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segunda-feira, 31 de maio de 2010

quinta-feira, 27 de maio de 2010

NÃO COMA FEIJÃO DE SOJA

Entrevista com Sonia Hirsch (*)
(*) pesquisadora, jornalista e escritora
especializada em promoção da saúde

Sonia Hirsch, você agora é contra a soja?
Nunca fui a favor, a não ser nas formas fermentadas: misso, shoyu, tempê, natô. Já no meu primeiro livro, Prato feito, que é de 1983, aviso que a soja não deve ser consumida como feijão.

Mas seus livros dão muitas receitas de tofu.

Tofu é bom de vez em quando, porque parte da acidez da soja sai no soro. O tofu é feito de leite de soja talhado. Funciona muito bem para substituir o queijo quando a gente está querendo parar de comer laticínios, mas não dá para abusar. O mundinho natural e macrô adora, mas eu mesma como pouco, porque minha pele não gosta.

E a carne de soja? Você dá uma receita de picadinho de carne de soja no Prato feito.


Essa receita foi uma exceção, é a única que você encontra em todo o meu trabalho. Está lá como uma homenagem ao Bira, cozinheiro macrô que morou muito tempo no Rio e ficou famoso pelo picadinho. Eu mesma já não gostava de carne de soja na época, início dos anos 80; achava aquele negócio muito esquisito. Mas o Bira fez o picadinho num evento do Circo Voador na Quinta da Boa Vista, a galera gostou e eu pensei: vou botar a receita, afinal ele merece... Depois fiz a autocrítica no próprio livro, a partir da décima edição. Demorou...

Mas afinal, por que você está revoltada com a soja?

Estou revoltada com o uso que estão fazendo dela. Porque o consumo liberal de soja é muito prejudicial à saúde, tanto em forma de comida e bebida quanto em fórmulas farmacêuticas para suplementação hormonal.

Prejudicial, como assim? A soja não é o tesouro da Ásia?

O cultivo da soja na Ásia é muito antigo, tanto que ela é um dos cinco grãos sagrados dos chineses, junto com arroz, trigo, cevada e painço; mas não para fins alimentares. Seu dom é agrícola. Por ser muito rica em proteínas, a soja, que é uma leguminosa como todos os feijões, é também muito rica em nitrogênio, elemento essencial para a fertilidade do solo. Plantar a soja entre as outras culturas e cortá-la quando as favas de feijão se formam, deixando-a apodrecer no solo, traz o maior benefício para a lavoura. Sem ela a terra se esgotaria. Como alimento, porém, ela tem inúmeros inconvenientes. Como todos os feijões, mas muito mais acentuados.

Os feijões são inconvenientes?

Hipócrates já dizia que os feijões são tão ricos em nutrientes que poderíamos viver só deles - se não fossem tão tóxicos. Por isso, recomendava comer os feijões em pequena quantidade e sempre acompanhados por algum cereal, para equilibrá-los. A uma pessoa doente, Hipócrates proibia os feijões. O dr. Barcellos, médico, em sua dieta contra o câncer e todas as alergias, proíbe os feijões todos. Inclusive o amendoim e os feijões verdes, como a vagem, a ervilha fresca, o petit-pois. Aponta como problema a qualidade extremamente ácida e tóxica das proteínas dos feijões. E realmente, se você pára de comer feijão as indisposições melhoram. Feijão é coisa para gente saudável!

Mas e a soja?

Então, a soja é o mais protéico de todos os feijões, por isso o mais tóxico. Hoje existem muitos estudos esclarecendo vários pontos.
=Um: a soja contém altos níveis de ácido fítico, ou fitatos, que reduzem a assimilação de cálcio, magnésio, cobre, ferro e zinco em adultos ecrianças, prejudicando a saúde e o crescimento. E os métodos convencionais, como deixar de molho, germinar os grãos ou cozinhar longamente em fogo baixo, não neutralizam o ácido fítico da soja; somente a fermentação tem esse poder.
=Dois: a soja contém inibidores de tripsina que interferem na digestão das proteínas e podem causar distúrbios pancreáticos e retardo no crescimento.
=Três: desde 1953 é conhecido o impacto negativo das isoflavonas sobre a saúde humana. A esse respeito, você encontra uma lista de 150 estudos científicos que não podem ser ignorados em

http://www.westonaprice.org


Mas as isoflavonas não são fitoestrógenos, bons para reposição hormonal?

Os fitoestrógenos da soja atrapalham as funções endócrinas, têm o potencial de causar infertilidade e de promover câncer de seio em mulheres adultas. São poderosos agentes inibidores da tiróide, causando hipotiroidismo e podendo provocar câncer de tiróide.

Nesse caso, as mulheres japonesas, que consomem tanta soja, não deveriam estar mal de saúde?

Pra começar, elas não consomem tanta soja; vivem muito mais de arroz, algas marinhas, vegetais, peixes e frutos do mar. Da soja usam basicamente misso, que é a massa fermentada e salgada de soja; shoyu ou tamari, que são molhos fermentados de soja; e nattô, que é o próprio feijão de soja fermentado, com gosto e sabor fortíssimos. Aqui, ao contrário, as pessoas estão usando qualquer coisa de soja achando que é bom - leite de soja, tofu, proteína de soja, extratos de soja. Uma japonesa obtém da soja uma média de 10 mg de isoflavonas por dia. As brasileiras estão ingerindo por dia 150 mg de isoflavonas (genisteína, genistina, daidzaína) em cápsulas, ou seja, dez vezes mais do que a média das japoneses consome.

Mas elas têm menos câncer de seios e ovários.

Sim, mas é porque a alimentação delas, como um todo, é menos rica em estrogênio e seus análogos do que a dieta ocidental, abundante demais em leite, laticínios, carne vermelha, frango e ovos, todos conectadíssimos ao surgimento de doenças crônicas e degenerativas.

E os milhões de crianças que se alimentam de leite de soja, correm algum risco?

Vários. Um deles é o desenvolvimento de distúrbios na tiróide. Não sei se você notou que há uma epidemia de problemas na tiróide hoje em dia. De onde vem isso? Do stress, mas também da alimentação. Um estudo mostra que bastam 30 g de tofu por dia, durante um mês, para causar problemas na tiróide.
Um ponto positivo parece ser a presença de uma forma de vitamina B12 na soja...
A vitamina B12 só existe nos organismos animais. A gente produz B12 dentro do corpo. Nos vegetais você a encontra em uma ou outra microalga, ou então em forma análoga. Acontece que os análogos da vitamina B12 que a soja contém não são absorvidos e ainda aumentam a necessidade de B12 no organismo. Pior: comidas à base de soja aumentam também a necessidade de vitamina D.

E a proteína da soja, serve para alguma coisa?

Não entendo por que alguém vai querer uma proteína tão desnaturada, já que é processada em alta temperatura até virar proteína isolada de soja, proteína vegetal texturizada. O processamento da proteína de soja resulta na formação da tóxica lisinoalanina e das altamente carcinogênicas nitrosaminas. Fora um conteúdo extra de alumínio em grande quantidade - e o alumínio é tóxico para o sistema nervoso, para os rins, para a medula óssea...

Você tem mais algum horror pra contar sobre a soja?

Só mais um: o ácido glutâmico livre, MSG, GMS, glutamato monossódico ou simplesmente glutamato de sódio, é uma poderosa neurotoxina formada naturalmente durante o processamento da soja. Estimula a tal ponto nossos receptores de sabor no cérebro que pode matar neurônios. São documentados os casos de morte súbita por excitotoxinas, outro apelido dessas neurotoxinas, entre as quais se inclui o aspartame. Ainda assim, esse derivado da soja está espalhado por inúmeros produtos industrializados (bem como o aspartame). E nos próprios alimentos à base de soja, mais glutamato é adicionado para realçar o sabor sem que seja preciso avisar no rótulo, já que se trata de um derivado "natural" da soja, então a lei dispensa.

Como se pode evitar o consumo de glutamato?

Lendo os rótulos, evitando produtos industrializados, preferindo comer o que está ainda na sua forma natural. E, num restaurante japonês, pedindo missoshiro sem ajinomoto, que é o próprio glutamato. Eles tentam recusar, porque a sopa de misso já está pronta, mas você repete com firmeza e eles preparam outra na hora. Não existe nada mais fácil, saudável e nutritivo do que uma missoshiro: o lado maravilhoso da soja.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Consulta Pública da Instrução Normativa - Produtos fitossanitários para a agricultura orgânica

Foi aberta a Consulta Pública da Instrução Normativa Conjunta - Produtos fitossanitários com uso aprovado para a agricultura orgânica, aguardamos sugestões.

Assunto: Minuta sobre Instrução Normativa que aprova os procedimentos de registro de produtos fitossanitários com uso aprovado para a agricultura orgânica, conforme previsto no Decreto Nº 6.913, de 23 de julho de 2009, que acresce dispositivos ao Decreto Nº 4.074, de 4 de janeiro de 2002.

Prazo: Disponível para consulta pública pelo prazo de 30 (trinta) dias, a contar a partir de 18 de maio de 2010, data da publicação da portaria que autoriza a consulta no DOU.

As sugestões, tecnicamente fundamentadas, deverão ser encaminhadas, por escrito, para a Diretoria de Qualidade Ambiental, situada no SCEN Trecho 2, Edifício Sede do Ibama, bloco C, CEP 70818-900, Brasília/DF, ou para o endereço eletrônico cgasq.sede@ibama.gov.br, ou fax: (61) 3316-1355.

A minuta e as informações estão disponíveis no site do IBAMA no link http://www.ibama.gov.br/servicos/consulta-publica.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Exposição a agrotóxicos organofosforados pode contribuir para o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)

Link para acesso:
http://www.ecodebate.com.br/2010/05/18/exposicao-a-agrotoxicos-organofosforados-\
pode-contribuir-para-o-transtorno-de-hiperatividade-com-deficit-de-atencao-thda/
_______________________________________________________




[Por Henrique Cortez, do Ecodebate]

Uma equipe de cientistas da Universidade de Montreal e da Universidade de Harvard descobriram que a exposição a agrotóxicos organofosforados está associada ao aumento do risco de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) em crianças.
Publicadao na revista Pediatrics, a pesquisa [Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder and Urinary Metabolites of Organophosphate Pesticides] descobriu uma ligação entre a exposição a pesticidas e a presença de sintomas de TDAH. O estudo foi realizado com 1139 crianças, de acordo com uma amostra da da população geral dos EUA, e mediu os níveis de pesticidas em sua urina. Os autores concluiram que a exposição a pesticidas organofosforados, em níveis comumente encontrados em crianças nos EUA, pode contribuir para o diagnóstico de TDAH.

"Estudos anteriores mostraram que a exposição a alguns compostos organofosforados causar hiperatividade e déficit cognitivo em animais", diz o autor Maryse F. ouchard, da Universidade de Montreal, Departamento de Meio Ambiente e Saúde do Trabalho no Sainte-Justine Hospital Research Center. "Nosso estudo encontrou que a exposição a organofosforados no desenvolvimento de crianças pode ter efeitos sobre os sistemas neurais e pode contribuir para comportamentos tipicamente diagnosticados em TDAH, tais como desatenção,hiperatividade e impulsividade."

O estudo foi financiado pelo Canadian Institutes for Health Research e pelo
National Institute of Environmental Health Sciences (EUA).

O estudo "Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder and Urinary Metabolites of Organophosphate Pesticides," publicado na revista Pediatrics, foi elaborado por Maryse F. Bouchard, University of Montreal and Harvard University e por David C.
Bellinger, Robert O. Wright, and Marc G. Weisskopf da Harvard University.

O artigo está disponível para acesso integral e gratuíto. Para acessar o artigo,
no formato PDF, clique aqui.

Para maiores informações transcrevemos, abaixo, o abstract.

Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder and Urinary Metabolites of
Organophosphate Pesticides
Maryse F. Bouchard, PhDa,b, David C. Bellinger, PhDa,c, Robert O. Wright, MD,
MPHa,d,e, Marc G. Weisskopf, PhDa,e,f

Departments of aEnvironmental Health and
fEpidemiology, School of Public Health, Harvard University, Boston,
Massachusetts;
bDepartment of Environmental and Occupational Health, Faculty of Medicine,
University of Montreal, Montreal, Quebec, Canada;
Departments of cNeurology and
dPediatrics, School of Medicine, Harvard University, and Boston Children's
Hospital, Boston, Massachusetts; and
eChanning Laboratory, Department of Medicine, School of Medicine, Harvard
University, and Brigham and Women's Hospital, Boston, Massachusetts

Objective
The goal was to examine the association between urinary concentrations of
dialkyl phosphate metabolites of organophosphates and
attention-deficit/hyperactivity disorder (ADHD) in children 8 to 15 years of
age.

Methods
Cross-sectional data from the National Health and Nutrition Examination Survey
(2000–2004) were available for 1139 children, who were representative of the
general US population. A structured interview with a parent was used to
ascertain ADHD diagnostic status, on the basis of slightly modified criteria
from the Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fourth Edition.

Results
One hundred nineteen children met the diagnostic criteria for ADHD. Children
with higher urinary dialkyl phosphate concentrations, especially dimethyl
alkylphosphate (DMAP) concentrations, were more likely to be diagnosed as having
ADHD. A 10-fold increase in DMAP concentration was associated with an odds ratio
of 1.55 (95% confidence interval: 1.14–2.10), with adjustment for gender, age,
race/ethnicity, poverty/income ratio, fasting duration, and urinary creatinine
concentration. For the most-commonly detected DMAP metabolite, dimethyl
thiophosphate, children with levels higher than the median of detectable
concentrations had twice the odds of ADHD (adjusted odds ratio: 1.93 [95%
confidence interval: 1.23–3.02]), compared with children with undetectable
levels.

Conclusions
These findings support the hypothesis that organophosphate exposure, at levels
common among US children, may contribute to ADHD prevalence. Prospective studies
are needed to establish whether this association is causal.

PEDIATRICS (doi:10.1542/peds.2009-3058)

Por Henrique Cortez, do Ecodebate, 18/05/2010, com informações de
Sylvain-Jacques Desjardins, Université de Montréal.

Um alerta de saúde pública

Jornal Vetquimica - 06/05/2010

Uso de defensivos bate recorde no país

São Paulo - A agricultura brasileira nunca usou tanto defensivo quanto em 2009. Apesar de o mercado ter encolhido 7% em receita em relação a 2008, para US$ 6,62 bilhões, o volume de produtos utilizados nas lavouras deu um salto de 7,6% e ultrapassou, pela primeira vez, a marca de 1 milhão de toneladas vendidas em um único ano. As indústrias de defensivos negociaram em 2009 um volume de 1,06 milhão de toneladas - no ano anterior haviam comercializado 986,5 mil toneladas , segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Agrícola (Sindag). Isso significa o equivalente a uma utilização de 22,3 quilos de defensivos por hectare na safra 2009/10, um volume 7,8% maior do que o teria sido aplicado em 2008/9 (20,7 quilos por hectare), considerando a venda de 986,5 mil toneladas em 2008. Um dos motivos para o aumento no consumo é que o produtor estava um pouco mais capitalizado que em anos anteriores na safra que está em fase final de colheita. Com mais recursos, foi possível elevar o uso de tecnologia nas lavouras, o que contribuiu para uma safra recorde de 146,3 milhões de toneladas, mesmo com uma redução de 74 mil hectares e plantio total de 47,6 milhões de hectares. A categoria de herbicida, usada para controlar a infestação de ervas daninhas, foi a mais vendida em 2009, com um volume de 632,2 mil toneladas, aumento de 9,9%. A queda no preço do glifosato - principal herbicida do mercado - fez com que a receita nessa categoria recuasse 21,7% para US$ 2,5 bilhões em comparação a 2008, segundo o Sindag. Mas o destaque nas vendas ficou por conta dos fungicidas. O aumento da incidência da ferrugem da soja no Sul e Centro-Oeste elevou a demanda para 127,8 mil toneladas, um cr escimento de 14,8%. Em receita, a categoria foi uma das poucas a ter um resultado positivo, com crescimento de 13,8% e faturamento de US$ 1,8 bilhão. A soja também foi a responsável pelo aumento no consumo total de defensivos e por evitar um desempenho ainda pior na receita da indústria no ano passado. Os 23,2 milhões de hectares semeados com o grão receberam 530,1 mil toneladas de defensivos, elevando em 18% o volume consumido. Diante do aumento da demanda, principalmente de fungicida, as vendas para os produtores de soja renderam ao setor US$ 3,12 bilhões, um incremento de 2,6%. A demanda por defensivos por parte dos produtores de milho ficou praticamente estável em 2009 em 143,7 mil toneladas (queda de 0,4%). Já os produtores de cana reduziram em 8,6% o uso de produtos químicos para 70,9 mil toneladas no ano passado, enquanto os cotonicultores elevaram a utilização para 69,6 mi l toneladas, 13,8% a mais do que no ano anterior. O aumento no algodão ocorre mesmo com a área plantada tendo se mantido praticamente estável na safra 2009/10 em 836 mil hectares. (Valor On Line)


Jornal Vetquimica - 11/05/2010 –

Agrotóxicos: Mercado crescente e concentrado

As despesas com agrotóxicos no Brasil em 2008 foram US$ 7 bilhões. Metade do valor foi gasto com herbicidas e o restante com inseticidas e fungicidas, num volume acima de 730 milhões de toneladas. O consumo mundial de agrotóxicos cresceu 50% nos últimos dez anos e passou de US$ 40 bilhões, conforme os dados levantados pela UFPR. O maior mercado é o da Europa, com 32%, seguido pela Ásia e pela América do Norte, com 23% e 22%. A América Latina fica em último lugar nessas contas, com 19%. Por representar 84% do comércio de defensivos agrícolas na região, o Brasil aparece como maior consumidor isolado. O país ultrapassou os Estados Unidos em 2008, numa diferença de 733,9 para 646 milhões de toneladas, conforme a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O consumo brasi leiro aumentou a uma velocidade três vezes maior que a mundial e passou dos US$ 7 bilhões em 2008. As mais de 50 fusões e aquisições registradas na última década ajudaram a concentrar as vendas internacionais nas mãos de seis empresas. Syngenta e Bayer se revezam na primeira posição, com perto de 40% do mercado. Basf e Monsanto, que somam outros 20%, disputam o terceiro posto. Dow e DuPont estão na terceira escala, com participações entre 5% e 10%. Juntas, as seis maiores indústrias têm dois terços do mercado. No Brasil, as duas maiores empresas têm 35% do mercado, as quatro maiores somam 55% e, considerando as oito líderes em vendas, o índice chega a 78%. Esses números foram coletados pela UFPR junto às próprias empresas e consideram as vendas de defensivos e sementes. Com a expansão do mercado de sementes t ransgênicas, o setor investe cada vez mais nesse tipo de produto. Monsanto e DuPont ganham mais com produtos geneticamente modificados do que com inseticidas, fungicidas e herbicidas, principais fontes de renda da Bayer, da Syngenta e da Basf. (Gazeta do Povo)

Jornal Vetquimica - 11/05/2010

Observatório faz diagnóstico dos agrotóxicos

Trabalho da UFPR mostra que produção e importação vêm aumentando a passos largos e que o país desconhece o setor. Um observatório do mercado internacional de agrotóxicos foi criado por pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) para revelar em detalhes as relações do setor e orientar a política do Brasil enquanto maior consumidor do mundo desses produtos. Os primeiros dados indicam forte crescimento na produção e na importação e descontrole do país sobre esse fenômeno, que é economicamente positivo, mas que preocupa pelo impacto ambiental e pela relação com a saúde pública mundial. “Muitos produtos entram no país registrados na categoria de ‘outros’. A regularização está ocorrendo agora e vai most rar dados surpreendentes”, afirma o professor Victor Pelaez, líder do grupo de dez pesquisadores que trabalha no programa, do De¬partamento de Economia. Sem códigos específicos, não é possível medir a entrada de cada formulado, aponta. O estudo recorreu ao banco de dados de comércio das Nações Unidas, o Comtrade, para aferir estatísticas gerais. O trabalho foi encomendado pela Agência Nacional de Vigi¬lância Sanitária (Anvisa), órgão do Ministério da Saúde – um dos três controladores dos agrotóxicos no país, ao lado dos Mi¬¬nistérios da Saúde e do Meio Ambiente. A Anvisa alega sofrer forte pressão para liberação de novos produtos e contra a revisão de 14 registros. Com os primeiros resultados da pesquisa em mãos, o diretor da agência, José &A acute;lvares, pediu maior comprometimento da indústria. O Brasil ampliou a produção e está entre os cinco maiores importadores de agrotóxicos. Gasta cerca de US$ 3,5 bilhão por ano no exterior só com produtos técnicos e formulados. Esse valor vem se multiplicando nesta década. Dependendo do critério de análise, a participação brasileira vai de 5% a 16% do mercado internacional. Esses índices abrangem a produção nacional, que também cresce a passos largos, com investimentos milionários das multinacionais em fábricas e pesquisas dentro do país. As indústrias preferem discutir o assunto através das organizações que representam o setor. Os números não diferem muito dos apresentados pela UFPR. Contratada pela As¬¬sociação Nacional de Defesa Vegetal, a Andef, a consultor ia alemã Kleffmann Group concluiu ano passado que o país gastou US$ 7,1 bilhões na compra de agrotóxicos em 2008 – US$ 600 milhões a mais que os Estados Unidos, primeiro colocado até 2007. Para a Andef, é preciso relativizar a liderança. Se for considerado o consumo por hectare, o Brasil ainda usa menos agrotóxicos que o Japão, onde os produtores gastam até dez vezes mais com defensivos agrícolas em áreas de tamanhos similares. O Sindicato Nacional da In¬¬dústria para a Defesa Agrícola (Sindag) informa que, em 2009, o gasto com defensivos caiu 7% no Brasil, para US$ 6,6 bilhões. No entanto, em volume, houve aumento de 7,6%, de 986 mil para 1,06 milhão de toneladas. Os técnicos das indústrias argumentam que, por ser um país tropical, com uma diversidade agroclimática bem maior que a dos outros importantes p rodutores agrícolas, o Brasil precisa de mais agrotóxicos para controlar insetos, fungos e ervas daninhas. “O aumento da produtividade verificado no país só vem sendo alcançado graças às novas tecnologias, que incluem o uso de defensivos mais eficientes”, disse um agrônomo que atua no Paraná e no Cerrado, e preferiu não se identificar. Na safra passada, o crescimento foi de 1,6 quilos de agrotóxicos por hectare, para 22,3 kg/ha. Os estudos da UFPR devem se tornar permanentes a partir de agora. Uma das questões que os pesquisadores vão tentar desvendar é o impacto do mercado de registros no setor. “Quando uma empresa consegue registrar um produto no Brasil, suas ações sobem”, frisa Pelaez. Ele afirma que esse estudo é essencial para que o país avalie sua atuação na liberação de novos produtos . A pressa das indústrias, relacionada à necessidade dos produtores de adotar as tecnologias mais eficientes disponíveis, também tem seu lado financeiro, observa. (Gazeta do Povo)

HOMEOPATIA NA REDE! DISSEMINE ESSA CAUSA

O cyberativismo tem sido um comportamento importante para mostrar às autoridades os interesses de cidadãos brasileiros. O Portal Ecomedicina é um ambiente desenvolvido para reunir todos os que se disponham a contribuir pela democratização ao acesso das informações e à assistência na saúde. Assuma esta atitude e se integre a uma rede de cyberativistas em prol da Homeopatia.

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segunda-feira, 17 de maio de 2010

Transgênico mata uma praga e traz outra

Folha de São Paulo - 14.05.2010

Estudo chinês mostra que algodão Bt acabou com lagartas, mas que plantações foram invadidas depois por percevejos.

Inseto, que não era alvo da toxina inserida na planta, não só afetou lavouras de algodão como também se espalhou pela fruticultura

RAFAEL GARCIA

DA REPORTAGEM LOCAL

A adoção de uma variedade de algodão transgênico por fazendeiros chineses permitiu controlar as lagartas que são a principal ameaça a essa cultura, mas foi vítima de uma reviravolta ecológica: um percevejo outrora inofensivo virou praga.
Presente na China há mais de uma década e aprovado para uso no Brasil só em 2009, o algodão transgênico Bt desfrutou de algumas boas safras.
Agora, porém, a praga emergente afeta a produtividade do vegetal e se espalha também para o cultivo de frutas, afirma um estudo de cientistas da Academia Chinesa de Agronomia.
Em artigo na revista "Science", o grupo mostra que os algodoeiros Bt estão enfrentando problemas pelo motivo inverso ao qual vinham sendo criticados por ambientalistas.
Por muito tempo, transgênicos dessa variedade foram acusados de prejudicar insetos carismáticos, como a borboleta-monarca. Os percevejos mirídeos que viraram praga na China, porém, bem poderiam ter entrado nessa categoria antes.
As plantas Bt são resistentes a algumas pragas porque têm incorporado em seu DNA um gene da bactéria Bacillus thuringiensis, produtora de toxina letal para certos insetos. Percevejos mirídeos, porém, não são afetados pelos transgênicos.
"Antes da adoção do algodão Bt, um inseticida de amplo espectro contra [a lagarta] Helicoverpa armigera reduzia as populações de mirídeos; plantações de algodão atuavam como armadilhas sem saída", escrevem o cientista Yuyuan Go e seus colegas na "Science".
O grupo, porém, não defende que a solução para o problema seja uma volta ao uso de agrotóxicos químicos do tipo mata-tudo, que costumam gerar danos ambientais mais graves. A solução, dizem, é investir no "manejo integrado de pragas" para não ter de abrir mão dos benefícios que o Bt trouxe, como evitar pragas resistentes.
"No tratamento com inseticidas, às vezes é preciso usar três ou quatro tipos diferentes", afirma Olívia Arantes, geneticista da Embrapa Meio Ambiente especialista em Bt. Segundo ela, é improvável que o Bt também fosse se revelar uma solução para uso solitário.
Antes de ser incorporada aos transgênicos, a toxina da bactéria era borrifada diretamente nas plantas. O receio de as pragas evoluírem criando resistência ao Bt, segundo ela, é pequeno, pois existem muitas variedades da proteína que constitui a toxina, permitindo que os produtores se adaptem.
Na China, o algodão Bt teve tanto sucesso no fim da década de 1990 que se disseminou até conquistar 95% das fazendas dessa cultura. No Brasil, as estatísticas são incertas, porque esse transgênico começou a ser plantado de forma "pirata" antes da aprovação. Agora, as empresas Monsanto e Dow já podem comercializar a planta Bt. A Embrapa desenvolve novas variedades, ainda em teste.
Segundo Arantes, para o país se beneficiar dessa tecnologia, é preciso dar atenção ao estudo de interações ecológicas entre pragas, disciplina que lida justamente com efeitos como o ocorrido na China. "Essa é uma área de pesquisa que já está bastante ampla", afirma.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Baixar Livros Publicados pela Nova Cartografia Social

Livros estão disponíveis em pdf no site.

http://www.novacartografiasocial.com/publicacoes.asp

Livros por série

Tradição e Ordenamento Jurídico
Gerras Ecológicas nos Babaçuais: O processo de Devastação dos Palmeiras, a Elevação do Preço de Commodities e o Aquecimento do Mercado de Terras na Amazônia
Leis do babaçu livre: práticas jurídicas das quebradeira de coco babaçu e normas correlatas
Terras Tradicionalmente Ocupadas
Terra das línguas: lei municipal de oficialização de línguas indígenas São Gabriel da cachoeira, amazonas
Terras de Faxinais
Terras Indígenas nas Cidades

Documentos de Bolso
Direito dos Povos e Comunidades Tradicionais no Brasil
Pareceres Jurídicos
Direito dos Trabalhadores Migrantes
Conhecimento Tradicional e Biodiversidade – Volume I
Conhecimento Tradicional e Biodiversidade – Volume II

Coleção Nova Cartografia Social
Antropologia dos Archivos da Amazônia
Ideologia da Decadência
Estigmatização e território: Mapeamento situacional dos indígenas em Manaus
Quilombos de Alcântara: Território e Conflito: O intrusamento do território das Comunidades Quilombolas de Alcântara pela empresa binacional Alcântara Cyclone Space.

Coleção Fórum Pan-Amazônico
Populações tradicionais questões de terra na Pan-Amazônia .
Terra urbana e território na Pan-Amazônia:
III Fórum Social Amazônico, ciudad Guayana (Venezuela

Cortina de Veneno

Dos projetos de irrigação de frutas na Chapada do Apodi, no Ceará, passando pelos plantios de tomate em Apuí, no Vale do Ribeira, aqui em São Paulo, se espalha sobre o país uma pesada cortina de veneno oriunda do uso indiscriminado de agrotóxicos para combater as pragas que assolam a nossa agricultura.

O Brasil já é o maior consumidor mundial de agrotóxicos, com um consumo de 720 milhões de litros por ano. A Anvisa até tenta fiscalizar as grandes multinacionais que mandam no setor, enquanto o Ministério da Agricultura, que nada faz, não se cansa de repetir que agrotóxico é assunto dele e ninguém tasca. Como no governo quando um não quer, dois não fazem, cada vez mais o brasileiro despeja veneno no seu prato.

Além dos prejuízos para a saúde das pessoas que consomem alimentos com alto teor de contaminação, nuvens de agrotóxicos despejadas por aviões afetam a vida de moradores de cidades e o resíduos dos venenos são levados pela água das chuvas para os rios que vão abastecer a população em todo o país.

No Ceará, no dia 21 de abril, o trabalhador rural José Maria foi assassinado com 19 tiros por conta das denúncias que fazia contra o uso absurdo da pulverização aérea sobre o plantio de frutas na Chapada do Apodi. Ministério da Justiça, Polícia Federal e o governador do Ceará, Cid Gomes, não incluiram o crime no rol das suas preocupações.

No próximo dia 12 de maio haverá uma audiência pública na Câmara de Vereadores da cidade de Limoeiro do Norte para discutir o fim da pulverização aérea em toda a região da Chapada do Apodi.

O Deputado Federal Chico Alencar do PSOL do Rio de Janeiro pediu que a Polícia Federal investigue o crime para que ele não fique impune, como tantos outros cometidos contra quem ousa denunciar o errado nos sertões brasileiros. João Cabral de Melo Neto dizia que "pelo sertão não se tem como não se viver sempre enlutado" (O luto no sertão, em Agrestes, 1985).

Sergio Leitão, postado no blog do Greenpeace, dia 5/5/2010

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Descoberto mais um benefício do cultivo de adubos verdes

11/12 - 17:07
/Dentre os diversas vantagens, a mucuna-preta e o feijão-de-porco descontaminam o solo afetado com resíduos de herbicida/

*Sergio de Oliveira Procópio
*Fábio Ribeiro Pires

Já se sabe que o cultivo de espécies vegetais da família das leguminosas pode trazer inúmeros benefícios aos agroecossistemas, tais como: aporte de nitrogênio (N) ao solo, devido à simbiose com bactérias fixadoras de N atmosférico; descompactação do solo, resultante da ação de raízes pivotantes; ciclagem de nutrientes, depositando nas camadas superficiais nutrientes absorvidos de camadas mais profundas; adição de matéria orgânica ao solo; incremento da atividade biológica dos solos; e proteção do solo contra processos erosivos.

Uma equipe multidisciplinar de pesquisadores de quatro instituições (Universidade Federal do Espírito Santo, Universidade Federal de Viçosa, Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri e Embrapa Tabuleiros Costeiros) descobriu mais um benefício de duas espécies de adubos verdes - mucuna-preta (/Stizolobium aterrimum/) e feijão-de-porco (/Canavalia ensiformis/) – a capacidade de descontaminar solos com resíduos de herbicidas.

Alguns herbicidas registrados para uso em diversas culturas agrícolas no Brasil apresentam a característica de continuar ativo no solo por um longo período de tempo. O uso desses herbicidas pode impedir o plantio de outras culturas na mesma área por vários meses ou até anos. O uso do herbicida picloram pode exemplificar essa situação, pois após a sua aplicação no solo, deve-se esperar, em média, três anos para que se possa efetuar a semeadura de uma cultura sensível, com segurança, na mesma área.

Do ponto de vista ambiental a redução desse período de atividade residual do herbicida no solo também é positiva. Quanto maior o tempo que um herbicida permanece ativo no solo, maior é a probabilidade de ocorrer a lixiviação de suas moléculas no perfil do solo, podendo atingir e contaminar os mananciais de água subterrânea.
Trabalhos científicos comprovaram que o cultivo das espécies mucuna-preta e feijão-de-porco pode auxiliar na redução do nível de atividade no solo dos herbicidas trifloxysulfuron sodium e tebuthiuron. Com a aplicação dessa técnica pode-se reduzir significativamente o intervalo entre a aplicação desses herbicidas e a semeadura de uma espécie cultivada que não apresenta tolerância à presença dessas moléculas no solo.

Essa técnica de se utilizar plantas no intuito de se promover uma descontaminação de áreas agrícolas ou mesmo industriais é denominada de fitorremediação.

Essas pesquisas reforçam ainda mais os benefícios que o cultivo de adubos verdes pode proporcionar para as áreas agrícolas (otimização do uso da terra e redução da contaminação ambiental), mostrando a importância da inserção dessas espécies em sistemas de produção sustentáveis.

/*Sergio de Oliveira Procópio é pesquisador da Embrapa Tabuleiros Costeiros
*Fábio Ribeiro Pires é professor da Universidade Federal do Espírito Santo/

*Embrapa Tabuleiros Costeiros - Aracaju*