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quinta-feira, 30 de maio de 2013

Manifesto do 6º Seminário Estadual de Agroecologia de SC

http://seagroecologia2013.blogspot.com.br/p/manifesto.html
Manifesto apresenta pautas e desafios da agroecologia em SC

Documento é o resultado do VI Seminário Estadual de Agroecologia, 
que reuniu mais de 2,5 mil pessoas em Pinhalzinho, no Extremo Oeste, na última semana

Um documento contendo 20 ações e políticas fundamentais à agroecologia foi aprovado, na última sexta-feira (24), no encerramento do VI Seminário Estadual de Agroecologia, em Pinhalzinho. A atividade, que iniciou na quinta (23), reuniu mais de 2,5 mil pessoas em painéis, palestras, debates, oficinas e visitas a experiências agroecológicas.

“O Seminário sintetiza um acúmulo de muitos debates, pesquisas e dados que apontam para a necessidade de revisão do sistema produtivo de alimentos aqui e no Brasil”, afirma o vice-reitor da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), professor Antônio Inácio Andriolli, que participou do evento na Mesa Redonda da tarde de quinta-feira, sobre a utilização de transgênicos no País. A UFFS é uma das universidades que integra o grupo de mais de 20 instituições, entidades, associações, cooperativas e grupos que promoveram o Seminário em Pinhalzinho.

Na avaliação de Adriano Scariot, integrante da Comissão de Organização do Seminário, o documento apresentado pelos participantes, intitulado “Manifesto Agroecológico de Pinhalzinho”, organiza as demandas da agroecologia de forma a envolver não só os Poderes Públicos, mas a própria sociedade, no debate por mudanças no sistema produtivo agrícola, em Santa Catarina e no Brasil. “A questão do uso da estrutura pública de pesquisa e extensão é um dos pontos que queremos debater. Precisamos, sim, que estas estruturas atuem no apoio ao sistema agroecológico”, observa Scariot.

Documento aponta prioridades

Entre os principais pontos aprovados no “Manifesto Agroecológico de Pinhalzinho” estão a garantia, em todos os espaços institucionais, que a alimentação escolar seja contemplada no mínimo por 30% de produtos oriundos da agroecologia; a implementação de políticas públicas de incentivo à produção de sementes básicas orgânicas; a implantação, por parte do poder público, de linhas de crédito adequadas à agroecologia; e uma Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) que leve em conta não só a produção agrícola das famílias, mas sim o contexto cultural e social do campo.

Este último ponto, segundo os especialistas no setor, é fundamental para garantir a redução do êxodo rural e o apoio às famílias do campo, com qualidade de vida. Ele se une a outro ponto, o último do documento, que é a criação de um programa para pagamento de bolsa de estímulo aos jovens agricultores agroecológicos, para que permaneçam no campo.

Outra questão considerada fundamental é a garantia de subsídios públicos para a produção agroecológica, dirigida a agricultores em processo de transição de uma produção agroquímica para a agroecológica.

VEJA ABAIXO A ÍNTEGRA DO DOCUMENTO

MANIFESTO AGROECOLÓGICO DE PINHALZINHO


O VI Seminário Estadual de Agroecologia, realizado em Pinhalzinho, é o mais recente resultado de uma sequência de ações e debates, iniciados em 1999, na cidade de Rio do Sul, com o I Seminário, e que se seguiu em Chapecó (2001), Florianópolis (2005), Lages (2008), e São Miguel do Oeste(2010).

Agora com o tema “Semeando possibilidades, colhendo novas realidades”, os mais de 2.500 presentes, entre agricultores e agricultoras, estudantes, professores, agentes públicos, pesquisadores, técnicos, extensionistas, sindicatos, movimentos sociais e organizações afins, oriundos de mais de 220 municípios de diversas regiões de Santa Catarina e de outros Estados, vêm a público apresentar o acúmulo desta caminhada de 14 anos.

Reafirmamos nosso objetivo comum de lutar para construir e estimular um sistema de agricultura sustentável para toda a coletividade humana, baseado nos princípios da agroecologia.

Denunciamos e repudiamos o emprego da ciência e da política a serviço de interesses privados, que comprometem a biodiversidade no Planeta. As regras da CTNBIO com relação aos transgênicos contrariam a biossegurança e o princípio da precaução, e são vulneráveis aos interesses comerciais.

Repudiamos o subsídio destinado à aquisição de sementes transgênicas através de programas públicos, como o Programa Troca-troca, do Governo do Estado de Santa Catarina.

Da mesma forma, denunciamos e manifestamos contrariedade com os critérios de liberação e uso de agrotóxicos já proibidos em outros países; muitos, inclusive, proibidos nos próprios países onde são produzidos. Tais procedimentos afrontam o direito humano mais fundamental, a vida, e comprometem a qualidade das águas, solo e biodiversidade.

Preocupa-nos a ausência de políticas estruturantes para a permanência da juventude no meio rural catarinense, onde se confirma um grande êxodo, perda de identidade cultural, masculinização e envelhecimento da população camponesa.

O papel da Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) deve ir além da questão agrícola. Precisa promover inclusão social e reintroduzir o enfoque agroecológico como eixo das ações de governo, e não apenas como mudanças técnicas pontuais, orientadas para a conquista de nichos de mercado de produtos orgânicos.

A ATER também deve levar em conta, nos editais e chamamentos públicos, o trabalho histórico das ONGs e cooperativas junto aos agricultores agroecológicos, reconhecendo, ampliando e efetivando sua participação.

Ressaltamos o protagonismo das mulheres na agroecologia. Com sua fibra, coragem, determinação, cuidado e amor à vida são cada vez mais determinantes nos espaços de produção, comercialização, consumo e organização. As mulheres fornecem exemplos que pavimentam um novo jeito de ver e fazer agricultura, harmonizado com a natureza, com a saúde, a solidariedade, a liberdade e dignidade humanas. As políticas públicas e ações no campo da agroecologia devem, portanto, estar fundamentalmente orientadas para elas, suas demandas, anseios e necessidades.

A educação e a pesquisa, principalmente a pública, devem ter como prioridade científica e metodológica a agroecologia, promovendo o diálogo permanente entre conhecimentos acadêmicos e populares. Essa pluralidade metodológica valoriza diferentes estratégias para a inserção do enfoque agroecológico nas instituições de ensino, superando a noção clássica de pesquisa & desenvolvimento, assim como o enfoque de transferência de Tecnologia.

A inserção de alimentos da agricultura familiar agroecológica junto às estruturas públicas consumidoras ainda é limitada, devendo ter uma maior abertura e valorização social, democratizando o acesso ao alimento agroecológico e oportunizando a organização e a inclusão de novas famílias.

Defendemos que os poderes Executivo e Legislativo catarinense atuem na formulação e estruturação de políticas e programas públicos que atendam aos interesses da agricultura familiar ecológica, além de campanhas educativas voltadas aos agricultores e consumidores, conscientizando para uma a produção e consumo de alimentos saudáveis.

Imbuídos deste espírito de compromisso, responsabilidade e amor pela vida propomos:

1. Realização de eventos regionais e estaduais que tratem e envolvam a juventude rural, estudantes de diferentes áreas e organizações parceiras;

2. Que o poder público, as instituições de ensino, pesquisa e extensão e os agentes financiadores valorizem e validem o uso de tecnologias sustentáveis, como a bioconstrução, para a habitação rural;

3. Implementação de políticas públicas de apoio aos Sistemas Participativos de Certificação de produtos orgânicos;

4. Identificar e realizar esforços públicos e não públicos direcionados a organizar as demandas por abastecimento, bem como as diferentes formas de circulação de produtos, atendendo mercados diversos, principalmente o Institucional;

5. Desburocratização da legislação que normatiza o credenciamento dos Organismos Participativos de Avaliação da Conformidade Orgânica – OPAC (Instrução Normativa 19 de 2009) a fim de facilitar a ampliação dos Sistemas Participativos de Garantia dos produtos orgânicos e oportunizar que mais grupos de agricultores possam organizar a sua produção e comercialização;

6. Garantir, em todos os espaços institucionais, que a Alimentação Escolar seja contemplada no mínimo por 30% de produtos oriundos da agroecologia;

7. Cancelamento dos contratos de terceirização da alimentação escolar, em Santa Catarina, em função da queda na qualidade do alimento e do desrespeito à Lei que prevê aquisição de 30% dos produtos da agricultura familiar;

8. Implementação de políticas públicas de incentivo a produção de sementes básicas orgânicas por parte do Poder Público e entidades ligadas a produção agroecológica;

9. Moratória imediata à liberação de qualquer tipo de Organismo Geneticamente Modificado (OGM);

10. Proibição da utilização de sementes transgênicas nas políticas de troca-troca e distribuição de sementes no Estado de Santa Catarina;

11. Incorporação das mudas e sementes agroecológicas e crioulas nos programas de troca-troca e distribuição de sementes;

12. Implementação, por parte do poder público, de linhas de crédito sem juros, ou com juros subsidiados específicos e adequados à agroecologia. Controles mais rígidos e eficientes da comercialização de agrotóxicos, responsabilizando as estruturas de vendas, agricultores e técnicos e técnicas envolvidos(as);

13. Desburocratização da ATER pública;

14. Aliar o conjunto de necessidades de ATER com a educação agroecológica, de modo a aproveitar o conhecimento adquirido nas escolas, levando em conta as necessidades que os agricultores têm em produzir com base na agroecologia;

15. Retirada de tributos (por exemplo, ICMS) dos alimentos oriundos da Agricultura Familiar Ecológica;

16. Que as feiras livres e espaços de venda direta sejam considerados pelo Ministério do Desenvolvimento Social como “equipamentos públicos de segurança alimentar e nutricional;

17. Que a educação formal e não formal sejam consideradas como um dos grandes pilares de sustentação dos processos agroecológicos;

18. Que as entidades ligadas à agroecologia se reúnam para estabelecer plano de trabalho para a construção da Política Estadual de Agroecologia;

19. Subsídios públicos para a produção agroecológica e agricultores em processo de transição para a agroecologia;

20. Criação de programa para pagamento de bolsa para estimular os jovens agricultores agroecológicos a permanecerem no campo.



Pinhalzinho, outono de 2013.

Encontro Nacional do FBSSAN defende comida como patrimônio cultural

fbssanPor Gilka Resende, do FBSSAN
O 7º Encontro Nacional do Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (FBSSAN) ocorrerá em Porto Alegre, entre os dias 4 e 6 de junho. Com o tema “Que alimentos (não) estamos comendo?”, o objetivo será debater os alimentos como patrimônios culturais, refletindo sobre diferentes perspectivas: produção, processamento, abastecimento e consumo.
De acordo com Vanessa Schottz, da Secretaria Executiva do FBSSAN, o evento reunirá cerca de 130 pessoas de diferentes campos de conhecimento - Saúde, Nutrição, Direitos Humanos, Agroecologia, Reforma Agrária, Direito das Mulheres, Educação Popular, Indígena, dentre outros - para fazer uma leitura crítica do atual sistema alimentar. Para isso, encontros e seminários regionais ocorreram nos meses de abril e maio. Essa dinâmica foi importante, ressalta Vanessa, para reunir propostas que reflitam as realidades de cada estado.
Ela lembra que a questão alimentar não está restrita ao papel biológico da manutenção da vida, tendo relação direta com as dinâmicas econômica, social e ambiental.“Vivenciamos o domínio das grandes corporações do ramo alimentício. Então, durante o Encontro, buscaremos identificar novos temas e questões que precisam entrar na agenda política quando o assunto é alimentação”, explicou.
Crise alimentar ou sistema alimentar em crise?
Essa questão dá título à primeira mesa de debates do Encontro. Além de analisar os impactos de um modelo de agricultura que concentra terras e tem como base o uso de venenos, o agronegócio, Vanessa afirma que será tema o papel do Estado na garantia do Direito Humano à Alimentação.
Outro painel vai abordar o abastecimento alimentar relacionado à promoção da saúde, à preservação ambiental e ao valor dos mercados institucionais como políticas públicas.“Hoje vivemos a especialização da produção, ou seja, cada local volta seu cultivo, muitas vezes, para apenas um alimento. Isso tem a ver com a competitividade dos mercados e vai totalmente contra a diversificação dos alimentos, tão importante para a soberania e a segurança alimentar de cada país”, garantiu Vanessa.
A programação conta, ainda, com um terceiro painel. Este colocará em questão o próprio conceito de alimento. Em tempos do uso indiscriminado de agrotóxicos e de artificialização dos alimentos, o desafio será provocar reflexões, por exemplo, sobre o sentido das palavras “qualidade” e “saudável”. O Brasil é campeão mundial no uso de venenos agrícolas desde 2008, segundo a Campanha contra os Agrotóxicos e pela Vida. No país, até mesmo a tradicional combinação “arroz e feijão” já se encontra ameaçada pela transgenia.
Alimento como patrimônio imaterial
Regina Miranda, nutricionista do Fórum Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável (Fesans/RS), ressalta que, mais que discutir o alimento como patrimônio imaterial, os organizadores do Encontro também tiveram o cuidado de guardar na prática uma coerência com a proposta. “Nosso cardápio terá comidas de influência indígena, negra e portuguesa. Também vamos ter as culinárias alemã e italiana, fortes no Sul do país”, contou.
As especificidades alimentares foram consideradas. Haverá alimentos para pessoas que não podem comer glúten, açúcar ou lactose. Para aquelas que não comem carne, serão servidos nutritivos pratos vegetarianos ou veganos. A elaboração do cardápio, relata Regina, foi fruto do trabalho coletivo de nutricionistas que integram a comissão organizadora local. Já as sacolas ecológicas, que serão distribuídas aos participantes, foram confeccionadas pelo grupo de economia solidária Cáritas Paróquia Nossa Senhora da Piedade, da cidade gaúcha de Novo Hamburgo.
Além disso, os alimentos do Encontro serão agroecológicos. Eles foram adquiridos na Loja da Reforma Agrária, que fica no Mercado Público Central de Porto Alegre. “Sem agrotóxico, outros químicos ou sementes transgênicas. Acreditamos que a agroecologia é o modo adequado de produção, já que recupera, promove e mantem o equilíbrio com a natureza. Parte do princípio que os seres humanos têm o direito de se alimentar adequadamente, e nem por isso precisam pagar caro”, afirma Regina, que também integra a Emater/RS.
Além de painéis e de uma plenária, a programação do 7º Encontro Nacional do FBSSAN prevê oficinas sobre o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan); a agricultura urbana; produção artesanal e familiar de alimentos; a regulação da publicidade infantil; dentre outras. E, na tentativa de estabelecer diálogos com o poder público e ampliar os debates à população de Porto Alegre, a Roda de Conversa “Patrimônio Alimentar e Resistência Cultural: dimensões estratégicas de luta pela comida” foi marcada para acontecer no próximo dia 4, às 18h30, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.
(*) Veja a programação completa.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

VI SEMINÁRIO ESTADUAL DE AGROECOLOGIA - SC

PROGRAMAÇÃO

QUINTA-FEIRA – 23/05
8h - Recepção, Inscrição e Café da manhã.
9h - Abertura
10h - Palestra I
TEMA: Agroecologia e desenvolvimento (ATER)
PALESTRANTE: Gervasio Paulus (Diretor Técnico da Emater-RS)
11h 30 - Debate
12h 30 - Almoço
14h - Abertura da Feira
14h 30 - Mesa Redonda I - Agroecologia e Soberania Alimentar: Ameaças dos transgênicos e agrotóxicos 
Leonardo Melgarejo (representante do MDA na CNTBio)
Rubens Nodari (Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC)
Eduardo Amaral Borges (Conselho Nacional de Segurança Alimentar)
Coordenador:  Antônio Inácio Andriolli (Universidade Federal da Fronteira Sul - UFFS)

Mesa Redonda II -  Desafios da Certificação Orgânica e Agroecológica
Eduardo Amaral (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA)
Laercio Meireles (Rede Ecovida de Agroecologia/ Centro Ecológico - RS)
Coordenador: Natal João Magnanti (Centro Vianei)
17h 30 - Apresentações (Na Feira)
18h 30 - Janta
20h 30 -  Atividade Cultural
SEXTA-FEIRA – 24/05
7h - Café
8h 30 - 12h  - Oficinas/Minicursos
1. Sementes Crioulas
2. Manejo de Água e Solo
3. Plantas Medicinais
4. Certificação Participativa
5. Reaproveitamento de Alimentos
6. Agroecologia e Comercialização
7. Agroecologia e Juventude
8h 30 - 12h -  Relatos de Experiências
1. PAA – PNAE 
2. Leite Orgânico Certificado
3. Associativismo e Agroecologia
4. Soja Orgânico
5. Sistemas Agroflorestais
6. Certificação Agroecológica-Hortifruticultura
8h30 - 12h - Visitas
1. Horticultura/fruticultura
2. Produção de Leite a Base de Pasto
3. Bioconstrução

12h - Almoço
13h 30 - Palestra II - Convergências e Divergências: a política nacional de agroecologia e produção orgânica
PALESTRANTES:  Natal João Magnanti (Centro Vianei) e João Carlos Costa Gomes (Embrapa Clima Temperado - Pelotas - RS)
15h 30 -  Encaminhamentos e Encerramento com Coquetel Agroecológico.

quinta-feira, 16 de maio de 2013


Relatório do Seminário de Pesquisa e Política de Sementes no Semiárido Paraibano

Semente da PaixãoFoi um momento histórico para os movimentos sociais, agricultores e agricultoras que lutam pela preservação e valorização das sementes crioulas na Paraíba. O seminário “Pesquisa e a Política de Sementes no Semiárido”, realizado nos dias 30 e 31 de maio, no município de Lagoa Seca (PB), debateu os resultados da pesquisa conduzida em parceria pela Embrapa Tabuleiros Costeiros e a Articulação do Semiárido Paraibano (ASA-PB), com o apoio da Universidade Federal da Paraíba e o financiamento do CNPq. O encontro reuniu pesquisadores de diversas instituições, agricultores(as), representantes de movimentos sociais e organizações de assessoria, professores, estudantes e gestores públicos federais e estaduais.
A pesquisa foi realizada ao longo de três anos por meio de diversos ensaios de competição entre três variedades de milho distribuídas por programas públicos e cerca de 20 variedades de sementes crioulas cultivadas em várias regiões do estado. Em todos os campos de teste, as sementes da paixão, nome dado pelos agricultores às variedades locais, apresentaram desempenho produtivo equivalente ou superior ao das variedades distribuídas pelo governo. Os experimentos foram realizados na região da Borborema, no agreste paraibano, e no Cariri, região mais seca do estado da Paraíba.
Os agricultores participaram de todas as etapas do processo e realizaram o manejo sem o emprego de agroquímicos. Como as chuvas variaram de ano para ano e de local para local, foi possível confirmar que o uso da diversidade de variedades sempre assegura maior segurança do que as sementes melhoradas em centros de pesquisa com o uso de adubação química e irrigação. Além da produtividade dos grãos, várias outras características das variedades e que interessam aos agricultores foram avaliadas. Entre elas destacam-se: a espessura da planta, a quantidade de palha, a cor, o peso e tamanho das sementes, além da resistência a pragas e secas.

Livro: Agrofloresta, Ecologia e Sociedade

Acesse: http://www.icmbio.gov.br/educacaoambiental/images/stories/biblioteca/permacultura/livro_AGROFLORESTA_ECOLOGIA_E_SOCIEDADE.pdf



quinta-feira, 2 de maio de 2013

Europa recentemente aprovou por votos uma proibição aos pesticidas de abelhas.

Citações de email da Avaaz:


"As abelhas são responsáveis por polinizar ⅔ de todos os nossos alimentos. Por isso, quando os cientistas começaram a notar que, silenciosamente, as abelhas morriam em proporções aterrorizantes, a Avaaz entrou com tudo, e não parou até alcançar uma vitória. A vitória dessa semana é fruto de dois anos de campanhas que começaram com o envio de mensagens para ministros de governos, organização de protestos para chamar a atenção da mídia junto com criadores de abelhas, comissionamento de pesquisas de opinião e muito, muito mais.

  • Assegurando a posição da França. Em janeiro de 2011, 1 milhão de pessoas assinaram nosso pedido para a França fazer valer a lei sobre o banimento de pesticidas neonicotinoides mortais. Membros da Avaaz participaram, junto com criadores de abelhas, de uma reunião com o Ministro da Agricultura francês, irradiando força e pressionando-o para que ele não se intimidasse pelo lobby da indústria emantivesse a proibição aos pesticidas, assim enviando um forte sinal para outros países europeus.
  • Bernie em Bruxelas

    Bernie, a abelha gigante infável, ajudou na entrega de nossa petição com 2.6 mihões de assinaturas em Bruxelas
  • Cara à cara com a indústria. Bayer viu a Avaaz e seus aliados protestarem ferozmente nos últimos 3 encontros anuais da empresa. Os gerentes e investidores da gigante produtora de pesticidas foram recebidos pelos criadores de abelhas, que faziam bastante barulho e carregavam banners enormes mostrando nossa petição de mais de 1 milhão de assinaturas; a petição exigia a suspensão do uso dos neonicotinoides até que os seus efeitos na natureza fossem avaliados pelos cientistas. AAvaaz até mesmo fez uma apresentação dentro do encontro dos investidores, mas a Bayer insistiu no 'não'.

  • Destacando a importância da ciência. Em janeiro de 2013, a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos descobriu três pesticidas que colocavam as abelhas em risco. Foi aí que entramos novamente, buscando garantir que os políticos europeus respondessem ao apelo dos cientistas. Nossa petição cresceu rapidamente e chegou a 2 milhões de assinaturas. Após várias conversas com tomadores de decisão da União Europeia, a Avaaz entregou as nossas vozes à sede da UE em Bruxelas. Logo depois, naquele mesmo dia, a Comissão Europeia propôs uma proibição de 2 anos aos pesticidas!

  • Marcha dos criadores de abelhaCriadores de abelhas ajudam a entregar nossa enorme petição em Downing Street, Londres
  • Aproveitando a oportunidade. A batalha para salvar as abelhas pegou fogo nos meses de fevereiro e março. Em toda União Europeia, membros da Avaaz estavam prontos para dar uma resposta enquanto os 27 membros da UE decidiam se aceitariam ou não a proposta de proibição dos pesticidas. Quando grandes países agricultores como Reino Unido e Alemanha disseram 'não', a Avaaz conduziu pesquisas de opinião pública que mostraram que a maioria dos britânicos e dos alemães eram a favor da proposta de proibição. Além disso, membros daAvaaz enviaram meio milhão de emails para os Ministros da Agricultura dos países do bloco europeu. Aparentemente temendo mais os cidadãos do que o lobby da indústria, o ministro do Reino Unido, Owen Paterson, queixou-se de um "ciber-ataque", algo que os jornalistas trataram como uma história a nosso favor! E então veio o Bernie, nossa abelha inflável de 6 metros de altura situada em Bruxelas. Uma forma bem criativa de entregar a petição, enquanto as negociações chegavam na reta final. Os jornalistas cercavam o Bernie, e descobrimos que nossa atuação ajudou a garantir que o ministro espanhol olhasse com mais atenção para a ciência e mudasse o seu posicionamento acerca do tema para proteger as abelhas. Mas nesse dia não conseguimos a maioria necessária para assegurar a proibição.

  • Bernie no The Independent
    Bernie ganha destaque no jornal britânico The Independent
  • Do alerta vermelho para o sinal verde. Em abril, a proposta que poderia salvar as abelhas é enviada ao Comitê de Recursos, dando-nos um raio de esperança se finalmente conseguíssemos trazer mais alguns países-membros para o nosso lado. Na reta final, a Avaaz junta-se à outros grupos como a Environmental Justice Foundation, Amigos da Terra e a Pesticides Action Network, além dos criadores de abelha e estilistas famosas, para organizar uma ação do lado de fora do Parlamento do Reuno Unido. Na Alemanha, os criadores de abelha lançam sua própria petição no site da Avaaz direcionada ao governo, e 150.000 cidadãos alemães juntam-se à campanha em apenas dois dias; pouco depois as assinaturas são entregues em Colônia. Mais telefonemas são feitos para os gabinetes de ministros em diferentes capitais europeias, enquanto a Avaaz respondia a uma emenda destruidora feita pela Hungria no acordo de proibição e posicionava Bernie, a abelha, novamente em uma ação em Bruxelas. As empresas de pesticidas compraram espaços de publicidade no aeroporto de Bruxelas para chamar a atenção das comitivas diplomáticas, e aumentaram a pressão sugerindo propostas como a plantação de flores selvagens. Mas a máquina de propaganda deles é ignorada. Primeiro foi a Bulgária que mudou de posição. Depois, veio a grande vitória: a Alemanha muda de ideia a favor das abelhas e carimba nossa vitória. Mais da metade dos países da União Europeia votaram pela proibição dos pesticidas!
Conseguir essa vitória foi um processo longo, e isso não seria possível se não fosse a participação dos cientistas, especialistas, oficiais de governo, criadores de abelha e todos os nossos parceiros de campanha. Podemos ficar orgulhosos do que conseguimos fazer juntos!

Forte defensor das abelhas, Paul de Zylva, chefe da Unidade de Polinização e Pesticida da organização Amigos da Terra, disse:
"Obrigado aos milhões de membros da Avaaz que se mobilizaram online e nas ruas. Sem dúvida, a enorme petição e as campanhas criativas da Avaaz ajudaram a pressionar pela proibição dos pesticidas, complementando o nosso trabalho e o de outras ONGs."
Chegou a hora de festejar a conquista desse espaço para uma das criaturas mais importantes e preciosas de nosso planeta. Entretanto, a proibição da UE durará apenas dois anos até ser revisada. E, ao redor do mundo, as abelhas continuam a morrer por causa dos pesticidas que as enfraquecem e deixam-nas confusas, além da perda de seu habitat natural causada pela expansão das cidades. Na Europa, e ao redor do mundo, há ainda muito o que fazer para garantir que a ciência seja a condutora das nossas políticas agrícolas e ambientais. E somos a comunidade perfeita para tornar isso realidade. :)

Com esperança e alegria,

Ricken, Iain, Joseph, Emily, Alex, Michelle, Aldine, Julien, Anne, Christoph e toda a equipe da Avaaz

PS: Vamos continuar nossa luta -- ajude-nos a lançar campanhas rápidas e de impacto sobre questões que são importantes para todos nós: https://secure.avaaz.org/po/bees_victory/?bMzwxbb&v=24678

PPS: Muitas das campanhas da Avaaz, como a campanha criada por um criador de abelhas alemão, foram iniciadas por indivíduos ou grupos de indivíduos. Clique aqui para descobrir como começar sua própria campanha: http://www.avaaz.org/po/petition/start_a_petition/?rba13

FONTES

A campanha das abelhas, e o papel da Avaaz nesse processo, foi mencionada em centenas de artigos. Aqui estão alguns deles:

UE proibirá três pesticidas mortais para abelhas por dois anos (R7)
http://noticias.r7.com/tecnologia-e-ciencia/noticias/ue-proibira-tres-pesticidas-mortais-para-abelhas-por-dois-anos-20130429.html

UE proíbe três pesticidas que matam as abelhas (Euronews)
http://pt.euronews.com/2013/04/29/ue-proibe-tres-pesticidas-que-matam-as-abelhas/

Estilistas britânicos fazem campanha para salvar abelhas (Último Segundo)
http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/meioambiente/2013-04-26/estilistas-britanicos-fazem-campanha-para-salvar-abelhas.html

Proibição de pesticidas procura acabar com massacre das abelhas (PressEurop)
http://www.presseurop.eu/pt/content/article/3735851-proibicao-de-pesticidas-procura-acabar-com-massacre-das-abelhas

Votacão histórica pela proibição dos pesticidas neonicotinoides causadores do declínio das populações de abelhas (em inglês) (The Independent)
http://www.independent.co.uk/news/uk/politics/historic-vote-to-ban-neonicotinoid-pesticides-blamed-for-huge-decline-in-bees-8591807.html