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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Encontradas sobrecargas de glifosato na urina humana!

(Berlin/Dezembro 2011)
07 de janeiro, Ithaka / für Terroir, Biodiversität und Klimafarming
Herbicida na urina
por Dirk Brändli und Sandra Reinacher

Glifosato, o principal princípio ativo das principais espécies de herbicidas, é um veneno para as plantas. Mas ele envenena não somente as plantas, como também prejudica animais e os homens. Numa universidade alemã foram testadas urina de cidadãos, os quais não tinham proximidade (contato) com o glifosato, para serem pesquisadas sobre as concentrações do herbicida.
Todas as provas mostraram considerável concentração de componentes do herbicida, aproximadamente de cinco a 20 vezes acima da quantidade mínima permitida na água de beber (potável).
www.ithaka-journal.net/herbizide-im-urin


Glyphosat-Belastungen im menschlichen Urin gefunden! (Berlin/Dezember 2011)
07. Januar 2012, Ithaka Journal für Terroir, Biodiversität und Klimafarming,
Herbizide im Urin
von Dirk Brändli und Sandra Reinacher

Glyphosat, Hauptwirkstoff der meisten handelsüblichen Herbizide, ist ein Pflanzengift. Es vergiftet aber nicht nur Pflanzen, sondern schleichend auch Tiere und Menschen. An einer deutschen Universität wurden Urinproben der städtischen Bevölkerung, die keinen Umgang mit Glyphosat hatten, auf Belastungen mit dem Herbizid untersucht.
Alle Proben wiesen erhebliche Konzentrationen des Herbizidwirkstoffes auf, sie lagen um das 5 bis 20fache über dem Grenzwert von Trinkwasser.
www.ithaka-journal.net/herbizide-im-urin

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Agrotóxico, pimentão e suco de laranja


23 de fevereiro de 2012
Nos últimos quatros anos, o Brasil se tornou o maior mercado de pesticidas
José Agenor Álvares da Silva
A celeuma sobre a presença de resíduos de agrotóxicos no suco de laranja brasileiro, colocado em dúvida pelas autoridades sanitárias dos Estados Unidos, é emblemática para a discussão sobre a contaminação de alimentos por esses produtos. A presença irregular de resíduos de agrotóxicos em produtos agrícolas destinados à exportação implica em prejuízo para o agricultor brasileiro, com a devolução ou destruição do produto pelo país importador.
O agrotóxico, por definição, é um produto aplicado para matar e a linha que separa os efeitos benéficos de eliminar uma praga e os efeitos maléficos, que podem levar um ser humano à morte, é muito tênue. Por isso, esses produtos químicos têm alvos biológicos e mecanismos de ação bem definidos.
Só são autorizados se forem eficazes no combate a pragas específicas, sem destruir o alimento tratado, nem deixar resquícios em quantidades tóxicas para os consumidores. Isso porque os agrotóxicos estão associados ao desenvolvimento de alterações hormonais, de doenças do sistema nervoso central, de doenças respiratórias, de lesões hepáticas, de câncer e tantas outras enfermidades graves identificadas nos ensaios realizados em animais de laboratório e em culturas de células e tecidos. Tais ensaios têm constituído um excelente mecanismo para impedir possíveis agravos, prevalecendo-se das similaridades entre processos biológicos bem selecionados.
Dúvida sobre a eficiência da Anvisa em avaliar a qualidade dos alimentos traz uma distorção dos fatos
Nos últimos quatro anos, segundo dados das próprias indústrias do setor, o Brasil assumiu o posto de maior mercado de agrotóxicos do mundo. Mesmo assim, o caminho a ser percorrido para alcançarmos os níveis de controle que os países desenvolvidos exercem sobre essas substâncias ainda é muito longo.
Nesse cenário, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determina o limite máximo de resíduos de agrotóxicos em alimentos e a quantidade total de cada agrotóxico que pode ser ingerido diariamente pelas pessoas, sem que haja risco para sua saúde. São esses os parâmetros avaliados pelo tão criticado Programa de Avaliação de Resíduos de Agrotóxicos da agência.
O programa funciona a partir da coleta de amostras de alimentos pelas vigilâncias sanitárias dos Estados e municípios em supermercados. Depois de coletados, os alimentos são encaminhados para laboratórios, onde se verifica a quantidade de resíduos de agrotóxicos em cada uma das amostras.
Entretanto, um movimento silencioso, com a sutileza de fazer inveja ao estouro de uma manada de elefantes, tenta, cotidianamente, desqualificar os resultados do programa. A dúvida sobre a avaliação de resíduos de agrotóxicos em alimentos, que é publicada anualmente pela Anvisa, traz uma notável distorção e desinformação dos fatos, com flagrante desrespeito ao mesmo tempo à lei e à ciência.
As atividades da Anvisa, nesse campo, têm o compromisso da transparência de seus atos em respeito à sociedade e no cumprimento de seu mandato de proteger a saúde humana com base na legislação nacional e nos conhecimentos científicos e tecnológicos mais atualizados da comunidade científica internacional.
As referências para a conformidade dos parâmetros medidos são divulgadas em rótulos e bulas e na página na internet dos organismos registradores de agrotóxicos: Ministério da Agricultura, Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Anvisa. São os mesmos procedimentos praticados pelos países desenvolvidos, muitos dos quais abrigam as matrizes das indústrias de agrotóxicos, que estão instaladas no Brasil.
A segurança da qualidade dos alimentos se baseia nos conhecimentos científicos e na observação dos efeitos tóxicos, agudos e crônicos que os resíduos de agrotóxicos podem gerar nas pessoas. Se o responsável pela emissão da receita agronômica ou o próprio agricultor utilizar um agrotóxico em um alimento para o qual aquele produto não foi autorizado, o ato se qualifica como ilegal e a ingestão diária segura pode ser ultrapassada. Isso resultará em prováveis danos à saúde do próprio agricultor e do consumidor.

Os efeitos agudos dos agrotóxicos aparecem nos trabalhadores rurais que os manipulam (preparadores de calda e aplicadores) e em pessoas que vivem ou trabalham nas imediações das áreas tratadas. A literatura científica constata que as doenças crônicas ocorrem em pessoas que se expõem a pequenas doses durante um tempo prolongado, como no caso de consumidores que ingerem alimentos com pequena quantidade de agrotóxico por um longo período de tempo.
Como agência reguladora da saúde, a Anvisa tem a obrigação de divulgar as informações sobre os riscos relativos à exposição a agrotóxicos. Essa informação é uma poderosa ferramenta de cobrança para que os atores envolvidos adotem medidas de correção dos problemas diagnosticados.
A Anvisa não compactua com atores que, irresponsavelmente, estimulam a omissão dos dados com o intuito de desacreditar toda a cadeia envolvida na avaliação dos resíduos de agrotóxico. Não dá para a volta da velha política de o bom a gente mostra e o ruim a gente esconde. Esse tipo de omissão só favorece aqueles cuja atuação, neste campo, se caracteriza pela política do avestruz e pelo não cumprimento da legalidade, que é o princípio fundamental em um estado democrático e de direito.
O respeito aos consumidores, em qualquer parte do mundo, é dever dos estados nacionais. Por isso, a Anvisa busca sempre aprimorar os instrumentos de avaliação dos agrotóxicos e de seus resíduos nos alimentos, para que não haja diferença entre os produtos levados à mesa do consumidor brasileiro e aqueles destinados à exportação. Os direitos do consumidor são atributos de cidadania e respeitá-los não é nenhum ato de favor ou concessão das autoridades públicas. É, isto sim, reconhecimento de uma conquista histórica da sociedade brasileira.
José Agenor Álvares da Silva é diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2007 e foi ministro da Saúde entre 2006 e 2007

Um retrato do trabalho nos frigoríficos brasileiros

Documentário alia imagens impactantes a depoimentos que caracterizam o duro cotidiano do trabalho nos frigoríficos brasileiros de abate de aves, bovinos e suínos
Quem trabalha em um frigorífico se depara diariamente com uma série de riscos que a maior parte das pessoas sequer imagina. Exposição constante a facas, serras e outros instrumentos cortantes; realização de movimentos repetitivos que podem gerar graves lesões e doenças; pressão psicológica para dar conta do alucinado ritmo de produção; jornadas exaustivas até mesmo aos sábados; ambiente asfixiante e, obviamente, frio – muito frio.
Esse é o duro cotidiano de trabalho nos frigoríficos brasileiros de abate de aves, bovinos e suínos que o documentário Carne, Osso traz à tona. Ao longo de dois anos, a equipe da ONG Repórter Brasil percorreu diversos pontos nas regiões Sul e Centro-Oeste à procura de histórias de vida que pudessem ilustrar esses problemas.
O filme alia imagens impactantes a depoimentos que caracterizam uma triste realidade que deve ser encarada com a devida seriedade pela iniciativa privada, pela sociedade civil e pelo poder público.

Danos físicos e psicológicos

“Cerca de 80% do público atendido aqui na região é de frigoríficos. Ainda é um pouco difícil porque o círculo vicioso já foi criado. O trabalhador adoece e vem pro INSS [Instituto Nacional de Seguro Social]. Ele não consegue retornar, ele fica aqui. E as empresas vão contratando outras pessoas. Então já se criou um círculo que agora para desfazer não é tão rápido e fácil”
Juliana Varandas, terapeuta ocupacional do INSS de Chapecó (SC).
As estatísticas impressionam. De acordo com o Ministério da Previdência Social, um funcionário de um frigorífico de bovinos tem três vezes mais chances de sofrer um traumatismo de cabeça ou de abdômen do que o empregado de qualquer outro segmento econômico. Já o risco de uma pessoa de uma linha de desossa de frango desenvolver uma tendinite, por exemplo, é 743% superior ao de que qualquer outro trabalhador. E os problemas não são apenas físicos. O índice de depressão entre os funcionários de frigoríficos de aves é três vezes maior que o da média da população economicamente ativa do Brasil.

Ritmo frenético

“A gente começou desossando três coxas e meia. Depois, nos 11 anos que eu fique lá, cada vez eles exigiam mais. Quando saí, eu já desossava sete coxas por minuto”
Valdirene Gonçalves da Silva, ex-funcionária de frigorífico
Em alguns frigoríficos de aves, chegam a passar mais de 3 mil frangos por hora pela “nória” – a esteira em que circulam os animais. Há trabalhadores que fazem até 18 movimentos com uma faca para desossar uma peça de coxa e sobrecoxa, em apenas 15 segundos. Isso representa uma carga de esforço três vezes superior ao limite estipulado pelos especialistas em saúde do trabalho.

Reclamações curiosas

“Tu não tem liberdade pra tu ir no banheiro. Tu não pode ir sem pedir ordem pro supervisor teu, pro encarregado teu. Isso aí é cruel lá dentro. Tanto que tem gente que até louco fica”
Adelar Putton, ex-funcionário de frigorífico
Muitos trabalhadores se queixam também de restrições de menor importância – pelo menos, aparentemente. Por exemplo: o funcionário só pode ir ao banheiro com permissão do supervisor e em um tempo bastante curto, coisa de poucos minutos. Também são tolhidas aquelas conversinhas paralelas que possam diminuir o ritmo de trabalho.

Problemas com a Justiça

“O trabalho é o local em que o empregado vai encontrar a vida, não é o local para encontrar a morte, doenças e mutilações. E isso no Brasil, infelizmente, continua sendo uma questão séria”
Sebastião Geraldo de Oliveira, desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª região (TRT-3)
Nas regiões em que estão instaladas as indústrias frigoríficas, boa parte dos processos que correm na Justiça do Trabalho diz respeito a essas empresas. Em cidades como Chapecó, no oeste de Santa Catarina, as ações movidas por trabalhadores contras essas companhias respondem por mais da metade dos processos.

Pujança econômica

“Esse é um problema de interesse do conjunto da sociedade, não é só de um setor. O Estado tem que se posicionar. Não se pode fazer de forma tão impune ações que levam ao adoecimento e à incapacidade tantos trabalhadores”
Maria das Graças Hoefel, médica e pesquisadora
O Brasil é simplesmente o maior exportador de proteína animal do mundo. O chamado “Complexo Carnes” ocupa o terceiro lugar no pódio do agronegócio nacional, atrás apenas da soja e do açúcar/etanol. Em 2010, as vendas externas superaram US$ 13 bilhões. No total, o setor emprega diretamente 750 mil pessoas. Vale lembrar que muitos desses frigoríficos se transformaram em gigantes no mercado mundial com dinheiro do governo via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – o principal banco de fomento da economia brasileira.

Melhorar é possível

“Basicamente, é conscientizar essas empresas para reprojetar essas tarefas. Introduzir pausas, para que exista uma recomposição dos tecidos dos membros superiores, da coluna. Em algumas vai ter que ter diminuição de ritmo de produção. Nós estamos hoje chegando só no diagnóstico do setor. Mas as empresas ainda refratárias a esse diagnóstico”
Paulo Cervo, auditor fiscal do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE)
Não é difícil diminuir a incidência de problemas no ambiente de trabalho de um frigorífico. Reduzir a jornada de trabalho, adotar um rodízio de tarefas, diminuir o ritmo da linha de produção e realizar pausas mais frequentes e mais longas são algumas medidas possíveis. Falta apenas que as empresas se conscientizem disso.

Veja os comentários sobre o documentário. em:

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Nas mãos de poucos, escassez de sementes preocupa fazendeiros e Sementes Crioulas Avançam em Alagoas

Nas mãos de poucos, escassez de sementes preocupa fazendeiros

Com o avanço da demanda, empresas responsáveis pela comercialização estão cancelando os pedidos e oferecendo produtos de qualidade inferior para não deixar o produtor na mão.

Produtores de milho em Mato Grosso temem atraso no plantio ou perda de produtividade em decorrência da falta de sementes. Com o avanço da demanda, empresas responsáveis pela comercialização estão cancelando os pedidos e oferecendo produtos de qualidade inferior para não deixar o produtor na mão.
A reportagem foi publicada pelo MT Agora, 12-02-2012 e reproduzida pelo boletim da AS-PTA.

Presidente da Associação do Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja/MT), Carlos Henrique Fávaro, explica que houve aumento até abusivo no preço da sementes, mas que isso é consequência natural do mercado devido ao crescimento na demanda. Segundo ele o que preocupa, na verdade, é o não cumprimento dos compromissos na entrega das encomendas e possível atraso.

“Até mesmo os levantamentos de safra estão incertos porque os produtores estão de pendendo das sementeiras. Preocupação é se as entregas serão ou não feitas a tempo”. Data recomendável para semear o milho é 20 de fevereiro, mas o analista da CONAB, Petrônio Sobrinho acredita que esta data será ultrapassada, mesmo que os agricultores corram riscos de perder na produtividade.

Gerente do sindicato rural de Campo Novo do Parecis (a 384 km de Cuiabá), Antônio de La Bandeira, explica que os produtores estão reclamando principalmente da troca na hora de entregar os pedidos. “Como estão esgotando as sementes de primeira linha, as empresas oferecem produtos de qualidade inferior para garantir a venda e os produtores aceitam para não perder tudo”.

Fávaro revela que, como se prepararam para o plantio, com a compra de insumos e planejamento, os produtores não podem perder o investimento e aceitam a semente, mesmo que não seja a que foi pedida. De acordo com a Agroceres Sementes [comprada pela Monsanto], que atende o Estado, os clientes e distribuidores estão sendo abastecidos conforme o cronograma, sendo que o planejamento é feito com pelo menos 1 ano de antecedência. Segundo a assessoria, a região de Mato Grosso registrou aumento no volume de sementes em cerca de 30% em relação à safra passada e a empresa desconhece a falta dos híbridos.

Ja em alagoas..

Sementes Crioulas Avançam em Alagoas 

http://gazetaweb.globo.com/gazetadealagoas/noticia.php?c=196013

O agricultor Sebastião Damasceno, de Santana do Ipanema, se transformou num dos símbolos do movimento chamado em Alagoas de “Sementes da Resistência”. Ele participa de praticamente todos os encontros de agricultores familiares, feiras e exposições exibindo uma coleção de sementes crioulas que inclui desde variedades mais comuns de feijão e milho plantadas em Alagoas, até raridades como variedades de algodão e fava que praticamente não são mais cultivadas no Estado. Por onde passa, ele explica que as sementes que carrega, além de adaptadas às condições de clima e solo do Estado, fazem parte das culturas e tradições dos agricultores alagoanos.
A reportagem é do jornal Gazeta de Alagoas, 03-02-2012 e reproduzidada pelo boletim da AS-PTA.

Mas engana-se quem pensa que Damasceno participa de um movimento “romântico” ou saudosista. Ao contrário. Os produtores querem na verdade é melhorar de vida e de renda com a seleção e plantio das próprias sementes. E estão conseguindo avanços importantes. Este ano, pela primeira vez na história, os gastos públicos com a aquisição de sementes crioulas vão superar os gastos com a compra de sementes comerciais.

A Secretaria de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário prevê gastos da ordem de R$ 6,7 milhões para o programa de aquisição de sementes. A expectativa é que os recurso sejam suficientes para a aquisição, através de pregão eletrônico, de cerca de mil toneladas de sementes selecionadas de milho, feijão, sorgo e mamona. “Além dessas sementes devemos contar com o reforço da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento”, explicou recentemente a reportagem do Gazeta Rural o secretário Jorge Dantas, da Agricultura.

E o reforço veio. E veio além do esperado, até mesmo pelos mais otimistas dos agricultores. O superintendente da Conab em Alagoas, Eliseu Rego, antecipou ao caderno Gazeta Rural que este ano a companhia tem um orçamento já assegurado de R$ 6 milhões para a aquisição de sementes crioulas em Alagoas. “Serão cerca de 1,5 mil toneladas de sementes de milho e feijão”, assegura.

Nos últimos dois anos, a Conab vem reforçando o programa de distribuição de sementes do Estado. Em 2011 o reforço foi de cerca de 300 toneladas de feijão trazidas de outros Estados. Esse ano além de um volume maior, a diferença é que as sementes serão compradas e distribuídas em Alagoas, através de parcerias com a Seagri e com organizações de agricultores familiares. “Temos cinco cooperativas cadastradas para vender as sementes”, explica Eliseu.

Uma dessas organizações que serão contempladas com o programa da Conab em Alagoas é a Cooperativa dos Bancos Comunitários de Sementes, Coopabacs, sediada em Delmiro Gouveia. Mardônio Alves da Graça que tomou conhecimento da novidade pela reportagem do Gazeta Rural, adiantou outra importante novidade: duas organizações de Alagoas acabam de se credenciar no Ministério do Desenvolvimento Social para vender sementes.

“O governo federal avançou nessa questão e o MDS abriu pela primeira vez uma chamada pública no valor de R$ 10 milhões para a aquisição de sementes a agricultores familiares. No país inteiro foram credenciadas sete organizações. Destas, duas são de Alagoas, a própria Coopabacs e a Agra (Associação dos Agricultores Agroecológicos de Igaci)”, explica o presidente da Coopabacs, Mardônio Alves da Graça.

O projeto no MDS, acredita Mardônio, contempla a aquisição de 192 mil kg de sementes de feijão, mais de 60 mil kg de sementes de milho produzidas por pouco mais de 200 agricultores. “Esse projeto que tem um custo de R$ 870 mil vai beneficiar mais oito mil famílias de agricultores familiares em Alagoas”, adianta.

Para Mardônio o reconhecimento do governo federal, ao destinar verbas para a aquisição das sementes crioulas, reforça o movimento dos bancos comunitários de sementes no Estado. Agora ele defende que o governo estadual faça o mesmo. “Temos uma boa parceria com o governo, que hoje funciona na capacitação dos agricultores e na formação dos bancos comunitários de sementes e ferramentas. Mas defendemos que o Estado avance e também passe a adquirir sementes produzidas por agricultores familiares”, enfatiza.

O presidente da Coopabacs sugere que o governo de Alagoas adote no programa de sementes a mesma política federal para a compra de produtos da merenda escolar. “Poderíamos estabelecer, a partir de 2013, uma vez que esse ano não é mais possível, que no mínimo 30% dos recursos do programa de sementes do Estado sejam destinados a aquisições de agricultores familiares do próprio Estado. Com isso, vamos garantir o reforço no programa e uma maior circulação de riquezas no nosso Estado”, destaca

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Lançamento do livro: "Progresso das mulheres no Brasil"

http://www.cepia.org.br/progresso.html

Este livro, editado por Jacqueline Pitanguy e Leila Linhares Barsted e realizado com o apoio da ONU MULHERES apresenta um panorama da mulher no Brasil no período 2003-2010, complementando publicação anterior, relativa ao periodo 1992-2002. Com a colaboração de renomadas especialistas analisa a sua situação nas esferas de trabalho, política, violência,educação, saúde e direitos sexuais e reprodutivos, no ambiente rural e urbano. Analisa também a divesidade etnico-racial, o marco legal e traça percursos da ação de advocacy pelos direitos humanos das mulheres.


Clique aqui para baixar o Livro


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Perdão aos homicidas

Terça, 7 de fevereiro de 2012, 08h02

Rui Daher
De São Paulo

Especialista defende que tecnologias sustentáveis sejam aplicadas nas lavouras com doses equilibradas de agroquímicos (Foto:Getty Images)

Convivem em nosso rincão seres estranhos. Como aqueles que em matéria da "Veja" (04/01/12) se mostraram contrariados com o uso da palavra agrotóxico para designar inseticidas, fungicidas, herbicidas e outros sinistros portadores do sufixo cida, que vem do latim e significa matar.
Olímpicos em seus cargos e defensorias, esses senhores preferem o termo defensivo agrícola. E por que não? Basta que nos permitam incorporar ao grupo os homicidas como defensores da vida humana.
Soube das distorções da matéria e do parti pris que ela toma através da resposta dada à revista pela Associação Brasileira de Agroecologia e divulgada na rede digital.
Onde mais? Na mídia tradicional que não seria. Nela, ouvir o oposto serve quando usado a favor do que interessa ou pensa a publicação.
Este espaço já se ocupou algumas vezes do assunto e acredita estarem os leitores fartos de saber dos índices de agrotóxicos encontrados em amostragens da ANVISA, dos princípios proibidos mundo afora aqui vendidos livremente, e das patologias causadas pelo uso intensivo desses produtos.
Se alguém quiser conhecer o outro lado, coisa que "Veja" não fez, consulte o sítio www.aba-agroecologia.org.br.
A preocupação aqui é com o ponto em que deságuam as opiniões dos amigos ouvintes sempre que a controvérsia aparece. Tiro e queda: a fome mundial. Confiram em e-mails, comentários e tuitadas.
Há um raciocínio raso calcado em parte na forma como a mídia trata o assunto. E vem a pergunta: como vocês pensam em alimentar os bilhões de habitantes do planeta com o uso de insumos orgânicos?
Preso às figuras dos índios Tonto e Jerônimo, só me resta retrucar: "Nós quem, caras-pálidas?"
Quando se fala nos excessos do uso de agrotóxicos no Brasil, recordes mundiais de vendas da indústria agroquímica, poder lobista que faz perdurar no mercado produtos prejudiciais à saúde, o que se pretende é alertar os agricultores para outras formas de manejo e produtos capazes de em certas circunstâncias diminuírem o uso dos cidas e reduzirem o custo da produção por hectare.
Que não se imagine, pois, a pretensão de produzir o que se precisa sem aplicar fertilizantes químicos e agrotóxicos. Apenas, esses consumos poderiam ser muito menores se consorciados com produtos biológicos e de extração mineral e orgânica.
E olhem que estou sendo ameno, pois no campo não é difícil constatar produtividades semelhantes às obtidas com tratamentos convencionais usando-se apenas meios nutricionais e fitossanitários pouco ofensivos ao ambiente.
São tecnologias sustentáveis, pesquisadas em centros de excelência, que aplicadas com doses equilibradas de agroquímicos podem, inclusive, aumentar a produtividade das lavouras.
Quanto cresceu a produção de grãos com mais preservação e economia, em 30 anos, desde que iniciou o hoje consagrado sistema de plantio direto? Na época, perguntava-se: mas sem arar, sem mecanizar? Sim, hoje mais de 60% das áreas plantadas com culturas anuais seguem a prática.
Em dez anos, essa mesma proporção se reproduzirá em cultivos do país que usem produtos biológicos, orgânicos e sistemas integrados de lavoura, pecuária e floresta.
O que não adianta é deixar tudo como está, potencializando efeitos negativos para ambiente, saúde e bolso, em nome de uma fome mundial que, com ou sem agrotóxicos, continua assolando as mesmas populações de sempre.
Mais: não existissem soluções melhores, a empresa líder mundial na venda de agrotóxicos não estaria lançando um fertilizante foliar que tem entre seus principais apelos as presenças de aminoácidos e carbono orgânico.
Bobos é que não são.

Rui Daher é administrador de empresas, consultor da Biocampo Desenvolvimento Agrícola.

Fale com Rui Daher: rui_daher@terra.com.br

Genetically Modified Foods Not Served in Monsanto Cafeteria

 
February 4, 2012
By Crisis Boom
The fight to ban genetically modified foods has won more converts — some employees of Monsanto the company that is doing the most to promote GM products.
The Independent newspaper reports that there is a notice in the cafeteria of the Monsanto pharmaceutical factory is High Wycombe, Buckinghamshire, advising customers “as far as practicable, GM soya and maize (has been removed) from all food products served in our restaurant. We have taken the steps to ensure that you, the customer, can feel confident in the food we serve.”
The notice was posted by the Sutcliffe Catering Group.
Monsanto confirms the authenticity of the notice, but company spokesman Tony Coombes says the only reason for the GM-free foods is because the company “believes in choice.” Coombes says in other Monsanto locations employees are happy to eat GM foods because they are “sprayed with fewer chemicals.”
 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Carta da ABA para a Revista Veja sobre " A verdade sobre os agrotóxicos"

"Prezado Diretor de Redação,
Referentemente à matéria de Veja, da edição de 04 de janeiro/2012, sobre o tema dos agrotóxicos, chamou-nos primeiramente a atenção o tratamento parcial e tendencioso dado ao assunto, uma vez que se trata de um tema controverso, mesmo nos meios científicos, e que recebeu apenas o veredito de profissionais com legitimidade e isenção questionáveis, considerando que é possível que alguns representem, eles próprios, um comprometimento com a indústria de agrotóxicos, a qual é, obviamente, parte interessada na venda desses produtos. Segundo, soa como prepotente, para dizer o mínimo, a Revista tentar apresentar-se como dona da verdade em um tema sensível e controverso como esse. Por uma questão de imparcialidade e ética, o que se esperaria é que a matéria desse também amplo espaço para o contraditório.
Da mesma forma, foi visível a falta de senso crítico das jornalistas, que não questionaram os “conceitos” que alguns entrevistados convenientemente tentaram afirmar como sendo “modernos”, como ocorreu, já no início da matéria, em relação ao nome “Defensivos Agrícolas” em vez de agrotóxicos. Cabe esclarecer que o termo agrotóxico é definido de acordo com a LEI Nº 7.802, DE 11 DE JULHO DE 1989, que considera “agrotóxicos e afins: a) os produtos e os agentes de processos físicos, químicos ou biológicos, destinados ao uso nos setores de produção, no armazenamento e beneficiamento de produtos agrícolas, nas pastagens, na proteção de florestas, nativas ou implantadas, e de outros ecossistemas e também de ambientes urbanos, hídricos e industriais, cuja finalidade seja alterar a composição da flora ou da fauna, a fim de preservá-las da ação danosa de seres vivos considerados nocivos; b) substâncias e produtos, empregados como desfolhantes, dessecantes, estimuladores e inibidores de crescimento.” Fica claro que o termo adequado, definido por lei, para referir-se a quaisquer dos produtos acima mencionados é agrotóxico, ainda que a indústria e as entidades que representam seus interesses insistam em usar, eufemisticamente, o termo defensivos agrícolas.
Inseticidas, fungicidas, herbicidas, formicidas, etc, já carregam em seus nomes o princípio básico de sua ação: a função “cida”, sufixo originário do latim, caedere que significa matar. Não é toa que quase todos levam em seus rótulos uma CAVEIRA com as tíbias cruzadas e a inscrição "VENENO".
Sobre a afirmação de que “o Brasil é um dos países mais rigorosos no processo de registro de agrotóxicos” e que “os produtos disponíveis no mercado são seguros", não é isso que se constata na prática, uma vez que existem diversos casos em que formulações de agrotóxicos que são proibidos
em dezenas de países, permanecem, no entanto, com seu uso liberado no Brasil, como é o caso do Endossulfan, do Metamidofós e do Acefato, encontrados pela Anvisa em vários alimentos, como o pepino, pimentão, tomate, alface, cebola e cenoura. Cabe registrar e reconhecer o esforço realizado pela Anvisa para monitorar os resíduos de agrotóxicos nos alimentos, além de fiscalizar os abusos cometidos na comercialização e uso desses produtos.
No caso do Endossulfan, trata-se de um princípio ativo proibido em mais de 50 países, inclusive nos 27 da Comunidade Européia, na qual está proibido desde dezembro de 2005 e continua sendo comercializado livremente no Brasil (embora tenha tido sua fabricação proibida recentemente no Brasil desde 12-09-2010, a sua comercialização está permitida até 2012). A proibição de seu uso nos outros países deve-se ao fato do mesmo apresentar graves riscos ao meio ambiente e à saúde humana, podendo causar, entre outros, efeitos carcinogênicos, imunotoxidade e neurotoxidade. Além destas, outros produtos são causadores de patologias de pele, teratogênese, desregulação endócrina, efeitos na reprodução humana e no sistema imunológico.
A reportagem afirma, de forma irresponsável, que “não existe comprovação científica de que o consumo a longo prazo ... provoque problemas graves em seres humanos”. Segundo Faria et al. (2007)1 publicações da Organização Internacional do Trabalho/ Organização Mundial da Saúde (OIT/OMS) estimam que, entre trabalhadores de países em desenvolvimento, os agrotóxicos causam anualmente 70 mil intoxicações agudas e crônicas que evoluem para óbito, e pelo menos 7 milhões de casos com doenças agudas e crônicas não-fatais. Isso representa, sem dúvida, elevados custos para a saúde humana e ambiental. Segundo Rigotto (2011)2, ainda segundo a OMS, para cada caso de intoxicação por agrotóxicos diagnosticado e notificado existem pelo menos 50 casos não notificados.
Apesar de vários produtos serem proibidos em diversos países, há fortes pressões do agronegócio para mantê-los autorizados no Brasil e, embora estejam em reavaliação, continuam sendo importados em larga escala pelo país.
A questão do estabelecimento de limites permitidos de resíduos de agrotóxicos em alimentos é bastante complexa. Sabemos que o estabelecimento de “níveis seguros” de venenos que poderíamos ingerir todos os dias é uma falácia. Nenhum estudo laboratorial pode comprovrar com toda certeza que determinado nível de veneno é inócuo para a saúde das pessoas. Estudos feitos com cobaias sugerem que certos níveis de resíduo parecem não produzir efeitos colaterais, até que o surgimento de técnicas mais modernas ou novas evidências científicas provem o contrário. Para alguns especialistas, a determinação de limites aceitáveis de resíduos representa, na verdade, a “legalização da contaminação”.
O lobby das empresas produtoras de agrotóxicos é evidente, como se pode perceber pelo gritante exemplo da alteração do limite permitido de resíduos de glifosato para que a CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) pudesse liberar a soja transgênica no Brasil. Em 1998 a Anvisa alterou o limite permitido de resíduos de glifosato em soja, aumentando-o em 10 vezes! Ele passou de 0,2 ppm (partes por milhão) para 2,0 ppm. Mas em 2004 o limite do veneno na soja aumentou ainda mais: foi para 10 ppm, ou seja, 50 vezes maior que o limite inicialmente permitido.
Os níveis de contaminação por agrotóxicos vão muito além dos registros de resíduos em alimentos. As águas dos rios e aquíferos estão contaminadas por venenos agrícolas. Na Chapada do Apodi no Ceará, a água que sai das torneiras tem até 12 tipos de veneno. O aquífero Jandaíra, localizado sob parte do Ceará e do Rio Grande do Norte está sendo contaminado pelos venenos utilizados na produção de banana e abacaxi. O famoso aquífero Guarani está também sendo contaminado por agrotóxicos.Os alimentos, o ar, as chuvas e até mesmo o leite materno estão contaminados de venenos provenientes das aplicações maciças nas regiões onde o agronegócio impera, como ficou constatado no Mato Grosso. Em março de 2011 foi divulgada amplamente a contaminação em leite materno com agrotóxicos, no município de Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, região dominada pela produção de soja e do milho transgênicos.3
A reportagem também erroneamente afirma: “período de carência é o intervalo mínimo entre o uso do pesticida e a colheita”, no entanto, a definição correta de período de carência ou intervalo de tempo, em dias, é o tempo que deve ser observado entre a aplicação do agrotóxico e a colheita do produto agrícola para que o alimento colhido não possua resíduos dos agrotóxicos em níveis superiores aos limites máximos estabelecidos pela ANVISA. Continua a reportagem: “tempo em que o defensivo se degrada e perde sua toxicidade para os seres humanos”. Isto é uma inverdade. A pressuposta degradação ou ausência de agrotóxicos nos alimentos não significa que os problemas tenham desaparecido, pois existem os metabólitos que podem estar presentes. As conseqüências ambientais e para a saúde, em função de uma aplicação que deixou residual, podem permanecer por muito tempo. Segundo Spadotto & Gomes4 “determinados produtos químicos são rapidamente decompostos no solo, enquanto outros não são degradados tão facilmente. Algumas moléculas são moderadamente persistentes e seus resíduos podem permanecer no solo durante um ano inteiro, outras podem persistir por mais tempo. No ambiente aquático, além da hidrólise e da fotólise, os agrotóxicos podem também sofrer a degradação biológica e, ainda, a bioacumulação e a biomagnificação (bioacumulação em níveis elevados da cadeia trófica), diferenciando apenas os microrganismos nesse ambiente em relação àqueles presentes no solo”. E mais, advertem que além dos riscos da molécula original, os metabólitos ou produtos de degradação dos agrotóxicos apresentam toxicidade e ecotoxicidade com enormes diferenças em relação à molécula-mãe. Alguns destes produtos de degradação podem ser inclusive muito mais tóxicos que o ingrediente-ativo original. A título de exemplo, pode ser citado o glifosato, que produz o ácido aminometil fosfônico (AMPA) como primeiro metabólito, que por sua vez produz outros que ainda não são investigados e que podem ser mais tóxicos para a cadeia trófica. Além desse, há o exemplo clássico do DDT que ao perder uma molécula de HCl, por degradação biológica ou ambiental, forma o metabólito conhecido como DDE, que é ainda mais resistente às degradações que o DDT.
Cabe lembrar que não é por acaso que o Brasil é considerado o campeão mundial de consumo de agrotóxicos, atingindo a incrível marca de 5,7 litros por habitante/ano. Esse dado foi, estranhamente, esquecido ou, o que é mais grave, ignorado intencionalmente pelas jornalistas, que conseguiram fazer uma matéria que destacou apenas um lado da questão, o dos “benefícios” supostamente decorrentes do uso de agrotóxicos. Lamentamos essa postura, profundamente comprometedora para uma revista que se pretende séria e, ironicamente, se intitula como “indispensável”. Perdem com isso os leitores da revista e perde, ainda mais, a sociedade brasileira, pelo nível superficial, pouco sério e, sobretudo, tendencioso como um tema tão importante como esse foi tratado na referida matéria.
Atenciosamente,
Associação Brasileira de Agroecologia".

1 Ciência & Saúde Coletiva, 12(1):25-38, 2007.
2 Raquel Rigotto, entrevista a Caros amigos, dezembro de 2011.
3 Fonte: LONDRES, F. e MONTEIRO, D. Agrotóxicos no Brasil: um guia para ação em defesa da vida. RJ, 2011
4 Em: Agência de Informação Embrapa, Agricultura e Meio Ambiente. Qualidade Dinâmica e Riscos de Contaminação.