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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Decreto estabelece regularização ambiental de propriedades

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, nesta quinta-feira (10), um decreto para a regularização ambiental das propriedades rurais. A legislação já foi encaminhada para publicação no Diário Oficial e determina a todos os proprietários que demarquem suas reservas legais e áreas de proteção ambiental. "O presidente optou por um caminho equilibrado, ao dar condições de cumprimento da lei. Essa posição combina mais produção de alimentos com mais preservação ambiental", anunciou o ministro Carlos Minc, durante abertura da Conferência Nacional de Saúde Ambiental, que começou hoje em Brasília.

Os proprietários terão um prazo de três anos para aderir ao programa de regularização, denominado Mais Ambiente, mas se não o fizerem serão multados a partir do décimo-oitavo mês de vigência da lei. "O programa ajuda o agricultor a se legalizar, com educação ambiental, apoio técnico, extensão rural, crédito, apoio financeiro. Dá uma mão para quem quer proteger a natureza, o que é obrigado", explicou o ministro.

Carlos Minc ainda enfatizou que a legislação é para todos, mas traz diferenças entre grandes e pequenos proprietários. "O apoio técnico é para todos, a simplificação, a desburocratização da averbação das propriedades (registro em cartório), mas a averbação será gratuita para as pequenas propriedades. O apoio financeiro será para quem precisa". (Fonte: MMA)

Fonte

Lei vai beneficiar agricultura familiar

A aprovação pelo Senado do projeto de lei que institui a política nacional de assistência técnica e extensão rural para a agricultura familiar e reforma agrária foi bem recebida pelo secretário da Agricultura e do Abastecimento, Valter Bianchini. A legislação vai permitir ao governo federal o retorno da alocação de recursos para as estruturas públicas de Ater (Assistência Técnica e Extensão Rural). No Paraná, o Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-PR) será beneficiado.

O projeto agora vai para sanção do presidente da República. A legislação vai priorizar a contratação de instituições públicas pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) para execução dos serviços de assistência técnica e extensão rural. Bianchini destacou que no Paraná a decisão do governo do Estado de investir na estrutura de Ater foi acertada e agora a Emater será beneficiada com essa política. Inclusive foi graças a essa estrutura mantida no Estado do Paraná que possibilitou o estabelecimento de um dos maiores convênios firmados com o governo federal para reforçar a assistência técnica para a agricultura familiar, no valor de R$ 20 milhões.

A política de retomada da assistência técnica e extensão pelo governo federal que está resultando nessa legislação começou a ser desenhada em 2002 na equipe de transição do governo do presidente Lula, da qual o atual secretário Valter Bianchini era um dos integrantes. Foi ele um dos autores que preparou a passagem do antigo Departamento de Assistência Técnica e Extensão Rural (Dater), que estava sob coordenação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), para o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

Após 2003, nomeado secretário nacional da Agricultura Familiar, Bianchini contribuiu com a consolidação desse processo com a instituição de uma nova política de assistência técnica e extensão rural voltada para atender a agricultura familiar. Com isso, a cada ano o setor passou a contar com orçamentos concretos passando de R$ 3 milhões para R$ 42 milhões já em 2003. Atualmente esse orçamento avançou para R$ 482 milhões no País.

Estado quer diversificar produção

No Paraná, a partir de 2010, a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento vai discutir em reuniões do Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural da Agricultura Familiar (Cedraf) políticas públicas que apoiam a diversificação da agricultura familiar e amplia o número de produtores assistidos. Agora poderão ser previstos recursos em programas plurianuais e reforçar a política de assistência técnica continuada junto aos agricultores, destacou o secretário.

Essa política intensifica mais os investimentos em infraestrutura e dá continuidade à possibilidade de ampliação de quadros, reforçando ainda mais a estrutura. Segundo Bianchini, o importante da nova legislação é que ela permite o planejamento da assistência técnica a médio e longo prazo, ao contrário dos atuais convênios que têm períodos limitados para serem executados.

A política nacional de assistência técnica e extensão rural estabelece como público alvo o atendimento a agricultores, pescadores, silvicultores e empreendimentos familiares, aos assentados da reforma agrária, povos indígenas, quilombolas e de comunidades tradicionais.

A legislação permite a retomada da política de assistência técnica do governo federal que foi rompida em 1989, com a extinção da antiga Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural (Embrater). Com isso o governo federal deixou de repassar recursos para os Estados, comprometendo os serviços de assistência técnica e extensão rural. No Paraná, o governo do Estado assumiu o compromisso de manter a estrutura da Emater, mas os investimentos foram reduzidos desde esse período.

A expectativa agora é que voltem os investimentos para agilizar e promover um salto de qualidade na assistência técnica destinada aos agricultores familiares e assentados, avaliou o secretário Bianchini.

Instituição atende produtores

A Emater é uma instituição pública que vem atendendo os agricultores paranaenses desde 1956, quando foi criada. Inicialmente atendia sob a denominação de Escritório Técnico de Agricultura (ETA) permanecendo assim até 1959 quando foi substituída pela Acarpa - Associação de Crédito e Assistência Rural do Paraná, entidade civil e vinculada à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento.

Em 1977 a Acarpa foi substituída com a criação da Empresa Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural - Emater-PR. Em 2005, em atendimento à determinação do governador Roberto Requião, foi modificado o regime jurídico da entidade, passando de empresa pública para autarquia. Assim passou a denominar-se Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural - Emater-PR.


JM News - Jornal da Manhã

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

La recepción de resúmenes para el VIII Congresso de Alasru estará abierta hasta el 30 de diciembre de 2009.

Para inscribir-se, envíe apenas un resumen directamente por la página de ALASRU (www.alasru.org) y no por e-mail.

Para enviar el resumen proceda de la siguiente manera:
a) entre en la página de Alasru
b) clique en "Inscripciones"
c) rodando la barra para abajo, accesará al formulario para inscripción del resumen (500 palabras).
d) luego de colocarlo clique en enviar. Usted recibirá un mensaje automático, informando la recepción del resumen.

Abrazos a todos

Sonia Bergamasco
Presidente da Alasru
Professora da Feagri/Unicamp

Leonilde Servolo de Medeiros
Secretária da Alasru
Professora do Programa de Pós-graduação de C. Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

Henrique de Barros
Coordenador Local do Congresso
Professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco

Estudo prova a nocividade de três milhos da Monsanto para o organismo

Dom, 20/Dez/2009 00:19

Um estudo publicado na revista International Journal of Biological Sciences demonstra a toxicidade de três milhos geneticamente modificados da empresa norte-americana Monsanto, anunciou na sexta-feira, dias 11 de dezembro, o Comitê de Pesquisa e Informação sobre Engenharia Genética (Criigen, situado em Caen), que participou deste estudo.

Le Monde*

“Nós provamos, pela primeira vez no mundo, que esses OGMs [órgãos geneticamente modificados] não são saudáveis, nem suficientemente precisos para serem comercializados [...] Em cada vez, para os três OGMs, os rins e o fígado, que são os principais órgãos a reagirem a uma intoxicação alimentar química, tiveram problemas”, disse Gilles-Eric Séralini, especialista membro da Comissão para a Reavaliação das Biotecnologias, criado em 2008 pela União Europeia.

Pesquisadores das Universidades de Rouen e Caen e do Criigen se basearam em declarações fornecidas pela Monsanto às autoridades sanitárias para obter autorização para a comercializaçã o, mas eles tiram conclusões diferentes após novos cálculos estatísticos. Segundo o professor Séralini, autoridades sanitárias dependem da leitura das conclusões apresentadas pela Monsanto e não sobre o conjunto dos dados. Os próprios pesquisadores obtiveram todos os documentos após uma decisão judicial.

“Os testes da Monsanto, realizados em noventa dias, não são, obviamente, tão longos para poderem dizer se desencadeiam doenças crônicas. É por essa razão que nós solicitamos testes de ao menos dois anos”, disse um pesquisador. Em consequência, os cientistas solicitam a “firme proibição” da importação e do cultivo dos OGMs.

Os três OGMs (MON810, MON863 e NK603) “são aprovados para consumo humano e animal na União Europeia e nos Estados Unidos” especialmente, precisa o Prof. Séralini. “Na União Europeia, apenas o MON810 é cultivado em alguns países (sobretudo na Espanha); os outros são importados”, acrescenta. Uma reunião de ministros da União Europeia sobre o tema dos MON810 e NK603 está prevista para segunda-feira.

* A tradução é do Cepat.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

VIII Congreso de ALASRU

Apreciados colegas

Como se informó, el plazo para la inscripción de resúmenes en los 29 GTs de Alasru finaliza el próximo 20 de diciembre.

Estamos recibiendo una gran cantidad de trabajos, lo que muestra el interés de los investigadores latinoamericanos sobre el tema.

Aún así, gustaríamos pedir que los que aún no realizaron su inscripción no lo dejen para última hora, para evitar eventuales congestionamientos en nuestra página.

Reiteramos que, en este momento, se envía apenas un resumen, directamente por la página de ALASRU (www.alasru.org) y no por e-mail. El trabajo completo será enviado posteriormente (hasta el 01 de junio de 2010).

Para enviar el resumen proceda de la siguiente manera:
a) entre en la página de Alasru
b) clique en "Inscripciones"
c) rodando la barra para abajo, accesará al formulario para inscripción del resumen.
d) luego de colocarlo clique en enviar. Usted recibirá un mensaje automático, informando la recepción del resumen.

Abrazos a todos

Sonia Bergamasco
Presidente da Alasru
Professora da Feagri/Unicamp

Leonilde Servolo de Medeiros
Secretária da Alasru
Professora do Programa de Pós-graduação de C. Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

Henrique de Barros
Coordenador local del Congresso
Professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

A tragédia de Bhopal

03/12/2009

Bhopal continua morrendo 25 anos depois de tragédia em fábrica de pesticida

El País

Ana Gabriela Rojas

Panna Lal Yadav acordou naquela meia-noite com os gritos aterrorizantes e o tumulto de gente correndo. Sentiu que o ar "se transformava em fogo" e queimava seus ossos e pulmões. Não podia enxergar claramente, mas ouvia que seus filhos não paravam de tossir. Desesperado, gritou para sua mulher que, assim como seus vizinhos, deviam fugir. "Nas ruas vimos que as pessoas caíam fulminadas como moscas depois de ser tocadas pelos gases. Tivemos de correr entre cadáveres", lembra ainda, perturbado.

Panna e sua família viveram na madrugada de 3 de dezembro de 1984 um dos desastres mais graves da história. Em sua cidade, Bhopal, no centro da Índia, e muito perto de sua casa, 42 toneladas de um dos produtos químicos mais tóxicos, o isocianato de metila (MIC), escaparam em forma de gás da fábrica de pesticidas americana Union Carbide.

* Saurabh Das/AP

* A fábrica da Union Carbide em Bhopal, na Índia, estava desativada na época do acidente - mas químicos perigosos continuavam armazenados no local, sem a manutenção necessária. Nessa noite morreram quase 3.000 pessoas, e nos dias seguintes até 15 mil, segundo os números oficiais conservadores. Segundo várias ONGs e ativistas, poderiam ser até 25 mil mortos e cerca de 100 mil as pessoas com sequelas ermanentes: câncer, problemas no estômago, no fígado, nos rins, nos pulmões, transtornos hormonais e mentais...

Passados 25 anos, Bhopal continua sofrendo. A situação ainda é desastrosa. Os diretores da Union Carbide, encabeçados por seu presidente, Warren Anderson, escaparam da Índia e do processo criminal aberto contra eles. A fábrica ficou abandonada e sem limpeza. No que é hoje o centro da cidade permanecem mais de 300 toneladas de produtos químicos perigosos - entre eles DDT - em contêineres que ficaram desprotegidos até apenas quatro anos atrás.

* AFP

Em 4 de dezembro de 1984, sobreviventes da tragédia procuravam ajuda médica - muitos deles, já cegos devido ao contato com o gás tóxico.

* Reinhard Krause/Reuters

A contaminação por isocianato de metila desvalorizou a vizinhança da fábrica, que 25 anos depois do desastre é tomada por favelas. Outras 10 mil toneladas de dejetos tóxicos continuam enterradas perto da fábrica, segundo as ONGs. A Union Carbide mantinha tanques de evaporação pelos quais passavam seus dejetos químicos tóxicos, e lá ainda estão toneladas de sedimentos perigosos. E em cima deles muita gente vai fazer suas necessidades todas as manhãs, pois poucos dos barracos próximos têm banheiros.

"Mesmo que não tivesse ocorrido um vazamento de gás, o desastre era iminente. E com o passar dos anos e as chuvas esses tóxicos se infiltraram no subsolo e atingiram a água que cerca de 30 mil pessoas bebem", afirma Rachna Dhingra, que chefia a Campanha Internacional de Justiça em Bhopal, que reúne as associações de vítimas.

A água disponível em alguns locais contém altos níveis de produtos químicos nocivos, incluindo clorofórmio e tetracloreto de carbono, conhecido cancerígeno, de acordo com os resultados de vários estudos. E perto da fábrica também foram encontrados metais pesados nocivos, segundo denunciou a Greenpeace. O processo judicial é longo, e no ano passado o caso foi reaberto, com a exigência de que a empresa limpe a área e compense economicamente os milhares de pessoas que beberam água contaminada.

O governo do estado de Madhya Pradesh, do qual Bhopal é a capital, estabeleceu um sistema de encanamento de água potável, que ainda é insuficiente. No bairro de Sunder Nagar os moradores fazem fila para conseguir água limpa. Raju Raikwar, um vendedor de peixes, diz que às vezes falta água durante uma semana. "Mas pelo menos não precisamos mais beber diariamente a contaminada. Tinha um sabor amargo e ficávamos doentes do estômago. Nossos pulmões e a garganta doíam", queixa-se.

Segundo a associação de vítimas, ainda são minoria as pessoas que recebem água potável permanentemente. Muitas ainda bebem o líquido contaminado. "Sabemos que tomamos veneno e o damos na boca de nossos filhos. Mas o que podemos fazer?", lamenta uma afetada, a professora escolar Kalpana Rajarat.

A família de Panna Lal Yadav resume amargamente as consequências da catástrofe de Bhopal. Dias depois do desastre morreu sua filha menor,com apenas um ano de idade. "Sua pele começou a cair aos pedaços", conta o pai, hoje sexagenário, que foi operário da fábrica da Union Carbide. Ele mostra os papéis que demonstram que ainda lhe devem alguns pagamentos. Sua vida sempre foi dura: cansaço crônico, falta de apetite e de ânimo. Agora a única coisa que pode fazer é vender amendoins, o que
lhe dá uma renda muito pequena.

* Raveendran/AFP

Um quarto de século depois do vazamento na fábrica de Bhopal, crianças ainda nascem com problemas de formação e paralisia cerebral. Seus filhos também se sentem fracos, sofrem de psoríase e dores no peito. Até pouco tempo atrás bebiam água contaminada. Um dos filhos de Panna teve dois filhos com paralisia cerebral: Vikas e Aman, de 10 e 8 anos, têm olhos brilhantes e curiosos e um sorriso encantador, mas seus corpos não lhes respondem. Não podem se alimentar sozinhos, nem andar, nem tomar banho ou ir sozinhos ao banheiro. A mãe teme que nunca cheguem a ser independentes.

Vikas e Aman pertencem à segunda geração de vítimas de Bhopal, assim chamada pela alta incidência de crianças com defeitos congênitos: até dez vezes mais que nas comunidades com água potável, segundo um estudo da clínica Sambhavna, que atende gratuitamente 30 mil pacientes graças a doações privadas.

Os pais de Vikas e Aman eram crianças quando ocorreu o desastre, e beberam veneno quase toda a sua vida. "Meus filhos estão sempre sorrindo, mas não entendem nada, mesmo quando estou chorando por eles. É muito triste. Não sei o que vai acontecer quando não houver quem cuide deles." A avó dos meninos, Umvati Yadav, lamenta: "O que me dá mais raiva é que nem a empresa nem o governo assumem qualquer responsabilidade" .

Crianças cegas, surdas, com retardo mental ou corpos de extremidades rígidas, grotescamente entrelaçadas, recebem reabilitação em Chingari Trust. Esta ONG cuida de 320 jovens. "Há muito mais crianças doentes em Bhopal por causa do vazamento da Union Carbide, mas só levamos em conta as que podemos ajudar e temos certeza de que seus pais foram vítimas do vazamento de gás", afirma o administrador, Tarun Thomas.

Muitos meninos são muito menores que outros de sua idade. Suraj, aos 12 anos, tem a altura de seu vizinho de seis. Um estudo do "Jornal da Associação Médica Americana" concluiu em 2003 que os filhos de pais expostos ao gás pesam menos. O crescimento sofre atrasos e a parte superior do corpo é desproporcionalment e menor que a inferior.

As crianças que nascem doentes hoje não são reconhecidas como vítimas pelo governo, e portanto não recebem qualquer tipo de ajuda oficial.

"Não há vítimas de segunda geração. Crianças com defeitos de nascimento existem em todo lugar. Não há em seu país?", pergunta à jornalista o ministro para a Reabilitação e o Alívio da Tragédia de Bhopal, Babulal Gaur, em seu chalé luxuoso. O político octogenário, que foi governador do Estado, afirma que não recebeu qualquer queixa das vítimas. "Foi uma grande tragédia, mas as vítimas já estão mortas. Os afetados já foram indenizados e agora a reabilitação está funcionando bem. Já não há
contaminantes na fábrica porque as chuvas de 25 anos lavaram tudo",comenta. E então para que seu ministério? "Porque prometemos às pessoas que sempre estaríamos aqui para cuidar delas", afirma.

Mas essa opinião é exatamente a oposta da que expressam as vítimas e os ativistas. "Um quarto de século depois da tragédia os moradores de Bhopal não receberam justiça e não conseguem viver dignamente. A Union Carbide se negou a assumir as responsabilidades e os governos, tanto nacional como estadual, falharam; foram corrompidos pela empresa. Temos inúmeras provas de subornos de milhares de dólares para políticos." A acusação é feita pela representante das vítimas, Rachna Dhingra, que fala de um intenso tráfico de influências. O advogado defensor da companhia nos tribunais é o porta-voz do governista Partido do Congresso, Abhishek Manu Singhvi.

A reclamação de responsabilidades dos bhopalis tornou-se mais difícilem 2001, quando a Union Carbide foi comprada pela Dow Chemical, também americana, que se nega redondamente a assumir qualquer responsabilidade. A Dow nunca foi proprietária nem operou a fábrica e a comprou mais de 16 anos depois da tragédia. A empresa tem interesses no subcontinente, onde produz e vende seu inseticida Dursban, que por causa de sua toxicidade é proibido para uso comercial nos EUA.

A indenização às vítimas de Bhopal se limita por enquanto ao acordoque a Union Carbide fez com o governo indiano em 1989: US$ 470 milhões de indenização, uma pequena parte dos US$ 3 bilhões exigidos originalmente. Cada uma das vítimas recebeu em teoria vários pagamentos no total de 50 mil rúpias (cerca de 720 euros hoje), mas muitos denunciam que nem sequer receberam essa quantia.

A família de Panna Lal sim, a recebeu para cada um dos membros doentes. Assim puderam construir a modesta casa de tijolos onde vivem. Não deu para mais nada. "O tratamento das crianças é muito caro e além disso elas exigem muita atenção", diz a avó. A família não usa os hospitais do governo porque o serviço é péssimo.

Não são só as vítimas que se queixam desses hospitais: o relatório apresentado este ano à Suprema Corte por uma comissão de investigação independente revelou que o número de médicos é reduzido, os remédios tem baixa qualidade, a informação aos pacientes é precária e a higiene choca pela ausência.

E, como em muitas outras histórias na Índia, a pobreza agrava tudo. Depois da catástrofe, o terreno ao redor da fábrica de pesticidas se desvalorizou e foi invadido por barracos de plástico, madeira e chapas. Além disso, há a contaminação. Talvez por causa dela um estudo de um hospital público situa na área da tragédia altos índices de mortalidade. "Não podemos expulsá-los dali, de seus barracos. Este é um país democrático e as pessoas podem viver onde quiserem", diz o ministro Gaur.

Com o crescimento da cidade, o lugar ficou no centro desta capital que em 2011 terá 2,1 milhões de habitantes, segundo estimativas oficiais. Teoricamente, ninguém pode entrar na fábrica sem autorização, mas embora uma das laterais esteja cercada e vigiada por guardas, nas outras basta saltar uma pequena cerca de menos de 1 metro para entrar. As crianças vão habitualmente ali jogar críquete, e as famílias entram para cortar ervas secas para alimentar o fogo.

No centro do solar, a antiga fábrica de pesticidas é imponente. Parece o cenário de um filme de ficção científica abandonado depois de um ataque biológico. Aos poucos, os gigantes de ferro abandonados foram cobertos pela ferrugem e a vegetação.

O governo do estado pretendia abrir a fábrica ao público ao se completar o 25º aniversário da tragédia. "Tratava-se de que as pessoas vissem que não é perigoso", afirmava o ministro. Mas as manifestações das vítimas detiveram a tentativa. "O governo quer apregoar que está limpo, que não há problema, para se livrar da descontaminaçã o do lugar e, por outro lado, das responsabilidades" , diz a porta-voz das vítimas.

Enquanto isso, em Bhopal e algumas outras cidades da Índia e do resto do mundo, começou uma série de campanhas lembrando o desastre e exigindo justiça. A Anistia Internacional afirma em sua campanha que "Bhopal é uma zombaria aos direitos humanos. O legado de Bhopal sobrevive porque seus habitantes nunca puderam reivindicar seus direitos. Além disso, os efeitos negativos do vazamento afetam as novas gerações".

Apesar de todo esse movimento internacional, as vítimas têm pouca fé.Um quarto de século de espera lhes tirou a esperança. Panna Lal, afetado e avô dos meninos Vikas e Aman, é taxativo: "Talvez tivesse sido melhor morrer no dia do desastre. Pelo menos os que morreram já não estão aqui. Nós estamos sofrendo há 25 anos".

/Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves/

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

X SEMINÁRIO INTERNACIONAL SOBRE AGROECOLOGIA XI SEMINÁRIO ESTADUAL SOBRE AGROECOLOGIA

“Produzindo sem degradar”


PROGRAMAÇÃO

Local e data
Auditório Dante Barone - Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul
Porto Alegre (RS), 08 a 10 de dezembro de 2009

Inscrições on line – vagas limitadas
Site da EMATER/RS-ASCAR -
http://www.emater.tche.br/site/area/seminario_agroecologia.php

Informações: telefone (51) 2125 3100
plantec@emater.tche.br e agroecologia2009@emater.tche.br

Realização
EMATER/RS-ASCAR
EMBRAPA – Clima Temperado
Ministério do Desenvolvimento Agrário
Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul
Governo do Estado do Rio Grande do Sul

Promoção
Associação Brasileira de Agroecologia
Associação dos Servidores da ASCAR-EMATER/RS – ASAE
Associação dos Engenheiros Agrônomos de Porto Alegre - AEAPA
Banco do Estado do Rio Grande do Sul - BANRISUL
Centro de Ciências Rurais - Universidade Federal de Santa Maria
Central Única dos Trabalhadores – CUT/RS
Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo - Assembléia Legislativa
Comissão de Produção Orgânica do Rio Grande do Sul – CPORG/MAPA
Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do RS – CREA/RS
EMREDE - Ecosol
Frente Parlamentar em Defesa da Extensão Rural
Grupo de Agroecologia Terra Sul (UFSM) - GATS
Grupo Uvaia de Agroecologia (UFRGS) - UVAIA
Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA
Núcleo de Ecojornalistas - NEJ/RS
Núcleo de Ecologia - GUAYÍ
PGDR - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Rede orientada ao Desenvolvimento da Agroecologia - RODA
Secretaria Estadual do Meio Ambiente (FZB, PRÓ-GUAÍBA)
Sindicato dos Empregados em Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas e de Fundações Estaduais do RS - SEMAPI
Sociedade de Agronomia do Rio Grande do Sul - SARGS

Dia 08/12/2009 - Terça-feira

Credenciamento
• 8h - Entrega de materiais aos participantes inscritos

Abertura oficial
• 9h - Pronunciamento das autoridades
Antecedentes e fundamentos do evento
• 10h - Histórico do evento – Dulphe Pinheiro Machado Neto

Tema A - Produzindo sem degradar

Palestra de abertura
Tema A - Produzindo sem degradar
•10h30min – Palestra de abertura
Palestrante: Ana Maria Primavesi
•12h – Debate
•12h30min - Intervalo para almoço

Tema B – Agroecologia e o fortalecimento da economia local.
•14h – Alimentação escolar e agricultura familiar.
Palestrante: Regina Miranda – EMATER/RS e Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional
•15h - Construcción y evaluación de un proceso de transición agroecológica con horticultores familiares de la zona de La Plata, Argentina
Palestrante: Cláudia C. Flores – Universidad de La Plata – Argentina
•16h – Intervalo
•16h 15min – Produção orgânica de maçãs em Santa Catarina: uma abordagem científica, ecológica e econômica.
Palestrante: Eliete de Fátima Ferreira da Rosa – UDESC - SC
•17h 15min – Diversificação e transição agroecológica como alternativa de renda na agricultura familiar, em região fumicultora do Rio Grande do Sul.
Palestrantes: Giovane Ronaldo Rigon Vielmo – EMATER/RS – Ibarama/RS
Cláudio Horácio Wagner – Agricultor – Ibarama/RS
Marilisse Dagort Wagner – Agricultora – Ibarama/RS
•18h 15min – Debate
•18h 45min - Encerramento das atividades do dia



Dia 09/12/2009 - Quarta-feira

Tema C – Construindo processos de reconhecimento social.

•9h – La transición agroecológica en el sureste de México: rediseñando el agroecosistema para el cultivos de azucenas (Lilium longiflorum) entre pequeños agricultores.
Palestrante: Carlos Guadarrama – Universidad de Chapingo – México
•10h – Agroecologia e organização cooperativa, um foco na experiência da ECOVALE
Palestrantes: Sighard Hermany – CAPA - Santa Cruz do Sul/RS
Clésio Luiz Weber – Presidente da ECOVALE
Waldomiro José Schuster – Sócio da ECOVALE
•11h – Percepções, motivações e estratégias no mundo rural diante da transição agroecológica.
Palestrante: Juliane Marques de Souza - RS
•12h - Intervalo para almoço

Tema D – Cultivando respeito cultural e ambiental.

•14h - A Legislação ambiental como fator de promoção da agroecologia
Palestrante: Tarso Isaia – IBAMA/RS
•15h - Legislação ambiental, agricultura familiar e proteção da biodiversidade.
Palestrante: Frei Sergio Goergen - MPA
•16h – Intervalo
•16h 15 min - Plantas alimentícias não convencionais:potencial e cultivos agroecológicos
Palestrante: Valdely Ferreira Kinupp – IFAM – Manaus/AM
•17h 15 min – Viver bem, com segurança alimentar
Palestrante: Jurandi Anunciação de Oliveira – Agricultor – Boa Vista do Canal de Cafarnaum – BA
•18h 15 min – Debate
•18h 45 min - ncerramento das atividades do dia


Dia 10/12/2009 - Quinta-feira

Tema E – Pesquisa em agroecologia: desafios e possibilidades.
•9h - CCR/UFSM: portador de experiências agroecológicas e interação com a sociedade.
Palestrante: Danilo Rheinheimer dos Santos – UFSM
•9h 40min – Construção do conhecimento agroecológico na EMBRAPA
Palestrante: Ynaiá Bueno – EMBRAPA Transferência de Tecnologia, Brasília - DF
•10h 20min – A Experimentação participativa como modelo de pesquisa do e para o agricultor.
Palestrante: André Ferreira - Presidente da UNAIC
•11h - Extensão e Pesquisa – Um olhar da Extensão Rural Oficial.
Palestrante: Pedro Boff – EPAGRI/SC
•11h 40 min - Debate
•12h 30min - Intervalo para almoço

Tema F - As dimensões política, ética e espiritual da agroecologia.

•14h –. Palestra de encerramento

Palestrante:
•15h - Debate
•15h 30min - Procedimentos finais, com plenária para discussão e aprovação de propostas.
•16h 15min - Pronunciamentos finais da Comissão Organizadora
•16h 30min – Encerramento

Atividade complementar:
Exposição da Biodiversidade, no Vestíbulo Nobre da Assembléia Legislativa.