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sábado, 26 de março de 2011

Orgânicos possuem mais nutrientes do que alimentos convencionais

http://g1.globo.com/globo-reporter/noticia/2011/03/organicos-possuem-mais-nutrientes-do-que-alimentos-convencionais.html

Pesquisa da UFPR revelou que os orgânicos têm mais fibra alimentar, proteína e minerais como ferro e potássio. Eles tinham também menos nitratos e nitritos, que podem ser cancerígenos e provocar má formação.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Agrotóxicos chegam ao leite materno

17/03/2011 – 14h08

http://www.24horasnews.com.br/index.php?tipo=ler&mat=362347#

Soja usa 5 milhões de litros de agrotóxico e chega ao leite materno em MT

Thais Tomie
Redação 24 Horas News

O município de Lucas do Rio Verde, localizado ao norte do Estado, é caracterizado como segundo maior produtor de grãos do Estado. Em 2009 cultivou 410 mil hectares de soja e milho.Para isso, utilizou nada mais nada menos que cerca de 5 milhões de litros de agrotóxicos. Bom para a indústria, bom para os negócios, péssimo para a saúde da população. Principalmente de mães, cujos filhos estão em idade de amamentação. Uma pesquisa revelou a presença de agrotóxico no leite materno das gestantes que residem no município. Isso mesmo: agrotóxico no leite materno.

“Após a aplicação, parte desses produtos atinge a peste alvo, enquanto que o restante pode ser disperso no ambiente e acumular-se no organismo humano” – explica Danielly Cristina de Andrade Palma, mestranda em Saúde Coletiva da Universidade Federal de Mato Grosso. Nas amostras de leite coletadas de 62 nutrizes, foram encontradas pelo menos um tipo de agrotóxico. A coleta foi feita entre a 3ª e a 8ª semana após o parto. Entre as variáveis estudadas, ter tido aborto foi uma variável que se manteve associada à presença de três agrotóxicos.

O estudo é uma alerta para os moradores da região, pois os resultados podem ser oriundos da exposição ocupacional, ambiental, alimentar do processo produtivo da agricultura que expôs a população a 114,37 litros de agrotóxicos por habitante na safra agrícola de 2009/2010..

“Por suas características fisiológicas e vulnerabilidade à exposição a agentes químicos presentes no ambiente, este leite ao ser consumido pelos recém-nascidos pode provocar agravos à saúde” – diz a pesquisadora.

De acordo com o secretário de Agricultura e Meio Ambiente de Lucas do Rio Verde, Edu Pascosk, o que aconteceu no município foi um fato esporádico que ocorreu devido a uma pulverização de uma aeronave que passou dentro do perímetro urbano. “todas as providências já foram tomadas e os agricultores estão seguindo normalmente a legislação federal”, informou.

O município é considerado o segundo maior produtor de grãos do Estado. E para o agronegócio, o lucro pode estar acima da vida. Diante dos fatos, parece que o mesmo governo que faz campanhas para incentivar as mulheres a amamentar, financia o agronegócio que produz a comida envenenada, contaminando o leite da maioria das mães.

domingo, 20 de março de 2011

¿¿¿ Qué hay en el Agua tratada ???

Ecoaqua 2000 Solutions

Productos tóxicos carcinogénicos generados por el uso de Desinfectantes.

Aunque quizás el mayor logro de salud pública del siglo 20 fue la desinfección de agua, un estudio reciente muestra que los productos químicos utilizados para purificar el agua que bebemos y el uso en piscinas, reaccionan con la materia orgánica en el agua produciendo consecuencias tóxicas.

En la Universidad de Illinois el genetista Michael Plena dice que los subproductos de desinfección (DBPs) en el agua son la consecuencia involuntaria de la purificación del agua.

El proceso de desinfección de agua con cloro, cloraminas y otros tipos de desinfectantes genera una clase de compuestos en el agua que se llaman los subproductos de desinfección, así el desinfectante reacciona con la materia orgánica en el agua y genera cientos de compuestos diferentes.

Algunos de ellos son tóxicos, algunos pueden causar defectos de nacimiento, algunos son genotóxicos, dañan el ADN y algunos sabemos que también son cancerígenos”.

Además de agua potable DBPs, la piscinas y jacuzzi, tienes todo el material orgánico de la gente, el sudor y el uso de cosméticos de protección solar que se desprenden en el agua.

La gente puede orinar en una piscina públicas y las caídas de cabello, sumados a la cloración, pero el agua se recicla una y otra vez por lo que el nivel de DBPs puede ser diez veces superior a lo que usted tiene en el agua potable.

“La gran preocupación que tenemos son los bebés en piscinas públicas, porque los niños pequeños y especialmente los bebés, son mucho más susceptibles a los daños del ADN de estos agentes, ya que sus cuerpos están creciendo y están replicando el ADN en forma muy acelerada”.

El Rock de la Agroecología por Miguel Altieri

Canción interpretada por el Dr. Miguel Altieri en una salida de campo del Doctorado en Agroecología Primera Cohorte Colombia 2010, en una finca agroecológica del Carmen de Viboral (Antioquía - Colombia)

http://www.youtube.com/watch?v=iJmsP7hzyGU&feature=player_embedded

terça-feira, 15 de março de 2011

"Agrotóxico vai contaminar a água e desequilibrar a oferta de alimentos"

Por: João Peres, Rede Brasil Atual

São Paulo – A professora e pesquisadora do Departamento de Saúde Comunitária da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará, Raquel Rigotto, alerta para o risco de contaminação das áreas agriculturáveis do país devido ao uso abusivo de agrotóxicos por parte das empresas do agronegócio.

Em entrevista à Rede Brasil Atual, Raquel, que também é coordenadora do Núcleo Tramas – Trabalho, Meio Ambiente e Saúde, critica o modelo de desenvolvimento agrícola adotado pelo Brasil e prevê que a continuidade do atual padrão pode levar ao adoecimento da população, além de pouco contribuir para o abastecimento e a segurança alimentar no país.

Leia a seguir a íntegra da entrevista:

O Ibama divulgou no fim de janeiro uma pesquisa sobre os agrotóxicos, que confirma que 67% das vendas destes insumos estão na mão da Monsanto. Como isso se relaciona com um consumo tão grande de agrotóxico, o que isso indica em termos de alimentação e de segurança alimentar?

Em termos de alimentação, nós vamos ter um comprometimento importante na contaminação da água e na contaminação dos alimentos propriamente ditos e isso acarreta implicações muito importantes pra saúde humana. Há evidências que a ingestão de água contaminada com pequenas doses de diferentes princípios ativos de agrotóxicos podem provocar uma série de agravos à saúde, como o câncer. Especialmente o câncer de mama, já temos evidências de como o DDT, por exemplo, pode provocar alteração do sistema imunológico, alteração do sistema endócrino, do fígado, dos rins e da pele, alteração sanguínea, alergias, enfim, um amplo leque de agravos à saúde.

Em termos de segurança alimentar é importante a gente considerar também que o agronegócio está voltado para a produção de commodities, então ele tem ocupado terras agricultadas e terras férteis, tem se expandido através de biomas fundamentais para o equilíbrio ecológico como a Amazônia, o cerrado e a caatinga.

Com isso, ele concentra terra e reduz o espaço da produção da agricultura e com isso estamos assistindo à alta dos preços dos alimentos. Processo semelhante está acontecendo nos Estados Unidos com o etanol a partir do milho. Ações do agronegócio têm tido muita implicação na segurança alimentar, além da incompatibilidade da convivência entre o modelo de produção da agricultura camponesa e o modelo do agronegócio.

Nós temos acompanhado por exemplo assentamentos do MST rodeados de empreendimentos do agronegócio, em que as pulverizações são muito frequentes e as chamadas pragas saem (das plantações) do agronegócio por causa do veneno e vão para as plantações dos camponeses.

Sobre a questão da alta do preço dos alimentos, já faz alguns anos que se vem alertando pra isso. Qual vai ser a saída pra isso, se mantivermos a opção pela industrialização agrícola?

A gente tem uma artificialização cada vez maior do padrão alimentar da população em função disso, a soja, por exemplo, vai ser usada como componente da ração que vai ser oferecida a animais, e isso volta pra nós em forma de 'nuggets'.

Temos visto um crescimento rápido de obesidade entre adolescentes brasileiros. O IBGE mostrou que essa obesidade é acompanhada por um padrão nutricional precário, déficit imunológico, ingestão de várias substâncias químicas, como corantes e conservantes. Também provoca uma contaminação por causa do lixo gerado pelas embalagens dos alimentos.

Há esforços governamentais no sentido de fomentar a ecologia como política de desenvolvimento?

O que a gente percebe contemplando os orçamentos é uma enorme desigualdade. Se eu não me equivoco, em 2010 foram R$ 100 bilhões para o agronegócio e R$ 16 bi para a agricultura familiar. Uma coisa é você ter dentro do Ministério de Desenvolvimento Agrário um setor que cuida da agroecologia, com técnicos muito respeitados e apaixonados por essa causa. E outra coisa é você fazer disso o marketing verde do governo, pra esverdear o modelo de desenvolvimento, mas é algo que está fora da realidade.

Então o que a gente vê é que o governo federal não tem uma política voltada para isso. Por exemplo, há uma lei federal que isenta 60% do ICMS para produtos agrotóxicos. Temos um incentivo fiscal do governo federal ao consumo de agrotóxicos, uma lei como essa é uma antítese de uma escolha agroecológica.

A Anvisa vem sendo muito criticada pelos representantes do agronegócio no Congresso por ter passado a revisar o uso de algumas substâncias. Como é que a senhora vê esses ataques?

Essas empresas transnacionais, eu imagino que no planejamento estratégico delas umas das vantagens comparativas dos países do Terceiro Mundo, como a gente era chamado, é supor que não vão encontrar ali nem pesquisadores e nem instituições públicas com capacidade técnica de antever a evidência dos padrões que eles querem fazer aqui.

Eles ficam muito excitados. Eu identifico isso no caso dos servidores públicos da Anvisa - como servidora pública de uma universidade pública eu percebo isso. Não estava no plano deles ter um orgão público que venha 'criar caso', que venha aqui pra competentemente realizar o trabalho (de fiscalização).

A Anvisa tem tentado isso, ela tem tido dificuldades internas no governo. É necessário que a sociedade fortaleça esse tipo esforço para tratar com o devido rigor as "armas químicas". É impensável que um cidadão qualquer - que pode ser um louco, um desequilibrado - possa chegar numa loja e comprar 100, 200, 300 quilos de agrotóxico, que é um veneno, desde que ele tenha dinheiro para pagar. Isso é inconcebível e insustentável do ponto de vista de política pública.

Em relação às consequências, você poderia citar alguns exemplos de casos crônicos de intoxicação por agrotóxicos, que não são tão aparentes e que não ocorrem logo após o uso?

Sim, são chamadas de efeitos crônicos dos agrotóxicos, que têm a ver com a exposição diária a pequenas doses de exposição de variados produtos. Ao longo de um tempo, de um ano, dois anos, a gente vê uma série de efeitos e ultimamente tem se discutido bastante sobre esse papel dos disruptores endócrinos, que às vezes ocupam o nosso corpo no lugar dos nossos hormônios sexuais.

Eles produzem alteração na fertilidade, má formação congênita nos fetos humanos e alterações neurocomportamentais: insônia, irritabilidade, alteração de memória e até alteração de comportamento mesmo, inclusive inclinações suicidas.

Já temos estudos na cultura do fumo no Rio Grande do Sul, da soja em Dourados, no Mato Grosso do Sul, e estudos internacionais comprovando a elevação da taxa de suicídio entre trabalhadores expostos ao agrotóxico.

domingo, 13 de março de 2011

Necessidade vs. ganância: o planeta está no limite

11/03/2011 - 10h03


Por Jeffrey Sachs, da Al Jazeera
O mundo está rompendo os limites no uso de recursos. Com a economia mundial crescendo a 4-5% ao ano, estará num caminho para dobrar de tamanho em menos de vinte anos. Os 70 trilhões de dólares da economia mundial serão 140 trilhões, antes de 2030, e 280 trilhões antes de 2050, em caso de extrapolarmos as taxas de crescimento de hoje. Nosso planeta não suportará fisicamente esse crescimento econômico exponencial, se deixarmos a ganância levar vantagem. O crescimento da economia mundial já está esmagando a natureza.

O maior líder moral da Índia, Mahatma Gandhi tem a famosa máxima segundo a qual há o suficiente na Terra para suprir as necessidades de todo mundo, mas não para as ganâncias de todo mundo. Hoje, o insight de Gandhi está sendo posto em teste mais do que nunca.

O mundo está rompendo os limites no uso de recursos. Estamos sentindo diariamente o impacto de enchentes, tempestades e secas – e os resultados aparecem nos preços no mercado. Agora nosso destino depende de se cooperamos ou ficamos vítimas da ganância autodestrutiva.

Os limites da economia global são novos, resultam do tamanho sem precedentes da população mundial e da disseminação sem precedentes do crescimento econômico em quase todo o mundo. Há no momento sete bilhões de pessoas no planeta; há meio século, eram três bilhões. Hoje, a renda média per capita está em torno de 10 mil dólares; no mundo rico, em torno de 40 mil dólares, e no mundo em desenvolvimento, em torno de 4 mil. Isso significa que a economia mundial está agora produzindo em média 70 trilhões de dólares em rendimentos totais por ano, comparados a algo como 10 trilhões, em 1960.

A economia da China está crescendo em torno de 10% ao ano. O crescimento da Índia está próximo do mesmo índice. A África, a região com o crescimento mais lento, está batendo a casa dos 5% no crescimento anual do PIB. Sobretudo os países em desenvolvimento estão crescendo em torno de 7% ao ano, e as economias desenvolvidas em torno de 2%, mantendo o crescimento global em algo como 4,5%.

Ganância ou crescimento

Essas são boas notícias em vários aspectos. O rápido crescimento econômico nos países em desenvolvimento está aliviando a pobreza. Na China, por exemplo, a pobreza extrema diminuiu bem mais da metade da população, e hoje atinge 10% ou menos da população.

Há no entanto um outro lado da história do crescimento global que devemos entender claramente. Com a economia mundial crescendo a 4-5% ao ano, estará num caminho para dobrar de tamanho em menos de vinte anos. Os 70 trilhões de dólares da economia mundial serão 140 trilhões, antes de 2030, e 280 trilhões antes de 2050, em caso de extrapolarmos as taxas de crescimento de hoje.

Nosso planeta não suportará fisicamente esse crescimento econômico exponencial, se deixarmos a ganância levar vantagem. O crescimento da economia mundial já está esmagando a natureza hoje, depredando rapidamente as fontes de combustível fóssil que a natureza levou milhões de anos para criar, enquanto o clima resultante da mudança climática tem gerado instabilidades massivas em termos de regime de chuvas, de temperatura e de tempestades extremas.

Vemos diariamente essas pressões no mercado. O preço do petróleo chegou a mais de 100 dólares o barril, enquanto China, Índia e outros países importadores se juntam aos EUA, num negócio massivo, para comprar combustível, especialmente do Oriente Médio. O preço dos alimentos também está em patamares históricos, contribuindo com a pobreza e a instabilidade política.

Esgotamento ambiental

Por um lado, há mais bocas para alimentar e, em geral, com maior poder aquisitivo. Por outro, ondas de calor, secas, enchentes e outros desastres induzidos pela mudança climática estão destruindo safras e reduzindo os estoques de grãos nos mercados mundiais. Nos últimos meses, várias secas atingiram a produção de grãos de regiões da Rússia e da Ucrânia, e enchentes enormes ocorreram no Brasil e na Austrália; agora, outra seca está ameaçando o cinturão de grãos da China.

Há algo mais do que a visão de que isso é muito perigoso. Em muitas partes populosas do mundo, inclusive em regiões de produção de grãos no nordeste da Índia, da China e no Meio Oeste dos EUA fazendeiros estão cavando cada vez mais fundo para irrigar suas lavouras.

Os grandes aquíferos que forneciam água para irrigação estão sendo esvaziados. Em alguns lugares da Índia, o nível das águas está baixando vários metros anualmente nos últimos anos. Alguns poços estão próximos da exaustão, com uma salinidade tão alta que parece que infiltraram águas oceânicas no aquífero.

Se não mudarmos, uma calamidade é inevitável. E é aqui que entra Gandhi. Se nossas sociedades estão correndo segundo o princípio da ganância, com os ricos fazendo de tudo para ficarem mais ricos, a crescente crise de recursos levará a uma ampla divisão entre ricos e pobres – e muito possivelmente a uma crescente luta por sobrevivência.

Conflito de classes

Os ricos tentarão usar seu poder para dominar mais terra, mais água e mais energia para si mesmos, e muitos vão dispor de meios violentos para fazê-lo, se necessário. Os EUA já seguiram a estratégia de militarização no Oriente Médio, na esperança ingênua de que esse tipo de abordagem pode assegurar fornecimento de energia. Agora, a competição por esses suprimentos está se intensificando com a China, Índia e outros, na corrida pelos mesmos (em vias de esgotamento) recursos.

Um poder análogo de captura de recursos está sendo tentado na África. O aumento dos preços de alimentos está levando a um aumento do preço das terras, enquanto políticos poderosos vendem a investidores estrangeiros vastas fazendas, varrendo do mapa as agriculturas tradicionais e os direitos dos pequenos agricultores. Investidores estrangeiros esperam usar grandes fazendas mecanizadas para produzir para exportação, deixando pouco ou nada para as populações locais.

Em toda parte nos grandes países – EUA, Reino Unido, China, Índia e outros – os ricos têm desfrutado de renda elevada e do aumento de poder político. A economia dos EUA foi sequestrada por bilionários, pela indústria do petróleo e outros setores chave. A mesma tendência ameaça as economias emergentes, onde a riqueza e a corrupção estão em alta.

Se a ganância vencer, a máquina do crescimento econômico depredará os recursos, deixará os pobres de lado e nos conduzirá a uma profunda crise social, política e econômica. A alternativa é um paradigma de cooperação social e política, tanto no interior dos países, como internacionalmente. Haverá recursos suficientes e prosperidade para seguir em frente, se convertermos nossas economias em fontes renováveis de energia, em práticas agrícolas sustentáveis e numa taxação razoável dos ricos. Este é o caminho da prosperidade compartilhada, por meio do avanço tecnológico, da justiça política e da consciência ética.

*Jeffrey D. Sachs é professor de Economia e diretor do Instituto Terra da Universidade Columbia. Ele também é conselheiro especial da Secretaria Geral das Nações Unidas para as Metas do MIlênio.

Tradução: Katarina Peixoto


(Envolverde/Carta Maior )

sábado, 12 de março de 2011

As mulheres não são homens

A cultura patriarcal tem uma dimensão particularmente perversa: a de criar a ideia na opinião pública que as mulheres são oprimidas e, como tal, vítimas indefesas e silenciosas. Este estereótipo torna possível ignorar ou desvalorizar as lutas de
resistência e a capacidade de inovação política das mulheres.

Boaventura de Sousa Santos

No passado dia 8 de março celebrou-se o Dia Internacional da Mulher. Os dias ou anos internacionais não são, em geral, celebrações.
São, pelo contrário, modos de assinalar que há pouco para celebrar e muito para denunciar e transformar. Não há natureza humana assexuada; há homens e mulheres. Falar de natureza humana sem falar na diferença sexual é ocultar que a “metade” das mulheres vale menos que a dos homens. Sob formas que variam consoante o tempo e o lugar, as mulheres têm sido consideradas como seres cuja humanidade é problemática (mais perigosa ou menos capaz) quando comparada com a dos homens. À dominação sexual que este preconceito gera chamamos patriarcado e ao senso comum que o alimenta e reproduz, cultura patriarcal.

A persistência histórica desta cultura é tão forte que mesmo nas regiões do mundo em que ela foi oficialmente superada pela consagração constitucional da igualdade sexual, as práticas quotidianas das instituições e das relações sociais continuam a reproduzir o preconceito e a desigualdade. Ser feminista hoje significa reconhecer que tal discriminação existe e é injusta e desejar activamente que ela seja eliminada. Nas actuais condições históricas, falar de natureza humana como se ela fosse sexualmente indiferente, seja no plano filosófico seja no plano político, é pactuar com o patriarcado.

A cultura patriarcal vem de longe e atravessa tanto a cultura ocidental como as culturas africanas, indígenas e islâmicas. Para Aristóteles, a mulher é um homem mutilado e para São Tomás de Aquino, sendo o homem o elemento activo da procriação, o nascimento de uma mulher é sinal da debilidade do procriador. Esta cultura, ancorada por vezes em textos sagrados (Bíblia e Corão), tem estado sempre ao serviço da economia política dominante que, nos tempos modernos, tem sido o
capitalismo e o colonialismo. Em Three Guineas (1938), em resposta a um pedido de apoio financeiro para o esforço de guerra, Virginia Woolf recusa, lembrando a secundarização das mulheres na nação, e afirma provocatoriamente: “Como mulher, não tenho país. Como mulher, não quero ter país. Como mulher, o meu país é o mundo inteiro”.

Durante a ditadura portuguesa, as Novas Cartas Portuguesas publicadas em 1972 por Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, denunciavam o patriarcado como parte da estrutura fascista que sustentava a guerra colonial em África. "Angola é nossa" era o correlato de "as mulheres são nossas (de nós, homens)" e no sexo delas se defendia a honra deles. O livro foi imediatamente apreendido porque justamente percebido como um libelo contra a guerra colonial e as autoras só não foram julgadas porque entretanto ocorreu a Revolução dos Cravos em 25de Abril de 1974.

A violência que a opressão sexual implica ocorre sob duas formas, hardcore e softcore. A versão hardcore é o catálogo da vergonha e do horror do mundo. Em Portugal, morreram 43 mulheres em 2010, vítimas de violência doméstica. Na Cidade Juarez (México) foram assassinadas nos últimos anos 427 mulheres, todas jovens e pobres, trabalhadoras nas fábricas do capitalismo selvagem, as maquiladoras, um crime organizado hoje conhecido por femicídio. Em vários países de África, continua a praticar-se a mutilação genital. Na Arábia Saudita, até há pouco, as
mulheres nem sequer tinham certificado de nascimento. No Irão, a vida de
uma mulher vale metade da do homem num acidente de viação; em tribunal, o testemunho de um homem vale tanto quanto o de duas mulheres; a mulher pode ser apedrejada até à morte em caso de adultério, prática, aliás, proibida na maioria dos países de cultura islâmica.

A versão softcore é insidiosa e silenciosa e ocorre no seio das famílias,
instituições e comunidades, não porque as mulheres sejam inferiores mas,pelo contrário, porque são consideradas superiores no seu espírito de abnegação e na sua disponibilidade para ajudar em tempos difíceis.
Porque é uma disposição natural. não há sequer que lhes perguntar se aceitam os encargos ou sob que condições. Em Portugal, por exemplo, os cortes nas despesas sociais do Estado actualmente em curso vitimizam em particular as mulheres. As mulheres são as principais provedoras do cuidado a dependentes (crianças, velhos, doentes, pessoas com deficiência). Se, com o encerramento dos hospitais psiquiátricos, os doentes mentais são devolvidos às famílias, o cuidado fica a cargo das mulheres. A impossibilidade de conciliar o trabalho remunerado com o
trabalho doméstico faz com que Portugal tenha um dos valores mais baixos de fecundidade do mundo. Cuidar dos vivos torna-se incompatível com desejar mais vivos.

Mas a cultura patriarcal tem, em certos contextos, uma outra dimensão articularmente perversa: a de criar a ideia na opinião pública que as mulheres são oprimidas e, como tal, vítimas indefesas e silenciosas.

Este estereótipo torna possível ignorar ou desvalorizar as lutas de resistência e a capacidade de inovação política das mulheres. É assim que se ignora o papel fundamental das mulheres na revolução do Egipto ou na luta contra a pilhagem da terra na Índia; a acção política das mulheres que lideram os municípios em tantas pequenas cidades africanas e a sua luta contra o machismo dos lideres partidários que bloqueiam o acesso das mulheres ao poder político nacional; a luta incessante e cheia de riscos pela punição dos criminosos levada a cabo pelas mães das jovens
assassinadas em Cidade Juarez; as conquistas das mulheres indígenas e islâmicas na luta pela igualdade e pelo respeito da diferença, transformando por dentro as culturas a que pertencem; as práticas inovadoras de defesa da agricultura familiar e das sementes tradicionais das mulheres do Quénia e de tantos outros países de África; a resposta das mulheres palestinianas quando perguntadas por auto-convencidas feministas europeias sobre o uso de contraceptivos: “na Palestina, ter filhos é lutar contra a limpeza étnica que Israel impõe ao nosso povo”.

Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).

O glifosato é intocável

11/3/2011


http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=41271

Enquanto o Ministério da Saúde estuda o grau de toxicidade do pesticida, um telegrama revela como a Embaixada norte-americana pressiona o Ministério da Agricultura e a província do Chaco, na Argentina.

A reportagem é de Santiago O’Donnell e publicada no jornal Página/12, 09-03-2011. A tradução é do Cepat.

A Embaixada dos Estados Unidos defendeu o uso do questionado pesticida glifosato diante de autoridades do Senasa, o organismo responsável pela garantia e certificação da saúde e qualidade da produção agropecuária. De acordo com um telegrama diplomático de julho de 2009 filtrado pelo Wikileaks, e ao qual o Página/12 teve acesso, a Embaixada tomou a decisão de apresentar estudos próprios ao regulador que havia autorizado o uso do pesticida depois que este jornal revelara um estudo científico alertando sobre a possível toxicidade do produto.

O lobby norte-americano a favor do fabricante do pesticida, a multinacional Monsanto, aconteceu seis meses depois que a presidente Cristina Fernández Kirchner ordenara ao Ministério da Saúde iniciar uma investigação oficial sobre os possíveis efeitos nocivos do pesticida. O estudo, que ainda está em andamento, servirá de base para limitar ou eventualmente proibir o uso do glifosato, caso ficar demonstrado que efetivamente é nocivo à saúde da população, como sugere o trabalho questionado pela Embaixada, realizado pelo toxicólogo Andrés Carrasco com embriões de frango.

Segundo o telegrama, para a Embaixada, Carrasco é um pesquisador do “prestigioso” Conicet e da “muito respeitada” Universidade de Buenos Aires. Mas seu estudo não seria “cientificamente crível” porque não tinha sido referendado por essas instituições nem incluído em uma publicação científica.

“Dentro dos círculos científicos e das agências regulatórias responsáveis pela aprovação do uso do glifosato na Argentina, se aceita que o suposto estudo não tem credibilidade científica. Os resultados não foram apresentados para uma análise de metodologia, procedimentos e/ou conclusões”, diz o telegrama.

Como a coca

Para contra-arrestar o que qualificou de “campanha da imprensa pró-governo”, a Embaixada norte-americana entregou informações ao Senasa favoráveis ao uso do glifosato, assinala o despacho.

“Em resposta à controvérsia, a Secretaria de Agricultura da Argentina (através do Senasa) esteve reunindo informações para apoiar sua aprovação do uso de glifosato na Argentina. A seção da Argentina da Embaixada deu ao Senasa informações sobre estudos de glifosato, que são de uso comum nos Estados Unidos e também são usados no programa de erradicação da coca do Plano Colômbia”.

O telegrama também explica o interesse da Embaixada em defender o uso do pesticida: “O glifosato é o ingrediente ativo do popular pesticida Roundup. A Monsanto tem a principal fatia do mercado de glifosato na Argentina, com 40%, e, portanto, é a vítima circunstancial mais proeminente e mais vulnerável aos ataques”.

No entanto, o telegrama não faz referência a estudos científicos previamente realizados sobre a toxicidade do glifosato da Universidade de Caen e do Centro Nacional de Pesquisa de Roscoff, ambos da França, da Universidade de Pittsburg (Estados Unidos), da Universidade Nacional de Rosário e da Universidade Nacional do Litoral, mesmo que estes estudos tenham sido citados no artigo do Página/12 do jornalista Darío Aranda sobre o trabalho de Carrasco. O telegrama também não diz nada sobre os diferentes estudos de autoridades sanitárias no interior do país alertando para as altas taxas de câncer e malformações em zonas fumigadas.

Quanto à validação do estudo de Carrasco, o mesmo foi publicado em agosto do ano passado pela revista científica Chemical Research in Toxicology, num artigo de 10 páginas, que inclui todos os dados necessários para ser revisado pela comunidade científica. Nesse ambiente, a publicação de um estudo em uma reconhecida revista científica é considerada como uma aceitação de sua seriedade. Os telegramas de Wikileaks só cobrem despachos escritos até o começo do ano passado, razão pela qual não indicam se a Embaixada deu conta da publicação e corrigiu sua percepção inicial sobre o trabalho do pesquisador argentino.

Fumigações

Em relação ao uso do glifosato feito pelos Estados Unidos, não se trata de uma situação análoga à de outros países porque a concentração do pesticida, das outras substâncias tóxicas com que é misturado e a forma de aplicação não são as mesmas, alertam os cientistas: “Assim, os conceitos sobre segurança para o ambiente e a saúde, emitidos a partir da caracterização e avaliação de riscos calculados para as ‘condições normais recomendadas de uso’ nos Estados Unidos, não tem base científica em nosso meio”, explica a engenheira agrônoma, bióloga e química colombiana Elsa Nivia no sítio biodiversidadla.org.

“Na Colômbia se está aplicando o glifosato sobre plantações ilícitas e tudo o que o circunda, e numa concentração até 26 vezes maior, com o agravante de que é adicionado o surfactante Cosmo-Flux 411F, que pode até quadruplicar a ação biológica do Roundup. A esta lamentável situação se acrescenta algo mais perverso: há denúncias de várias passadas das avionetas quando fumigam sobre zonas camponesas; quatro, seis e até 12 vezes fumigam o mesmo campo”, assinala a pesquisadora.

Os protestos do governo equatoriano levaram a Colômbia a suspender as fumigações com glifosato na fronteira com esse país.

“Denúncias graves”

Em janeiro de 2009, em um discurso em que anunciou novas medidas para o campo, a presidente argentina informou sobre a abertura de uma pesquisa oficial sobre a toxicidade do glifosato. “Também tomamos conhecimento nestes dias, porque foi profusamente divulgado por muitos meios de comunicação, e inclusive há uma medida da Justiça de Córdoba, sobre a fumigação na qual são utilizados determinados agroquímicos, quanto às proibições de não fazê-lo perto de povoados pelo que isto representa de impacto à saúde da população”, disse Cristina Kirchner. “Mesmo que isso seja de competência exclusiva de municípios e províncias, pedi à senhora ministra da Saúde que realize uma investigação, porque me parece que são fatos muitos importantes, fazem mal à saúde de todos os argentinos e aí não se pode entrar em questão de competências e jurisdições: tem que colocar à disposição todos os elementos, porque são denúncias muito graves e, além disso, porque até as próprias justiças provinciais intervieram por casos de contaminação de agentes cancerígenos, etc.”, explicou, e prometeu acompanhar o tema “de perto”.

La Leonesa

Das diferentes denúncias às quais a Presidente fez referência, talvez a mais grave provém da província do Chaco. No ano passado, um juiz provincial suspendeu as fumigações nos arrozais por 90 dias na localidade de La Leonesa e ordenou à província um estudo sobre os efeitos do glifosato nessa população. A Comissão Provincial de Pesquisa de Poluentes da Água publicou o relatório em agosto de 2010. Adverte que nos últimos 10 anos em La Leonesa triplicaram os casos de câncer em crianças menores de 15 anos na localidade e que quadruplicaram os casos de malformações em recém nascidos e que isto coincidiu com o auge da exploração de arroz na zona do departamento Bermejo.

Cientistas e ambientalistas denunciaram repetidamente a falta de resposta do governo provincial frente à ameaça sanitária. O próprio Carrasco foi agredido por funcionários locais quando visitou La Leonesa em 2009 em uma ocasião em que foi chamado para falar sobre os perigos do glifosato, de acordo com denúncia da Anistia Internacional. Uma explicação possível para a denunciada passividade do governo chaquenho aparece em outro telegrama do Wikileaks publicado por este jornal na semana passada, que dá conta da visita do então presidente da Monsanto Argentina, Juan Ferreyra, à Embaixada norte-americana em agosto de 2008.

“Ferreyra disse que a Monsanto estava tendo boas conversações com produtores de algodão para expandir o uso do bt cotton (algodão transgênico) na província do Chaco, no norte argentino, e cooperar ali”, diz o telegrama. “No dia 12 de agosto, a Monsanto assinou um acordo de cooperação com o governador do Chaco. O embaixador pôde apoiar esta iniciativa com uma nota na página editorial do principal jornal do Chaco e com conversações com o governador nesse mesmo dia. O governador Capitanich se mostrou muito entusiasmado em trabalhar com a Monsanto para melhorar e expandir a produção local de algodão”.

Para ler mais:

Agrotóxicos. Os grandes interesses

Reféns de um modelo produtivo pouco sustentável

Glifosato: uma sentença inovadora

Glifosato: mais polêmica

'O glifosato estimula a morte das células de embriões humanos'

'O que acontece na Argentina é quase um experimento em massa'

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sexta-feira, 11 de março de 2011

“Agroecology and the right to food”

Nesta terça-feira (08/03), a ONU – Organização das Nações Unidas – divulgou um relatório que afirma o potencial da agricultura sustentável, ou agroecologia, para rapidamente começar a alimentar as pessoas mais pobres, reparar os danos causados pela produção industrial e, a longo prazo, se tornar um padrão de produção.

Clique aqui para baixar o relatório
http://www.srfood.org/images/stories/pdf/officialreports/20110308_a-hrc-16-49_agroecology_en.pdf

O estudo, intitulado “Agroecology and the right to food” (tradução livre “Agroecologia e o direito à alimentação”), foi apresentado pelo relator especial sobre o direto à alimentação das Nações Unidas, Olivier De Shutter.

Uma das premissas do relatório, segundo declarações do De Shutter ao jornal The New York Times, é orientar a agricultura para os modos de produção que sejam mais ambientalmente sustentáveis e socialmente justos. Ele afirma que a agroecologia ajuda não somente os pequenos agricultores, que passam a ter a possibilidade de produzir num método menos oneroso que o industrial e mais produtivo, mas beneficia a todos nós.

O modelo desacelera o aquecimento global (com pouca emissão de gases de efeito estufa) e a erosão ecológica, ou seja, os impactos ambientais causados pela mecanização dos cultivos. Além disso, processos agroecológicos promovem a descentralização da produção, com práticas agrícolas em pequena escala em várias regiões, o que torna as culturas mais democráticas e menos sucetíveis aos choques climáticos.

Se comparada com a agricultura industrial, que requer uma enorme quantidade de água para a irrigação e combustíveis fósseis para o transporte e produção de fertilizantes químicos, a agroecologia usa menos recursos.

Para que ela seja colocada em prática de forma plena é preciso ter disponível trabalho, seja ele intelectual, aumentando o número de pesquisas sobre o tema, ou físico, já que precisará de mais agricultores e menos mecanização das lavouras.

O relator da ONU ainda enfatiza que é mais fácil e rápido adotar a transição para a agroecologia em países em desenvolvimento, como a África, que ainda podem ser orientados em seus métodos, do que nos países desenvolvidos, que já tem as suas indústrias alimentares estabelecidas. No entanto, declara que mesmo estes países ‘viciados em fertilizantes químicos’ devem mudar para a agricultura sustentável a fim de preservar o planeta.

Dentre as recomendações aos governos, para criação de políticas públicas em sustentabilidade, o estudo afirma que é preciso reorientar os gastos públicos na agricultura, priorizando os serviços de extensão e infra-estrutura rural, bem como a pesquisa em métodos agroecológicos.

O próximo passo seria a difusão dos conhecimentos sobre as melhores práticas de agricultura sustentável, com a colaboração das organizações e redes de agricultores existentes. (Flávia Moraes)

Link do estudo completo
http://www.srfood.org/index.php/en/component/content/article/1174-report-agroecology-and-the-right-to-food

quinta-feira, 10 de março de 2011

TRANSGENICOS RENDEM UM BILHÃO DE REAIS DE ROYALTIES PARA AS EMPRESAS TRANSNACIONAIS

Estima-se que somente na safra 2009/2010 o pagamento de royalties tenha alcançado a cifra de R$ 1 bilhão no Brasil

O glifosato é usado na agricultura em pulverizações para limpeza do terreno no pré-plantio, no manejo da vegetação

MARCONDES MACIEL
Da Reportagem

Os produtores mato-grossenses defendem “transparência” nas demonstrações de cobrança de royalties à Monsanto, correspondente a um percentual sobre a rentabilidade da soja pelo uso da tecnologia roundup ready, desenvolvida pela multinacional. Estima-se que somente na safra 2009/2010 o pagamento de royalties tenha alcançado a cifra de R$ 1 bilhão no Brasil, cerca de R$ 600 milhões em Mato Grosso.

Segundo o agrônomo Naildo Lopes, da Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado), os sojicultores pagam royalties duas vezes à Monsanto: a primeira na hora da aquisição dos produtos para a produção de grãos transgênicos (geneticamente modificados), e a outra sobre o excedente da produtividade estimada.

“Se o produtor produzir até 49,3 sacas por hectare, ele paga R$ 18 por hectare, usando 40 quilos de sementes OGMs (Organismos Geneticamente Modificados). Se a produtividade for maior e ele produzir 60 quilos, por exemplo, paga à Monsanto R$ 21,89. Ou seja, se o produtor for eficiente e produzir mais, ele acaba penalizado e paga royalties duas vezes”.

Lopes não discorda do pagamento de royalties à Monsanto. “Defendemos apenas que o pagamento não incida duas vezes sobre a mesma produção, por isso queremos transparência nas cobranças. O produtor precisa saber antes de plantar, quanto ele pagará em royalties para fazer o planejamento de seus custos na safra”.

O produtor Rogério Auri Milanesi sempre foi um defensor do uso das sementes OGMs, mas diz que, com o tempo, o lucro diminuiu. Os agricultores que usam as sementes com a tecnologia roundup ready desenvolvida pela Monsanto pagam 2% sobre o total da comercialização dos grãos para a multinacional, correspondentes ao royalties pela utilização da tecnologia roundup ready.

"A soja transgênica trouxe um ganho quando foi lançada no Brasil. O problema é que logo as margens são abrangidas pelo mercado. E hoje se nós pegarmos essa parte da rentabilidade da soja que dá e sobra para o produtor por ano por hectare de 5 a 10 sacas e nós pegarmos 2% sobre o que é pago por total bruto da produção, ele vai atingir mais ou menos 13% da receita líquida. Os 2% se transformam porque eles são pegos do bruto e não da receita líquida", explica o produtor.

O glifosato é usado na agricultura em pulverizações para limpeza do terreno no pré-plantio, no manejo da vegetação em rotação de culturas, na dessecação na pré-colheita de cereais e para o controle geral das invasoras em cultivares. Segundo Marcelo Monteiro, o glifosato garante melhor produtividade e maior preservação do solo, daí a preferência dos produtores pelo uso do herbicida.

MONOPÓLIO

A Monsanto e a Nortox detêm 100% da produção nacional de glifosato ácido e 64% da produção de glifosato formulado na concentração de 36%. O glifosato ácido é a base de todas as formas comerciais de glifosato (sais e formulados, torta, pó e solução), que são produzidos por outras quatro empresas no país.

Na avaliação dos produtores, o aumento de preços do herbicida possui relação com a estratégia da Monsanto no Brasil.

Além de possuir patentes sobre os genes que conferem resistência das plantas ao glifosato, há registro no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) de pelo menos outras 32 patentes de invenção envolvendo o glifosato sob domínio da Monsanto. Elas tratam, por exemplo, de diferentes formulações, armazenamento, remessa, processos para produção e preparação de glifosato e até métodos para produzir plantas tolerantes ao produto. Isto permite à empresa dominar praticamente todas as etapas de produção do herbicida.

Fonte: Diario de Cuiaba. 14 de fevereiro de 2011.

sábado, 5 de março de 2011

SEMINARIO INTERNACIONAL ALTERNATIVAS AL DESARROLLO: EN, DESDE Y PARA AMÉRICA LATINA

Convocatoria para ponencias al

FECHAS DEL EVENTO: 8 Y 9 DE SEPTIEMBRE 2011

LUGAR DEL EVENTO: Universidad Pontificia Bolivariana, Laureles, Medellín, Colombia

EJES TEMÁTICOS:

• Aspectos teóricos y prácticos necesarios para reflexionar y construir alternativas AL desarrollo

• Iniciativas como decrecimiento, Buen vivir, economía solidaria y pos-desarrollo ¿representan alternativas AL desarrollo?

• Experiencias de los sectores productivos y las organizaciones de base que se consideran alternativas AL desarrollo

• Conocimiento tradicional y pensamiento ambiental: ¿aportes para construir alternativas AL desarrollo?

Requisitos para presentar las ponencias

Resumen

• Información básica: Nombre, mail, institución, profesión, título de la ponencia, resumen y max. 5 palabras claves

• Máximo 1.500 caracteres o 300 palabras, en formato .doc

• Fecha límite de entrega al correo alternativasaldesarrollo@gmail.com : 8 de abril

• Entrega de resultados: 15 de abril

Para las ponencias aceptadas

• Máximo 40.000 caracteres o 7.000 palabras

• Fecha límite de entrega: 22 de agosto

o Entrega de: documento en formato .doc y presentación en formato .ppt al correo alternativasaldesarrollo@gmail.com

• Normas para la entrega del documento en extenso:

o Citación y referencias bibliográficas en normas APA

• El tiempo de presentación para cada ponencia será de 20 minutos

Las mejores ponencias escritas que hayan pasado por un comité de evaluadores serán publicados como capítulos de un libro, junto a las conferencias magistrales.

Agradecemos también el apoyo a una amplia divulgación de esta convocatoria.

Cualquier duda o inquietud dirigirse a: alternativasaldesarrollo@gmail.com