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quinta-feira, 8 de julho de 2010

Agrotóxicos no Brasil

Jornal Vetquimica - 06/05/2010

Uso de defensivos bate recorde no país

São Paulo - A agricultura brasileira nunca usou tanto defensivo quanto em 2009. Apesar de o mercado ter encolhido 7% em receita em relação a 2008, para US$ 6,62 bilhões, o volume de produtos utilizados nas lavouras deu um salto de 7,6% e ultrapassou, pela primeira vez, a marca de 1 milhão de toneladas vendidas em um único ano. As indústrias de defensivos negociaram em 2009 um volume de 1,06 milhão de toneladas - no ano anterior haviam comercializado 986,5 mil toneladas , segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Agrícola (Sindag). Isso significa o equivalente a uma utilização de 22,3 quilos de defensivos por hectare na safra 2009/10, um volume 7,8% maior do que o teria sido aplicado em 2008/9 (20,7 quilos por hectare), considerando a venda de 986,5 mil toneladas em 2008. Um dos motivos para o aumento no consumo é que o produtor estava um pouco mais capitalizado que em anos anteriores na safra que está em fase final de colheita. Com mais recursos, foi possível elevar o uso de tecnologia nas lavouras, o que contribuiu para uma safra recorde de 146,3 milhões de toneladas, mesmo com uma redução de 74 mil hectares e plantio total de 47,6 milhões de hectares. A categoria de herbicida, usada para controlar a infestação de ervas daninhas, foi a mais vendida em 2009, com um volume de 632,2 mil toneladas, aumento de 9,9%. A queda no preço do glifosato - principal herbicida do mercado - fez com que a receita nessa categoria recuasse 21,7% para US$ 2,5 bilhões em comparação a 2008, segundo o Sindag. Mas o destaque nas vendas ficou por conta dos fungicidas. O aumento da incidência da ferrugem da soja no Sul e Centro-Oeste elevou a demanda para 127,8 mil toneladas, um cr escimento de 14,8%. Em receita, a categoria foi uma das poucas a ter um resultado positivo, com crescimento de 13,8% e faturamento de US$ 1,8 bilhão. A soja também foi a responsável pelo aumento no consumo total de defensivos e por evitar um desempenho ainda pior na receita da indústria no ano passado. Os 23,2 milhões de hectares semeados com o grão receberam 530,1 mil toneladas de defensivos, elevando em 18% o volume consumido. Diante do aumento da demanda, principalmente de fungicida, as vendas para os produtores de soja renderam ao setor US$ 3,12 bilhões, um incremento de 2,6%. A demanda por defensivos por parte dos produtores de milho ficou praticamente estável em 2009 em 143,7 mil toneladas (queda de 0,4%). Já os produtores de cana reduziram em 8,6% o uso de produtos químicos para 70,9 mil toneladas no ano passado, enquanto os cotonicultores elevaram a utilização para 69,6 mi l toneladas, 13,8% a mais do que no ano anterior. O aumento no algodão ocorre mesmo com a área plantada tendo se mantido praticamente estável na safra 2009/10 em 836 mil hectares. (Valor On Line)


Jornal Vetquimica - 11/05/2010 –

Agrotóxicos: Mercado crescente e concentrado

As despesas com agrotóxicos no Brasil em 2008 foram US$ 7 bilhões. Metade do valor foi gasto com herbicidas e o restante com inseticidas e fungicidas, num volume acima de 730 milhões de toneladas. O consumo mundial de agrotóxicos cresceu 50% nos últimos dez anos e passou de US$ 40 bilhões, conforme os dados levantados pela UFPR. O maior mercado é o da Europa, com 32%, seguido pela Ásia e pela América do Norte, com 23% e 22%. A América Latina fica em último lugar nessas contas, com 19%. Por representar 84% do comércio de defensivos agrícolas na região, o Brasil aparece como maior consumidor isolado. O país ultrapassou os Estados Unidos em 2008, numa diferença de 733,9 para 646 milhões de toneladas, conforme a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O consumo brasi leiro aumentou a uma velocidade três vezes maior que a mundial e passou dos US$ 7 bilhões em 2008. As mais de 50 fusões e aquisições registradas na última década ajudaram a concentrar as vendas internacionais nas mãos de seis empresas. Syngenta e Bayer se revezam na primeira posição, com perto de 40% do mercado. Basf e Monsanto, que somam outros 20%, disputam o terceiro posto. Dow e DuPont estão na terceira escala, com participações entre 5% e 10%. Juntas, as seis maiores indústrias têm dois terços do mercado. No Brasil, as duas maiores empresas têm 35% do mercado, as quatro maiores somam 55% e, considerando as oito líderes em vendas, o índice chega a 78%. Esses números foram coletados pela UFPR junto às próprias empresas e consideram as vendas de defensivos e sementes. Com a expansão do mercado de sementes t ransgênicas, o setor investe cada vez mais nesse tipo de produto. Monsanto e DuPont ganham mais com produtos geneticamente modificados do que com inseticidas, fungicidas e herbicidas, principais fontes de renda da Bayer, da Syngenta e da Basf. (Gazeta do Povo)

Jornal Vetquimica - 11/05/2010

11/05 - Observatório faz diagnóstico dos agrotóxicos

Trabalho da UFPR mostra que produção e importação vêm aumentando a passos largos e que o país desconhece o setor. Um observatório do mercado internacional de agrotóxicos foi criado por pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) para revelar em detalhes as relações do setor e orientar a política do Brasil enquanto maior consumidor do mundo desses produtos. Os primeiros dados indicam forte crescimento na produção e na importação e descontrole do país sobre esse fenômeno, que é economicamente positivo, mas que preocupa pelo impacto ambiental e pela relação com a saúde pública mundial. “Muitos produtos entram no país registrados na categoria de ‘outros’. A regularização está ocorrendo agora e vai most rar dados surpreendentes”, afirma o professor Victor Pelaez, líder do grupo de dez pesquisadores que trabalha no programa, do De¬partamento de Economia. Sem códigos específicos, não é possível medir a entrada de cada formulado, aponta. O estudo recorreu ao banco de dados de comércio das Nações Unidas, o Comtrade, para aferir estatísticas gerais. O trabalho foi encomendado pela Agência Nacional de Vigi¬lância Sanitária (Anvisa), órgão do Ministério da Saúde – um dos três controladores dos agrotóxicos no país, ao lado dos Mi¬¬nistérios da Saúde e do Meio Ambiente. A Anvisa alega sofrer forte pressão para liberação de novos produtos e contra a revisão de 14 registros. Com os primeiros resultados da pesquisa em mãos, o diretor da agência, José &A acute;lvares, pediu maior comprometimento da indústria. O Brasil ampliou a produção e está entre os cinco maiores importadores de agrotóxicos. Gasta cerca de US$ 3,5 bilhão por ano no exterior só com produtos técnicos e formulados. Esse valor vem se multiplicando nesta década. Dependendo do critério de análise, a participação brasileira vai de 5% a 16% do mercado internacional. Esses índices abrangem a produção nacional, que também cresce a passos largos, com investimentos milionários das multinacionais em fábricas e pesquisas dentro do país. As indústrias preferem discutir o assunto através das organizações que representam o setor. Os números não diferem muito dos apresentados pela UFPR. Contratada pela As¬¬sociação Nacional de Defesa Vegetal, a Andef, a consultor ia alemã Kleffmann Group concluiu ano passado que o país gastou US$ 7,1 bilhões na compra de agrotóxicos em 2008 – US$ 600 milhões a mais que os Estados Unidos, primeiro colocado até 2007. Para a Andef, é preciso relativizar a liderança. Se for considerado o consumo por hectare, o Brasil ainda usa menos agrotóxicos que o Japão, onde os produtores gastam até dez vezes mais com defensivos agrícolas em áreas de tamanhos similares. O Sindicato Nacional da In¬¬dústria para a Defesa Agrícola (Sindag) informa que, em 2009, o gasto com defensivos caiu 7% no Brasil, para US$ 6,6 bilhões. No entanto, em volume, houve aumento de 7,6%, de 986 mil para 1,06 milhão de toneladas. Os técnicos das indústrias argumentam que, por ser um país tropical, com uma diversidade agroclimática bem maior que a dos outros importantes p rodutores agrícolas, o Brasil precisa de mais agrotóxicos para controlar insetos, fungos e ervas daninhas. “O aumento da produtividade verificado no país só vem sendo alcançado graças às novas tecnologias, que incluem o uso de defensivos mais eficientes”, disse um agrônomo que atua no Paraná e no Cerrado, e preferiu não se identificar. Na safra passada, o crescimento foi de 1,6 quilos de agrotóxicos por hectare, para 22,3 kg/ha. Os estudos da UFPR devem se tornar permanentes a partir de agora. Uma das questões que os pesquisadores vão tentar desvendar é o impacto do mercado de registros no setor. “Quando uma empresa consegue registrar um produto no Brasil, suas ações sobem”, frisa Pelaez. Ele afirma que esse estudo é essencial para que o país avalie sua atuação na liberação de novos produtos . A pressa das indústrias, relacionada à necessidade dos produtores de adotar as tecnologias mais eficientes disponíveis, também tem seu lado financeiro, observa. (Gazeta do Povo)

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