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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Matéria sobre Agrotóxicos na Revista Vox Objetiva

RESÍDUOS INCONVENIENTES

André Martins
Lucas Alvarenga


Brasileiro consome mais de 5 litros de agrotóxicos por ano e tem saúde comprometida; enquanto isso, fabricantes ganham benefícios fiscais e a agricultura orgânica sofre com o descaso do governo


Uma produção agrícola de dar inveja. Recursos naturais como água, diferentes perfis de solo e clima, e uma atividade solar intensa em grande parte do ano. O Brasil reúne condições perfeitas para os cultivos agrícolas. Mas, ao mesmo tempo em que lidera a produção de vários itens de consumo distribuídos ao redor do globo, o país encabeça também uma preocupante lista. Em 2008, “o celeiro do mundo” desbancou os Estados Unidos e hoje é o maior consumidor de agrotóxicos do planeta.

Esse quadro teve início há mais de 50 anos, quando a chamada Revolução Verde apresentou um modelo de produção agrícola baseado na modernização do campo e no uso de aditivos químicos. Tudo visando à expansão do setor. A estratégia se afirmou, com o tempo, penosa por demais. Não apenas por forçar a migração do homem do campo para as cidades, mas, também, por estimular um crescimento irresponsável, em que a produção possui primazia sobre os mecanismos que assegurem a saúde da população mundial.

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), só em 2010, as seis empresas mais fortes no ramo de agrotóxicos – Monsanto, Syngenta, Bayer, Dupont, DowAgrosciens e Basf – faturaram uma cifra superior a US$ 7 bilhões em defensivos agrícolas no Brasil. O Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Agrícola (Sindage) aponta que nesse mesmo período, mais de um bilhão de litros de defensivos foram despejados nas lavouras nacionais. A grosso modo, cada brasileiro consumiu impressionantes cinco litros de agrotóxicos em 2010.

O engenheiro agrônomo e gerente de Defesa Sanitária Geral do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), Nataniel Diniz Nogueira, faz questão de enumerar. Hoje, o Brasil possui cerca de 1.200 marcas comerciais de defensivos. Isso corresponderia a cerca de 300 ingredientes ativos, que são, precisamente, os agrotóxicos. O glifosato, por exemplo, uma das principais substâncias presentes nas prateleiras e a mais comercializada no Brasil, correspondendo a 70% do mercado, dá origem a mais de 30 variedades de químicos.

Resultado dessa maior variedade de produtos e do aumento de casos de intoxicação alimentar e de problemas neurológicos de camponeses devido à exposição às substâncias tóxicas, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem atuado de forma incisiva em quatro importantes eixos para impedir que a situação fuja do controle. Regularmente a entidade promove a avaliação toxicológica para o registro de novos produtos e reavaliação para a manutenção ou não das substâncias já existentes no mercado, além de análise de resíduos em produtos agrícolas e fiscalização de indústrias de agrotóxicos.

No Brasil, entretanto, a situação se tornou ainda mais complicada a partir de 2008. Agrotóxicos proibidos em países como Estados Unidos, Canadá, Japão, China e também na União Europeia são livremente comercializados em território nacional. As grandes empresas produtoras de defensivos químicos entraram na justiça e conseguiram impedir que a Anvisa reavaliasse 14 ingredientes ativos que são base para a produção de cerca de 200 tipos de aditivos indesejados no restante do mundo.

Mesmo com a fiscalização precária, com os laboratórios despreparados para lidar com a quantidade demonstrativa necessária para se analisar o nível de toxinas e com as dimensões continentais do país, o chefe do Serviço de Toxicologia de Minas Gerais, o médico bioquímico Délio Campolina, credita a grande dor de cabeça à forma com que os microprodutores lidam com esses produtos. “Mesmo que alguns serviços prestem orientação a esse grupo, muitas vezes, essas pessoas não têm discernimento, nem o mínimo cuidado com a própria saúde, que dirá então com a dos outros”.

O IMA já desenvolveu um trabalho de orientação a pequenos produtores ao longo de quatro anos, segundo o engenheiro agrônomo, Nataniel Diniz Nogueira. “Pretendíamos mudar o comportamento deles, pois muitas vezes se usa o agrotóxico, mas não se percebe o perigo que ele pode representar. Há quem se atente para isso ao concluir que quem deve cuidar da saúde de quem manipula esse tipo de substância é ele mesmo”, opina.

Se é praticamente impossível se dispensar o uso do agrotóxico em grandes cultivos, ele deve ser usado, todavia, com parcimônia, garante Nogueira. Seguindo a bula, e o receituário agronômico, que se assemelha a uma receita. Sem ele, em tese, não se permite a venda. “O receituário é um documento mais objetivo com informações como: qual o produto, a cultura, a dosagem, o horário de pulverização”.

Mas nem todos seguem à risca as normas de segurança. “O pequeno produtor, em muitos casos, não se protege, mistura substâncias para causar um efeito mais imediato e acaba gerando resíduos”. Além de colocar a integridade física em xeque, o homem do campo tem um dispêndio muito grande com produtos caros e que não seriam realmente necessários em determinados cultivos.

Saúde em primeiro lugar

O controle dos danos causados por agrotóxicos ao organismo humano é um assunto delicado. Não é fácil concluir se uma pessoa foi intoxicada por químicos contidos em alimentos ou se por outras situações. Para o médico bioquímico Délio Campolina, os níveis de toxinas são muitos pequenos em termos de identificação laboratorial. “Teríamos que pegar o alimento e analisá-lo, porque no organismo ele dificilmente será detectado”, assegura. De acordo com o coordenador da unidade, situada no Hospital João XXIII, as pessoas dificilmente ligam o mal-estar ao alimento, de fato.

Campolina alerta que a ingestão frequente de alimentos com quantidades mais elevadas de agrotóxicos pode gerar problemas em longo prazo. “A ingestão desses produtos durante anos pode levar a problemas crônicos, sejam eles gastro-intestinais ou nervosos, decorrentes da atividade neurotóxica desses produtos. Além disso, pode desenvolver ainda alergias e aumentar a probabilidade de aparecimento de um câncer”. Com o tempo, a ingestão de alimentos com resíduos acima do limite permitido lesam as células, desenvolvendo as patologias.

O consumidor pode reduzir os resíduos presentes nos alimentos por meio de procedimentos de lavagem, além de atentar para o tipo de estabelecimento onde se adquire os itens. “Esses estabelecimentos podem priorizar a compra de produtos de fornecedores que efetivamente adotem boas práticas agrícolas na produção de alimentos”, expõe o gerente geral de Toxicologia da Anvisa, Luiz Cláudio Meirelles.

O problema é quando a quantidade de aditivos utilizada é tão desmoderada a ponto de o agrotóxico atingir não apenas a superfície de frutas e legumes carnosos. “Ao se lavar os alimentos com água e sabão, por exemplo, é possível reduzir os resíduos daquilo que ficou na superfície. Mas, o que adentrou o produto? Nas frutas tropicais é normal que isso aconteça”, ressalta Délio Campolina. O cerne da questão para o chefe do Serviço de Toxicologia do HPS João XXIII está nos agrotóxicos já proibidos, mas que continuam a ser usados nas lavouras devido a estoques de produtores ou a aquisição via compras clandestinas. Mais uma situação a caminhar para o lado político da discussão.

O poder das toxinas

A força da indústria agroquímica desafia ate mesmo o Governo, a quem a ela estendeu a mão um dia. Hoje, concede-se uma redução de 60% da alíquota do ICMS a todos os agrotóxicos e se isentam as empresas produtoras de arcar com impostos e contribuições como o IPI, PIS/ Pasep e Cofins. Enquanto isso, o pequeno produtor que se dedica aos cultivos orgânicos permanece sem o amparo do poder público. Sem incentivos, a competição é desleal.

“As empresas produtoras de agrotóxicos não são taxadas e ao mesmo tempo geram uma despesa permanente para o sistema de saúde e de previdência. A nossa proposta é reverter a situação. Ou seja, conceder os incentivos aos produtores agroecológicos”, explica Padre João (PT-MG), deputado que levou a discussão à esfera legislativa federal no inicio de 2011, quando foi criada a Subcomissão sobre o Uso de Agrotóxicos e suas Consequências à Saúde.

A primeira vitória foi conquistada em abril em cima da bancada ruralista. Por 220 votos a 156, a Câmara rejeitou a isenção de impostos de matérias-primas para a fabricação do glifosato. De acordo com Padre João, o Brasil não pode crescer a todo e qualquer custo. É preciso assegurar a “saúde e a vida à nação”. “Não basta ser somente um grande produtor de alimentos. A segurança alimentar deve se firmar não apenas na produtividade, mas na qualidade”, defende.

Na esfera federal, a subcomissão tem realizado audiências públicas, ouvido produtores e comerciantes de agrotóxicos, o governo e averiguado denúncias. Já na estadual, a Emater trabalha para levantar os números da agricultura orgânica em Minas e disponibilizá- los na intranet da empresa. “Com dados em mãos, fica mais fácil convencer o poder público a investir no plantio ecologicamente correto”, diz o coordenador de Agroecologia e Meio Ambiente da Emater-MG, Marco Aurélio Borba Moreira. Hoje, porém, falta muito.

“A agricultura de base ecológica precisa de subsídio. Tem que haver um plano de fortalecimento dessa prática por parte do Governo”, lamenta Moreira. Segundo o engenheiro agrônomo, há um grupo formado por diversas entidades, inclusive a Subsecretaria Estadual de Agricultura Familiar, trabalhando na formulação de um projeto de lei que possa instituir um plano de agricultura orgânica.

Alternativa sustentável

A produção de alimentos orgânicos extrapola os limites da supressão de agrotóxicos. De acordo com o engenheiro agrônomo Marco Aurélio Borba Moreira, esta cultura é uma forma de se incentivar a sustentabilidade. “Nós pretendemos que o agricultor produza os insumos na própria propriedade, aumentando a produtividade por hectare, gerando alimentos mais saudáveis e garantindo a segurança alimentar tanto dele, quanto do consumidor”. Para isso, a Emater oferece cursos de capacitação para produtores rurais e extensionistas, com foco na saúde e na preservação do meio ambiente.

Uma das informações importantes para o agricultor é esclarecida por Moreira com didatismo. Segundo ele, a terra precisa de dois a cinco anos para se adaptar ao processo produtivo com base ecológica. “Pense em uma pessoa intoxicada com produtos químicos. Para que ela se restabeleça, é preciso que passe por um processo de recuperação e purificação daquele organismo. Com a terra é a mesma coisa”. Por isso, neste período, o ecossistema fica sujeito a um maior ataque de pragas e doenças. “Essa variação depende de como se deu o processo produtivo antes da implantação da agricultura orgânica. Quanto menor a carga de agroquímicos em um solo e nas proximidades, mais rápida é essa transição”, complementa.

Nesse sistema, a agricultura familiar se assenta com mais facilidade. E como a escala de produção é menor, o plantio orgânico força com que se semeie diversos alimentos da cadeia nutricional. O engenheiro agrônomo da Emater lembra que essa prática colabora para que o ecossistema consiga atingir um equilíbrio nutricional e de pragas em relação aos insetos responsáveis por combatê-las. Apesar do predomínio da agricultura familiar, a produção orgânica também atinge o agronegócio. As lavouras mineiras de café plantadas sob base ecológica são exemplos. Com um produto diferenciado, elas conquistaram mercados no Brasil e fora dele, apesar do preço ainda mais elevado.

Algumas pesquisas e experimentos realizados pela Emater-MG e por outras instituições do ramo revelam que a agricultura orgânica pode ser tão ou mais produtiva que a convencional. “Ela também apresenta um custo mais baixo, porque o insumo é produzido na propriedade. O que pode onerar é a mão de obra. Se o ecossistema ainda não se encontra totalmente equilibrado, doenças repentinas e ataques de praga tendem demorar mais tempo para serem combatidas. Nesse caso, o dano econômico pode ser maior. Aí, a mão de obra onera porque em vez de uma ou duas aplicações por mês, são feitas uma ou duas por semana intercalando os produtos ecológicos”, esclarece. Por causa deste equilíbrio, há chances de a produção orgânica ter um custo-benefício mais alto que a tradicional. Algo que se dilui com o tempo.

Hoje, a pequena oferta faz com que o alimento orgânico seja atraente apenas aos olhos. O consumidor sente o preço, que tende a abaixar, mas com o tempo. Enquanto isso, testes são realizados a fim de se conquistar uma fatia maior do mercado com os produtos. “Conseguimos em uma unidade demonstrativa de produção de batata, na região de Inhaúma, próximo de Sete Lagoas, 5 kg por metro quadrado. Isso equivale a 50 toneladas por hectare, o que ultrapassa a produtividade do sistema convencional. Também atingimos níveis de produtividade mais altos com o morango e o tomate”, recorda o coordenador de Agroecologia e Meio Ambiente da Emater-MG.

A tentativa de se fazer da Copa do Mundo de 2014, a “Copa Orgânica”, é uma motivação extra para o produtor rural que deseja aderir à agricultura orgânica. “Em abril e maio de 2012 teremos uma semana voltada à produção agroecológica em Minas e em outros locais do Brasil. Faremos vários eventos. Muito se fala em promover uma Copa sustentável e a agricultura não ficará de fora”, ressalta entusiasmado Marco Aurélio.

A situação mineira

Minas Gerais é o sexto maior consumidor de agrotóxicos do Brasil. Aqui, quem responde pela fiscalização do uso e comércio desses produtos é o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA). A diversidade de químicos utilizados nas plantações mineiras, mantém estreita relação com a versatilidade dos cultivos de acordo com as peculiaridades climáticas de cada região.

Segundo Nataniel Diniz Nogueira, o sistema de monitoramento adotado no estado é referência para os demais. Das 44 mil fiscalizações realizadas em 2010, 27%, ou 12 mil, foram feitas no estado. Desse total, apenas 5% da amostragem apresentou algum tipo de inconformidade com os parâmetros legais.

Os estabelecimentos que comercializam agrotóxicos são visitados três vezes ao ano. As plantações, de uma a três vezes, dependendo da localização. Assim como a Anvisa, o IMA monitora, também, desde 2000, o percentual de resíduos presentes em produtos agrícolas. “Cerca de nove itens diferentes são coletados e conduzidos a um laboratório. Em 2010, fizemos 286 amostras, sendo que 92% apresentavam níveis de agrotóxicos dentro do que a legislação sanitária tolera”, detalha Nogueira.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A alternativa agroecológica

A experiência do Grupo Agroextrativista do Cerrado 
com plantas medicinais

O trabalho com plantas medicinais é um dos grandes destaques do Grupo Agroextrativista do Cerrado. O coletivo é constituído por 12 famílias agricultoras residentes no assentamento agroextrativista “Americana”, no município de Grão Mogol, norte de Minas Gerais.

Seu João Altino Neto, um dos membros do grupo, deve ao pai, de quem herdou a tradição de “raizeiro”, o grande conhecimento que tem das plantas medicinais do Cerrado. Maria Elei Souza, atual presidente do grupo, também já tinha adquirido muitos conhecimentos em um curso promovido no município de Porteirinha pela Associação Casa de Ervas Barranco de Esperança e Vida (ACEBEV), há cerca de 13 anos.

Quando a terra do assentamento foi conquistada, há cerca de seis anos, estes agricultores começaram a organizar o grupo para, entre outras atividades, manejar, coletar e produzir plantas medicinais para a fabricação artesanal de remédios. À ocasião, além dos agricultores, outros dois raizeiros do assentamento foram identificados e aderiram à iniciativa.

Mas embora houvesse entre os agricultores muitos conhecimentos sobre as propriedades medicinais das plantas da biodiversidade local, foi através da assessoria de Honório Dourado, técnico do Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas (CAA-NM), que eles aprenderam técnicas de processamento das ervas para a fabricação de tinturas, xaropes, pomadas, chás, além de cuidados com a coleta e a secagem das plantas. Novas propriedades farmacêuticas de diversas plantas também foram aprendidas, tanto com Honório como nos diversos eventos dos quais membros do grupo têm participado.

O trabalho com plantas medicinais é todo feito de forma coletiva pelo grupo: desde a coleta das plantas “no mato” até o processamento e envase. Através de projeto aprovado com a ajuda do CAA-NM, conseguiram comprar equipamentos como armário, caldeirão, tacho, vidros, isopor, botas, luvas e toucas. Além da extração de nativas, cujo cronograma também é organizado coletivamente, as famílias cultivam diversas espécies de ervas medicinais.

Entre as plantas nativas coletadas no assentamento estão a cagaita, pau-terra, carqueja, salva-vida, pacari, arnica, umburana, angico-vermelho, aroeira, barbatimão, malva-rosca, rufão, canguçu, velame-branco, carapiá, assa-peixe branco, jatobá do campo, quina-de-papagaio, violeiro, unha d’anta, alecrim-da-vargem, chá-podre, quina-de-vara, papaconha, raízes-de-perdizes, trucisco, barrigudinha, miroró, braço-forte, ruibarbo, gonçalo-alves, ipê-amarelo ipê-roxo, cura-olho e pequi.

Entre as plantas medicinais cultivadas estão 3 variedades de hortelã, poejo, capim-santo, erva-cidreira, alfavaca, alfavacão, alecrim, gergelim, girassol, calêndula, babosa, boldo-do-chile, arruda, chá-da-índia e sálvia.

Hoje o grupo produz mais de 40 tipos de remédios formulados, alguns dos quais combinando várias plantas medicinais.

Os remédios são usados pelas famílias que compõem o grupo e comercializados em feiras e encontros. Há também pessoas que vão ao assentamento para comprá-los diretamente dos agricultores.

Eles calculam que a comercialização dos medicamentos caseiros renda uma média de R$ 300,00 por mês, que são distribuídos entre as 12 famílias do grupo. Mas ressaltam que o lucro maior que têm é não mais gastarem dinheiro nas farmácias: muito raramente compram remédios industrializados.

Eles ainda destacam que o conhecimento adquirido e cultivado pelas famílias do grupo tem ajudado a preservar o cerrado. Por exemplo, na região usava-se tradicionalmente a raiz da arnica para fins medicinais. A planta tinha que ser arrancada para a obtenção da raiz e a espécie estava sumindo. Através dos cursos e intercâmbios os agricultores aprenderam a usar a parte aérea da planta e com isso a espécie está sendo preservada. Outro valor observado sobre o trabalho em grupo é que os conhecimentos sobre as plantas medicinais está sendo repassado para os filhos e familiares dos agricultores e difundido pela comunidade.

Em breve, tanto as plantas medicinais como as frutas também coletadas e produzidas pelo grupo começarão a ser processadas na Unidade Multiuso de Beneficiamento de Frutos do Cerrado, obra já em andamento viabilizada através de projetos aprovados com a Fundação Banco do Brasil, o Programa de Pequenos Projetos Ecossociais (PPP-ECOS) e a Cese (Coordenadoria Ecumênica de Serviço).

Fonte: Agroecologia em Rede, 2010.



Campanha Brasil Ecológico, Livre de Transgênicos e Agrotóxicos - AS-PTA

Fungicida ameaça venda de suco de laranja brasileiro nos EUA

O anúncio de que os Estados Unidos detectaram um fungicida em suco de laranja importado do Brasil gerou temores de que as vendas do produto brasileiro possam ser afetadas em seu principal mercado no exterior.

Segundo a Agência Americana de Drogas e Alimentos (FDA, na sigla em inglês), uma empresa americana detectou baixas quantidades do fungicida carbendazim em suco de laranja concentrado comprado do Brasil.

O uso da substância é proibido em produtos cítricos nos EUA, mas é permitido no Brasil e empregado no combate à "pinta-preta", um tipo de fungo comum em pomares de laranja. A FDA afirmou que os níveis de carbendazim detectados não eram nocivos à saúde e que não pretendia fazer um recall do produto brasileiro, mas que intensificaria os testes e bloquearia todos os carregamentos que apresentassem altas quantias do fungicida. A agência não determinou, no entanto, qual será o limite tolerado do produto.

Em nota, a Associação Nacional de Exportadores de Cítricos (CitrusBR) afirmou que a utilização do carbendazim é permitida no Brasil e nos outros principais mercados consumidores do suco brasileiro (União Europeia, Japão e Canadá), e que os EUA aceitam o uso do fungicida em vários outros produtos alimentícios.

Segundo a assessoria de imprensa da associação, os produtores brasileiros estão em contato com a FDA para se adequar às normas americanas, sem que haja a interrupção nas vendas. A CitrusBR diz ainda aguardar que a FDA defina um nível máximo de carbendazim para o suco de laranja. (...)

Fonte: BBC Brasil, 11/01/2012.


Campanha Brasil Ecológico, Livre de Transgênicos e Agrotóxicos - 

A Bayer continua matando abelhas em todo o planeta

Enquanto a companhia alemã Bayer continuar fabricando e vendendo agrotóxicos neonicotinóides, populações de abelhas nomundo todo serão mortas.

“É responsabilidade da Bayer o fenômeno conhecido como transtorno do colapso de colônias (CCD)” – problema da mortalidade de colônias de abelhas – declaram os membros da Coalizão contra os perigos da Bayer, um grupo com sede na Alemanha.

Philipp Mimkes, porta-voz do grupo, revelou que o imidacloprido (Gaucho) e a clotianidina (Poncho) são os inseticidas mais vendidos da Bayer, apesar destes produtos, conhecidos como neonicotinóides, estarem ligados à morte de colônias de abelhas.

Em 2010, as vendas do Gaucho alcançaram a cifra de US$ 820 milhões e do Poncho US$ 260 milhões. Gaucho ocupa o primeiro lugar entre os agrotóxicos vendidos pela Bayer, enquanto o Pancho está em sétimo lugar. “Esta é a razão da Bayer, apesar dos graves prejuízos ambientais, lutar com unhas e dentes contra qualquer proibição na aplicação dos neonicotinóides”, afirma Mimkes.

Na Europa, em vários países o uso dos neonicotinóides foram proibidos. Na Alemanha, Itália, França e Eslovênia o Gaucho foi proibido no tratamento das sementes de milho, que é sua principal aplicação. No entanto, sua utilização é livre em vários países, incluindo os EUA, onde desde 2006, um terço da população de abelha já morreu.

As abelhas polinizam mais de 70 entre as 100 culturas que fornecem 90% de alimentos do mundo. Entre frutas e vegetais, estão, por exemplo, as maçãs, laranjas, morangos, cebolas e cenouras. O declínio na população de abelhas tem efeitos devastadores para a segurança alimentar e é meio de subsistência dos agricultores. Além disso, pode afetar o valor nutricional e a variedade de nossos alimentos.

Um estudo recente das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) descreveu que os pesticidas da Bayer imidacloprido e clotianidina colocam em risco diversos animais como gatos, peixes, ratos, coelhos, pássaros e minhocas. “Os estudos de laboratório demonstraram que estes produtos químicos podem causar a perda de direção, afetar a memória e o metabolismo cerebral e levar à mortandade”, revela o informe da Pnuma.

Devido ao seu alto grau de persistência, os neonicotinóides podem permanecer no solo durante vários anos. Os cultivos onde foram utilizados agrotóxicos anteriormente podem levar as toxinas para o solo através de suas raízes.

Pressão para deter os neonicotinóides

Segundo Mimkes, o grupo “está fazendo campanha contra os neonicotinóides desde 1997, quando os riscos ainda eram praticamente desconhecidos pelo grande público. É preciso pressionar para que a Bayer pare a fabricação e comercialização desses pesticidas, que são responsáveis pelos danos causados ao meio ambiente e por prejuízos econômicos.
A novidade mais importante é que hoje em dia há milhares de informações, artigos e estudos do mundo todo sobre a correlação da exposição aos agrotóxicos, tais como os imidacloprido e clotianidina, e o declínio geral das abelhas.

Os ativistas recolheram 1,2 milhões de assinaturas para exigir que a clotianidina fosse retirada do mercado e elas foram apresentadas ao diretor geral da Bayer durante uma reunião de acionistas. O abaixo-assinado foi em função de uma nota interna dos EUA – agência de proteção ambiental (EPA) – que confirmou o risco que o agrotóxico representa para as abelhas e descreve que a Bayer apresentou estudos insuficientes.

Em 2003 a EPA solicitou que a Bayer apresentasse um estudo do ciclo de vida e os efeitos da clotianidina sobre as abelhas. A Bayer pediu mais tempo para terminar a pesquisa, continuou vendendo o produto e somente em 2007 apresentou o estudo.

Um memorando vazado diz que a EPA concedeu permissão a Bayer para realizar estudo sobre o óleo de canola, em vez do milho, uma distinção crucial já que a canola é um cultivo menor em comparação ao milho. Os testes foram realizados em terrenos pequenos e próximos uns aos outros.

Extraído e adaptado de: Coalizão Contra os Perigos da Bayer, 23/12/2011 (via Em Pratos Limpos).



Campanha Brasil Ecológico, Livre de Transgênicos e Agrotóxicos -

União Europeia reabre debate sobre proibição de transgênicos

A Dinamarca apresentou em 19 de dezembro as principais linhas de sua política ambiental da próxima presidência da União Europeia, que voltará a debater a proibição dos polêmicos transgênicos, juntamente com a eficiência energética e a luta contra as mudanças climáticas.

A ministra do Meio Ambiente, Ida Auken, assinalou em entrevista coletiva que uma de suas prioridades será voltar a debater a possibilidade que cada país tenha mais liberdade para proibir o cultivo dos transgênicos.

A Comissão Europeia propôs no ano passado mudar as políticas sobre o assunto. Seis países aplicam restrições contra o cultivo – França, Grécia, Alemanha, Luxemburgo, Áustria e Hungria – enquanto que no outro extremo estão os sete membros que exploram comercialmente esses cultivos.

Espanha está no último grupo e é, concretamente, o país com maior superfície de transgênicos e o produtor de 80% do milho transgênico cultivado na União Europeia.

Auken adiantou que o debate será complicado, já que continua havendo uma minoria de países que bloqueiam a aprovação dessa medida e favoráveis a que decisões sobre estes produtos continuem sendo tomadas em nível comunitário.

Atualmente, na União Europeia pode-se cultivar dois tipos de transgênicos: uma linhagem de milho e outra de batata.

Outras prioridades da presidência dinamarquesa serão reforçar as infraestruturas energéticas e abordar questões como o conteúdo de enxofre nos combustíveis das embarcações.

Fonte: Estadao.com.br, 19/12/2011.


Campanha Brasil Ecológico, Livre de Transgênicos e Agrotóxicos - 

Empresa é multada por omitir presença de transgênico em farinha

Produto teria 22% de milho geneticamente modificado, segundo o DPDC. Fabricante pode recorrer da decisão.

A empresa paranaense Zaeli Alimentos foi multada nesta quinta-feira (5) pelo Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), do Ministério da Justiça, por deixar de informar, no rótulo de sua farinha de milho, a existência de ingrediente transgênico.

A multa, de R$ 548 mil, deve ser depositada em favor do Fundo de Defesa de Direitos Difusos do Ministério da Justiça. A empresa pode recorrer da decisão.

Segundo o DPDC, a análise de laboratório confirmou a presença de 22% de milho geneticamente modificado na Farinha de Milho – Fubá Mimoso, fabricada pela Zaeli. O órgão do ministério da Justiça informa que, de acordo como Código de Defesa do Consumidor, “é obrigatório informar no rótulo do alimento a presença de mais de 1% de ingredientes transgênicos”.

Procurada pelo G1, a Zaeli Alimentos informou que estranha a decisão do DPDC e que irá recorrer da decisão. Segundo a empresa, os testes não seguiram os procedimentos legais. “Além disso, não foi dada a oportunidade de realização de uma contraprova do exame em questão”, afirma a companhia em nota.

Fonte: G1, 05/01/2012.


Campanha Brasil Ecológico, Livre de Transgênicos e Agrotóxicos - 

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Investigación científica demuestra la contaminación del agua dulce por el glifosato


Contrariando las afirmaciones hechas por la industria química y la Agencia de Protección Ambiental (EPA) de EE.UU., de que el herbicida glifosato no se filtra en las aguas subterráneas, se ha encontrado que es plenamente capaz de contaminar esas aguas.

Publicado en la revista Analytical Chemistry and Bioanalytical , el nuevo estudio confirma que el glifosato está lejos de ser el protector de los cultivos benigno que sus defensores afirman que es, y que tiene el potencial de causar daños ambientales. Para su estudio, los investigadores del Instituto de Diagnóstico Ambiental y Estudios del Agua (IEAWR) en Barcelona, España, realizaron una serie de pruebas en muestras de agua subterránea para determinar la presencia de glifosato. Después de emplear un inmunoensayo de partículas magnéticas (IA), así como cromatografía líquida con extracción en fase sólida, (LC) y espectrometría de masas tándem (MS / MS), determinaron que, mientras que los suelos absorben parte del químico, el glifosato no es totalmente descompuesto antes de llegar a las aguas subterráneas; lo que el gobierno y la industria química desde hace mucho tiempo decía que sí ocurría.

De hecho, los resultados contradicen totalmente las declaraciones hechas por la industria química y la EPA de que el glifosato tiene “pocas posibilidades de lixiviación en aguas subterráneas.” Según la EPA, “microbios en el suelo fácilmente lo degradan completamente [al glifosato], incluso bajo condiciones de baja temperatura y el glifosato no tienden a acumularse en la vida acuática”.http://www.epa.gov/ogwdw/pdfs/factsheets/soc/glyphosa.pdf 

La EPA presumiblemente habría obtenido esta información falsa directamente desde el fabricante de glifosato, la Corporación Monsanto. Sin embargo, la agencia tiene su propia responsabilidad para verificar los reclamos de seguridad por parte del público, que obviamente no hizo para el glifosato. Como resultado, millones de litros de este producto químico mortal son rociados sobre los cultivos en todo el mundo cada año, y nadie sabe cuánto de ello ha llegado a las aguas subterráneas.

Otros dos estudios realizados recientemente por el Servicio Geológico de EE.UU. (USGS) también encuentran glifosato en arroyos y ríos, así como en el agua de lluvia e incluso en el aire alrededor de las zonas agrícolas que utilizan glifosato. http://www.naturalnews.com/033699_Roundup_pollution.html
Otro aspecto de esta revelación es el hecho de que Monsanto ha sabido de esta contaminación del ambiente durante años, pero no ha hecho nada al respecto.

La mentira de que glifosato no contamina las aguas subterráneas ha sido oficialmente desmentida, es muy poco probable que la EPA o la industria química invertirá su posición errante en la materia.-


Sanchís J, Kantiani L, Llorca M, Rubio F, Ginebreda A, Fraile J, Garrido T, Farré M. 

Determination of glyphosate in groundwater samples using an ultrasensitive immunoassay and confirmation by on-line solid-phase extraction followed by liquid chromatography coupled to tandem mass spectrometry. Anal Bioanal Chem. 2011 Nov 20. [Epub ahead of print] Institute of Environmental Assessment and Water Research (IDAEA-CSIC), C/Jordi Girona, 18-26, 08034, Barcelona, Spain. Anal Bioanal Chem. 2011 Nov 20. 

Abstract traducido por Reduas:
A pesar de haber sido el foco de atención por parte de la comunidad científica durante los últimos años, el glifosato sigue siendo un compuesto de desafiantes desde el punto de vista analítico, debido a sus propiedades fisicoquímicas: peso molecular relativamente bajo, alta polaridad, solubilidad en agua alta, de baja solubilidad en disolventes orgánicos , comportamiento anfótero y la facilidad para formar complejos metálicos.

Grandes esfuerzos se han dirigido hacia el desarrollo de métodos adecuados, sensible y robusto para el análisis de rutina de este herbicida ampliamente utilizado. En el presente trabajo, un inmunoensayo de partículas magnéticas (IA) ha sido evaluado para una rápida, fiable y precisa de partes por billón de control de glifosato en matrices de agua, en combinación con un nuevo método analítico basado en la extracción en fase sólida (SPE), seguida de cromatografía líquida (LC), junto a la espectrometría de masas tándem (MS / MS), para análisis de confirmación de muestras positivas.

La evaluación de impacto de partículas magnéticas se ha aplicado a los análisis de cerca de 140 muestras de las aguas subterráneas de Cataluña (NE de España) recolectados durante cuatro campañas de muestreo. El glifosato está presente por encima de nivel límite de cuantificación en el 41% de las muestras con concentraciones de hasta 2,5 g / L y una concentración media de 200 ng / L.

Buen acuerdo se obtuvo al comparar los resultados de la IA y en línea, análisis SPE-LC-MS/MS. Además, no se obtuvieron falsos negativos mediante el uso de la IA rápida.
Este es uno de los pocos trabajos relacionados con el análisis de glifosato en muestras de agua subterránea real y los datos presentados confirman que, a pesar de que tiene baja movilidad en el suelo, el glifosato es capaz de alcanzar las aguas subterráneas.