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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Nas mãos de poucos, escassez de sementes preocupa fazendeiros e Sementes Crioulas Avançam em Alagoas

Nas mãos de poucos, escassez de sementes preocupa fazendeiros

Com o avanço da demanda, empresas responsáveis pela comercialização estão cancelando os pedidos e oferecendo produtos de qualidade inferior para não deixar o produtor na mão.

Produtores de milho em Mato Grosso temem atraso no plantio ou perda de produtividade em decorrência da falta de sementes. Com o avanço da demanda, empresas responsáveis pela comercialização estão cancelando os pedidos e oferecendo produtos de qualidade inferior para não deixar o produtor na mão.
A reportagem foi publicada pelo MT Agora, 12-02-2012 e reproduzida pelo boletim da AS-PTA.

Presidente da Associação do Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja/MT), Carlos Henrique Fávaro, explica que houve aumento até abusivo no preço da sementes, mas que isso é consequência natural do mercado devido ao crescimento na demanda. Segundo ele o que preocupa, na verdade, é o não cumprimento dos compromissos na entrega das encomendas e possível atraso.

“Até mesmo os levantamentos de safra estão incertos porque os produtores estão de pendendo das sementeiras. Preocupação é se as entregas serão ou não feitas a tempo”. Data recomendável para semear o milho é 20 de fevereiro, mas o analista da CONAB, Petrônio Sobrinho acredita que esta data será ultrapassada, mesmo que os agricultores corram riscos de perder na produtividade.

Gerente do sindicato rural de Campo Novo do Parecis (a 384 km de Cuiabá), Antônio de La Bandeira, explica que os produtores estão reclamando principalmente da troca na hora de entregar os pedidos. “Como estão esgotando as sementes de primeira linha, as empresas oferecem produtos de qualidade inferior para garantir a venda e os produtores aceitam para não perder tudo”.

Fávaro revela que, como se prepararam para o plantio, com a compra de insumos e planejamento, os produtores não podem perder o investimento e aceitam a semente, mesmo que não seja a que foi pedida. De acordo com a Agroceres Sementes [comprada pela Monsanto], que atende o Estado, os clientes e distribuidores estão sendo abastecidos conforme o cronograma, sendo que o planejamento é feito com pelo menos 1 ano de antecedência. Segundo a assessoria, a região de Mato Grosso registrou aumento no volume de sementes em cerca de 30% em relação à safra passada e a empresa desconhece a falta dos híbridos.

Ja em alagoas..

Sementes Crioulas Avançam em Alagoas 

http://gazetaweb.globo.com/gazetadealagoas/noticia.php?c=196013

O agricultor Sebastião Damasceno, de Santana do Ipanema, se transformou num dos símbolos do movimento chamado em Alagoas de “Sementes da Resistência”. Ele participa de praticamente todos os encontros de agricultores familiares, feiras e exposições exibindo uma coleção de sementes crioulas que inclui desde variedades mais comuns de feijão e milho plantadas em Alagoas, até raridades como variedades de algodão e fava que praticamente não são mais cultivadas no Estado. Por onde passa, ele explica que as sementes que carrega, além de adaptadas às condições de clima e solo do Estado, fazem parte das culturas e tradições dos agricultores alagoanos.
A reportagem é do jornal Gazeta de Alagoas, 03-02-2012 e reproduzidada pelo boletim da AS-PTA.

Mas engana-se quem pensa que Damasceno participa de um movimento “romântico” ou saudosista. Ao contrário. Os produtores querem na verdade é melhorar de vida e de renda com a seleção e plantio das próprias sementes. E estão conseguindo avanços importantes. Este ano, pela primeira vez na história, os gastos públicos com a aquisição de sementes crioulas vão superar os gastos com a compra de sementes comerciais.

A Secretaria de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário prevê gastos da ordem de R$ 6,7 milhões para o programa de aquisição de sementes. A expectativa é que os recurso sejam suficientes para a aquisição, através de pregão eletrônico, de cerca de mil toneladas de sementes selecionadas de milho, feijão, sorgo e mamona. “Além dessas sementes devemos contar com o reforço da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento”, explicou recentemente a reportagem do Gazeta Rural o secretário Jorge Dantas, da Agricultura.

E o reforço veio. E veio além do esperado, até mesmo pelos mais otimistas dos agricultores. O superintendente da Conab em Alagoas, Eliseu Rego, antecipou ao caderno Gazeta Rural que este ano a companhia tem um orçamento já assegurado de R$ 6 milhões para a aquisição de sementes crioulas em Alagoas. “Serão cerca de 1,5 mil toneladas de sementes de milho e feijão”, assegura.

Nos últimos dois anos, a Conab vem reforçando o programa de distribuição de sementes do Estado. Em 2011 o reforço foi de cerca de 300 toneladas de feijão trazidas de outros Estados. Esse ano além de um volume maior, a diferença é que as sementes serão compradas e distribuídas em Alagoas, através de parcerias com a Seagri e com organizações de agricultores familiares. “Temos cinco cooperativas cadastradas para vender as sementes”, explica Eliseu.

Uma dessas organizações que serão contempladas com o programa da Conab em Alagoas é a Cooperativa dos Bancos Comunitários de Sementes, Coopabacs, sediada em Delmiro Gouveia. Mardônio Alves da Graça que tomou conhecimento da novidade pela reportagem do Gazeta Rural, adiantou outra importante novidade: duas organizações de Alagoas acabam de se credenciar no Ministério do Desenvolvimento Social para vender sementes.

“O governo federal avançou nessa questão e o MDS abriu pela primeira vez uma chamada pública no valor de R$ 10 milhões para a aquisição de sementes a agricultores familiares. No país inteiro foram credenciadas sete organizações. Destas, duas são de Alagoas, a própria Coopabacs e a Agra (Associação dos Agricultores Agroecológicos de Igaci)”, explica o presidente da Coopabacs, Mardônio Alves da Graça.

O projeto no MDS, acredita Mardônio, contempla a aquisição de 192 mil kg de sementes de feijão, mais de 60 mil kg de sementes de milho produzidas por pouco mais de 200 agricultores. “Esse projeto que tem um custo de R$ 870 mil vai beneficiar mais oito mil famílias de agricultores familiares em Alagoas”, adianta.

Para Mardônio o reconhecimento do governo federal, ao destinar verbas para a aquisição das sementes crioulas, reforça o movimento dos bancos comunitários de sementes no Estado. Agora ele defende que o governo estadual faça o mesmo. “Temos uma boa parceria com o governo, que hoje funciona na capacitação dos agricultores e na formação dos bancos comunitários de sementes e ferramentas. Mas defendemos que o Estado avance e também passe a adquirir sementes produzidas por agricultores familiares”, enfatiza.

O presidente da Coopabacs sugere que o governo de Alagoas adote no programa de sementes a mesma política federal para a compra de produtos da merenda escolar. “Poderíamos estabelecer, a partir de 2013, uma vez que esse ano não é mais possível, que no mínimo 30% dos recursos do programa de sementes do Estado sejam destinados a aquisições de agricultores familiares do próprio Estado. Com isso, vamos garantir o reforço no programa e uma maior circulação de riquezas no nosso Estado”, destaca

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