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terça-feira, 23 de março de 2010

Efeitos sobre os Teores de Nitrato

Fonte: www.greenpeace.org/brasil/

Para responder a esta pergunta, resolvemos apresentar alguns estudos relacionados à produção vegetal. Representando os vegetais demos ênfase à alface, pois é atualmente, uma das hortaliças mais consumidas pela população. Para tanto, apresentaremos os resultados de uma pesquisa recente, realizada por pesquisadores do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), que mostra a diferença entre o teor de nitrato na cultura da alface produzida em três sistemas diferenciados (orgânico, convencional e hidropônico).
O aumento rápido do teor de nitrato nas plantas é a consequência mais conhecida do crescente aporte de adubos químicos nitrogenados, utilizados na agricultura convencional, para aumentar rapidamente a produtividade de hortaliças de folhas como a alface, couve, agrião, chicória, etc. Porém, o uso excessivo deste fertilizante associado à irrigação freqüente, faz com que ocorra acúmulo de nitrato (NO 3 -) e nitrito (NO 2 -) nos tecidos de plantas. Outros elementos que contribuem para o acúmulo de nitrato estão relacionados ao ambiente, fatores genéticos e ao manejo utilizado. Sabe-se, por exemplo, que o nitrato acumula mais em baixa luminosidade (dias nublados e curtos, no período de inverno, em locais sombreados e pela manhã). Os fatores genéticos são responsáveis pelas variações entre espécies e cultivares expostas à mesma condição de cultivo. Por último, o sistema de manejo (orgânico, convencional e hidropônico) pode causar alterações nos teores de nitrato na planta.
O nitrato ingerido passa à corrente sanguínea podendo, então, reduzir-se a nitritos. Estes sim, são venenosos, muito mais que os nitratos. Tornam-se mais perigosos quando combinados com aminas, formando as nitrosaminas, substâncias cancerígenas, mutagênicas e teratogênicas. Tal reação pode realizar-se especialmente em meio ácido do suco gástrico, ou seja, no estômago. Desta forma, o monitoramento destas substâncias é essencial para garantir a qualidade dos alimentos consumidos pela população.
Os resultados de uma pesquisa recente conduzida por pesquisadores do IAPAR (MIYAZAWA et. al., 2001) - comparando o sistema orgânico (uso de compostos orgânicos e estercos de bovino, como fonte de N), convencional (Uso de Uréia, NO 3 - , NH 4 +, cama de aviário como fonte de N) e hidropônico (estando o N na forma de NO 3 - e NH 4 +, fornecido em solução nutritiva) - mostraram que o teor de nitrato nas folhas de alface variaram entre 250 a 11.600 mg/kg, sendo que as folhas com menor concentração de nitrato foram aquelas cultivadas em sistema de produção orgânico.
Analisando os resultados dos diferentes sistemas de cultivo. Pode-se notar que cerca de metade das amostras de alface cultivada em sistema orgânico apresentou concentração de nitrato menor que 1.000 mg/kg e apenas 25% das amostras apresentaram teor superior a 3.000 mg/kg. Por outro lado, as plantas cultivadas em sistema hidropônico apresentaram um teor de nitrato extremamente elevado, sendo que 70% das amostras tinham entre 6.000 e 12.000 mg/kg e apenas 3% das amostras tinham teor inferior a 3.000 mg/kg. Quanto ao teor de nitrato nas alfaces cultivadas em sistema convencional observou-se um nível intermediário entre cultivo orgânico e hidropônico.
Fonte: MIYAZAWA et. al. (2001)

Segundo os autores, a menor concentração de nitrato nas folhas de alface cultivada organicamente, foi devido ao uso de fertilizantes que contém baixa concentração de nitrogênio (N), tais como: esterco bovino, vermicomposto e a ausência de fertilizantes minerais, o que contribuiu para a menor absorção de nitrato (NO 3 -) pela planta. Por outro lado, no cultivo de alface em sistema hidropônico, o fertilizante nitrogenado é fornecido nas formas de NO 3 - e de NH 4 +. O NO 3 - dissolvido na água facilita a absorção pela raiz, o que faz com que haja uma absorção de quantidades muito acima da capacidade da planta reduzir NO 3 - para NH 4 +, acumulando, assim, o excedente no tecido vegetal. A pesquisa conclui que a ordem do teor de nitrato nas folhas de alface varia na seguinte ordem: orgânico < convencional < hidropônico.Traduzindo os resultados desta pesquisa para o nosso cotidiano, buscamos saber os níveis de nitrato toleráveis ao corpo humano, estabelecidos pela FAO - Organização das Nações Unidas responsável pela agricultura e alimentação em nível mundial. De acordo com a FAO, o índice de máxima ingestão diária admissível (IDA) de nitrato é de 5 mg/kg de peso vivo e 0,2 mg/kg para o nitrito.
Dessa forma, a ingestão diária admissível para uma pessoa de 70 kg , por exemplo, seria de 350 mg de nitrato. Assim, se considerarmos que quatro cabeças de alface pesam aproximadamente 1,0 kg e têm, em média, 160 folhas, chegamos a conclusão – pelos resultados desta pesquisa – que uma pessoa de 70 kg comendo entre 4 e 9 folhas de alface hidropônica por dia já estará atingindo a dose diária máxima de nitrato permitida. No caso de crianças com peso menor, a quantidade de folhas ingeridas também deve ser proporcionalmente menor. Já no sistema orgânico esta mesma pessoa poderia comer, em média, mais de 50 folhas – ou mais de uma cabeça inteira de alface - para atingir o mesmo nível de nitrato. Sendo assim, o consumo de folhas de alface cultivadas no sistema hidropônico deve ser cautelosa, pois pode trazer algum risco à saúde humana.
Diversos estudos realizados na Europa corroboram os resultados da pesquisa do IAPAR, mostrando que as taxas de nitratos nos legumes orgânicos são largamente inferiores a legumes obtidos por métodos convencionais (SILGUY, 1998). Um estudo realizado por LECERF (1994) do Instituto Pasteur de Lille, na França, fez uma síntese de vários trabalhos sobre a qualidade de alimentos orgânicos. Todos os estudos mostraram reduções de nitratos de 69 a 93% para vários legumes cultivados organicamente. Resultados semelhantes foram obtidos em outros países como Áustria, Holanda, Suíça e Alemanha, para cultivos de espinafre, cenoura e alfaces.


Os problemas dos agrotóxicos e fertilizantes solúveis
Os fertilizante solúveis de um determinado ponto de vista são bons, pois são de fácil aplicação, as plantas apresentam rápida resposta a eles e produzem mais e a área cultivada pode ser reduzida. Mas na verdade existem muito mais desvantagens que vantagens no uso desse tipo de insumo.
Eles provocam perda de fertilidade do solo, pois causam acidificação, mobilização de elementos tóxicos, imobilização de nutrientes, mineralização e redução rápida da matéria orgânica, destruição da bioestrutura e aumento da erosão.
Ocorrem também desequilíbrios minerais no solo, pois as adubações e calagens são feitas com NPK e calcário respectivamente, ocorrendo desequilíbrio com os micronutrientes. Assim, ocorrem desequilíbrios na bioquímica das plantas.
Os alimentos obtidos têm pior qualidade nutricional e biológica, ou seja, são carentes em determinadas vitaminas, minerais, aminoácidos essenciais e substâncias que prolongam a vida de "prateleira" dos produtos. Sem contar que ocorre excesso de água e de nitratos, oxalatos, etc., que são substâncias tóxicas. Os nitratos são convertidos pelos animais em nitrosaminas, que são cancerígenas.
A aplicação desses fertilizantes deve ser constante, pois exatamente por serem solúveis (principalmente os nitratos e fosfatos), são rapidamente "varridos" do solo pela chuva, e as consequencias disso são poluição e eutrofização das águas.
Como a grande maioria das terras cultivadas possuem sistema de monocultura e recebem adubações minerais, necessitam da aplicação constante também de agrotóxicos. As consequencias disso são muito parecidas com as da adubação mineral, mas com agravantes: mortalidade dos aplicadores devido ao seu nível precário de conhecimentos técnicos; os agrotóxicos podem muitas vezes matar insetos polinizadores, prejudicando a produção, e também os inimigos naturais das pragas e patógenos, fazendo com que ocorra seu ressurgimento em maior quantidade, tornando os prejuízos ainda maiores; podem também causar o aparecimento de outra praga, antes secundária e também quebra da cadeia alimentar; podem gerar resistência na população das pragas; os agrotóxicos persistentes ou com metais pesados vão se acumulando ao longo da cadeia alimentar, sofrendo magnificação biológica; alimentos por nós ingeridos podem ter resíduos, prejudicando nossa saúde.
Além destas consequências da utilização de agrotóxicos e fertilizantes sintéticos, existem outras de cunho econômico e social, como os altos gastos e a dependência das grandes indústrias com a necessidade de repetidas aplicações e o balanço energético negativo devido às grandes quantidades de insumos utilizados.

GM Contamination Register

Acompanhe os relátorios sobre contaminações transgênicas;

http://www.gmcontaminationregister.org/

segunda-feira, 15 de março de 2010

Cartilha Biologia Sintética - fabricando novas formas de vida

Download gratuito

http://www.centroecologico.org.br/novastecnologias/novastecnologias_2.pdf



Car@s,

A biologia sintética é uma tecnologia que permite obter um novo código genético usando DNA fabricado, a partir do qual é possível projetar e construir, ou reprogramar, organismos vivos para que executem tarefas diferentes das que seriam naturais.
As grandes empresas transnacionais que controlam agrocombustíveis, sementes (inclusive transgênicas), comercialização de grãos, petróleo, fabricação de automóveis, monocultivos florestais, fabricação de celulose e de produtos farmacêuticos apostam nessa tecnologia.
A biologia sintética oferece uma nova plataforma tecnológica capaz de transformar os setores de alimentação, agricultura, saúde, indústria manufatureira, e toda a natureza. Ela também significa um instrumental mais barato e acessível para construir armas biológicas, patógenos virulentos e organismos artificiais que podem representar graves ameaças para os seres humanos e para o Planeta.
Essa tecnologia permite amplas alianças entre corporações de setores distintos, por exemplo, entre companhias petroleiras, de reflorestamento e do agronegócio, associadas a empresas recentes de biologia sintética.
Já está ocorrendo um massivo e deliberado redirecionamento na economia do planeta, buscando aproveitar ao máximo a produção de biomassa para transformá-la em químicos, combustíveis e novos materiais ‘verdes’ de alto valor. É a chamada ‘economia de carboidratos’ ou ‘economia do açúcar'. O objetivo é substituir recursos fósseis (carvão, petróleo e gás) por carboidratos vivos (plantas) e monetarizar o valor ecológico da flora, fauna e dos chamados ‘serviços ambientais’.
No Brasil, a CTNBio já liberou uma levedura sintética para produção comercial de diesel a partir de cana de açúcar.
No geral, o que se ouve falar são as coisas positivas da biologia sintética, os benefícios que ela pode trazer para a humanidade. Mas há uma série de questões ainda não respondidas. O que ela significa em termos éticos quando rompe o limite natural, criando novas formas de vida? Que impactos essa tecnologia pode ter na saúde e no meio ambiente? E no campo social?
Visando disponibilizar informações básicas sobre o assunto, a ASA Brasil, a Rede Ecovida de Agroecologia e o Centro Ecológico, com apoio de entidades parceiras, estão produzindo a série Novas Tecnologias, com 6 volumes.
A Cartilha Biologia Sintética - fabricando novas formas de vida é a 2ª publicação da série e pode ser acessada (ou copiar/colar) em:
http://www.centroecologico.org.br/novastecnologias/novastecnologias_2.pdf



Para exemplares impressos, favor contatar serra@centroecologico.org.b

A 1ª cartilha foi Nanotecnologia - a manipulação do invisível que pode ser acessada (ou copiar/colar) em:
http://www.centroecologico.org.br/novastecnologias/novastecnologias_1.pdf


Atenciosamente,

Centro Ecológico


Conteúdo:

Introdução

1. O que é a biologia sintética

No que a biologia sintética é diferente da transgenia?

Biologia sintética - uma tecnologia convergente

2. Por que é importante conhecer a biologia sintética?

O negócio de sintetizar genes cresce rapidamente enquanto seu custo baixa
Quem tem o controle e a propriedade da biologia sintética?

Quem investe em biologia sintética?

Quem faz biologia sintética?

3. Por que é um assunto que afeta a todos?

Bioguerra

Conservação sintética da biodiversidade

Biossegurança

A biologia sintética na agricultura

Biodevastação - uma economia pós-petróleo baseada em biomassa

Uma panorâmica de algumas das empresas de biologia sintética

4. Regulamentação

5. O que se pode fazer em relação à biologia sintética?