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sábado, 30 de abril de 2011

As abelhas sumiram!

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http://www.cartamaior.com.br/templates/index.cfm?home_id=109&alterarHomeAtual=1

IHU Online

Primeiro, as abelhas começaram a desaparecer nos Estados Unidos, depois no Canadá e, então, no Brasil. “Nós, em Santa Catarina, tivemos um problema muito sério na primavera passada. Álias, esse problema tem se agravado muito e sempre nesta mesma épóca do ano”, explica o professor Afonso Inácio Orth, um dos principais especialistas em abelhas do país e que tem acompanhado os estudos que buscam respostas para o desaparecimento dos insetos desde que este problema foi detectado.

“O primeiro grande risco é a fragilização da produção mundial de alimentos, principalmente pelo fato de nós dependermos quase que exclusivamente das abelhas. Além disso, um risco secundário, mas não menos importante, é o de afetarmos toda a ecologia local, porque essas abelhas também acabam polinizando as plantas nativas e, a partir do momento em que você elimina os polinizadores, essas plantas nativas deixarão de se reproduzir e, com isto, nós poderemos estar alterando profundamente os ecossistemas”, apontou na entrevista que concedeu à IHU On-Line por telefone.

Afonso Inácio Orth é graduado em Agronomia pela Universidade Federal de Santa Catarina, mestre em Entomologia pela Universidade Federal do Paraná e doutor em Biologia pela University of Miami (EUA). Atualmente, é professor no Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Santa Catarina.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Que fatores estão causando o desaparecimento das abelhas das colmeias? Desde quando esse fenômeno está ocorrendo?

Afonso Inácio Orth – Esse fenômeno do desaparecimento das abelhas e o colapso das colmeias nos países do hemisfério Norte, Estados Unidos e Europa, começou em 2007 e várias causas foram atribuídas a ele, embora não se tenha encontrado nenhuma resposta definitiva. No Brasil houve em vários momentos diferentes supostos desaparecimentos de abelhas, mas não necessariamente na mesma dimensão verificada no hemisfério Norte. Nós, em Santa Catarina, tivemos um problema muito sério na primavera passada. Álias, esse problema tem se agravado muito e sempre nesta mesma época do ano.

IHU On-Line – O desaparecimento das abelhas já pode ser considerado um fenômeno mundial?

Afonso Inácio Orth – O Congresso Nacional dos Estados Unidos liberou verbas específicas para pesquisas sobre este tema, já que esse é um problema sério para o país. No entanto, até hoje não se chegou a nenhuma conclusão que explique esse desaparecimento. No início se achava que era algum vírus ou contaminação por agrotóxicos. Mais recentemente existiu uma suspeita muito forte em cima de algumas moléculas de agrotóxicos novos. No entanto, mesmo com todas as pesquisas, até agora não se chegou a nenhum veredicto.

Como não existe nenhuma prova definitiva do que está acontecendo, fica muito difícil você dizer que todos os problemas na apicultura foram causa única. Aqui em Santa Catarina, nós temos um cuidado muito grande em não caracterizar como o mesmo problema dos Estados Unidos, mesmo porque nós temos abelhas totalmente distintas daquelas que são criadas lá. As nossas abelhas são africanas e, na teoria, são muito mais resistentes a problemas patológicos em relação às abelhas estadunidenses. A desvantagem é que a espécie que criamos abandona mais facilmente a colmeia e produz menos mel.

IHU On-Line – Que danos o sumiço das abelhas causa à fruticultura e agricultura?

Afonso Inácio Orth – Em primeiro lugar, existe o dano direto aos apicultores e a perda da produção apícula, que é principalmente caracterizada pela produção de mel, própolis, cera e pólen. Além disso, temos uma perda bastante significativa na agricultura. Neste caso, a abelha é considerada pelo menos dez vezes superior como produtora de alimentos. Por exemplo, não se produz maçã sem a ajuda das abelhas no país. Nós da parte Sul do país temos uma vocação muito forte para a produção de frutas de clima temperado, e praticamente todas elas são altamente dependentes da polinização mediada pelas abelhas. Além disso, a polinização interfere diretamente em outras culturas, como a do girassol e a da soja.

IHU On-Line – Sem abelhas para fertilizar as plantações, a produção de alimentos pode ser alterada?

Afonso Inácio Orth – Algumas espécies de cereais são polinizadas basicamente pelo vento, tais como o milho, o trigo, o arroz. Grande parte das espécies que produzem proteínas, por exemplo, as frutas, é polinizada por abelhas. Portanto, pode-se afetar tanto a alimentação animal quanto a da própria espécie humana.

IHU On-Line – Que riscos o sumiço das abelhas pode gerar para a humanidade?

Afonso Inácio Orth – O primeiro grande risco é a fragilização da produção mundial de alimentos, principalmente pelo fato de nós dependermos quase que exclusivamente das abelhas. Além disto, um risco secundário, mas não menos importante, é de afetarmos toda a ecologia local, porque essas abelhas também acabam polinizando as plantas nativas e, a partir do momento que você elimina os polinizadores, essas plantas nativas deixarão de se reproduzir e, com isto, nós poderemos estar alterando profundamente os ecossistemas.

IHU On-Line – O ambientalista James Lovelock, em Hipótese de Gaia, diz que as abelhas podem estar pressentindo as mudanças climáticas ou um nível de poluição que os equipamentos humanos não são capazes de detectar. O sumiço desses animais pode ser um aviso de que a saúde do nosso planeta corre perigo?

Afonso Inácio Orth – Não só em relação à poluição e às mudanças climáticas os animais são mais sensíveis, mas até adventos bastante traumáticos como, por exemplo, existem estudos que associam a movimentação de insetos e abelhas e de pássaros prevendo ocorrência de abalos sísmicos na crosta terrestre. Embora tenhamos poucos estudos que possam claramente relacionar estes dois temas, acredito que a abelha é um excelente fator biológico para detectar alterações nos ecossistemas causados pela poluição do homem. E é claro que esta influência do homem pode afetar indiretamente as mudanças climáticas como, por exemplo, o aumento da temperatura. Por isso, concordo, sim, com as colocações de Lovelock.

IHU On-Line – Que função as abelhas desempenham na cadeia produtiva e a responsabilidade delas no meio ambiente? Nesse sentido, qual a importância de preservá-las?

Afonso Inácio Orth – Uma das fases cruciais na existência de uma planta é o seu estágio reprodutivo, e hoje sabemos que 90% das plantas dependem da polinização realizada por animais, como abelhas e outros insetos. Se não tivermos esses animais, nós romperemos o ciclo de reprodução continuada das plantas. Isso poderá afetar profundamente a sobrevida destas espécies no mundo todo, no ecossistema.

Hoje boa parte do produto que exploramos depende das abelhas para produzir adequadamente. Por isso, precisamos preservar o equilíbrio ambiental. Sem as abelhas nós não conseguiremos preservar as espécies de vegetais e animais que vivem nos diferentes ecossistemas.

IHU On-Line – A exemplo do Canadá, Estados Unidos e Europa, os apicultores do estado de Santa Catarina apontam para o sumiço de abelhas. Já se sabe quais são as causas?

Afonso Inácio Orth – A Federação das Associações de Agricultores e Apicultores de Santa Catarina começou a receber muitas reclamações de sumiços de abelhas na primavera do ano passado. Depois de ocorrido o fato nós começamos a pensar um pouco sobre a dimensão deste problema. A primeira ação desta federação foi criar uma comissão técnico-científica da qual eu faço parte. Primeiramente, fizemos um levantamento da realidade desta mortandade e chegamos a dados bastante preocupantes. Tivemos agricultores que relataram perda de 80% de sua produção; outros que não relataram quase nenhuma perda. E essa perda estava presente em pequenos, médios e grandes agricultores e apicultores que praticavam a cultura orgânica. Então, não houve apenas problemas na apicultura tradicional.

Em relação ao motivo dessas perdas nós não temos ainda dados concretos para discutirmos isso, até porque começamos este levantamento após o fato ter ocorrido, sendo relatado, somente então, para a federação. Houve alguns casos em que foram feitos estudos que revelaram intoxicação por agrotóxicos. É possível que as alterações climáticas tenham relação com o desaparecimento. Tivemos, na primavera do ano passado, problemas de temperatura e precipitação, o que pode ter afetado a alimentação das abelhas. Mas isso é uma hipótese, não podemos afirmar categoricamente. Nos formulários que os apicultores nos enviaram, eles sugeriram problemas de doenças ou parasitas, principalmente ácaros.Não podemos, todavia, tomar nenhuma posição sem dados concretos sobre o fato.

Na verdade, de uma forma concreta, sabemos que o problema ocorreu, que foi bastante sério. Inclusive, nós tememos que faltem colmeias para a próxima polinização. Mas ainda não conseguimos detectar claramente o que está acontecendo. Só nesta semana recebemos algumas chamadas: uma do oeste, outra da região serrana e uma terceira chamada do sul do Estado. Aparentemente, o problema – a perda das colmeias – continua este ano, nos deixando preocupado. Mas nós não temos um diagnóstico do que ocorreu ano passado e o que está acontecendo agora.

IHU On-Line – A abelha convive num sistema de extraordinária organização. Pode nos explicar como se dá essa organização e hierarquia nas colmeias?

Afonso Inácio Orth – Uma colmeia de abelhas é constituída basicamente por uma fêmea reprodutiva, a rainha, machos reprodutivos, que são os zangões, e a mesma quantidade de fêmeas não reprodutivas que são as operárias. Na verdade, as operárias executam diferentes tarefas no decorrer da vida adulta delas, iniciam trabalhando mais dentro de casa. Como as próprias crianças nos lares dos seres humanos, as abelhas trabalham com a limpeza, a nutrição das larvas, com a colmeia, depois trabalham na defesa da colmeia e a última atividade que elas executam é a atividade forageira, quando elas voam para os campos a fim de coletar/conduzir pólen, néctar e água.

Existe uma cadência lógica bastante grande no exercício das atividades. Por outro lado, caso não tivermos um mínimo de abelhas novas para alimentar as larvas, nós não temos como perpetuar a colmeia por meio de produção de novas abelhas, porque vai faltar alguém que alimente essas larvas. Na verdade, existe todo um sistema complexo, embora a colmeia possa sempre se adaptar. Porém, se não têm abelhas campeiras, normalmente elas começam a se deslocar para o campo mais precocemente. A mesma coisa pode acontecer permanecendo mais tempo dentro do ninho. São situações extremamente anormais.

IHU On-Line – Poucas são as pessoas que pesquisam sobre este assunto no Brasil. Por que isso acontece?

Afonso Inácio Orth – Talvez a biologia organismal ou a própria ecologia do organismo tem recebido pouca atenção não só no caso específico das abelhas, mas de animais e plantas de uma maneira geral. Essa é uma realidade no Brasil e no mundo afora. Hoje se investe muito recurso em cima de sofisticados estudos tecnológicos, mas algumas questões simples nós deixamos de fazer, e isso acaba não gerando informações importantes das quais precisamos para preservação do meio ambiente e para a produção agrícola.

Felizmente, em países onde o problema se agravou rapidamente, que é o caso dos Estados Unidos, começaram a ser liberados recursos para a realização de pesquisas em larga escala, justamente para tentar fazer frente ao problema da falta de abelhas. No último ano, por exemplo, eles importaram mais de um milhão de colmeias de outros países, principalmente da América Latina e da Nova Zelândia, para suprir a deficiente das colmeias. Espero que aqui no Brasil tenhamos a liberação de dinheiro para projetos desta envergadura e estudos de espécies.

IHU On-Line – O Brasil tem algum plano de proteção a esses animais?

Afonso Inácio Orth – Acredito que é preciso analisar a ampla acessibilidade que nós temos para a utilização de agrotóxicos. Hoje, nós somos um dos maiores consumidores de agrotóxico. A utilização excessiva de agrotóxicos não é compatível com um programa de proteção de abelhas. Atualmente, apesar de não sermos a maior economia mundial, nem o maior produtor agrícola, nós somos o maior consumidor de agrotóxicos. Há algo de muito errado nisso.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Embrapa avalia experimentos de feijão orgânico

O Portal da Embrapa Arroz e Feijão, divulgada dia 17 de janeiro de 2011

http://www.cnpaf.embrapa.br/eventosenoticias/anteriores/anteriores2011/110117.htm

Roselene Chaves

É comum os agricultores da Região Centro-Oeste no Planalto Central considerarem o cultivo de feijão de primeira safra, ou safra das águas, como muito vulnerável ao fungo causador do mofo branco e à praga mosca branca, que transmite o vírus do mosaico dourado. Embora ambas as doenças possuam geralmente maior incidência na segunda ou terceira safra da leguminosa, elas podem ser bastante graves também nas lavouras nesta época do ano. Contudo, esse risco encontra-se sob controle no campo de estudos agroecológicos da Embrapa Arroz e Feijão.

Nesse local, o centro de pesquisa vem conduzindo há oito anos, em parcelas experimentais, avaliações acerca do cultivo orgânico de feijão sem que ocorra a infestação dessas duas doenças. Segundo a Embrapa Arroz e Feijão, trata-se de áreas cujo solo foi corrigido com calcário e rocha fosfática e que o feijoeiro vem sendo plantado na primeira safra. Após a colheita dos grãos, em meados de fevereiro/março, são semeados adubos verdes como sorgo, crotalária, mucuna e guandu. Essas espécies servem para reciclar e fixar nutrientes no solo e, no período de florescimento, são cortadas, permanecendo os restos culturais até a safra de verão seguinte (novembro), quando o feijão com inoculantes é semeado em plantio direto.

De acordo com a Embrapa Arroz e Feijão, esse sistema de cultivo orgânico não demandou até o momento a introdução de fertilizantes formulados. A produtividade é satisfatória e gira em torno de 2,4 mil quilos por hectare neste ano. Em relação à ausência de problemas com a mosca branca, acredita-se que, por ser a primeira safra e haver outras culturas de grãos hospedeiras, não há infestação nas lavouras de feijão. Já sobre o mofo branco, o não surgimento da doença é atribuído a fatores como época de plantio, condições climáticas, plantio direto e estande de plantas, que não geram condições propícias para a proliferação do fungo.

Conforme a Embrapa Arroz e Feijão, não foram diagnosticadas outras doenças nas parcelas e, fora a mosca branca, os ataques de outras pragas, apesar de causarem desfolha, foram controlados pelos próprios inimigos naturais na lavoura e não chegaram a comprometer a produtividade do feijoeiro. Quanto às plantas daninhas, o controle vem sendo realizado por meio de capinas. Pelos resultados parciais até o momento, os experimentos com feijão orgânico de primeira safra podem desmistificar várias concepções, dentre elas, a de que o plantio anual da leguminosa na mesma área acarreta prejuízos.

Os trabalhos no campo de estudos agroecológicos da Embrapa Arroz e Feijão são coordenados pelos pesquisadores Agostinho Didonet e Enderson Ferreira.Rodrigo Peixoto (1.077 MTb/GO)

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Área de Comunicação da Embrapa Arroz e Feijão
Tel.: (62) 533-2107; e-mail: rpbarros@cnpaf.embrapa.br

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Transgênicos para quem?

NEAD lança livro em cinco cidades brasileiras

14/04/2011 01:18

Durante o mês de abril, o Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural (NEAD) do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) lança o livro Transgênicos para quem? Agricultura, Ciência, Sociedade.

Organizado pela brasileira Magda Zanoni e pelo francês Gilles Ferment, o livro integra a Coleção NEAD Debate e, sob enfoque multidisciplinar, abarca as dimensões agronômica, ecológica, cultural, social e política, indispensáveis a uma leitura mais ampla sobre os transgênicos.

Em seus 33 artigos, assume a posição de que a discussão não pode se restringir à problemática selecionada pela genética e pela biologia molecular como ciências dominantes. Para isso, foram reunidos textos de referência do debate europeu e brasileiro, oferecendo uma grande diversidade de análises e de pontos de vista de atores sociais: agricultores familiares, cientistas internacional e nacionalmente reconhecidos, estudantes, associações, cooperados, ativistas.

A obra, lançada em março na França, na Assembléia Nacional de Paris, tem lançamento marcado no Brasil, a partir desta semana, em cinco cidades – Brasília, Porto Alegre, Curitiba, Campinas e Piracicaba. O primeiro deles, em Brasília, acontece na UnB, nesta quinta-feira, às 14h. (Veja programação completa ao final do texto)

Por uma ciência democrática
“O objetivo do livro é trazer uma reflexão acerca da anunciada capacidade dos transgênicos de resolver as dificuldades atuais e futuras com as quais nossas sociedades e, particularmente, os agricultores familiares e camponeses do mundo estão confrontados”, escrevem na introdução Magda Zanoni e Gilles Ferment. “Ele também é o resultado das reflexões de pesquisadores, até então minoritários, que por meio da participação e vivência em comissões nacionais de engenharia genética (França) e em comissões técnicas nacionais de biossegurança (Brasil) não tiveram o poder de expressar sua oposição e tampouco interromper (em razão do voto sempre minoritário) as liberações comerciais de sementes transgênicas solicitadas pelas empresas multinacionais, embora a avaliação do risco e o respeito ao Princípio da Precaução fossem determinados no Brasil pelas leis nacionais (Lei de Biossegurança) e internacionais (Protocolo de Cartagena).”

As diferentes experiências de resistência, na França e no Brasil, evidenciam os limites da coexistência e a necessidade do aprimoramento das regras de monitoramento da pesquisa e de rotulagem.

O livro destina-se à formação de pesquisadores e professores, técnicos e extensionistas agrícolas, produtores e consumidores. É uma leitura indicada para todos os que estão preocupados com a necessidade de um modelo de desenvolvimento agrícola sustentável que, na prática, sob formas de controles sociais do saber, permita a reprodução das sociedades e dos ecossistemas por elas utilizados.

Enfoque multidisciplinar
O livro está apresentado em três partes. A primeira aborda as incertezas científicas inerentes ao uso das biotecnologias modernas de reprogramação dos seres vivos, e seus possíveis efeitos nocivos ao meio ambiente e à saúde humana. Sob essa ótica, os textos propõem que o cidadão se aproprie desse conhecimento e participe do debate sobre o uso dos transgênicos, construindo, assim, uma ciência democrática.

A segunda parte, “Transgênicos: O necessário enfoque multidisciplinar”, se divide em mais três temas que discutem os embates agronômicos, ecológicos, políticos, institucionais, jurídicos, econômicos e sociais dos transgênicos.

A última parte do livro, “Atores sociais: resistências e cidadania”, discute o papel da sociedade civil no debate do uso dos transgênicos. Ao final são apresentadas três associações e Organizações Não Governamentais Francesas que exercem importante papel no debate sobre transgênicos e pesquisa científica: INF’OGM, Comitê de Pesquisa e de Informação Independente sobre Engenharia Genética (CRIIGEN), e a federação France Nature Environnement (França, Natureza e Meio Ambiente).

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Magda Zanoni é bióloga e socióloga, professora da Universidade de Paris Diderot, onde foi pesquisadora de 1978 a 1990 no Laboratoire d’Ecologie Génerale et Appliquée; tem mestrado em Ecologia Fundamental pela Universidade de Paris-Orsay e em Ciências Sociais do Desenvolvimento pela Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (Paris); é doutora em Sociologia do Desenvolvimento pela Universidade de Paris I-Sorbonne. Atuou no Instituto Agronômico do Paraná e Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social do Paraná, e esteve cedida ao NEAD/MDA pelo Ministério francês do Ensino Superior e da Pesquisa no período de 2003-2009. Atualmente, e desde 1998, é pesquisadora do laboratório “Dynamiques Sociales et Recomposition des Espaces” (Centro Nacional de Pesquisa Científica CNRS, França).

Gilles Ferment é mestre em Ecologia e Gestão Ambiental, com graduação e pós-graduação em Biologia dos Organismos Animais e Vegetais. Formado na Universidade Paris-Diderot, atuou durante três anos como pesquisador em Biossegurança, sobre os riscos das plantas transgênicas para o meio ambiente, a saúde humana e animal, no NEAD/MDA.

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Ficha técnica
“Transgênicos para quem? Agricultura, Ciência e Sociedade”
Série NEAD Debate
536 páginas

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Lançamentos

Brasília
Local: UnB - Auditório da FAV - Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária │ Campus Darcy Ribeiro │Brasília
Data: quinta-feira, 14/04/2011
Horário: 14h

Porto Alegre (RS)
Local: UFRGS – Auditório da Faculdade de Ciências Econômicas │Av. João Pessoa, 52
Data: segunda-feira, 18/04/2011
Horário: 19h

Curitiba (PR)
Local: UFPR - Salão Nobre da Faculdade de Direito │ Praça Santos Andrade, 50
Data: terça-feira, 19/04/2011
Horário: 19h

Campinas (SP)
Local: Unicamp - Espaço Cultural Casa do Lago│ Rua Érico Veríssimo, s/n - Cidade Universitária Zeferino Vaz
Data: terça-feira, 26/04/2011
Horário: 9h

Piracicaba (SP)
Local: Esalq/USP – Anfiteatro principal do Departamento de Ciências Florestais│ Av. Pádua Dias, 11
Data: terça-feira, 26/04/2011
Horário: 19h

domingo, 10 de abril de 2011

Anvisa, CNA e pequenos agricultores divergem sobre uso de agrotóxicos

07/04/2011 17:22


Fonte: http://www2.camara.gov.br/agencia

Brasil é o país que mais usa defensivos agrícolas no mundo, produtos que podem provocar mutações genéticas entre outros efeitos negativos.

Beto Oliveira

Dep. Padre João (PT-MG), fala sobre a comercialização, fiscalização e utilização de agrotóxicos nas lavouras do país e a consequênte contaminação dos alimentos e demais produtos agrícolas O deputado Padre João preside subcomissão que analisa o uso de agrotóxicos no País.

Participantes de audiência pública da Comissão de Seguridade Social e Família, nesta quinta-feira, divergiram radicalmente sobre o uso de agrotóxicos no Brasil.

Enquanto a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) defendeu a modernização do uso desses insumos, um representante da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e uma deputada apontaram os efeitos negativos para a saúde humana. Já o representante dos pequenos agricultores defendeu o fim do uso dos agrotóxicos.

O tema foi discutido como parte do Dia Mundial da Saúde, comemorado hoje. Na audiência, foi ressaltada a influência dos agrotóxicos na qualidade de vida dos brasileiros.

O Brasil é o país que mais consome esses produtos no mundo. Foram usados cerca de 1 bilhão de litros em 2009, segundo dados do Sindicato Nacional para Produtos de Defesa Agrícola.

Consequências neurotóxicas
De acordo com o diretor da Anvisa José Agenor Álvares, os agrotóxicos podem provocar tontura e dor de cabeça, consequências conhecidas como neurotóxicas. “São questões neurológicas ou mutagênicas, que podem alterar alguns genes das pessoas.”

Segundo dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), 115 pessoas morreram contaminadas com agrotóxicos e quase 4 mil ficaram intoxicadas com o produto em 2009. Pesquisas da Anvisa também mostram contaminação acima da permitida por lei em alguns alimentos, como o pimentão.

Um estudo divulgado no mês passado, mostrando que a contaminação por agrotóxicos vai além da alimentação, preocupa a deputada Celia Rocha (PTB-AL). Segundo ela, “pesquisadora da Universidade Federal do Mato Grosso detectou no leite de 62 mulheres a presença de dois a seis tipos de agrotóxicos, inclusive um proibido no Brasil desde 1999”.

Fim dos agrotóxicos
O representante da Secretaria Nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores, Valter Israel, lembrou que o Dia Mundial da Saúde marcou o lançamento de uma campanha permanente contra o uso de agrotóxicos.

Ele ressaltou que é possível produzir de maneira diferente. “A nossa discussão não é a do agrotóxico genérico, que está rolando por aí. Não é de como nós vamos organizar a produção com agrotóxico com baixo custo, e sim de como vamos organizar a produção sem agrotóxicos.”

Modernização do Uso
Já o representante da Confederação Nacional da Agricultura, Aléssio Maróstica, diz que é impossível produzir alimentos para os brasileiros e para exportação sem usar esses defensivos químicos.

Segundo ele, é necessário “modernizar a aplicação” dos defensivos agrícolas existentes e já em uso no Brasil. “Sem os agrotóxicos, vai ser muito difícil nós termos alimentação para todos”, diz Aléssio.

Subcomissão
O debate desta quinta-feira foi o ponto de partida de uma subcomissão especial criada para avaliar as consequências do uso de agrotóxicos para o País. O presidente do colegiado, deputado Padre João (PT-MG), informou que, nos próximos meses, os deputados vão analisar a relação dos agrotóxicos com os trabalhadores, com o meio ambiente e com os consumidores dos produtos agrícolas.

Ao final dos trabalhos da subcomissão, acrescentou o parlamentar, será divulgado um relatório que mostre quais pontos da lei e da ação do Estado devem ser melhorados na área.
Reportagem - Ginny Morais
Edição – Newton Araújo

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sábado, 9 de abril de 2011

Vaca geneticamente modificada produz leite semelhante ao humano

Estudo feito por cientistas chineses afirma que nova técnica pode substituir o leite materno - por Globo Rural Online

Um estudo publicado pelo jornal Plus One (que divulga artigos científicos) afirma que cientistas chineses conseguiram desenvolver vacas geneticamente modificadas capazes de produzir leite com propriedades semelhantes aos do leite materno.

De acordo com o jornal britânico The Telegraph, os pesquisadores teriam introduzido genes humanos em 300 vacas, que passaram a produzir leite com nutrientes essenciais para o sistema imunológico dos bebês.

Os autores do estudo acreditam que o leite de rebanhos de vacas geneticamente modificadas poderia oferecer uma alternativa ao leite materno e ao leite em pó para bebês, muitas vezes criticado como sendo um substituto inferior.

“As mães nem sempre desejam a amamentação e, às vezes, até evitam a lactação. Portanto, o desenvolvimento de fontes alternativas às proteínas do leite materno seria benéfico para a saúde infantil", afirmam.

Ao site Popsci, o diretor do Laboratório State Key para Agrobiotecnologia da Universidade Agrícola da China e principal autor do estudo, Li Ning, afirmou que o leite materno contém todos os nutrientes que uma criança necessita, mas o leite de vaca não é tão facilmente digerido ou absorvido. “Fazer o leite de vaca mais humano poderia dar um impulso aos laticínios nutricionais”, disse.

Segundo o jornal The Telegraph, a pesquisa tem o apoio de uma grande empresa de biotecnologia, mas está sendo criticada por grupos de proteção aos animais, que reagiram com indignação, questionando a segurança do leite de animais geneticamente modificados e seus efeitos sobre a saúde do gado.

Leia Mais

Indústrias se posicionam sobre presença de transgênicos em produtos:
http://revistagloborural.globo.com/Revista/Common/0,,EMI218908-18077,00-INDUSTRIAS+SE+POSICIONAM+SOBRE+PRESENCA+DE+TRANSGENICOS+EM+PRODUTOS.html


PESQUISA CRIA FRANGOS TRANSGÊNCICOS PARA EVITAR GRIPE AVIÁRIA:

http://revistagloborural.globo.com/Revista/Common/0,,EMI202236-18079,00-PESQUISA+CRIA+FRANGOS+TRANSGENICOS+PARA+EVITAR+GRIPE+AVIARIA.html

Pimenta na salmonela dos outros é antisséptico

31/03/2011 - Biodiversa
por Liana John

A pimenta das Grandes Navegações, comprada do Oriente a peso de ouro e usada na Europa como conservante de alimentos era a pimenta-do-reino (Piper nigrum). Ao descobrir a América – e o Brasil –, os europeus conheceram outras espécies de pimenta, como as do Caribe (gênero Pimenta), as mexicanas (gênero Capsicum) e as nossas: malagueta, dedo-de-moça, cumari, murupi, pimenta-cereja, pimenta-de-cheiro, biquinho e mais uma porção, todas do gênero Capsicum também.

Com a invenção da geladeira, a função conservante das pimentas ficou para História e prevaleceu a função gastronômica. Só agora, meio milênio mais tarde, é que a pesquisa se interessa em esmiuçar as propriedades ‘desprezadas’ das pimentas, em busca de substâncias de interesse para o mercado alimentício, cosmético e farmacêutico. E os primeiros resultados são promissores.

É o caso, por exemplo, dos estudos realizados pela equipe de José Maria Wiest, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que trabalha com a prospecção etnográfica de plantas úteis. “Nossa intenção era buscar alternativas para o combate a bactérias do gênero Salmonella (vulgarmente chamadas salmonelas), que são patógenos importantes em termos de saúde pública, sobretudo pela contaminação de ovos, leite e carne de frango, gado e porco”, conta Wiest, veterinário de formação, tendo migrado para a pesquisa em Ciências Veterinárias e mais recentemente para Tecnologia de Alimentos.

A infecção por salmonelas se dá pelo consumo de alimentos crus, mal lavados, mal cozidos ou pelo contato com as fezes de animais contaminados. Os sintomas são diarréia, dor de barriga e febre, com duração média de 5 a 7 dias. A salmonelose, como é conhecida, é uma das formas de contaminação alimentar mais comuns e pode implicar em hospitalização, se os pacientes são idosos ou crianças, ou em caso de evolução para uma desidratação.

“Por isso testamos vários condimentos e plantas com o objetivo de identificar aqueles com ação bactericida, eficazes contra as salmonelas”, prossegue o pesquisador. Entre as espécies brasileiras destacaram-se as pimentas e a erva-mate (Ilex paraguaiensis). Novos testes, com oito tipos de pimenta, e a malagueta bateu as ‘concorrentes’, como a melhor arma contra as tais bactérias.

“Não pretendemos trabalhar com a terapia humana, mas com prevenção e manejo na manipulação da produção animal”, acrescenta Wiest. “Neste sentido, algumas pimentas se revelaram excelentes antissépticos. A ação bactericida está associada ao composto químico capsaicina, relacionado à ardência. Ou seja, quanto mais ardida, mais desinfetante”.

Ele faz um alerta, porém, quanto ao uso dessa informação: “Propomos uma série de ações que, em conjunto, devem reduzir a infecção por Salmonella nas criações e a contaminação durante o beneficiamento e a manipulação dos alimentos. Aqui na região Sul, nas localidades onde se cultiva erva-mate, por exemplo, os resíduos de colheita (folhas e ramos descartados) podem ser triturados e usados como cama para aves ou porcos. O produtor ainda prepararia uma alcolatura com pimenta-malagueta e depois diluiria a 10% ou 20% e usaria como desinfetante, para lavar as mãos sempre que tiver contato com os animais ou facas, tábuas, bancadas e demais utensílios, no processamento dos alimentos. Estamos estudando, inclusive, a possibilidade de diluir o extrato de pimenta-malagueta na água dos animais, como medida de prevenção contra as bactérias, mas falta definir a dosagem e examinar a toxicidade”.

Não é caso, em resumo, de sair apimentando tudo para se garantir contra a salmonelose. Inclusive porque algumas espécies e variedades de pimentas podem funcionar apenas na inibição das bactérias e não em sua inativação. Inibir é colocar as bactérias em estado de estresse, impedindo temporariamente sua multiplicação, enquanto inativar é matar mesmo.

A pimenta-calabresa (na verdade uma mistura de diversas pimentas) é uma das inibidoras de salmonelas, enquanto a malagueta mata. A inibição pode, inclusive, mascarar análises de alimentos contaminados, conforme constatou a equipe de pesquisa, em laboratório: “Uma amostra de alimento contaminado por Salmonella e temperado com pimenta-calabresa pode dar resultado negativo porque as bactérias não se desenvolvem na cultura feita em laboratório, estão inibidas. Mas estão lá: basta pingar aminoácidos dessestressores e elas aparecem!”

Em português claro, portanto, o negócio não é só espalhar pimenta-malagueta no prato, mas principalmente pelas granjas, chiqueiros e currais. Lá, o que arde, além de curar, desinfeta também!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Campanha contra o uso de agrotóxicos e pela vida

1 - Movimentos Sociais lançam Campanha contra os Agrotóxicos

http://www.dci.com.br/noticia.asp?id_noticia=369356


2 - Brasília tem protestos contra Código Florestal e agrotóxicos.
Movimentos sociais aproveitaram o dia Mundial da Sáude para lançar uma campanha contra o uso de agrotóxicos

http://exame.abril.com.br/economia/meio-ambiente-e-energia/noticias/brasilia-tem-protestos-contra-codigo-florestal-e-agrotoxicos


3 - MST lança campanha contra o uso de agrotóxicos
http://www.estadao.com.br/noticias/geral,mst-lanca-campanha-contra-o-uso-de-agrotoxicos,703103,0.htm

Caso queira mais informações sobre o mesmo assunto acesse
www.estadao.com.br/geral

4- Lançamento da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida.
(http://www.fase.org.br/v2/pagina.php?id=3497)

5 - Audiência discute agrotóxicos no dia mundial da saúde.
http://www.noticiasdegoias.go.gov.br/index.php?idMateria=101087&sms_ss=email&at_xt=4d9e25bd7d6fe98b%2C0

6 - Secretário de Agricultura de GO defende pesquisa para diminuir uso de agrotóxicos.
http://www.noticiasdegoias.go.gov.br/index.php?idMateria=101125&sms_ss=email&at_xt=4d9e27884346c4a4%2C0

7- Começa Campanha contra os Agrotóxicos no ES.
http://www.seculodiario.com.br/exibir_not.asp?id=10275

8 - ANVISA, CNA e MPA divergem sobre uso de agrotóxicos na Câmara Federal.
http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/195390.html

domingo, 3 de abril de 2011

Entidades lançam campanha nacional contra agrotóxicos

31 de março de 2011

da RadioagênciaNP

Mais de 20 entidades da sociedade civil brasileira, movimentos sociais, entidades ambientalistas e grupos de pesquisadores lançam oficialmente no próximo dia 7 de abril a Campanha Permanente contra o Uso dos Agrotóxicos no Brasil.
A campanha pretende abrir um debate com a população sobre a falta de fiscalização, uso, consumo e venda de agrotóxicos, a contaminação dos solos e das águas e denunciar os impactos dos venenos na saúde dos trabalhadores, das comunidades rurais e dos consumidores nas cidades.
A campanha prevê a realização de atividades em todo o país. Em Brasília, mais de 2 mil pessoas farão um ato para denunciar a responsabilidade do agronegócio pelo uso abusivo de agrotóxicos no país.
O Brasil está em primeiro lugar no ranking dos países que mais usam agrotóxicos no mundo desde 2009. Para se ter uma ideia da dimensão, é como se cada brasileiro consumisse, ao longo do ano, cinco litros de veneno.

O secretário-executivo da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), Denis Monteiro, apresenta os objetivos da campanha.
“A primeira questão é que nós precisamos estabelecer uma coalizão, uma convergência ampla dos movimentos da área da saúde, da agricultura, comunicação e direito, para fazer a denúncia permanente desse modelo baseado no uso de agrotóxicos e transgênicos que tornou o Brasil campeão mundial do uso de agrotóxicos; e os impactos são gravíssimos na saúde dos trabalhadores, no meio ambiente, na contaminação das águas. ’’
Segundo Monteiro, além do caráter de denúncia, a campanha pretende também apresentar à sociedade o modelo proposto pelas entidades, mais saudável, baseado na pequena agricultura.

“Outro campo de articulação é mostrar para a sociedade e avançar na construção de outro modelo de agricultura, baseado na agricultura familiar, camponesa, em toda sua diversidade, dos povos e comunidades tradicionais, assentamentos de reforma agrária, e que este modelo sim pode produzir alimentos com fartura, alimentos de qualidade, com diversidade e sem uso de agrotóxicos. Temos estudos que mostram que a agroecologia é viável, produz em quantidade e em qualidade, e o local para a agroecologia acontecer são as áreas da agricultura familiar. Então outro campo de articulação importante é avançar na construção destas experiências em agroecologia que a gente já vem construindo, multiplicá-las pelo país, mostrando que este é o futuro da agricultura, e não vai ter futuro para o planeta se a gente não construir este modelo alternativo ao modelo que está aí’’
Monteiro aponta ainda que a atuação no âmbito das políticas públicas também se constituirá em um eixo importante da campanha.
“A Anvisa tem um trabalho de análise de resíduos de agrotóxicos e alimentos, que precisa ser ampliado para mais culturas, ter aumentada sua abrangência; está também fazendo reavaliações de agrotóxicos que têm um impacto terrível na saúde, propondo restrição ao uso e banimento de produtos. Por outro lado, precisamos avançar nas políticas direcionadas à agricultura familiar, para que elas possam fomentar o resgate da biodiversidade, o resgate das sementes crioulas, possam fortalecer as experiências de comercialização direta dos agricultores familiares com os agricultores. O Programa Nacional de Alimentação Escolar precisa ser efetivado, uma alimentação de melhor qualidade nas escolas, que o dinheiro público usado para alimentação escolar seja destinado à compra da agricultura familiar – a lei aprovada ano passado obriga que no mínimo 30% seja destinado para a compra da agricultura familiar; temos que lutar para que esta conquista seja efetivada.’’

Para o integrante da Via Campesina Brasil e da coordenação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stedile, a campanha pretende propor projetos de lei, portarias e iniciativas legais e jurídicas para impedir a expansão dos agrotóxicos.
“Seria uma boa iniciativa que os municípios começassem a legislar, porque é possível que as câmaras proíbam o uso de determinado veneno no seu município, e que a própria população fiscalize. Mas isso não basta ser iniciativa do vereador, é preciso que toda a sociedade se mobilize para garantir, inclusive, que o comércio não venda, que os fazendeiros não usem e que, afinal, nós vamos criando territórios livres de agrotóxicos, e vocês vão ver como a qualidade de vida vai melhorar muito nesses municípios.”
Stedile ainda avalia a natureza do uso dos agrotóxicos no Brasil e suas graves consequências.
“Nós estamos aplicando um bilhão de litros por ano, e isso representa, em média, cinco litros de veneno por pessoa. Não há parâmetro similar em qualquer outra sociedade do planeta, nem sequer nos Estados Unidos, que são a matriz indutora de toda a utilização de venenos na agricultura a partir da Segunda Guerra Mundial.”
Para Stedile, a redução e a eventual erradicação do uso de agrotóxicos dependem, fundamentalmente, da conscientização da população.
“Então nós esperamos que, daqui para diante, possamos congregar este conjunto de forças sociais, desde os movimentos sociais, dos trabalhadores, dos pesquisadores, dos médicos, das universidades, dos institutos de ciência, para fazermos uma grande articulação nacional e, de fato, conseguirmos paulatinamente ir diminuindo o consumo de venenos, até chegarmos, quiçá, em médio prazo, à eliminação total do uso de agrotóxicos na agricultura brasileira – o que seria uma grande conquista para toda a sociedade. Para que se tenha uma idéia, eu acho que a campanha contra os agrotóxicos é muito parecida com a campanha contra o fumo, porque no fundo o tabaco também usa muito agrotóxico, o tabaco é um veneno, causa gravíssimos problemas de saúde para a população, e somente de uns dez anos pra cá é que a sociedade brasileira começou a se conscientizar e fazer uma campanha contra o cigarro. E nós conseguimos reduzir: 30% da população eram fumantes e, hoje, só 12% são fumantes’’
De acordo com Letícia Silva, da Anvisa, é preciso que a campanha consiga promover uma grande consulta junto à sociedade brasileira sobre o tema.
“Não sei o tempo: quando colocamos a possibilidade de retirada de um produto agrotóxico do mercado, muitas vezes a gente recebe poucas manifestações favoráveis à retirada daquele produto no mercado, e muitas manifestações pela manutenção do produto no mercado. Então acho que a primeira coisa, a mais simples – e que independe até de uma grande mobilização – são as organizações da sociedade mostrarem o que estão pensando a respeito, mostrar o seu desejo com relação aos produtos agrotóxicos. Querem realmente que sejam controlados? Que produtos precisariam ser banidos, quais estão causando intoxicação? “

A campanha nacional contra o uso de agrotóxicos também promoverá iniciativas ligadas à educação – com a produção de cartilhas para as escolas – e realizará seminários regionais e audiências públicas.

sábado, 2 de abril de 2011

Dados sobre a década mais quente desde o início dos registros

29/03/2011 - 10h03

Por Fernanda B. Müller, da Carbono Brasil

A Organização Mundial de Meteorologia lançou a sua “Declaração sobre o Status do Clima Global” confirmando que 2010 alcançou temperaturas recorde, fechando a década mais quente já registrada.

A publicação também demonstra recordes na média mundial de precipitação, discutindo enchentes e secas, como no Paquistão, Austrália e Amazônia respectivamente, e documenta ondas de calor na Eurásia.

As altas temperaturas de 2010 (+0,53ºC acima da média do período 1961-1990 de 14ºC) igualaram o recorde dos anos mais quentes, ao lado de 2005 e 1998, “consistente com a aceleração do aquecimento experimentado ao longo dos últimos 50 anos” ressalta a OMM. A temperatura ao redor do globo é registrada desde 1880.A declaração da OMM leva em conta grandes eventos no clima global em 2010, como a transição do fenômeno El Niño para La Niña, este último entre os cinco mais fortes do último século.

O aquecimento foi mais forte em algumas regiões, notadamente norte africano, península arábica, sudeste asiático e Ártico.

América Latina

O norte da América Latina registrou temperaturas na sua maioria acima da média, ficando atrás apenas de 1998. No sul do continente, as temperaturas ficaram dentro da média com condições mais quentes no início e final do ano separadas por um inverno significativamente frio e primavera adiantada.

As chuvas no Rio de Janeiro também foram lembradas pela OMM. A precipitação de 279 mm em 24 horas (4-5 de abril) foi o maior evento registrado em 48 anos.

(Envolverde/Carbono Brasil)