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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Boletim AS-PTA


1. Salmão transgênico
Às vésperas do Natal, a americana Food and Drug Administration (FDA) anunciou ter concluído que o salmão transgênico não apresenta impacto significativo ao meio ambiente. Para o órgão, o peixe modificado é tão seguro quanto o salmão convencional do Atlântico. O fato torna a nova espécie virtualmente liberada para comercialização.
O peixe, chamado de AquAdvantage, foi desenvolvido pela empresa AquaBounty, que produz os ovos na sua unidade em Prince Edward Island, Canadá, e depois os envia para engorda no Panamá. O FDA informou ainda que não avaliou os potenciais impactos ambientais do salmão transgênico nem no Panamá nem no Canadá, apenas nos Estados Unidos.
O AquAdvantage recebeu genes de hormônio de crescimento do salmão ligado a genes promotores de uma espécie de enguia (Zoarces americanus, ou ocean pout, em inglês). Os promotores fazem com que o hormônio seja produzido durante todo o ano e não apenas nas épocas quentes. Dessa forma, o peixe chega ao mercado em um ano e meio enquanto o salmão comum leva três anos para atingir peso de abate.
Michael Hansen, pesquisador senior da Consumers Union chamou atenção para a precariedade da análise conduzida pelo FDA. Apenas 6 peixes foram usados em testes de alergenicidade, e mesmo assim os resultados mostraram que há potencial de aumento de reação alérgica. Vale a pena?
Em http://pratoslimpos.org.br, 18/01/2013 [com links para matérias da imprensa internacional]
2. Estudo encontra genes de resistência a antibióticos em rios na China
O estudo chinês publicado em dezembro mostra que genes de resistência a antibióticos usados no desenvolvimento de plantas transgênicas escapam para ambientes naturais e se incorporam em bactérias nativas que vivem em ambientes aquáticos. Em todos os rios analisados foram encontrados organismos contendo o DNA modificado. A origem do material não foi determinada, se de plantios comerciais, laboratórios ou casas de vegetação. De qualquer forma, o método empregado assegura que os genes encontrados nas populações de bactérias nativas não provêm de outras fontes como mutação ou seleção natural.
A disseminação de genes marcadores de resistência a antibióticos em bactérias de vida livre tem implicações médicas negativas para o tratamento de infecções.
Para o microbiologista da Universidade de Berkeley, Ignacio Chapela, o resultado principal do estudo é mostrar que esta é apenas uma fração das muitas outras sequências de DNA transgênico que se espera encontrar no ambiente, vindo de diferentes fontes e apresentando as mais diferentes funções. Ou seja, é a ponta do iceberg.
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A Survey of Drug Resistance bla Genes Originating from Synthetic Plasmid Vectors in Six Chinese Rivers.
3. Roundup afeta bactérias intestinais benéficas
Pesquisadores da Universidade de Leipzig publicaram estudo mostrando que o herbicida Roundup impacta negativamente bactérias gastrointestinais de aves. Os testes, realizados in vitro, revelaram ainda que enquanto bactérias altamente patogênicas como as que causam salmonela e botulismo resistiram ao Roundup, aquelas benéficas foram de moderada a altamente suscetíveis ao produto.
O estudo fornece bases científicas para os relatos de aumento de doenças gastrointestinais em animais alimentados com soja Roundup Ready, que é tolerante ao herbicida Roundup, cujo ingrediente ativo é o glifosato. No Brasil, quando liberado o sistema soja RR-herbicida Roundup, o governo multiplicou por 50 o limite de resíduo de glifosato permitido nos grãos modificados.
Em http://pratoslimpos.org.br, 11/01/2013 | Via GMWatch
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Shehata, A. A., W. Schrodl, et al. (2012). The effect of glyphosate on potential pathogens and beneficial members of poultry microbiota in vitro. Curr Microbiol. Publ online 9 December.
4. Exportações do agronegócio aumentam 400% em 10 anos
O boom da agricultura brasileira
O total das exportações de produtos agropecuários do Brasil cresceu 400% entre 2001 and 2011. O país é líder mundial na expotação de açúcar, café, suco de laranja, soja e frango [o que para muitos significa uma reprimarização da economia brasileira, cada vez mais especializada e dependente da exportação de produtos de baixo valor agregado, sejam eles da agropecuária ou da mineração. União Europeia e China são os grandes compradores de produtos brasileiros, mas por mais quanto tempo essa demanda se manterá?].
gráfico ilustra a reportagem do Washington Post “In Brazil, a landholder who speaks for agribusiness”, sobre a senadora ruralista Kátia Abreu (PSD/TO, ex-DEM, ex-PFL), que pode ser lido em português na página da CNA. A matéria trata dos esforços que a senadora vem promovendo para tentar desvicular a imagem de seu setor do atraso e da truculência, passando também pelas posições pra lá de retrógradas assumidas em temas como desmatamento, código florestal e trabalho escravo.
5. Os rumos da “Reforma Agrária”, artigo de Gerson Teixeira
O jornal Folha de São Paulo publicou artigo do presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA) mostrando que o desmanchedas políticas de reforma agrária no país pode se intensificar ainda mais caso o governo leve adiante proposta da CNA para o tema. Logo a CNA da senadora Katia Abreu, que apregoa que o agronegócio não precisa de mais terras para seguir produzindo mais e mais.
Teixeira alerta para a “expectativa de apropriação, pelo agronegócio, de milhões de hectares dos assentados [incluindo] a regularização “de ofício” dos imóveis localizados às margens das rodovias federais na Amazônia (…) e a facilitação da ratificação dos títulos das propriedades nas faixas de fronteiras indevidamente emitidos pelos Estados”. Pior, informa o presidente da Abra que o pacote da CNA parece já ter sido abraçado pelo governo Dilma.
A alternativa agroecológica
Vídeo - A agricultura mora em mim: a face invisível das cidades
"É paixão! A gente se apaixonou realmente pela agricultura, por estar mexendo com a terra, por estar vendo o trabalho da gente se desenvolver ali, diante dos nossos olhos”, revela Elias, agricultor de Magé (RJ).
Neste vídeo, agricultores e agricultoras da Região Metropolitana do Rio de Janeiro mostram como em meio à expansão urbana, à especulação imobiliária e, sobretudo, debaixo do manto da invisibilidade, centenas de famílias persistem com seus modos de vida, lavrando a terra para produzir alimentos para os moradores da cidade. Esses homens e mulheres não só contam como a agricultura mora neles, mas também com sabedoria e simplicidade nos desafiam a enxergar e a refletir sobre a agricultura que também pode encontrar morada nas grandes cidades.
Disponível em www.aspta.org.br
 
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Campanha Brasil Ecológico, Livre de Transgênicos e Agrotóxicos
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