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sexta-feira, 10 de junho de 2011

Pesquisa confirma presença de toxina transgênica no sangue de mulheres, gestantes e fetos

No Canadá, 69 mulheres, entre elas 30 grávidas no final de gestação, tiveram seu sangue testado para a presença de pesticidas associados aos produtos transgênicos. A toxina transgênica produzida pelas plantas Bt foi encontrada em 93% das gestantes, 69% das não-gestantes e em 80% dos cordões umbilicais. O metabólito do herbicida glufosinato de amônio foi encontrado no sangue de 100% das parturientes, 100% dos fetos e 67% das não-gestantes. O glifosato foi encontrado em 5% das não-gestantes e o glufosinato em 18%.

No Brasil, entre soja e milho, há 17 tipos de transgênicos liberados para plantio e consumo que produzem ou estão associados aos venenos avaliados no estudo. Entre as variedades de milho liberadas estão 5 que contém exatamente a mesma toxina identificada pelo estudo (Cry1Ab) e outras 5 que produzem proteínas da mesma família (Cry).

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança - CTNBio, conforme manda a lei, é composta por doutores de notório saber, que ao liberarem esses transgênicos afirmaram que “A proteína Cry1Ab (…) [é] degradada no aparelho gastrointestinal de mamíferos” e que “ (...) após aquecimento, a degradação é mais rápida, o que sugere uma menor concentração da proteína em alimentos à base de milho que sejam aquecidos durante o processamento”.

E tem mais: “Quanto aos níveis de resíduos do glufosinato de amônio deixados na planta, tendo em vista seu uso durante o cultivo da variedade transgênica, estudos realizados no Brasil demonstraram não haver diferenças entre aqueles níveis encontrados na variedade parental quando comparados com a variedade transgênica”. Isso é tudo que se disse a respeito do uso associado da semente transgênica e do agrotóxico.

Participaram do estudo mulheres urbanas que vivem em Sherbrooke, distrito de Quebec, e que nunca trabalharam com os agrotóxicos em questão. Suas dietas, como apontam os autores da pesquisa, são aquelas típicas das populações de classe média de países ocidentais industrializados. Dado o amplo uso de milho e soja transgênicos em produtos alimentares, é de se esperar que a maioria da população esteja exposta diariamente a esses produtos por meio de sua alimentação, concluem os pesquisadores.

Há 6 meses no cargo de ministro responsável pela CTNBio, Aloizio Mercadante ainda não se pronunciou a respeito da Comissão, deixando rolar o voo cego.

O estudo foi publicado na última edição da Reprodutictive Toxicology. Os autores Aziz Aris e Samuel Leblanc, da Universidade de Quebec, concluem que esse foi o primeiro estudo do gênero e que mais avaliações como essa são necessárias em função da fragilidade dos fetos, sobretudo quando se considera a potencial toxicidade desses poluentes ambientais associados às plantas transgênicas.

A coleta das amostras de sangue foi realizada antes do parto, todos normais e com bebês sadios, e antes dos procedimentos de ligadura de trompas. Os cordões umbilicais foram testados após o nascimento dos bebês. A pesquisa teve consentimento das participantes e aprovação do Comitê de Ética para pesquisas com humanos e testes clínicos (CHUS).

Com informações de:

Aris A.;Leblanc S. Maternal and fetal exposure to pesticides associated to genetically modified foods in Eastern Townships of Qubec, Canada. Reprod Toxicol (2011)

Discovery of Bt insecticide in human blood proves GMO toxin a threat to human health, study finds, por Jonathan Benson

Genetically Modified Organisms are unfit for comsumption, por Ethan Huff

Um comentário:

Paulo disse...

Na verdade a pesquisa publicada não confirma nada porque está cheia de erros metodológicos. Cito apenas alguns, mas espero que os leitores deste site baixem o artigo e leiam com atenção, antes de acreditarem na manchete.
a) os autores empregaram um ensaio de detecção ELISA comercial desenvolvido para plantas e procuram detectar a presença de proteína Cry no soro de mulheres do Canadá. Esta metodologia é profundamente equivocada e não foi validade de forma alguma.
b) os níveis detectados estão todos no limite inferior de detecção do teste, ainda que ele tivesse sido validado, sugerindo que o que se mediu foi apenas uma reação cruzada.
c) não foram feitos controles negativos (isto é, testes com soros de mulheres de países ou lugares onde não se consome a proteína nem se cultiva qualquer planta transgênica expressando a proteína Cry
Há muitos outros erros graves metodológicos. O artigo é, na verdade, mais um exemplo de má ciência publicado em boa revista. Lamentável.
Mas mais lamentável é assumir que isso seja uma demonstração de uma hipótese amplamente descartada e meter o pau em toda a literatura (centenas de artigos) que mostra o contrário. Lembro aos leitores que a ciência é feita de maioria e as vozes discordantes estão erradas até prova em contrário, e não o oposto.
Boa (e crítica) leitura do texto original a todos que se interessarem pelo assunto.