has no plans to go back to genetically engineered varieties. “So far, so good,” Mr. Verhoef said. “I’m not turning back, because I haven’t seen anything that is going to change my mind about glyphosate.”

sábado, 21 de setembro de 2013

NÃO ao herbicida 2,4D

NÃO ao herbicida 2,4D
1,000
925
925 assinaturas. Vamos chegar a 1,000

ASSINE A PETIÇÃO

A ser entregue para:

Membros da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).
https://secure.avaaz.org/po/petition/NAO_ao_herbicida_24D_2/?tfNiyab

Por que isto é importante

A Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) e o Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (Ingá), com o apoio do Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente (Mogdema), entre outros movimentos, preocupados que o Brasil se torne o primeiro país a liberar comercialmente um evento para culturas transgênicas ligadas ao uso de um herbicida componente do Agente Laranja, utilizado na Guerra do Vietnã, clama aos membros da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), em especial os relatores, alguns deles pesquisadores de universidades e outras instituições públicas, inclusive do Rio Grande do Sul, a se posicionarem contra a liberação do herbicida 2,4D.


No próximo dia 19 de setembro de 2013, haverá reunião da CTNBio, onde constam três processos de liberação comercial para sementes transgênicas de soja e milho, da empresa Dow AgroSciences, com adaptação ao herbicida 2,4-D, de alta toxicidade, junto com outros herbicidas, entre eles o glifosato e glifosinato de amônio, também tóxicos. A intenção dos transgênicos é resistir a estes agrotóxicos potentes, que matam as chamadas “ervas daninha”. Mas, segundo dados do próprio Ministério da Agricultura, no Brasil, em menos de 10 anos (2002-2011), ocorreu aumento de 70% na comercialização destes produtos, enquanto a expansão da área agrícola foi menor (60%). Desde 2009, o Brasil é o país que mais usa agrotóxicos, apesar do advento dos transgênicos na agricultura, a partir da lei de Biossegurança (2005).



O herbicida 2,4-D (ácido diclorofenoxiacético) foi desenvolvido a partir do ano de 1940, durante a segunda guerra mundial, sendo na década de 1960 um dos componentes do agente laranja (junto com o 2,4,5-T, na guerra do Vietnã). É um produto que foi usado como arma química, causando a morte e malformações em milhares de pessoas. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) classificou o 2,4-D como Extremamente Tóxico para a saúde (Classe I) e Perigoso para o Meio Ambiente (Classe III). Os maiores riscos para a saúde residem no potencial de perturbador endócrino, sendo potencialmente cancerígeno. Os perturbadores endócrinos podem causar danos sérios e irreversíveis à saúde humana durante o desenvolvimento fetal e infantil. Além da característica de teratogênico, com fortes evidências de também ser genotóxico.



Existem alternativas ao uso de herbicidas. A mais inteligente é a busca da necessária reconciliação com os processos agroecológicos, com biodiversidade, mudando o sistema de monoculturas de exportação quimiodependentes, o qual esta sendo responsável pela destruição dos biomas brasileiros.



A Sociedade brasileira exige um debate aberto sobre as consequências destes eventos transgênicos que estão promovendo o uso de agrotóxicos, agora ainda mais tóxicos, comprometendo a saúde da população e o meio ambiente.



www.agapan.org.br; www.inga.org.br; mogdema.blogspot.com

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

19/09/2013 - 17h25 Comissões - Direitos Humanos - Atualizado em 19/09/2013 - 21h39

Falta de controle no uso de agrotóxicos pode levar a CPI no Senado

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Da Redação
A presidente da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), Ana Rita (PT-ES), vai avaliar a possibilidade da criação de uma comissão parlamentar de inquérito para investigar o uso de agrotóxicos pelo agronegócio. Ana Rita falou ao final da audiência pública sobre o tema nesta quinta-feira (19), ocasião em que se analisou caso grave de contaminação ocorrido em Rio Verde (GO), em maio deste ano.
Num relato que deixou estarrecidos os participantes da audiência, a mãe de um garoto intoxicado e o diretor da escola rural na qual ele estuda contaram que o piloto de um avião agrícola pulverizou veneno perto do estabelecimento de ensino, atingindo 29 crianças e oito adultos na hora do recreio. Os responsáveis foram presos e liberados após pagarem fiança. As vítimas estão sem assistência médica adequada.
Diante dessa narrativa e de outros problemas abordados na audiência, o presidente da Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Legislação Participativa da Assembleia Legislativa de Goiás, deputado estadual Mauro Rubem (PT-GO), propôs a instalação de uma CPI.
Crime
O coordenador da Campanha Permanente contra Agrotóxicos e pela Vida, Cleber Folgado, chamou de crime o que aconteceu em Rio Verde. E o pior: não se trata de um caso isolado. Para ele, a pulverização aérea de agrotóxicos deveria ser proibida no Brasil, pois, além de ser uma forma irresponsável de combate a pragas, é ineficiente.
–  Apenas 30% do que é pulverizado pelo avião é o que chega na planta, 70% vai para a água e para as pessoas. Isso é irresponsabilidade – protestou.
De acordo com o representante da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Fernando Carneiro, um levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que  80% das propriedades maiores de cem hectares utilizam agrotóxicos em suas plantações.
Segundo Carneiro, pesquisas realizadas no país já identificaram a presença de agrotóxico até no leite materno de 62 mães no município de Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso. Outro estudo citado por ele identifica um aumento de 38% nas taxas de mortalidade por câncer em municípios onde há forte presença do agronegócio.
– O agronegócio tem nos deixado em encruzilhadas perversas – lamentou.
O representante da Abrasco mencionou ainda tese de doutorado que aponta uma corrida desigual: para cada dólar gasto com agrotóxico no Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) desembolsa US$ 1,28 no tratamento de pessoas intoxicadas - praticamente 30% a mais.
Problemas na Anvisa
Cleber Folgado questionou a demora da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em reavaliar 14 princípios ativos de agrotóxicos que estão em análise desde 2008 e já foram banidos em vários países do mundo. Segundo ele, a lentidão se deve a pressão da bancada ruralista.
O diretor de Coordenação e Articulação do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária da Anvisa, Jaime Oliveira, disse que o órgão tem dificuldades em fazer uma reavaliação mais rápida desses agrotóxicos por problemas estruturais da própria agência. Segundo Oliveira, as reavaliações são complexas devido ao fato de serem produtos consolidados no mercado e muito usados na agricultura brasileira.
– Não é segredo para ninguém que a área de toxicologia da Anvisa está passando por uma reformulação, não só a área de agrotóxicos. Porque a estrutura institucional da Anvisa não estava mais conseguindo dar respostas aos desafios que nós temos que enfrentar – disse.
Já Fernando Carneiro, da Abrasco, ressaltou a deficiência de pessoal da Anvisa para controlar o uso de defensivos agrícolas. Enquanto na agência brasileira 21 técnicos trabalham no setor de agrotóxicos, o órgão similar nos Estados Unidos emprega 700 pessoas.
Para o  procurador da República no município de Rio Verde, Wilson Assis, a Anvisa deveria adotar o princípio da precaução e suspender o uso desses agrotóxicos até que seja concluída a reavaliação. Assis também é de opinião que o Brasil deveria, como a maioria dos países, fazer uma revisão periódica automática desses produtos.
Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Curso internacional de agroecología - Red Agres

Las presentaciones del curso internacional corto de agroecología realizado en Lima del 8-9 de septiembre las pueden bajar de:

doctoradoagroeco.org

Memorias del Curso RedAgres

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Memorias del curso Agrecología, Resistencia y Seguridad. Lima – Perú, Septiembre 8 y 9
DIA 1
DIA 2
foto curso 1
IMG_0673

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Detector de agrotóxico

Novo biossensor pode indicar presença de pesticida em amostras de solo, água e alimentos. A tecnologia, resultado de uma parceria entre pesquisadores da UFMT e da USP, tem baixo custo e poderá auxiliar práticas de controle ambiental.
Por: Henrique Kugler
Publicado em 09/09/2013 | Atualizado em 09/09/2013
Detector de agrotóxico
O novo sensor detecta, em amostras de solo, água ou alimento, os níveis de contaminação por metamidofós, pesticida altamente tóxico usado principalmente nas culturas de soja, milho, algodão, tomate, batata, pimentão e morango. (foto: divulgação)
Talvez você não o conheça. Mas certamente já ingeriu doses homeopáticas desse silencioso veneno. Estamos falando do metamidofós – um dos pesticidas mais utilizados nas lavouras brasileiras até muito recentemente.
Sua comercialização foi proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2012. Ainda perduram, no entanto, seus efeitos toxicológicos no ambiente e na saúde humana.
“Trata-se de um biossensor compacto e de baixo custo”
E como saber se determinada amostra de solo, água ou alimento está contaminada com esse pesticida? A resposta pode ser dada pelo novo biossensor desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e da Universidade de São Paulo (USP), campus de São Carlos. É uma espécie de ‘detector de agrotóxico’.
“Trata-se de um biossensor compacto e de baixo custo”, define a matemática Izabela Gutierrez de Arruda, que projetou o aparelho durante seu mestrado no Instituto de Física da UFMT. O princípio é simples: em uma fina película especial, é colocada uma enzima chamada acetilcolinesterase, que está naturalmente presente no organismo humano e atua nas ligações entre os neurônios (sinapses). O metamidofós ataca essa enzima, podendo provocar graves danos à saúde.
Em condições normais, a acetilcolinesterase emite prótons. Mas, em contato com moléculas de metamidofós, essa produção é alterada. A leitura dessa alteração pelo aparelho indica que determinada amostra está contaminada com o pesticida.
Biossensor de agrotóxico
A pequena fita contém acetilcolinesterase, enzima que sofre uma alteração em seu padrão de emissão de prótons quando entra em contato com o metamidofós, o que permite detectar a presença desse pesticida nas amostras analisadas. (foto: divulgação)
“A detecção é feita em poucos minutos”, diz Gutierrez, explicando que, pelos métodos tradicionais, o tempo de espera é muito maior. “Hoje geralmente aferimos a presença de resíduos de pesticida em amostras após enviá-las a laboratórios de cromatografia e espectroscopia.”
A tecnologia traz ainda outra vantagem: ela pode ser facilmente adaptada para detectar outros agroquímicos além do metamidofós.

Primeira patente em 40 anos

A ideia ainda não ultrapassou as fronteiras da academia. Mas o projeto já está devidamente patenteado – é, aliás, a primeira patente registrada na UFMT, após 40 anos de existência dessa instituição. “Aguardamos a iniciativa do setor privado, que deve logo se interessar em produzir o novo biossensor”, comenta um dos orientadores do projeto, o físico da USP Francisco Eduardo Gontijo Guimarães. Segundo os cálculos da equipe, cada aparelho deverá custar entre R$100 e R$200.
Cada aparelho deverá custar entre R$100 e R$200
“O biossensor pode ser útil à indústria alimentícia”, prevê Izabela Gutierrez. Ela diz que produtores rurais e agentes de fiscalização também poderão se beneficiar do aparelho para otimizar práticas de controle ambiental. “O próprio Ministério da Saúde pode se interessar, dado que o uso de agrotóxicos é, atualmente, um problema de saúde pública.”
Contaminação do lençol freático, dos rios e dos solos, danos neurológicos, convulsões, distúrbios de concentração e memória... A lista de danos associados a esse agrotóxico é extensa.
Embora o metamidofós tenha sido proibido, os pesquisadores acreditam que ele ainda pode estar sendo usado em nossas lavouras. Só para constar: em Mato Grosso, o maior usuário nacional desse pesticida, o consumo anual era de, em média, seis milhões de litros por ano.
Os caminhos e descaminhos de nossas práticas agrícolas estão registrados na reportagem 'Paraíso dos agrotóxicos', publicada em setembro passado na Ciência Hoje. O impacto dos pesticidas na saúde pública foi abordado na vídeo-reportagem'Agrotóxicos: dúvidas, evidências e desafios', veiculada no fim de 2012 aqui na CH On-line. Esse tema também já foi submetido ao exame crítico e minucioso de nosso colunista, Jean Remy Guimarães, no texto 'Pesticidas, saúde e o custo social da revolução verde', que deu muito o que falar.

Henrique Kugler
Ciência Hoje On-line

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

1 em cada 3 alimentos é desperdiçado no mundo; prejuízo chega a US$ 750 bi

Da Agência Brasil
  • Apu Gomes/Folhapress
A FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) afirmou nesta quarta-feira (11), em estudo publicado em Roma (Itália), que o desperdício com alimentos no mundo pode causar cerca de US$ 750 bilhões anuais de prejuízo.
Pelo relatório, 54% do desperdício de comida no mundo ocorre na fase inicial da produção –na manipulação, após a colheita e na armazenagem. Os restantes 46% de perdas ocorrem nas etapas de processamento, distribuição e consumo. Os produtos que se perdem ao longo do processo variam em cada região.
O diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva, afirmou que, além do impacto econômico, o desperdício de alimentos afeta diretamente populações em todo o mundo.
"Não podemos permitir que um terço de todos os alimentos que produzimos seja perdido ou desperdiçado devido a práticas inadequadas, enquanto 870 milhões de pessoas passam fome todos os dias", disse.
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Veja como aproveitar melhor os alimentos utilizando cascas, sementes e talos 16 fotos

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Folhas de cenoura: "Elas são ricas em vitamina A, importante para a saúde dos olhos, pele, cabelos e para o crescimento", afirma a nutricionista Bruna di Chiara Passos. Portanto, não devem ir para o lixo. Depois de bem lavadas, podem ser usadas para fazer bolinhos ou até mesmo para substituir o uso da salsinha, já que as duas são extremamente parecidas em aspecto e sabor Leia mais Flavio Florido/Folhapress

Medidas preventivas devem ser adotadas

Graziano afirma ainda que medidas preventivas devem ser adotadas por todos – agricultores, pescadores, processadores de alimentos, supermercados, os governos locais e nacionais, assim como os consumidores.
"Temos que fazer mudanças em todos os elos da cadeia alimentar humana para impedir que ocorra o desperdício de alimentos. Em seguida, temos de promover reutilização e reciclagem", disse.
Graziano afirmou que há situações que provocam o desperdício de alimentos devido a "práticas inadequadas" na produção. Ele declarou que a FAO criou um manual que mostra medidas adotadas por governos nacionais e locais, agricultores, empresas e consumidores para resolver o problema.
O diretor-executivo do Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), Achim Steiner, disse que o ideal é buscar o caminho da sustentabilidade, ao qual devem aderir todos os que participam da cadeia alimentar –do produtor ao consumidor.

Problemas em todo o mundo

Na Ásia, o problema são as perdas envolvendo os cereais, em particular, o arroz. O prejuízo com carne é menor, segundo os dados. Porém, os resíduos de frutas contribuem significativamente para o desperdício de água no continente asiático, assim como na Europa e na América Latina.
Nos países em desenvolvimento, os maiores prejuízos ocorrem na fase após a colheita. A FAO recomenda que seja feito um esforço coletivo para orientar as colheitas e equilibrar a produção com a demanda. Também faz sugestões sobre a reutilização e recuperação de alimentos. Uma síntese do estudo, publicado hoje, está na página da organização, em inglês.
Na África central, as plantações de mandioca são responsáveis por desmatamento na região, apesar de, por ser raiz, não afetar a biodiversidade e ser plantada em monoculturas.
Recentemente, a FAO publicou um estudo em que a mandioca é considerada o alimento do futuro. Segundo a organização, é um tubérculo com "grande potencial" e pode se transformar no principal cultivo do século 21 se for realizado um modelo de agricultura sustentável que satisfaça o aumento da demanda.