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quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Our Dwindling Food Variety

As we've come to depend on a handful of commercial varieties of fruits and vegetables, thousands of heirloom varieties have disappeared. It's hard to know exactly how many have been lost over the past century, but a study conducted in 1983 by the Rural Advancement Foundation International gave a clue to the scope of the problem. It compared USDA listings of seed varieties sold by commercial U.S. seed houses in 1903 with those in the U.S. National Seed Storage Laboratory in 1983. The survey, which included 66 crops, found that about 93 percent of the varieties had gone extinct. More up-to-date studies are needed.

Geógrafos lançam mapa do trabalho escravo no Brasil


27 de agosto de 2012


Por Yuri Hutflesz
Do Ciência Hoje On-line


Quem acredita que não há mais escravidão no Brasil ficará surpreso. Não só ela existe amplamente, como tem nome, endereço e profissão. De acordo com o Atlas do Trabalho Escravo no Brasil, o típico escravo brasileiro do século 21 é um migrante do Norte ou Nordeste, de sexo masculino, analfabeto funcional, que foi levado para municípios isolados da Amazônia, onde é utilizado em atividades vinculadas ao desmatamento.

Idealizado pela organização Amigos da Terra- Amazônia Brasileira e lançado este ano, o documento traz dados sobre os casos registrados de trabalho forçado no país e duas novas ferramentas para auxiliar autoridades na formulação de políticas públicas: os índices de probabilidade de trabalho escravo e de vulnerabilidade ao aliciamento.

O índice de probabilidade de trabalho escravo leva em consideração as especificidades dos municípios nos quais o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) já comprovou a exploração. Foi observado, por exemplo, que a maior parte do problema ocorre em regiões isoladas, distantes dos centros urbanos. A partir daí, as demais cidades do país com características semelhantes são classificadas como tendo probabilidade alta de trabalho escravo. Os principais focos identificados são Mato Grosso, Pará e Maranhão.

Já o índice de vulnerabilidade ao aliciamento tem como base a origem das pessoas escravizadas que já foram libertadas pelo MTE, cerca de 40 mil. São feitos levantamentos sobre as condições econômicas e sociais dos estados de onde vieram esses trabalhadores. Com base nessa análise é possível identificar a relação desse recrutamento com a miséria, já que a maioria é analfabeta funcional vinda do Maranhão e Piauí, os estados mais pobres do Brasil.

A forma de aliciamento mais comum é a promessa de grandes salários para homens de regiões muito pobres. Eles são conduzidos até locais remotos e contraem dívidas relativas ao transporte. Quando chegam, passam a receber quantias ínfimas por mês e sua única opção para se alimentar são os armazéns de seus empregadores.

“Os valores da comida são muito superiores aos de mercado”, relata o geógrafo Eduardo Girardi, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e um dos autores do trabalho. “Os preços absurdos têm a função de fazer o trabalhador se sentir moralmente preso àquele lugar até pagar a dívida, o que é impossível.”

Segundo Girardi, as pessoas também são constantemente humilhadas física e psicologicamente. Tudo isso ocorre sob a vigilância dos jagunços, homens armados que atiram em quem tenta fugir. A esse respeito, o atlas apresenta dados sobre a violência das cidades com maiores probabilidades de ocorrência de escravidão.

De acordo com a pesquisa, as atividades que mais utilizam mão de obra forçada estão ligadas à criação de novas fazendas, como desmatamento para abertura de pastagens, cuidado com esses terrenos e produção de carvão vegetal.

Táticas para erradicação

Para Girardi, o combate à escravidão passa por dois pontos fundamentais. “Por um lado, é preciso acabar com a miséria, seja através de programas de auxílio, seja com a criação de empregos nos municípios com mais aliciamento”, defende. “A outra questão é estabelecer penas mais duras para os responsáveis”, completa.

A aprovação, em maio, na Câmara dos Deputados, da Proposta de Emenda à Constituição 438 – mais conhecida como PEC do Trabalho Escravo – pode contribuir nesse sentido. A PEC determina o confisco sem compensação financeira das propriedades nas quais ocorra trabalho forçado.

Parte das terras seria destinada ao assentamento das pessoas que foram exploradas no local e o restante da área, utilizado para a reforma agrária ou programas de habitação popular. A proposta agora aguarda a análise da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado para então ser votada nessa instância.

Atualmente, a legislação prevê de dois a oito anos de prisão para os culpados, mas, segundo Girardi, dificilmente alguém vai preso de fato. Os condenados costumam pagar multas para se livrar da cadeia, conta o geógrafo.

Se aprovada pelo Senado, a proposta deverá agilizar os procedimentos legais de repressão ao trabalho forçado. “Essas pessoas só entendem a linguagem econômica; quando começarem a perder as propriedades, acredito que a escravidão será praticamente extinta”, conclui Girardi.

As principais fontes utilizadas na realização do atlas foram dados do MTE e da Comissão Pastoral da Terra, ONG que faz levantamentos e campanhas sobre o tema desde 1975.

Os autores – além de Girardi, Hervé Théry, Neli Aparecida de Mello e Julio Hato, da Universidade de São Paulo – também usaram informações do Atlas da Questão Agrária, elaborado por Girardi em seu doutorado (2008).

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

SOJA TRANSGÊNICA



TRF-4 condena Monsanto por propaganda enganosa e abusiva

 
Da Redação - 22/08/2012 - 08h20

A 4ª Turma do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) condenou a empresa Monsanto do Brasil a pagar indenização de R$ 500 mil por danos morais causados aos consumidores ao veicular, em 2004, propaganda em que relacionava o uso de semente de soja transgênica e de herbicida à base de glifosato usado no seu plantio como benéficos à conservação do meio ambiente. Ainda cabe recurso contra a decisão.

Segundo o MPF (Ministério Público Federal), que ajuizou a ação civil pública contra a Monsanto, o comercial era enganoso e o objetivo da publicidade era preparar o mercado para a aquisição de sementes geneticamente modificadas e do herbicida usado nestas, isso no momento em que se discutia no país a aprovação da Lei de Biossegurança, promulgada em 2005.A empresa de biotecnologia, que vende produtos e serviços agrícolas, também foi condenada a divulgar uma contrapropaganda esclarecendo as consequências negativas que a utilização de qualquer agrotóxico causa à saúde dos homens e dos animais.
A campanha foi veiculada na TV, nas rádios e na imprensa escrita. Tratava-se de um diálogo entre pai e filho, no qual o primeiro explicava o que significava a palavra “orgulho”, ligando esta ao sentimento resultante de seu trabalho com sementes transgênicas, com o seguinte texto:
- Pai, o que é o orgulho? 
- O orgulho: orgulho é o que eu sinto quando olho essa lavoura. Quando eu vejo a importância dessa soja transgênica para a agricultura e a economia do Brasil. O orgulho é saber que a gente está protegendo o meio ambiente, usando o plantio direto com menos herbicida. O orgulho é poder ajudar o país a produzir mais alimentos e de qualidade. Entendeu o que é orgulho, filho? 
- Entendi, é o que sinto de você, pai.
A Justiça Federal de Passo Fundo considerou a ação improcedente e a sentença absolveu a Monsanto. A decisão levou o MPF a recorrer ao tribunal. Segundo a Procuradoria, a empresa foi oportunista ao veicular em campanha publicitária assunto polêmico como o plantio de transgênicos e a quantidade de herbicida usada nesse tipo de lavoura. “Não existe certeza científica acerca de que a soja comercializada pela Monsanto usa menos herbicida”, salientou o MPF.
O relator do voto vencedor no tribunal, desembargador federal Jorge Antônio Maurique, reformou a sentença. “Tratando-se a ré de empresa de biotecnologia, parece óbvio não ter pretendido gastar recursos financeiros com comercial para divulgar benefícios do plantio direto para o meio ambiente, mas sim a soja transgênica que produz e comercializa”, afirmou Maurique.
O desembargador analisou os estudos constantes nos autos apresentados pelo MPF e chegou à conclusão de que não procede a afirmação publicitária da Monsanto de que o plantio de sementes transgênicas demanda menor uso de agrotóxicos. Também apontou que agricultores em várias partes do mundo relatam que o herbicida à base de glifosato já encontra resistência de plantas daninhas. 
Segundo Maurique, “a propaganda deveria, no mínimo, advertir que os benefícios nela apregoados não são unânimes no meio científico e advertir expressamente sobre os malefícios da utilização de agrotóxicos de qualquer espécie”.
O desembargador lembrou ainda em seu voto que, quando veiculada a propaganda, a soja transgênica não estava legalizada no país e era oriunda de contrabando, sendo o comercial um incentivo à atividade criminosa, que deveria ser coibida. “A ré realizou propaganda abusiva e enganosa, pois enalteceu produto cuja venda era proibida no Brasil e não esclareceu que seus pretensos benefícios são muito contestados no meio científico, inclusive com estudos sérios em sentido contrário ao apregoado pela Monsanto”, concluiu.
O valor da indenização deverá ser revertido para o Fundo de Recuperação de Bens Lesados, instituído pela Lei Estadual 10.913/97. A contrapropaganda deverá ser veiculada com a mesma frequência e preferencialmente no mesmo veículo, local, espaço e horário do comercial contestado, no prazo de 30 dias após a publicação da decisão do TRF4, devendo a empresa pagar multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento.
Número do processo: 5002685-22.2010.404.7104

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Ecología Humana: Conceptos Básicos para el Desarrollo Sustentable


Ecología Humana: Conceptos Básicos para el Desarrollo Sustentable


Autor: Gerald G. Marten
EditorialEarthscan Publications
Fecha de publicación: November 2001, 256 pp.
Edición en rústica: 1853837148
Edición en pasta dura: 185383713X
TraductorDavid Nuñez

Nota del Traductor:

Agradezco al Profesor Gerry Marten la oportunidad de completar la traducción de este libro tan importante, a Rafael Robles de Benito por elaborar un primer borrador, y a Laura Gómez y Gerry Marten por sus correcciones.  Ha sido un placer compartir con todos ellos en el desarrollo de esta versión en Español de Ecología Humana. Espero que el enfoque original del autor – sencillo, accesible y práctico – sea evidente en esta traducción y que los lectores disfruten esta versión tanto como yo.

Índice

  1. Prólogo por Maurice Strong
  2. Prefacio
  3. Agradecimientos
  1. Glosario


domingo, 19 de agosto de 2012

Aviação agrícola defende agrotóxicos que prejudicam abelhas


Veto a defensivo [agrotóxico] gera divergência
A partir desta semana, o Ministério da Agricultura deve levar ao Ministério do Meio Ambiente uma proposta elaborada pelos setores de aviação agrícola, defensivos e produtores para estabelecer uma alternativa à proibição de aplicação aérea de defensivos agrícolas que contenham os princípios ativos Imidacloprid, Tiametoxam, Clotianidina ou Fipronil. A medida do Ibama, publicada em julho, visa proteger as abelhas, que, conforme estudos científicos, estariam até morrendo pela exposição aos agrotóxicos. O objetivo, segundo o presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), Nelson Paim, é encontrar um meio termo que permita as operações, já que as lavouras de cana-de-açúcar e de cítricos estão desprotegidas. Uma das sugestões do Sindag é o mapeamento das colmeias para que a aplicação seja feita sem causar danos. Paim alega que a proibição inviabilizaria a agricultura no país, porque os princípios ativos são base de defensivos das principais culturas: soja, milho, arroz, algodão e cítricos.
Para o presidente da Confederação Brasileira de Apicultura (CBA), José Gumercindo Cunha, a derrubada da restrição seria um “tiro no pé”, já que as abelhas polinizam e contribuem para a boa produção de grãos e de frutas. “Consideramos a proibição uma conquista, a exemplo da Europa, que também veta o uso deste princípios ativos, e esperamos que seja mantida.” A confederação divulgará publicamente um manifesto para que a medida do Ibama seja mantida e que haja, sim, estímulo às indústrias para o desenvolvimento de produtos tolerantes.
Correio do Povo, 13/08/2012.
AS-PTA

domingo, 12 de agosto de 2012

Climate change is here — and worse than we thought


James E. Hansen directs the NASA Goddard Institute for Space Studies.
When I testified before the Senate in the hot summer of 1988 , I warned of the kind of future that climate change would bring to us and our planet. I painted a grim picture of the consequences of steadily increasing temperatures, driven by mankind’s use of fossil fuels.
But I have a confession to make: I was too optimistic Weigh In
Gallery
My projections about increasing global temperature have been proved true. But I failed to fully explore how quickly that average rise would drive an increase in extreme weather.
In a new analysis of the past six decades of global temperatures, which will be published Monday, my colleagues and I have revealed a stunning increase in the frequency of extremely hot summers, with deeply troubling ramifications for not only our future but also for our present.
This is not a climate model or a prediction but actual observations of weather events and temperatures that have happened. Our analysis shows that it is no longer enough to say that global warming will increase the likelihood of extreme weather and to repeat the caveat that no individual weather event can be directly linked to climate change. To the contrary, our analysis shows that, for the extreme hot weather of the recent past, there is virtually no explanation other than climate change.
The deadly European heat wave of 2003, the fiery Russian heat wave of 2010 and catastrophic droughts in Texas and Oklahoma last year can each be attributed to climate change. And once the data are gathered in a few weeks’ time, it’s likely that the same will be true for the extremely hot summer the United States is suffering through right now.
These weather events are not simply an example of what climate change could bring. They are caused by climate change. The odds that natural variability created these extremes are minuscule, vanishingly small. To count on those odds would be like quitting your job and playing the lottery every morning to pay the bills.
Twenty-four years ago, I introduced the concept of “climate dice” to help distinguish the long-term trend of climate change from the natural variability of day-to-day weather. Some summers are hot, some cool. Some winters brutal, some mild. That’s natural variability.
But as the climate warms, natural variability is altered, too. In a normal climate without global warming, two sides of the die would represent cooler-than-normal weather, two sides would be normal weather, and two sides would be warmer-than-normal weather. Rolling the die again and again, or season after season, you would get an equal variation of weather over time.
But loading the die with a warming climate changes the odds. You end up with only one side cooler than normal, one side average, and four sides warmer than normal. Even with climate change, you will occasionally see cooler-than-normal summers or a typically cold winter. Don’t let that fool you.
Our new peer-reviewed study, published by the National Academy of Sciences, makes clear that while average global temperature has been steadily rising due to a warming climate (up about 1.5 degrees Fahrenheit in the past century), the extremes are actually becoming much more frequent and more intense worldwide.
When we plotted the world’s changing temperatures on a bell curve, the extremes of unusually cool and, even more, the extremes of unusually hot are being altered so they are becoming both more common and more severe.
The change is so dramatic that one face of the die must now represent extreme weather to illustrate the greater frequency of extremely hot weather events.
Such events used to be exceedingly rare. Extremely hot temperatures covered about 0.1 percent to 0.2 percent of the globe in the base period of our study, from 1951 to 1980. In the last three decades, while the average temperature has slowly risen, the extremes have soared and now cover about 10 percent of the globe.
This is the world we have changed, and now we have to live in it — the world that caused the 2003 heat wave in Europe that killed more than 50,000 people and the 2011 drought in Texas that caused more than $5 billion in damage. Such events, our data show, will become even more frequent and more severe.
There is still time to act and avoid a worsening climate, but we are wasting precious time. We can solve the challenge of climate change with a gradually rising fee on carbon collected from fossil-fuel companies, with 100 percent of the money rebated to all legal residents on a per capita basis. This would stimulate innovations and create a robust clean-energy economy with millions of new jobs. It is a simple, honest and effective solution.
The future is now. And it is hot.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012


Coquetel de agrotóxicos ingerido no consumo de frutas e verduras pode causar Alzheimer e Parkinson, revela estudo
 
Comer cinco frutas e legumes por dia é bom para a saúde. Não tão bom é o “coquetel” de pesticidas ingerido no processo: a mistura dessas substâncias químicas pode multiplicar seus efeitos tóxicos em proporções tão surpreendentes quanto preocupantes, segundo os resultados de um estudo preliminar publicado na revista científicaPloS One.

A reportagem é do Le Monde e reproduzida no Portal UOL, 08-08-2012

Os testes toxicológicos sistemáticos conduzidos dentro do regulamento europeu Reach visam às substâncias uma por uma. “Sabe-se muito pouco sobre seus efeitos combinados, sendo que somos literalmente cercados por combinações de venenos”, explica o principal autor do estudo, o toxicólogo Michael Coleman, da Universidade de Aston, na Inglaterra.
Sua equipe comparou o efeito isolado e o efeito combinado, sobre células de nosso sistema nervoso central, de três fungicidas encontrados com frequência nas prateleiras de hortifrúti: o pirimetanil, o ciprodinil e o fludioxonil.

Resultado: os danos infligidos às células são até vinte ou trinta vezes mais graves quando os pesticidas são associados. “Substâncias que são conhecidas por não afetarem a reprodução humana e o sistema nervoso e não serem cancerígenas, combinadas possuem efeitos inesperados”, resume um dos autores do estudo, o biólogo molecular Claude Reiss, ex-diretor de pesquisa do CNRS e presidente da associação Antidote Europe.

“Observamos o agravamento de três tipos de impactos”, detalha o pesquisador francês: “A viabilidade das células é degradada; as mitocôndrias, que são as ‘baterias’ das células, não conseguem mais alimentá-las com energia, o que desencadeia a apoptose, ou seja, a autodestruição das células; por fim, as células são submetidas a um stress oxidante muito poderoso, possivelmente cancerígeno e que pode levar a efeitos em cascata”.
Entre as possíveis consequências de tais agressões sobre as células, os pesquisadores citam o risco de uma vulnerabilidade crescente a doenças neurodegenerativas como o Mal de Alzheimer, de Parkinson ou a esclerose múltipla. “Nosso estudo aborda um pequeno número de substâncias, trazendo mais perguntas do que respostas, mas esses efeitos foram evidenciados em doses muito pequenas, concentrações próximas às encontradas em nossos alimentos”, observa o professor Coleman.

O cientista considera urgente popularizar esse tipo de teste, apesar das milhares de combinações possíveis: “Isso permitiria determinar se as misturas são nocivas, para ajudar os agricultores a escolher os produtos que eles utilizam”. O fato de conduzir esses estudos em células humanas e não em ratos, como acontece no procedimento Reach, permitiria diminuir os prazos e os custos, ao mesmo tempo em que fornecem resultados mais confiáveis. “A maior parte das substâncias químicas não são testadas corretamente: não somos ratos de 70 quilos!”, reclamaClaude Reiss.

Para o Movimento pelo Direito e pelo Respeito das Gerações Futuras (MDRGF), que cofinanciou o estudo, esses testes são ainda mais necessários pelo fato de que um terço das frutas e legumes fiscalizados pela Direção Geral da Concorrência, do Consumo e da Repressão de Fraudes contém resíduos de vários pesticidas.

“Em 2008, detectamos em um mesmo cacho de uvas os três produtos testados pelo professor Coleman”, lembraFrançois Veillerette, porta-voz do MDRGF. Na época, análises encomendadas pela associação haviam revelado que quase todas as uvas vendidas no grande varejo continham múltiplos pesticidas, totalizando oito substâncias diferentes por cacho, em média.

A associação pede para que a Comissão Europeia “lance sem demora uma estratégia de avaliação global das misturas de produtos químicos” e que “abaixe significativamente os limites máximos de resíduos tolerados nos alimentos, em um cuidado elementar de precaução”.

sábado, 4 de agosto de 2012

Salada com pesticida - Você sabe o que vem junto no seu prato?



Salada com pesticida - Você sabe o que vem junto no seu prato?Foto: Divulgação

QUAIS SÃO OS LEGUMES E VERDURAS QUE COMUMENTE APRESENTAM OS MAIORES ÍNDICES RESIDUAIS DE PESTICIDAS? O QUE FAZER PARA CONSUMIR FRUTAS E VERDURAS COM TRANQUILIDADE?

02 de Agosto de 2012 às 12:39
"Alface, tomates, pepinos, maçãs, pimentões, morangos: todo mundo gosta. Mas são esses alimentos os que, geralmente, contêm as doses residuais mais elevadas de pesticidas capazes de agir sobre nosso sistema endócrino, ou seja, substâncias que podem alterar o metabolismo hormonal", denuncia a PAN Europe (Pesticide Action Network), uma rede de organizações não governamentais que promovem alternativas sustentáveis e naturais ao uso de pesticidas.
O coquetel químico que reveste a maior parte das frutas e verduras oferecidas nos supermercados tem correlação com a redução da fertilidade, o aumento de alguns tipos de tumores, puberdade precoce, diabetes e obesidade. Os interferentes estão presentes também, em várias medidas, em fármacos, cosméticos, embalagens e recipientes de plástico, revestimentos de latas, comida para animais.
A questão é delicada e tema de constantes debates pelas autoridades da saúde pública e privada em todos os países. Por um lado, os alimentos que acabam sobre nossas mesas são, pelos menos no mundo desenvolvido ou em vias de desenvolvimento, submetidos a controles mais ou menos severos para garantir a saúde do consumidor. Por outro lado, ainda não se conhece bem os efeitos que tais substâncias, usadas para evitar o ataque de pragas e insetos, ou para melhorar a aparência e a durabilidade dos produtos, podem trazer à saúde.
Os alimentos nos quais foram encontrados os mais altos traços de resíduos de pesticidas interferentes são: alface, tomates, pepinos, maçãs, pêssegos, pimentões e morangos. Menos contaminados são a banana, cenoura, ervilhas e os legumes e hortaliças protegidos por uma casca mais grossa.
No Brasil, pior ainda
Enquanto o mercado mundial de agrotóxicos cresceu 93%, o brasileiro aumentou 190%, colocando nosso país em primeiro lugar no ranking de consumo de agrotóxicos no mundo. Além de a substância impactar o meio ambiente, ela também abala a segurança alimentar e a saúde da população.
Segundo dossiê da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), um terço dos alimentos consumidos pelos brasileiros está contaminado pelos agrotóxicos. Os alimentos que mais demandam a substância são a soja (40%), o milho (15%), a cana e o algodão (10%), as frutas cítricas (7%), o trigo (3%) e o arroz (3%).
Cerca de 70 milhões de brasileiros vivem em estado de insegurança alimentar e nutricional, sendo que  90% desta população consumem  consomem frutas, verduras e legumes abaixo da quantidade recomendada para uma alimentação saudável, de acordo com o IBGE. Uma alimentação desequilibrada já é ruim, mas o consumo prolongado de agrotóxicos através da comida é pior ainda, podendo provocar doenças como câncer, malformação congênita, distúrbios endócrinos, neurológicos e mentais.
O ideal para a saúde coletiva seria evitar ou reduzir o consumo dos pesticidas nos cultivos, hortas e na alimentação brasileira. O documento da Abrasco defende a proibição de agrotóxicos já banidos em outros países, mas ainda liberados no Brasil, que apresentam graves riscos à saúde humana e ao ambiente. Enquanto isso não ocorre, os cuidados devem ser tomados por você antes de ingerir os alimentos em casa.
Eliminando parte do risco
Deixá-los de molho no vinagre pode ser ótimo para matar micróbios, mas nem sempre funciona quando o assunto é tirar os agrotóxicos das frutas e verduras. A recomendação é sempre preferir os alimentos orgânicos, mas quando não é possível adquiri-los, a lavagem dos produtos antes do consumo é imprescindível.
Se o agrotóxico utilizado for de superfície, limitando-se a parte externa do alimento, lavar bem com água elimina o risco, como é o caso dos morangos e dos tomates. A dificuldade cresce nas situações em que o agrotóxico penetra o alimento e afeta o seu interior. Nesse caso, a fervura pode inativar os efeitos adversos dos pesticidas. Entretanto, há agrotóxicos feitos à base de zinco ou estanho e à base de metais que nem o aquecimento elimina e não tem como reduzir o perigo ao ingerir.
Cinco regras para eliminar da mesa os pesticidas
Como impedir a absorção dessas substâncias? Podemos por em prática algumas medidas:
1. Se possível, comprar alimentos frescos provenientes da agricultura orgânica: hoje, a maior parte dos supermercados possui seções de produtos provenientes de cultivos onde – pelo menos oficialmente – não são utilizados pesticidas e fertilizantes químicos. Claro, em tempos de incerteza econômica como os atuais, este não é um conselho fácil de seguir, mas é sempre possível descobrir-se que, não longe de sua casa, existe algum cultivador local de confiança; você também pode, para conter as despesas, se inscrever em algum grupo de compra solidária.
2. Lavar acuradamente frutas e verduras com água e bicarbonato de sódio: não serve para remover completamente todos os pesticidas, porém ajuda.
3. Despele os alimentos antes de consumi-los: à parte os pesticidas sistêmicos, que atravessam a pele e penetram no interior da polpa das hortaliças, a maior parte dos interferentes permanece concentrada na pele externa.
4. Prefira sempre os alimentos menos contaminados.
5. Onde e sempre que é possível, cultivar alguma coisa, mantenha pequenas hortas, no jardim, no quintal, ou em vasos nos terraços e balcões. Muitas vezes, por questão de espaço, os resultados serão modestos, mas você sempre pode escolher o cltivo em condições controladas das hortaliças e legumes que geralmente contêm mais traços de pesticidas e, assim, ter um problema a menos para resolver.