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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Briga de cachorro grande


Syngenta processa Bunge por veto a milho transgênico
 
A Syngenta Seeds, que integra a gigante agroquímica Syngenta AG, ingressou na Justiça contra a Bunge após ver recusada uma de suas variedades de milho transgênico.
 
A Syngenta alega que as operações da Bunge América do Norte estão recusando ilegalmente operar com uma de suas variedades de milho Bt [inseticida].
 
Na ação apresentada segunda feira à Corte Iowa, a Syngenta alega que a Bunge notificou seus fornecedores que não aceitará o novo milho da Syngenta, Agrisure Viptera, liberado ano passado nos EUA.
 
A Syngenta disse que a Bunge isolou seu milho, junto com uma soja da Pioneer Hi-Bred International (DuPont), justificando que seus elevadores não poderiam aceitar o grão uma vez que ele não foi aprovado pelos principais destinos de suas exportações.
 
A Syngenta afirma que a atitude da Bunge é ilegal e que a variedade tem as aprovações nos maiores destinos, incluindo Austrália, Brasil, Canadá, Japão, México, Nova Zelândia, Filipinas, Coreia e Taiwan.
 
Porém, falta aprovação da China, que nos últimos meses tem comprado volumes crescentes do cereal estadunidense.
 
Segunda a Syngenta, a aprovação da nova variedade de milho pela China deve ser obtida em 2012.
 
A Syngenta ainda afirma na ação que a China não é um grande mercado para o milho dos Estados Unidos porque as importações de milho pelos EUA representaram menos de 3% do total das exportações em 2010-2011. (…)
 
Com informações da Reuters, 22/08/2011.

AS-PTA

A alternativa agroecológica


XXIII Seminário Regional de Agrobiodiversidade e X Feira Regional de Sementes Crioulas da região do Contestado
 
Com a participação de 120 agricultores e agricultoras, lideranças associativas e sindicais, jovens rurais, técnicos e professores do Centro-Sul e Planalto Norte Catarinense (região do Contestado), realizou-se entre nos dias 19 e 20 de agosto o XXIII Seminário Regional de Agrobiodiversidade.
 
O evento teve por objetivo analisar a grave crise vivenciada pela agricultura familiar na região do Contestado e propor caminhos para a sua superação. Segundo os participantes, a saída massiva dos jovens da agricultura em busca de um futuro mais promissor apresenta-se como uma das maiores expressões dessa crise.
 
Desde a década de 1960, os sucessivos governos vêm criando as condições para que chegássemos a essa situação através de políticas públicas voltadas ao ensino, pesquisa, extensão e crédito rural subsidiado. O resultado dessas políticas é que a agricultura familiar encontra-se hoje em uma condição de grande dependência às indústrias de insumos e de máquinas e aos bancos.
 
O XXIII Seminário constatou também que um grande número de famílias vem encontrando caminhos de resistência a essa situação e construindo alternativas de produção e venda que demonstram melhores resultados econômicos, maior segurança alimentar e menores riscos frente às instabilidades dos mercados e às variações do clima.
 
Ao final o Seminário elaborou a Carta de São João do Triunfo que foi lida e aclamada por dois mil agricultores e agricultoras durante a X Feira Regional de Sementes Crioulas e da Biodiversidade, realizada no dia 21/08, como parte das comemorações dos 25 anos do Sindicato de Trabalhadores Rurais de São do Triunfo. A carta apresenta um conjunto de proposições nas áreas do crédito rural e seguro agrícola, organização para acesso aos mercados, promoção das sementes crioulas, direito à não contaminação por agrotóxicos e transgênicos, além de propostas específicas formuladas pela juventude rural.
 
Fonte: AS-PTA, 22/08/2011

A sequela da monocultura


Uso de herbicida pode causar sérias doenças em seres humanos

Segundo declarações de um cientista do governo americano, o uso excessivo do herbicida Roundup, da Monsanto, pode causar mudanças prejudiciais no solo e, potencialmente, prejudicar os rendimentos das culturas geneticamente modificadas pelos agricultores.

“O uso repetido do glifosato, o principal ingrediente do herbicida Roundup, causa impactos na estrutura química das plantas, e 15 anos de pesquisas indicam que a substância química pode ser a responsável por doenças nas raízes causadas por fungos”, explica Bob Kremer, microbiólogo do Agricultural Research Service.

Roundup é o herbicida mais vendido no mundo, e seu uso tem fortalecido a Monsanto, maior empresa de sementes do planeta, que continua implantando culturas “Roundup Ready”, tolerantes ao herbicida.
O milho, a soja e outras culturas Roundup Ready são amados pelos agricultores, pois permitem que pulverizem o herbicida diretamente em suas colheitas para matar ervas daninhas. Além disso, o milho e a soja estão entre os produtos mais cultivados nos Estados Unidos.

Mas como os agricultores aumentaram a utilização de culturas Roundup Ready e consequentemente do herbicida Roundup, os problemas começaram a surgir. Um dos maiores problemas atualmente é a resistência de plantas daninhas ao Roundup. Mas Kremer disse que os problemas menos visíveis, presentes abaixo do solo, também devem ser observados e pesquisados mais amplamente.

Embora Kremer afirme que a pesquisa até o momento não comprovou que o glifosato provoque doenças fúngicas que limitam diretamente a produção agrícola e a saúde, os dados sugerem que poderia ser o caso. “Estamos sugerindo que esse potencial certamente existe”, disse Kremer em uma apresentação na conferência anual da Organização para Mercados Competitivos, realizada recentemente em Kansas City.

Kremer explica que a pesquisa mostra que essas culturas geneticamente alteradas não rendem mais do que as culturas convencionais, e deficiências de nutrientes ligadas a problemas de doenças na raiz são provavelmente fatores limitantes.

Kremer disse que os agricultores devem tomar cuidado e considerar uma maior rotatividade de culturas e maior acompanhamento do uso do glifosato. Ele está entre um grupo de cientistas que notou problemas potenciais com esse herbicida. Pesquisadores de outros países também manifestaram preocupações sobre a relação entre a exposição ao glifosato e o desenvolvimento de câncer, bem como a ocorrência de abortos e outros problemas de saúde em pessoas e animais.

A Monsanto declarou que o glifosato liga-se fortemente à maioria dos tipos de solo e que não é prejudicial às colheitas. Disse também que suas pesquisas mostram que o glifosato é seguro tanto para seres humanos quanto para o meio ambiente.

“Nem o USDA (United States Department of Agriculture), nem a Agência de Proteção Ambiental que está analisando o registro do glifosato para a sua segurança e eficácia, demonstraram interesse em continuar a explorar essa área de pesquisa”, lamenta Kremer.


Fonte: Scientific American17/08/2011. Boletim AS-PTA

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Alvo de ruralistas agora são as unidades de conservação

Com 758 mil quilômetros quadrados de área e uma conta de indenizações
devidas estimada em R$ 20 bilhões, as Unidades de Conservação (UCs)
são o mais recente objeto de disputa entre ambientalistas e defensores
do agronegócio. Essa disputa, que promete repetir a polêmica da
reforma do Código Florestal, nem esperou a votação das novas regras de
proteção do meio ambiente terminar no Senado.

A extensão das áreas protegidas corresponde a três vezes o tamanho do
Estado de São Paulo - é também 40% maior que a França. Segundo o
Instituto Chico Mendes, órgão ligado ao Ministério do Meio Ambiente
responsável pelas áreas, há 310 Unidades de Conservação federais,
concentradas sobretudo na Amazônia, onde as unidades fazem parte da
estratégia de conter o avanço do desmatamento.

Embora a maior parte das UCs (86%) esteja localizada em terras
públicas, isso não significa que a União esteja isenta de pagar
indenizações a eventuais ocupantes, assim como aos proprietários de
áreas que tenham sido desapropriadas. Daí o tamanho do passivo.
O próprio instituto calcula que as indenizações não pagas alcancem a
cifra de R$ 20 bilhões. O valor equivale a quase um ano e meio de
pagamento do benefício do Bolsa Família ou três vezes o custo da obra
de transposição do Rio São Francisco, a maior obra do Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC) bancada com o dinheiro dos tributos.

ARGUMENTOS - A nova disputa política mostrou os primeiros contornos
durante a semana em audiência pública na Câmara. O deputado Moreira
Mendes (PPS-RO), presidente da frente parlamentar da agropecuária,
anunciou uma "grande campanha" para impedir que novas Unidades de
Conservação sejam criadas sem a prévia autorização do Congresso
Nacional. Hoje, a criação é feita por meio de decreto presidencial.

Os argumentos são semelhantes aos usados na votação do Código
Florestal na Câmara, quando o governo foi derrotado na estratégia de
manter as áreas de proteção permanentes às margens de rios e encostas
e o conceito de reserva legal nas propriedades. "Daqui a pouco, do
jeito que está, não sobra nada para a produção", reclamou Moreira
Mendes, que convocou autoridades da área ambiental do governo à
Comissão de Agricultura. O colega Valdir Colatto (PMDB-SC) fez coro:
"Daqui a pouco, o Brasil vira um parque."

"O argumento de que as unidades de conservação representam um
impedimento ao desenvolvimento da agricultura é uma balela. A
conservação é importante para garantir a sustentabilidade da atividade
econômica", reagiu Bráulio Dias, secretário de Biodiversidade e
Florestas do Ministério do Meio Ambiente, presente à audiência.

O próximo round está previsto para esta semana, quando a ministra
Izabella Teixeira comparecer a uma audiência na Câmara.

Por Marta Salomon Brasília (Agência Estado)

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Cooling and feeding the planet with agroecology


By Saulo Araujo
August 15th, 2011

In order to fix the broken food system, we need to de-colonize our minds. What do I mean? To understand that, do this short exercise. What comes to your mind, when you hear the word “Agriculture?” Is it a tree, a head of lettuce or vast endless fields somewhere in the US Midwest?

If the first thing came to your mind was a vast field of a single crop (such as endless rows of corn), you are certainly not alone. For decades, both consumers and farmers have been educated to think of agriculture as an industry of monocrops. The end of small, integrated farm plots (i.e. real food) coincided with the advent of industrial agriculture and the launch of the “Green Revolution.”

This so-called revolution not only failed to end world hunger, but also contributed to another problem exacerbating the water, soil and even the climate crisis. Studies show that industrial agriculture produces between 16 and 30 percent of greenhouse gas emissions, stemming largely from its reliance on petroleum for production and global shipping, and its reliance on toxic pesticides is creating other kinds of harm to humans and to the soil and water.

Contrary to its name, the Green Revolution is neither green nor a revolution. It is, however, well financed. Major donors such as the Bill and Melinda Gates Foundation are financing the Alliance for a Green Revolution in Africa (AGRA). In fact, AGRA is one of the largest grant recipients of the Gates Foundation, which seems intent on importing to the continent the agricultural system that has created problems in many other parts of the world with genetically modified seeds and resource-dependent methods.

In Africa and elsewhere, the Green Revolution and industrial agriculture are responsible for the depletion of land and water resources and local biodiversity. Seen as “modern,” this type of agriculture is neither the most efficient nor the solution to climate and food crises. In fact, modern or technologically advanced industrial agriculture is increasingly inaccessible to the majority of small-scale farmers. Also, those “modern” techniques deplete water resources and soil which is unsustainable if we want to end hunger or sustain our planet.

Further, industrial agriculture is heating up the planet. And according to a report from ETC (Canada), it takes 18 percent more energy for industrial farms than small scale agriculture to produce the same crops. In times we need major changes in the global economy from speculation to investment in communities and families so they can attain their right to food, the dominant view of industrial agriculture is taking us in the wrong direction. It employs less people, while small scale agriculture provides jobs and revitalizes local economies.

Despite the widespread belief that it would disappear in the global economy, small-scale agriculture continues to thrive through community gardens from Dorchester, Massachusetts to the highlands in Peru. They are the only source of food and income for many families and, in many cases, a major supply of animal protein, vegetables, and grains to local communities. In Brazil, small-scale farmers provide more than 50 percent of the food that it is consumed nation-wide. In sum, those farmers and their agricultural practices are the ones who really can cool and feed this planet.

Agroecology

People in both urban and rural communities are constantly developing practices and techniques to produce food and live well in harmony with the local environment. These practices are often based on the combination of practical knowledge and theory, or praxis. In agriculture and environmental conservation, we call it agroecology.

Agroecology is a framework that respects the knowledge of individuals and communities dedicated to environmental stewardship. In agroecology, the knowledge of those who work the land and protect biodiversity is the foundation for the development of local solutions to the climate, water contamination, and food production. In that sense, agroecological practices are based on the knowledge of people whose survival depends on the synergetic relationship with nature.

For instance, women are often responsible for the multiplication of creole seeds and cultivation of medicinal plants. Relying on traditional knowledge and caring for the local culture and environment, women have played an important role in the development of agroecological thinking. For this reason, when we talk about agroecology, we refer to the needs and rights of women, as well as those of indigenous people and peasants.

In Sololá, Guatemala, Grassroots supports a women-led vegetable garden project which embodies the perspectives of agroecology, as well as women’s leadership and rights. At the national assembly in 2006, women from the National Coordination of Peasants and Indigenous People (CONIC) requested a food production initiative. Even further, the women of CONIC, a Mayan indigenous organization and our partner in Guatemala, said the project should strengthen women’s leadership in their communities. Members of CONIC’s Women’s Secretariat consulted families in Sololá about a project that would help to improve their backyard vegetable gardens – including not simply an expansion of existing gardens for income generation, but also the implementation of new techniques such as compost production.

With the support of Grassroots and the help of CONIC’s field organizers, women in six communities in Sololá have been working to improve their practices. The group is using agroecological methods that include the development of demonstration units that serve as a practical classroom. Over the years, the women of Sololá have participated in several training events in which facilitators help the group to develop their own understanding of the project, instead of bringing imposing outside technologies and solutions.

As outcomes, CONIC’s Vegetable Garden Project has generated:

-Self-esteem: Participation in trainings with other women has contributed to increased confidence and self-esteem among indigenous women. Whereas previously women did not feel participate in community discussions, instead allowing men represent their families in community meetings and decisions, this project produced leadership of women within communities. For many, this project – focused on and led-by women – helped its participants gain self-esteem and confidence to participate in leadership roles.

-Learning from and teaching others: Through trainings and exchange visits to other women’s group, the participants had the chance to learn and share their experiences about vegetable gardening, seed saving, medicinal plants, cooking recipes, etc.

-Self-reliance: In 2010, CONIC and the project participants decided to take the project to a new level. Based on their success to date, they were able to raise funds from government agencies (Banco de Tierras) and indigenous authorities to buy seeds, so more women could participate. For many, it was a new and empowering experience.

-Better diet and more income: CONIC’s field coordinator Maria Luisa notes that the group has produced 25 different crops, including vegetables, grains and medicinal plants, all available for family consumption. In some cases, participants were also able to sell fresh vegetables (that exceed their family’s needs) at the local market.

-Rejecting agrochemicals: In many Mayan communities, agronomists and agrochemical sellers lure farmers to use industrial agriculture techniques as a way of increasing their yield, ignoring the impact on soil fertility and farmers’ health. CONIC plans to increase communities’ awareness of the dangers of agrochemicals, as well as show the better production using agroecological methods. Through small experiments, the group compared parcels of organic versus conventional agriculture. Satisfied with the results of areas that received natural fertilizer (compost), a few community members – both women and men – decided to use organic agriculture methods in their crops.

The case of Sololá is just one of many examples of indigenous and peasant communities who are working to change the current food system. The project is just one strand of the global web that CONIC in Guatemala, the Via Campesina, Grassroots International and others are building around the globe. A partner of Grassroots International, the Via Campesina is a network of farmers, indigenous people, peasants, pastoralists and fishers. Represented in 70 countries, the network represents an estimated 200 million people around the globe.

Changing the food system

The Via Campesina organized its II Continental Encounter of Agroecology Trainers in Chimaltenango, Guatemala earlier this month. Peasant and indigenous organizers from 20 countries throughout the Americas participated. As in the case of Sololá project, the event also promoted the learning exchange between visitors and local farmers about sustainable agriculture practices and current challenges. Through a “Peasant to Peasant” methodology, the group discussed lessons and reaffirmed its commitment to change the food system.

At the event, the Via Campesina reinforced its commitment to build a movement of urban and rural communities across borders to end hunger, as well as social and economic inequality. Daniel Pascual from the Peasant Unity Committee (CUC) and member of the Latin America Confederation of Peasant Organizations (CLOC)/Via Campesina said that “the policies of the Guatemalan government do not favor the production of healthy foods, because the use of genetically modified seeds and food imports [favored by free trade agreements] has invaded the [local] markets.” Also at the Encounter, Fred Congo from the Federation of Peasant, Indigenous and Black Organizations (FENOCIN) stated that “food sovereignty without agroecology is not possible. Only through agroecology can peasant families guarantee food sovereignty.”

By resisting the colonization of their minds and territories, peasant farmers provide evidence that the solutions to this global economic crisis (which is essentially a crisis of values) are not that complicated.

domingo, 14 de agosto de 2011

Presença de orgânicos tem aumentado

12/08/2011 08h02 - Atualizado em 12/08/2011 13h58
Presentes em 1 a cada 3 mercados, orgânicos ficam mais baratos
Se antes custavam 70% mais que convencionais, hoje diferença é de 30%.
Faturamento do setor registra crescimento de 40% ao ano.

Anay Cury Do G1, em São Paul

Antes ocupando pequenos espaços nas gôndolas dos supermercados e sendo comprados apenas por quem estivesse disposto a desembolsar mais pela sua qualidade, os alimentos orgânicos começam a atrair a atenção de mais consumidores, permitindo que o faturamento do setor registrasse aumento de 40% no último ano. Com o aumento de escala, a diferença de preço entre os produtos orgânicos e os convencionais, que em 2006 era de 70%, recuou para 30% neste ano, segundo a Associação Brasileira de Orgânicos (BrasilBio).

“Essa nova tendência de consumo começou há uns quatro, cinco anos, mas está se intensificando. A tecnologia do orgânico já está dominada. No início, havia apenas produtores que levavam o nome de ‘melhoristas’. Eles trabalhavam na base da tentativa e erro. Com a incorporação dessa tecnologia, a produção aumenta e, consequentemente, o preço cai”, disse Mauro de Rezende Lopes, pesquisados do Centro de Estudos Agrícolas da Fundação Getulio Vargas (FGV). “Ainda não sabemos quando, mas os preços deverão chegar a um equilíbrio.” Hoje, um em cada três supermercados no país vende produtos orgânicos.
Mapa dos orgânicos (Foto: Editoria de Arte/G1)

Segundo estimativa divulgada do projeto Organics Brasil, ligado à Agência Brasileira de Promoção de Exportações (Apex), atualmente o Brasil tem 332 mil hectares de produção agropastoril orgânica, utilizadas por cerca de 8 mil produtores que, juntos, são responsáveis por um volume de 5,2 milhões toneladas – a maior parte vindo das regiões Norte e Nordeste. Apesar de os últimos dados oficiais serem os do Censo Agropecuário do IBGE de 2006, o presidente da BrasilBio, José Alexandre Ribeiro, garante que a produção está aumentando.

“As pessoas estão mais preocupadas com a saúde, e temos percebido isso de um ano para cá. O número de produtores que se enquadram nas regras de certificação que começaram a valer em janeiro aumenta. Os agricultores começam a perceber todas as vantagens do cultivo orgânico, como preservação da saúde dos trabalhadores e a redução de alguns dos custos de produção”, disse. Porém, segundo Ribeiro, essa difusão da agricultura orgânica ainda não é suficiente para atender a demanda.

Aliada aos custos de produção, que ainda são relativamente altos, a oferta reduzida ainda impede que os preços praticados hoje façam os consumidores optarem pelos produtos convencionais. O presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Sussumu Honda, cita ainda falhas de distribuição como um dos entraves que dificultam a fidelização dos consumidores. “Mesmo assim, a procura é de fato grande, mas mais concentrada nas classes A e B. Para chegar à metade da população, que é a classe C, é preciso haver um aumento ainda maior. Os preços não estão tão mais altos (que os convencionais) como era há alguns anos, mas ainda precisariam ficar mais baixos.”

Segundo pesquisa da consultoria Nielsen, a pedido da associação dos supermercadistas, 27% das redes pesquisadas em 2010 informaram que comercializam produtos orgânicos, que correspondem a cerca de 0,5% do seu faturamento.

Atento ao aumento a esse mercado de alimentação, Dick Thompson, dono do Sítio do Moinho, em Itaipava, região serrana do Rio de Janeiro, deu um passo além e abriu a primeira panificadora de orgânicos do país, a Molino D’Oro, conforme contou. “Quando abrimos a panificadora, trouxemos tudo de fora: máquinas, consultoria e até um padeiro italiano. Mas nossa história com os orgânicos começou há muito tempo. “Em 1989, tomamos a decisão de optar pelo conceito de agricultura orgânica, para alimentar minhas filhas de forma saudável. Começamos em 1991 como hobby e depois a coisa começamos para valer.”

Alguns anos depois, o Sítio do Moinho passou a fornecer seus produtos para supermercados da capital. “Quando começamos a entregar, em 1997, entregávamos 600 unidades de legumes e verduras, em alguns dias da semana. Em 1999, já estávamos entregando seis vezes por semana, passando de 600 para 25.000 unidades”, contou Thompson. Hoje, a empresa distribui verduras, legumes, ervas da horta irrigada com água pura e outros produtos – todos orgânicos – como laticínios, cereais, sucos e conservas.

Made in Brazil
Apesar de o mercado interno estar aquecido, a exportação de produtos orgânicos está na pauta de muitos produtores, de pequeno, médio e grande porte. De acordo com a Organics Brasil, em 2010, o faturamento com a exportação desse tipo de produto, feita por 72 empresas, somou US$ 108,2 milhões. “Desde 2005, quando começamos a desenvolver nosso trabalho, esses números só vem subindo,” disse o coordenador-executivo do projeto, Ming Liu. Há seis anos, havia apenas 12 empresas participantes que, juntas, venderam para fora US$ 9,5 milhões.
ANO EMPRESAS PARTICIPANTES VOLUME DE EXPORTAÇÃO
2005 12 US$ 9,5 milhões
2006 33 US$ 15 milhões
2007 42 US$ 21 milhões
2008 64 US$ 58 milhões
2009 74 US$ 44,3 milhões
2010 72 US$ 108,2 milhões
Fonte: Organics Brasil

Os principais mercados consumidores dos produtos brasileiros, segundo Liu, são Alemanha, Estados Unidos e Reino Unido, que importam, principalmente, açúcar, mel, castanhas, frutas (em polpa e em suco), alimentos processados e a granel, além de óleos para cosméticos.

Dependentes do dólar, essas exportadoras foram afetadas pela desvalorização da moeda frente o real, fazendo com o que seus produtos ficassem menos competitivos. No entanto, conforme afirmou o coordernador-executivo, a demanda continua alta e a oferta pequena, não prejudicando o volume de exportações. “Há sempre um remanejamento de preços. Se o preço de um dos produtos, como o açúcar, cai muito, os preços de outros, que não são commodities, não caem e contribuem para um equilíbrio.”

Certificação
Em janeiro deste ano, entrou em vigor a nova legislação de agricultura orgânica no Brasil e teve início a implementação do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica e do Controle Social na Venda Direta Sem Certificação, do Ministério da Agricultura e Pecuária.

“Por isso, estão sendo credenciadas pelo ministério Organismos de Avaliação da Conformidade e cadastradas Organizações de Controle Social. Em outras palavras, certificadoras e grupos de agricultores familiares que atuam na venda direta de produtos orgânicos. Esses organismos e os órgãos responsáveis pelo cadastramento dos grupos em venda direta alimentarão um sistema de informação sobre a agricultura orgânica no Brasil”, disse o chefe da Divisão de Desenvolvimento Agroecologia do ministério, Jorge Ricardo de Almeida Gonçalves.

Segundo Gonçalves, esse sistema de informação está em fase de implantação e deverá ser finalizado no segundo semestre deste ano.

“Desenvolvemos um trabalho que busca atender ao setor diante das principais dificuldades enfrentadas pelos produtores, como acesso ao mercado, logística precária, estrutura de preços. Para isso, precisamos de informações. Os produtos orgânicos precisam de divulgação, e os dados do ministério da Agricultura são indispensáveis para isso. Estamos esperando esses dados”, disse Sylvia Wachsner, coordenadora do projeto OrganicsNet, da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA).

sábado, 6 de agosto de 2011

One-third of global food production goes to waste: FAO

By Caroline Scott-Thomas

About one-third of the food produced globally for human consumption each year is wasted, according to a new report from the Food and Agriculture Organization (FAO).
The report , Global Food Losses and Food Waste, is based on research from the Swedish Institute for Food and Biotechnology. It found that wastage in production and storage often translates to lost income for small farmers in particular, and higher prices for poor consumers, adding that reducing losses could have an ‘immediate and significant’ impact on livelihoods.

The FAO found that about 1.3bn tonnes of food is wasted somewhere along the supply chain each year, with wealthier consumers in North America and Europe wasting nearly twice as much as those in poorer countries. Consumers in richer countries throw away about 222m tonnes of food each year, most of it fruit and vegetables, and nearly as much as the entire net food production of sub-Saharan Africa, at 230m tonnes.

However, industrialized and developing countries tend to waste about the same amount of food on an absolute basis, the report found – 670m tonnes a year and 630m tonnes a year respectively. While most food wastage in richer nations occurs on a consumer level, in developing countries about 40 percent of wastage happens at the post-harvest or processing level due to poor infrastructure and lack of investment in food production systems – a problem the report terms ‘food loss’.

“Food waste is more a problem in industrialized countries, most often caused by both retailers and consumers throwing perfectly edible foodstuffs into the trash,” the FAO said. “Per capita waste by consumers is between 95-115 kg a year in Europe and North America, while consumers in sub-Saharan Africa and South and Southeast Asia each throw away only 6-11 kg a year.”

In order to tackle the issue, the report suggested that major food retailers in industrialized nations should work with commercial and charitable organizations to redistribute food that may be past its best, but is still acceptable in terms of safety, taste and nutritional value.

In addition, it also said that retail standards over-emphasize appearance, and customers have the ability to influence quality standards. Consumers should be better educated about the impacts of food wastage and taught that throwing away food is unacceptable, the report said.

“Food loss and waste amount to a major squandering of resources, including water, land, energy, labor and capital and needlessly produce greenhouse gas emissions, contributing to global warming and climate change,” it said.

For developing countries, the report suggested that the emphasis should be on strengthening processing, packaging and transportation infrastructure, and creating better links between small farmers and buyers.

Fonte: http://www.foodnavigator.com/Financial-Industry/One-third-of-global-food-production-goes-to-waste-FAO

Milho transgênico chega a 65% da safra

Gerson Freitas Jr. | São Paulo

A adoção do milho transgênico pelos agricultores no Brasil avança em ritmo surpreendente. Apenas quatro anos desde a sua liberação pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), as sementes geneticamente modificadas deverão ocupar aproximadamente dois terços da área destinada à cultura na safra 2011/12.

Ao todo, somando-se os plantios de verão e inverno, mais de 9,1 milhões de hectares deverão ser plantados com milho transgênico, uma expansão de 21,4% em relação à temporada passada.
Já na safra de verão, que começa a ser cultivada nas próximas semanas, cerca de 54% das lavouras de milho deverão serão transgênicas, em comparação aos 44,5% no ano passado. Na de inverno, cujo plantio acontece no primeiro trimestre de 2012, o índice pode chegar a 80,4%, ante 74,9% na última temporada.

Os números constam em um levantamento realizado pela consultoria mineira Céleres, obtido com exclusividade pelo Valor, sobre a adoção da biotecnologia no Brasil. De acordo com a pesquisa, que leva em conta as estimativas de oferta por parte da indústria de sementes e expectativa de demanda por parte dos produtores rurais, os transgênicos deverão responder por mais de 70% das vendas de sementes neste biênio.

A CTNBio, órgão responsável pela liberação da pesquisa e comercialização de transgênicos no país, já liberou 16 variedades de milho geneticamente modificados - cinco delas, nos últimos 12 meses. Para a nova safra, prevê a Céleres, 32% da safra será resistente a pragas, como a lagarta do cartucho, 4,9% terá tolerância ao uso de herbicidas e 17,2% combinará essas duas características.

De acordo com o diretor da Céleres, Anderson Galvão, a tendência é que os transgênicos respondam por aproximadamente 77% da área de milho nos próximos anos. "Esta é a área nas mãos dos agricultores mais tecnificados, que produzem com uso de tecnologia", explica. Segundo o especialista, cerca de 23% da área de milho no Brasil ainda é cultivada sem qualquer investimento ou assistência técnica, com prejuízos significativos à produtividade das lavouras.
No mercado de sementes certificadas, contudo, o domínio dos transgênicos deve ser absoluto. A Pioneer, líder no segmento, estima que entre 85% e 90% das vendas para a próxima safra serão de híbridos transgênicos. "A demanda dos produtores por essa tecnologia tem sido muito grande, a área plantada com milho deverá se recuperar e o produtor está muito capitalizado", afirma Roberto Rissi, diretor executivo da companhia. Segundo ele, as vendas de sementes de milho deverão crescer 30% nesta temporada.

Ainda segundo o levantamento da Céleres, a área ocupada com lavouras transgênicas de soja deverá crescer 13,4% e atingir 82,7% do total, ante 76,1% na temporada 2010/11. No algodão, o índice de transgenia deverá ser de 39%, ante 26,7% em 2010/11. Segundo Galvão, a adoção da soja transgênica evolui em um ritmo mais lento que a do milho devido à dificuldade em se fazer pesquisa durante os anos em que a tecnologia era proibida no Brasil. Embora seja cultivada desde os anos 90, a soja geneticamente modificada só foi liberada no Brasil em 2005.

"Até então, muitos produtores usavam variedades que foram desenvolvidas para as condições de clima e solo da Argentina, o que comprometia a produtividade. Nos últimos anos, as empresas puderam combinar a transgenia com variedades mais adaptadas às nossas condições", explica.
O Brasil é o segundo maior produtor mundial de transgênicos, atrás apenas dos Estados Unidos. Segundo a ISAAA, o país plantou 25,4 milhões de hectares com transgênicos na temporada 2010/11. Para a próxima safra, estima a Céleres, a área chegará a 30,4 milhões de hectares.

Extratos à base de feijão-de-porco são eficientes herbicidas

O feijão-de-porco (Canavalia ensiformes) é uma planta legumionosa comestível cujas folhas podem ser usadas como verdura e seus grãos como feijão comum. A espécie, muito comum em regiões tropicais, acaba de ser testada em laboratório, no Instituto de Química de São Carlos (IQSC), da USP, como bio-herbicida. Nos experimentos, os extratos de folhas e sementes da planta se mostraram eficazes contra a trapoeraba (Commelina benghalensis) a corda-de-viola (Ipomoea grandifolia) já adultas. As duas plantas daninhas são competidoras naturais da soja (Glycine max) e prejudicam seu bom desenvolvimento. O extrato não prejudicou o crescimento desta espécie de soja (orgânica ou transgênica) e pode representar um substituto interessante aos herbicidas sintéticos.

A escolha pelo feijão-de-porco teve como base os resultados de um outro estudo do IQSC. Em 2008, a pesquisadora Raquel Lourenço de Mendonça testou o extrato com sementes de Canavalia ensiformis sobre a germinação de corda-de-viola e traporeaba. A partir destes resultados, o químico Isequiel dos Santos Mendes iniciou sua pesquisa em busca do princípio ativo dos extratos tendo como base sementes e folhas do feijão-de- porco: “ a intenção era saber quais compostos estariam presentes nos extratos e a forma de atuação da substância sobre as ervas daninhas adultas da pesquisa”, diz o pesquisador.
Para a realização de seu estudo de mestrado, a metodologia por ele utilizada foi o preparo dos extratos bio-herbicidas em diferentes concentrações e a aplicação sobre as plantas daninhas em diferentes épocas de crescimento.

O químico explica que o procedimento de preparo do extrato leva cerca de 48 horas e é divido em duas fases. Em um recipiente com 1 litro (L) de água (destilada ou de torneira) são misturados 300 gramas (g) de sementes ou folhas. A mistura é filtrada após 24 horas de agitação. A parte filtrada é levada à geladeira. À massa (folhas ou sementes) que restou da filtragem é adicionado 1 L de água, que será agitada por outras 24 horas. Após a agitação, esta nova mistura é filtrada, e depois adicionada ao filtrado que se encontra reservado na geladeira. Ao final, o composto é levado ao rotoevaporador, equipamento que retira a água da parte sólida, e auxilia na obtenção de uma solução mais concentrada, o extrato.

A obtenção de diferentes concentrações do bio-herbicida é obtida por meio da adição de água a determinada massa da solução concentrada final. Assim, para se ter uma concentração de 25g/L do herbicida, basta adicionar 1L de água a 25g do concentrado.
Princípio ativo e Resultado das aplicações

Na análise química dos componentes do extrato, o pesquisador utilizou a cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC), processo que possibilita a separação e a identificação dos componentes de uma mistura. “Via HPLC, foram identificadas quatro substâncias no extrato a base de folhas de feijão-de-porco: ácido clorogênico e ácido p-anísico (ácidos fenólicos), naringina e rutina (flavonóides), que apresentam características alelopáticas, ou seja, de alguma forma interferem no desenvolvimento das ervas daninhas usadas no estudo.

O resultado das aplicações mostrou que as concentrações 25 g/L e 50 g/L de extrato preparado de sementes de feijão-de-porco foram as mais eficientes no controle das ervas daninhas. Ambas as concentrações atingiram o objetivo de matá-las e os efeitos visuais mostram o resultado.
No terceiro dia, as folhas da erva murcham e se deformam. Após seis dias, o desenvolvimento da praga é interrompido, não há possibilidade de recuperação

Mendes relata que “em apenas 3 dias os efeitos começam a se tornar visíveis, as folhas das ervas murcham e se deformam. Além disso, a cor se altera do verde para o marrom. No quarto dia, a praga está completamente murcha. E, no quinto, com o caule endurecido, praticamente seca. O desenvolvimento é completamente interrompido, no sexto dia, não havendo possibilidade de recuperação.

Ele também afirma que, embora as demais concentrações não tenham interrompido totalmente o desenvolvimento das plantas daninhas podem ser utilizadas com outros objetivos, como retardo de crescimento em culturas que crescem muito rápido.

Em relação à soja, tantos as amostras orgânicas quanto as transgênicas não foram afetadas pelos extratos. Entretanto, há necessidade de se avaliar a ação do extrato sobre ervas daninhas com mais de 30 dias da germinação e a produtividade, em campo, de culturas de soja sob ação dos extratos para confirmar que apenas a corda-de-viola e a trapoeraba são prejudicadas em seu desenvolvimento, uma vez que crescem antes ou concomitantes à soja.

Extrato x Herbicida Sintético

Dois outros fatos interessantes foram observados durante a pesquisa. O primeiro ocorreu com a comparação indireta sobre a ação do bio-herbicida com dados já existentes de atuação do mais conhecido herbicida sintético do mercado, o glifosato. Enquanto o herbicida biológico age em 6 dias, o sintético apenas apresenta resultados em duas semanas.

Os resultados deste trabalho de pesquisa trazem boas perspectivas com relação ao uso de extratos preparados de plantas no controle de ervas daninhas. Baseando-se na alelopatia, existem muitas possibilidades de se produzir bio-herbicidas que sejam tão eficientes e práticos quanto herbicidas sintéticos, e possivelmente menos agressivos ao ambiente e ao homem. O bio-herbicida preparado a partir de folhas e sementes de feijão-de-porco é fácil de preparar, é barato, e mostrou excelente eficiência no combate às ervas trapoeraba e corda-de-viola.

Sandra O. Monteiro, da Agência USP