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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Rompimento de comporta coloca em risco famílias no Paraná


Na última segunda-feira (26/09) uma das nove comportas da Usina Hidrelétrica Salto Osório, se rompeu da estrutura da barragem ocasionando apreensão, medo e insegurança em centenas famílias da região. A barragem fica localizada no rio Iguaçu, entre os municípios de Quedas do Iguaçu e São Jorge do Oeste, no estado do Paraná.
Oficialmente o grupo Suez Tractebel, que tem a concessão da usina, ainda não se manifestou sobre a situação. Para solucionar o problema, será necessário diminuir o lago da usina em 20 metros de profundidade, praticamente secando o reservatório. Segundo o relato de ribeirinhos da região, uma grande quantidade de peixes está morrendo por conta da secagem do lago.

“Essa é uma situação complicada. Foi o rompimento de uma comporta, mas quem garante que isso foi um acidente isolado e não poderá se repetir em uma proporção mais grave? As famílias estão apreensivas, as informações são bastante imprecisas e isso nos preocupa muito”, pondera Robson Formica, da coordenação do MAB no Paraná.

Para o engenheiro eletrecista e diretor do Sindicato dos Engenheiros do Paraná, Antônio Goulart, esse problema pode refletir o contexto do setor elétrico pós-privatizações. “Primeiro veio o apagão como resultado da falta de investimento das empresas privadas, depois a precarização das condições de trabalho dos trabalhadores do setor elétrico e mais recentemente tivemos, além do apagão das linhas de transmissão de Itaipu, uma série de explosões e de problemas graves com distribuidoras, como a Ligth, no Rio de Janeiro. Agora esse problemão que poderia ter sido muito mais grave na UHE Salto Osório. Esses são problemas que revelam o quanto prejudicial foi e continua sendo a privatização do setor elétrico”, afirma Goulart.
A Suez Tractebel é a maior produtora privada de hidreletricidade no Brasil. Na região sul controla as usinas que eram da Eletrosul e foram privatizadas em 1997. “A transnacional obtém lucros anuais bilionários e os remete integralmente para sua matriz na França. Ela leva também para a Europa toda riqueza de terra, a biodiversidade e o trabalho dos atingidos que tiveram que abandonar suas terras quando a obra foi construída. Para o povo ficaram os impactos e agora a ameaça e insegurança quanto a novos rompimentos e suas conseqüências”, conclui Robson.

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