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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Agrotóxicos em hortaliças

DIARIO.COM.BR

Pimentões vendidos pelo Ceasa são reprovados em análise com agrotóxicos
Amostras de alface também passaram pelo teste, mas não apresentaram problemas.

Verduras e legumes das Centrais de Abastecimento do Estado (Ceasa) estão sendo monitorados para verificar se apresentam problemas com agrotóxicos, embalagens e rótulos. Alface e pimentão foram os primeiros produtos analisados. Três amostras de pimentão foram reprovadas.

Na primeira análise, cinco amostras de alface e cinco de pimentão foram testadas. Os lotes de alface não apresentaram problemas. Já em três amostras de pimentão havia agrotóxicos indevidos para a cultura da hortaliça.

O presidente do Ceasa, Ari João Martendal, ainda não teve acesso ao resultado da análise, mas explicou que nem sempre agrotóxicos indevidos para uma cultura são irregulares.

— Às vezes é permitido o uso de agrotóxicos similares. Mas não posso afirmar se é o caso das amostras de pimentões. Para gente é um alívio muito grande que não foram encontrados agrotóxicos proibidos ou contrabandeados, que podem ser cancerígenos — diz.

Nesta semana, foram coletadas cinco amostras de tomate e cinco de morango. O laudo deve ser divulgado em dez dias. Os alimentos estão sendo escolhidos pelo histórico de problemas com agrotóxicos.

De acordo com o promotor Rodrigo Cunha Amorim, os pimentões são de fornecedores de São Paulo, Paraná e Espírito Santo. Eles serão notificados e só poderão voltar a fornecer produtos para o Ceasa depois que regularizarem a situação.

A medida faz parte do Termo de Ajustamento de Conduta entre Ceasa e o Ministério Público de Santa Catarina e deve se tornar rotina. A coleta dos alimentos foi feita em outubro, pela Vigilância Sanitária Estadual, com apoio do Centro de Apoio Operacional do Consumidor do Ministério.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Contaminação: encontrados traços de Endosulfan na safra de soja orgânica

http://www.chega.org/pt/chega/os-agricultores-tomam-iniciativa/


Foram encontrados traços de Endosulfan na safra de soja orgânica dos agricultores de Capanema. No início, a suspeita era de que os agricultores teriam usado o pesticida. Mas as análises revelaram que eles eram inocentes: a agricultura convencional com influência das chuvas provocou a contaminação.

Em um intervalo de dois dias após a aplicação de Endosulfan, aproximadamente 70% do veneno evapora das plantas e do solo. Com a chuva e a neblina (contaminação úmida), assim como através da poeira (contaminação seca), a maior parte do veneno se espalha pela atmosfera poluindo rios, lagos, florestas e as plantações orgânicas dos agricultores de Capanema. O Endosulfan se espalha rapidamente por grandes áreas. Por isso, ele pode ser encontrados em Áreas de Proteção Ambiental como o Parque do Iguaçu, assim como no deserto do Saara e até mesmo na Antártica. Além disso, o Endosulfan se acumula nas móleculas de gordura das plantas e animais; os grãos de soja são mais propensos a acumular o Endosulfan devido ao seu alto nível de óleo.


Grande quantidade de Endosulfan em circulação

No ano passado, o Brasil importou o dobro da quantidade de Endosulfan do que em anos anteriores. Este aumento, provavelmente ocorreu devido à proximidade da data de proibição do uso do produto. Grandes áreas de cultura orgânica foram contaminadas por Endosulfan, comprometendo o negócio de orgânicos em Capanema. Veja a figura abaixo para entender o processo.


Endosulfan na agricultura orgânica

Considerando que 4% das terras aráveis da região de Capanema são cultivados de acordo com princípios da agricultura orgânica, podemos estimar que 4% dos 3.800 Kg de Endosulfan foram absorvidos pelas 3.400 toneladas de soja orgânica produzida na região. Sendo assim, pode-se concluir que existe uma média de 0,045 microgramas de Endosulfan por quilo de soja orgânica

A quantidade exata de Endosulfan que contaminou os rios, o solo e a floresta é desconhecida. Porém a contaminação dos lençóis aquáticos por Endosulfan é certa, já que 100% dos testes em amostras de água da região identificaram a presença de Endosulfan


Talvez seja tarde para banir o Endosulfan

O Endosulfan já foi banido em mais de 60 países. O lobby dos produtores de pesticidas, assim como o lobby das indústrias agrícolas, é contra o banimento global do Endosulfan. Especialistas no tema acreditam que a indústria de pesticidas tentará se livrar de seus estoques de Endosulfan antes do banimento. De acordo com a toxicologista Rosany Bochner do Instituo Fiocruz, o Brasil poderá tornar-se o local de "despejo" deste veneno e de todos os outros venenos que são proibidos no restante do mundo e liberados no Brasil. Os agricultores orgânicos de Capanema já começaram a sentir os efeitos deste problema. O banimento de Endosulfan no Brasil em 2013, chegará tarde para eles.