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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Anvisa faz apreensão de agrotóxicos adulterados

Valor Econômico

Valor, 27.11.2009

Arnaldo Galvão, de Brasília

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apreendeu 2,3 milhões de litros de agrotóxicos adulterados. A operação contou com agentes da Polícia Federal e ocorreu nesta semana na Nufarm Indústria Química e Famacêutica, em Maracanaú (CE). As multas podem chegar a R$ 1,5 milhão.

De acordo com a Anvisa, foram encontradas "inúmeras irregularidades" na importação, produção e comércio de agrotóxicos. Substâncias para reduzir o odor ou "perfumar" os produtos adulterados foram usadas. A Nufarm também foi autuada por oferecer, pela internet, produtos com classificações toxicológicas fora das especificações determinadas pela agência.

Foram interditadas as linhas de produção do agrotóxico Stron porque foi verificada alteração da fórmula sem autorização da Anvisa. O produto é proibido em vários países por sua alta toxicidade.

Quatro toneladas do agrotóxico Endossulfan também foram apreendidas porque as embalagens não tinham identificação do fabricante e as datas de fabricação e de validade. O ingrediente ativo desse produto está sob nova avaliação devido a efeitos nocivos à saúde.

A linha de produção e o estoque do Expurgran também foram interditados. Não havia análise do controle de impurezas do Malation, e os lotes do produto, preparado há quatro anos, estavam com validade vencida. Apesar disso, foi constatado reenvasamento e posterior comercializaçã o.

Alterações não autorizadas pela Anvisa ainda provocaram a interdição das linhas dos seguintes produtos: Rival 200 EC, Konazol, Adesil e os estoques do Glifosato 480 Agripec. Entre os componentes não autorizados estão substâncias para reduzir o odor ou "perfumar" esses agrotóxicos. A interdição é válida por 90 dias e, nesse prazo, fica proibida a comercializaçã o. A Nufarm terá cinco dias para apresentar contraprova.

O Valor procurou ouvir um representante da Nufarm na sede, em Maracanaú, e no escritório comercial, em São Paulo. Não foi possível um contato. A página da Nufarm na internet informa que a empresa atua em mais de cem países. São 14 fábricas, 20 escritórios e três mil empregos. A entrada no mercado brasileiro ocorreu com a compra da Agripec Química e Farmacêutica. Seus produtos destinam-se às culturas de citros, cana, café, milho, tomate, feijão, soja, algodão, batata e pastagens.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

VIII Congresso Latinoamericano de Sociologia Rural

América Latina: realineamientos políticos y proyectos en disputa

Recife, Pernambuco - Brasil
15 a 19 de noviembre de 2010

Grupo de Trabajo
GT: 29: Sociología Rural: problemas teóricos y metodológicos
Coordenadores: Armando Sánchez Albarrán armando_sa2002@ yahoo.com. mx, Beatriz de la Tejera btejera1999@ yahoo.com, Miguel A. Sámano Rentaría misamano@hotmail. com, Anita Brumer, anita@orion. ufrgs.br

Instituciones: Univ. Autónoma Metropolitana (Azcapotzalco) , Univ. Autónoma Metropolitana, Univ. Autónoma de Chapingo, Univ. Federal do R. Gde do Sul

Países: México-Brasil
http://baseportal. com/cgi-bin/ baseportal. pl?htx=/HdeBarro s/AlasruGTs/ GTs&localparams= 1&db=GTs&cmd=list&range=20,20&cmd=all&Id=29


Resumen:

Objetivo general: Motivar el debate teórico de las nuevas teorías, propuestas de reflexión, temáticas y conceptos utilizados para comprender y explicar los nuevos problemas por los que atraviesa la sociedad rural de América Latina.
Objetivos específicos: La globalización y el consecuente proceso de modernización modifica constante mente el mundo rural en ocasiones hacia situaciones antes inexistentes; las nuevas tecnologías modifican el ámbito del tiempo y el espacio que modifica el contenido mismo del desarrollo rural; las empresas trasnacionales y los productores establecen nuevas relaciones en las que se imponen procesos de trabajo flexible; la nueva ruralidad explican ahora procesos en los que se constata el vaciamiento del contenido rural; los nuevos movimientos sociales o globales se diferencian de luchas y conflictos en los que la tierra ya no es el único eje de lucha, mientras que en otros frentes cobra un renovado interés la lucha indígena en Chiapas, México; Ecuador, Bolivia o Brasil; los problemas ecológicos van en ascenso, al tiempo en que el mundo parece perder la batalla ante la deforestación, contaminación del aire y el agua. Para una parte de la comunidad académica, el campesino, como sujeto social, resurge de nuevo como productor conservacionista a la vez que reproductor de identidades en un mundo cada día más globalizado.
Temas:
Los retos teóricos de la sociología rural:
a) La formación de sociólogos rurales;
b) nuevos enfoques teóricos y paradigmas;
c) nueva ruralidad, nuevas formas de asentamiento (la rurbanización) , nueva relación ciudad campo;
d) desafíos de la problemática ambiental;
e) el campesinado latinoamericano en perspectiva.

VIII Congressista Latina americana de Sociologia Rural América Latina : realineamientos políticos e projetos em disputa
Ela recebe Pernambuco Brasil 15 a 19 de Novembro de 2010
Grupo de Trabalho GT : 29: Sociologia Rural : problema teórico e metodológicos coordenador: Arma Sánchez Albarrán armando_sa2002@ yahoo.com. mx, Beatriz de la Tejeda btejera1999@ yahoo.com, Miguel A. Sámano misamano@hotmail. com, Anita Brumer , anita@orion. ufrgs.br
instituições Univ. Autónoma Metropolitano Azcapotzalco Univ. Autónoma Metropolitano Univ. Autónoma de Chapingo Univ. Federal CELSUS R. Univ. Federal do R. Gde do Sul
Paises: México - Brasil

Objetivo: motivar a discussão teórica de novas teorias, propostas para discussão, temas e conceitos utilizados para compreender e explicar os novos problemas que atravessa a sociedade rural na América Latina.
Os objetivos específicos: a globalização ea conseqüente processo de modernização constante modifica a mente rural, por vezes, a situações que não existiam anteriormente, e as novas tecnologias alterar o âmbito do tempo e do espaço que altera o conteúdo do desenvolvimento rural, as corporações transnacionais e os produtores Novas relações na imposição de processos de trabalho flexíveis e nova ruralidade agora explicar os processos em que se encontra o esvaziamento de conteúdo rural, os novos movimentos sociais globais e as lutas são diferentes de conflitos em que a terra não é mais apenas o eixo de luta, enquanto outros cobram um interesse renovado frentes de luta indígena de Chiapas, México, Equador, Bolívia e Brasil, os problemas ambientais estão a aumentar, o tempo em que o mundo parece perder a batalha contra o desmatamento, poluição do ar e da água. Para alguns membros da comunidade acadêmica, o camponês como um sujeito social, levantando-se novamente como um produtor enquanto conservacionista identidades jogador em um mundo cada vez mais globalizado.
TEMAS
Os desafios teóricos da sociologia rural:
a) A formação de sociólogos rurais;
b) novas abordagens teóricas e paradigmas;
c) nova ruralidade, novas formas de liquidação (rurbanizació n a), uma nova relação entre a cidade eo campo;
d) os desafios dos problemas ambientais;
e) os camponeses da América Latina no futuro próximo.

Están abiertas las inscripciones para resúmenes de ponencias al VIII Congreso Latinoamericano de Sociología Rural, organizado por ALASRU.
La recepción de resúmenes de ponencias estará abierta hasta el 20 de diciembre de 2009. El sitio web del congreso contiene los detalles y las convocatorias de todos los Grupos de Trabajo.

La dirección web de la Alasru es www.alasru.org
Contamos con la presencia de todos en Recife / Porto de Galinhas, de 15 al 19 de noviembre de 2010.
Cordiales saludos,
Mesa directiva de Alasru y Comité de Organización del VIII Congresso

Sonia Bergamasco
Presidente da Alasru
Professora da Feagri/Unicamp

Leonilde Servolo de Medeiros
Secretária da Alasru
Professora do Programa de Pós-graduação de C. Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Projetos sucroalcooleiros com recursos do BNDES afetam organização indígenas

Agência Brasil

Os empreendimentos sucroalcooleiros financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) estão segregando as populações indígenas em Mato Grosso do Sul, afirmou à Agência Brasil a diretora-presidente do Instituto Brasileiro de Inovações Pró-Sociedade Saudável (Ibiss), Estela Scândola.

Ela denunciou que as comunidades indígenas estão sendo afetadas pelo plantio da cana em torno de seus territórios e pela participação dos índios na atividade de corte da cana. Com as grandes destilarias, o impacto se torna decisivo na vida dessas comunidades, enfatizou.

”Há uma intervenção direta no modo de vida, que esgarça todo o sistema de proteção social existente na comunidade, porque os homens saem para o trabalho e você tem um novo padrão de organização interna que imputa às mulheres uma alta responsabilidade em manter a comunidade”, disse.

O segundo impacto negativo está relacionado com a presença acentuada do plantio da cana no entorno das comunidades. “Esse entorno, de forma decisiva, impacta as comunidades, seja pelo agrotóxico, seja pela ausência de biodiversidade, seja pela contaminação dos rios”, afirmou.

Em consequência, há o agravamento da exploração sexual de crianças e adolescentes, além do esfacelamento dos núcleos familiares, e a ocorrência crescente de casos de alcoolismo no retorno dos trabalhadores indígenas das destilarias. “Eles retornam às comunidades muitas vezes em situação bastante degradante”, salientou.

Integrante da rede de 30 organizações da sociedade civil denominada Plataforma BNDES, o Ibiss participará, a amanhã (23), no Rio, do 1º Encontro Sul-Americano de Populações Afetadas pelos Projetos Financiados pelo BNDES.

Estela Scândola reivindicou que o banco deve ser co-responsável nos financiamentos que concede. Segundo ela, a instituição tem de estabelecer exigências para a concessão dos empréstimos às empresas e também fiscalizar o cumprimento dessas normas. “Isso não tem acontecido. O banco repassa dinheiro para as grandes empresas e elas não têm responsabilidade com as comunidades no entorno dos empreendimentos” , disse.

A trabalhadora rural Irene, do município de Rio Brilhante, será uma das representantes do Ibiss no encontro. Durante o evento, ela contará como o assentamento ficou sitiado no meio da cana e dos animais em fuga que invadiam a localidade. Além disso, a pulverização aérea afetou todo o sistema de plantio de alimentos nos assentamentos.

Estela Scândola insistiu em que cabe ao BNDES impor as condições socioambientais para as empresas que pleiteam o financiamento. “Porque essas duas condições acabam mudando completamente as condições de vida dessas comunidades”.

Ela afirmou que não por coincidência, a maioria dos empreendimentos está indo para os lugarejos. “São pequenas localidades que mudam completamente a forma de organização”. Em Mato Grosso do Sul, existem 45 acampamentos indígenas que lutam pela área de retomada de terra, sem falar nas comunidades que vivem em áreas demarcadas, disse a presidente do Ibiss.

Fonte

sábado, 21 de novembro de 2009

O Censo e os Agrotóxicos: o uso seguro é possível?

Raquel Maria Rigotto[1]

O debate acerca dos agrotóxicos e suas implicações sobre o ambiente e a saúde humana tem sido majoritariamente encaminhado, desde o começo da Revolução Verde, para a possibilidade e a necessidade de aceitar o uso deles e estabelecer regras que garantiriam a proteção das diferentes formas de vida expostas a biocidas – seria o paradigma do *uso seguro*, também aplicável a outros agentes nocivos, como o amianto. Entretanto, dados apresentados pelo Censo Agropecuário de 2006, recém-divulgado pelo IBGE, trazem importantes elementos para enriquecer este debate, questionar conceitos e abordagens e orientar políticas públicas mais adequadas à realidade.

A legislação brasileira para a regulação dos agrotóxicos se constrói sob o paradigma do uso seguro: a Lei N° 7.802/89 e o *Decreto nº 4.074/2002 atribuem aos Ministérios da Agricultura, Meio Ambiente e Saúde a competência de “estabelecer diretrizes e exigências objetivando minimizar os riscos apresentados por agrotóxicos, seus componentes e afins” (Art. 2º, inciso II). Entre elas estão a obrigatoriedade do registro dos agrotóxicos, após (re) avaliação de sua eficiência agronômica, sua toxicidade para a saúde e sua periculosidade para o meio ambiente; o estabelecimento do limite máximo de resíduos aceitável em alimentos e do intervalo de segurança entre a aplicação do produto e sua colheita ou comercialização; a definição de
parâmetros para rótulos e bulas; a fiscalização da produção, importação e exportação; as ações de divulgação e esclarecimento sobre o uso correto e eficaz dos agrotóxicos; a destinação final de embalagens, etc.

No que toca aos trabalhadores, o Ministério do Trabalho determina que os empregadores devem realizar avaliações dos riscos para a segurança e a saúde e adotar medidas de prevenção e proteção, hierarquizadas em ordem de prioridade. A primeira delas é a eliminação dos riscos, aplicável, no campo da higiene do trabalho, a todos os riscos, mas muito especialmente àqueles de maior gravidade, como seria o caso da maioria dos agrotóxicos. Segue-se o controle de riscos na fonte; a redução do risco ao mínimo através da introdução de medidas técnicas ou organizacionais e de práticas seguras, inclusive através de capacitação; a adoção de medidas de proteção pessoal, sem ônus para o trabalhador, de forma a complementar ou caso ainda persistam temporariamente fatores de risco. Esta Norma (NR 31 da Portaria 3214/78) sublinha ainda o direito dos trabalhadores à informação, ao determinar assegurar que se forneçam aos trabalhadores instruções compreensíveis sobre os riscos e as medidas de proteção implantadas, os resultados dos exames médicos e complementares a que foram submetidos, os resultados das avaliações ambientais realizadas nos locais de trabalho, etc.

O que se pergunta é: no contexto em que vivemos hoje, é possível fazer valer o uso seguro dos agrotóxicos? Vejamos alguns dados.

Em primeiro lugar, a magnitude do uso de agrotóxicos no país: o Brasil é o país que mais consumiu estes produtos no mundo em 2008. Foram 673.862 toneladas (o que corresponde a cerca de 4 quilos de agrotóxicos por habitante), transferindo US$ 7,125 bilhões para a indústria química (Sindag, 2008). E toda a América Latina entra nos planos desta indústria como “mercado crescente”. No Brasil, são 470 ingredientes ativos, apresentados em 1.079 produtos formulados (Meirelles, 2008).

Em segundo lugar, a extensão do universo em que o uso seguro dos agrotóxicos teria que ser garantido: são 5,2 milhões de estabelecimentos agropecuários, espalhados por todo o país, ocupando área correspondente a 36,75% do território nacional. O setor envolve 16.567.544 pessoas ocupadas (incluindo produtores, seus familiares e empregados temporários ou permanentes), que correspondem a quase 20% da população ocupada no país. Haveria que incluir aqui ainda, entre a população exposta, os trabalhadores das fábricas e do comércio destes produtos, os moradores do entorno desta indústria, os expostos em usos não-agrícolas – as dedetizadoras, por exemplo, e, afinal, todos nós consumidores de alimentos contaminados - nossa dose diária de
venenos...

Em terceiro lugar, estariam as condições institucionais para o Estado fazer valer as regras do jogo em toda esta extensão: aqui vão pesar as deficiências das políticas públicas, feridas pelo peso do neoliberalismo sobre a composição dos quadros de pessoal e a infra-estrutura para execução das políticas, inclusive da fiscalização e vigilância. Não faltam exemplos sobre as dificuldades de implementação do receituário agronômico ou notícias sobre o uso de produtos ilegais. Mais que isso, há que considerar as condições políticas para implementar a legislação reguladora: tome-se aqui, por exemplo, a ação incisiva do segmento (econômico e parlamentar) ruralista no sentido de dificultar a reavaliação pela ANVISA de agrotóxicos já banidos por diversos países, inclusive a China – como é o caso do metamidofós e do
paration metílico.

Estando clara a extensão e a complexidade da questão dos agrotóxicos no Brasil hoje, podemos abordar o quarto grupo de fatores para avaliar o uso seguro, que se refere às dificuldades para implantar efetivamente, em cada local de produção e trabalho, as medidas mitigadoras de risco e protetoras da saúde e do ambiente. De acordo com o IBGE, a grande maioria dos produtores são analfabetos ou sabem ler e escrever mas não freqüentaram a escola (39%), ou não possuíam o ensino fundamental completo (43%),
totalizando mais de 80% de produtores rurais com baixa escolaridade. E há um recorte de gênero: entre as mulheres, que respondem por cerca de 13% dos estabelecimentos agropecuários, o analfabetismo chega a 45,7%, enquanto entre os homens, essa taxa é de 38,1%. As regiões Norte (38%) e Nordeste (58%) concentram os maiores percentuais de produtores analfabetos. Não se pode considerar, *a priori*, que baixa escolaridade signifique pouco conhecimento: há extenso e fecundo saber popular e tradicional entre os diferentes grupos de trabalhadores do campo, mas não exatamente em relação aos agrotóxicos, que é um problema criado pela civilização ocidental
urbano-industrial. Com este perfil, eles vêem sendo culpabilizados e responsabilizados pela contaminação (e pelo adoecimento!), até mesmo em alguns estudos acadêmicos.

Agravando esta condição de vulnerabilidade, acrescente-se que há mais de 1 milhão de crianças com menos de 14 anos de idade trabalhando na agropecuária, e quase 12 milhões dos trabalhadores são temporários – o que dificulta a capacitação e o acúmulo de experiência profissional. A assistência técnica seria de ajuda, mas também o censo evidenciou que a orientação técnica continua muito limitada, sendo praticada em apenas 22% dos estabelecimentos – aqueles cuja área média é de 228 hectares. Assim, o Censo Agropecuário de 2006 mostra que mais da metade dos estabelecimentos onde houve utilização de agrotóxicos não recebeu orientação técnica (785 mil ou 56,3%). O pulverizador costal, que é o equipamento de aplicação que
apresenta maior potencial de exposição aos agrotóxicos, é o utilizado em 973 mil estabelecimentos. As embalagens vazias são queimadas ou enterradas em 358 mil estabelecimentos. Cerca de 296 mil estabelecimentos não utilizaram nenhum equipamento de proteção individual – quando usam, a maioria adota apenas botas e chapéu.

Desta forma, para implementar de forma conseqüente e responsável o paradigma do “uso seguro” dos agrotóxicos, seria preciso conceber um vultoso e complexo programa, que incluiria a alfabetização dos trabalhadores, a sua formação para o trabalho com agrotóxicos, a assistência técnica, o financiamento das medidas e equipamentos de proteção, a estrutura necessária para o monitoramento, a vigilância e assistência pelos órgãos públicos, as formas de participação dos atores sociais no processo de tomada de decisões, e muita coisa mais! Quanto tempo levaria para isto? E quantos recursos? Eles estão garantidos e disponibilizados? Enquanto isto, quantas vidas serão ceifadas?

E a intervenção para o uso seguro teria que desenvolver ainda estratégias específicas para os diferentes contextos em que o risco se materializa, considerando, por exemplo, que apenas a soja consumiu a metade destas 673 mil toneladas, seguida pelo milho com 100.000 e a cana com 50.000 toneladas. Ou seja, só nestes cultivos do agronegócio já teríamos cerca de 70% do consumo de agrotóxicos no país. Quais as estratégias para viabilizar o uso seguro neste setor?

Talvez caiba aqui a analogia do “brinquedo perigoso demais para ficar na mão de criança”: reconhecer que não temos condições de fazer o uso seguro. Já que as conseqüências do uso (in)seguro de agrotóxicos para a vida são graves, extensas, de longo prazo e algumas irreversíveis ou ainda desconhecidas... Não seria o caso de priorizar a eliminação do risco, como quer a legislação trabalhista? Não estaria na hora de ouvir ambientalistas, movimentos sociais, trabalhadores e profissionais de saúde que vêm, há décadas, falando e fazendo agroecologia?



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[1] Médica, Professora do Departamento de Saúde Comunitária da
Faculdade de Medicina da UFC. Coordenadora do Núcleo TRAMAS. Conselheira
Titular do Conselho Nacional de Saúde, representante FBOMS.

IMPACTO AMBIENTAL DA PECUÁRIA LATINA TEM DE RECUAR

A pecuária na América Latina será insustentável no longo prazo se o impacto ambiental não for reduzido e a produtividade melhorada, alerta a Agência das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO). Com a liderança do Brasil, o crescimento do setor na região é baseado nas exportações, mas a demanda doméstica também aumenta, criando oportunidades para expansão das vendas nos próximos anos.

Mas a FAO diz que a região se tornou a maior exportadora mundial de carne bovina em boa parte às custas "de sérias consequências ambientais". E que o setor não poderá mais aproveitar as oportunidades comerciais ao custo do meio ambiente. A produção de gado tem hoje um enorme custo ambiental que frequentemente não é contabilizado no preço da carne sul-americana vendida na Europa e América do Norte, diz o estudo. De acordo com a FAO, a degradação da terra e o desmatamento são generalizados na região por causa da produção extensiva de gado e da produção de soja em áreas sensíveis, como florestas.

Enquanto a Europa e a América do Norte desmataram amplas áreas de suas florestas no passado, a América Latina estaria no mesmo ritmo. Pelos dados da agência da ONU, mudanças no uso da terra, incluindo desmatamento, representam 46% das emissões de gases de efeito estufa da região, ante 18% nos países desenvolvidos. O estudo estima que 70% das pastagens na América Latina estariam em processo de degradação entre moderada e severa, levando à baixa produção de carne por hectare e à baixa lucratividade. Com queda na produtividade nas áreas de criação, os pecuaristas desmatam outras áreas de florestas.

Além do desmatamento, o estudo aponta as emissões de metano que contribuem para a mudança climática. Para a FAO, o modelo de produção extensiva na América Latina é particularmente ineficiente em termos de emissões por unidade do produto. O estudo aponta ainda a pecuária como o segundo maior causador de emissões, depois da produção de energia. Com a proximidade da Conferência do Clima da ONU no mês que vem em Copenhague, a pecuária está sob renovado escrutínio por sua contribuição na emissão de gases de efeito estufa. Muita atenção é dada à América Latina pelo peso do Brasil no mercado de carnes.

A pecuária (bovino, suínos, frango, ovelhas etc) contribui com 45% do PIB da agricultura da América Latina e Caribe, com receita anual de US$ 79 bilhões. Representa 13% da produção total do setor no mundo e tem crescido 4% ao ano, o dobro da média mundial. A produção de carne bovina e leite são as mais importantes em valor, com 62% do total regional. A produção de frango representa 30% em valor, liderada pelo Brasil. A produção de suínos fica com 7%. A América do Sul lidera a produção de carne bovina no mundo, com 43% das exportações mundiais em 2008, lideradas pelo Brasil (56,1% do total da região), seguido pela Argentina e Uruguai (11,7% cada), Paraguai (8%) e Colômbia (5%). Os principais mercados importadores de carne bovina são os EUA e a Rússia, mas a China aumenta suas compras.

Segundo a FAO, o Brasil deve ampliar a produção na próxima década, provavelmente recuperando solos degradados e intensificando a produção em "terras abertas na floresta". O país tem sido alvo de críticas no exterior, acusado de destruir a Amazônia para criar gado e plantar soja. Esta semana, em Roma, o presidente Lula insistiu que metade da redução de emissões do país virá com menos desmatamento, o que envolve o setor agropecuário. A pressão sobre a pecuária é forte. O jornal International Herald Tribune publicou um material especial sobre o "negócio da alimentação", analisando como resolver o problema do metano e da carne. As emissões de metano dos bovinos representariam entre 18% e 51% das emissões de gases da pecuária, dependendo da forma de cálculo. Por outro lado, o consumo global de carne e lácteos é projetado para mais que dobrar até 2050.

Jason Matheny, diretor da New Harvest, uma organização de pesquisa, é citado na reportagem prevendo que em 10 anos o mundo terá carne produzida em in vitro, a partir da cultura de células, ao invés do in vivo, ou seja, do animal. As campanhas para se consumir menos carne também se propagam. Na Inglaterra, existe o "Meat Free Mondays", ou seja, segunda-feira sem carne. Na Dinamarca, uma coalizão de restaurantes propõe um menu ecológico para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

A FAO aponta direções para reduzir a oposição ao produto. Primeiro, alerta que os pecuaristas precisam aderir à luta contra a mudança climática porque o fenômeno tem efeito negativo na produção, por exemplo, facilitando a propagação de doenças entre os animais e causando prejuízos. Alerta ainda que mais e mais o mercado internacional vai exigir a "pegada ecológica" (carbon footprint) da carne e lácteos comercializados. Assim, é necessário reduzir as emissões por unidade de produto para manter a competitividade e ganhar mercado. Ou seja, investimentos na área ambiental serão muito lucrativos no longo prazo. Para aumentar a produtividade de forma sustentável, sugere aos governos políticas de recompensa pelo uso sustentável da terra, conservação da água, biodiversidade e redução de emissões, além de melhor saúde animal. (Valor Econômico)

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Monsanto e EMBRAPA

Monsanto anuncia repasse de R$ 8,3 milhões para projetos de pesquisa da Embrapa
05/11
Oito projetos de pesquisa da Embrapa, todos de biotecnologia voltados para a agricultura nacional, serão beneficiados com recursos, a título de royalties, destinados pela Monsanto. Entre as pesquisas beneficiadas estão o desenvolvimento de recursos genéticos de cereais adaptados à seca, de planta transgênica de feijão tolerante ao estresse hídrico, geração de mamoeiro resistente a múltiplas viroses e estudos envolvendo o bicudo do algodoeiro.

O anúncio foi feito hoje (4 de novembro), em cerimônia na sede da entidade, em Brasília (DF), com o repasse, por parte da Monsanto, de R$ 8,3 milhões para o Fundo de Pesquisa Embrapa e Monsanto. Os valores são oriundos do compartilhamento dos direitos de propriedade intelectual, a título de royalties, sobre a comercialização de variedades de soja da Embrapa com a tecnologia Roundup Ready® na safra 2008/2009. Os recursos serão aplicados em projetos de pesquisa da Embrapa (mais detalhes abaixo), escolhidos por meio de um comitê gestor do Fundo de Pesquisa que a Monsanto mantém em parceria com Embrapa.

De 2006 até este ano a Monsanto já repassou ao Fundo de Pesquisa aproximadamente R$ 20 milhões que beneficiaram dezenas de projetos em biotecnologia de diversas unidades da Embrapa.

O vice-presidente de Negócios da área Internacional da Monsanto Company, Jesus Madrazo, veio ao Brasil para prestigiar o evento. Para ele, esta parceria com a Embrapa abre caminho para o desenvolvimento de outras tecnologias que podem resultar em aumento de produtividade para os agricultores. A iniciativa também apóia projetos que podem tornar a agricultura mais sustentável. “Por conta das demandas agrícolas crescentes, é preciso um esforço conjunto para que possamos produzir mais e conservar mais. Estamos otimistas que, em parceria com clientes, políticos, cientistas, organizações não-governamentais, acadêmicos e indústria, podemos tornar a agricultura mais sustentável.”

De acordo com André Dias, presidente da Monsanto do Brasil, esta parceria com a Embrapa confirma o compromisso da empresa com a agricultura e os produtores. “Nossos investimentos para a agricultura estão voltados no desenvolvimento de tecnologias agrícolas que possam aumentar a produtividade, preservando os recursos naturais e que proporcionem melhora na vida dos agricultores. Em alinhamento a esse foco, sentimos um imenso orgulho em termos como parceiros a Embrapa, referência mundial no desenvolvimento de pesquisas agrícolas”, afirma o executivo.

Para a Embrapa, a parceria com a Monsanto é estratégica. “Acordos como este, com foco na pesquisa agrícola e inovação, são fundamentais, e estão alinhados com as prioridades do governo, no sentido de reunir os setores público e privado no enfrentamento do desafio global de aumentar a produtividade agrícola de maneira sustentável”, completa o diretor-presidente da Embrapa, Pedro Antônio Arraes Pereira.

Projetos contemplados

Os recursos irão contemplar os seguintes projetos de pesquisa da Embrapa:

- Expressão de genes envolvidos com a resposta ao estresse hídrico em plantas transgênicas de feijoeiro, com recursos de R$ 447 mil. O objetivo é a obtenção de plantas transgênicas de feijão tolerantes à seca, por meio da expressão de um gene isolado da soja e outro da mamona. As plantas de feijão transgênico obtidas com expressão desses dois genes poderão ser tolerantes a outros tipos de estresse.

- Plataforma tecnológica para a expressão e produção de proteínas recombinantes em plantas, com R$ 690 mil. A ideia é desenvolver uma plataforma, a partir da parceria entre a Embrapa, o Ludwig Institute for Cancer Research, o New York Branch of Human Câncer Immunology at memorial Sloam-Ketting Cancer Center Research e o National Institute of Health (NIH), instituições consideradas referências nacionais e internacionais na área de clonagem de genes, transgenia, produção de biomoléculas e imunologia. O foco de atuação da plataforma será a expressão e a produção de proteínas de interesse da área médica e da agricultura em plantas como soja, por exemplo.

- Fenotipagem, avaliação de mecanismos de tolerância e associação genômica aplicadas ao desenvolvimento de recursos genéticos de cereais adaptados à seca, com R$ 3,3 milhões. O trabalho terá como objetivo identificar e caracterizar recursos genéticos e mecanismos fisiológicos e moleculares de tolerância à seca em arroz, milho, trigo e sorgo, avaliados em condições de campo. O desenvolvimento de cultivares tolerantes às limitações hídricas será uma alternativa sustentável para minimizar os impactos negativos das mudanças climáticas globais.

- Estudo do transcritoma do Bicudo do Algodoeiro (Anthonomus grandis) e da Broca Gigante (Telchin licus licus) para avaliação de genes candidatos a silenciamento por RNAi, com R$ 448,5 mil. O projeto buscará, por meio da transgenia de plantas, o controle dessas duas importantes pragas que afetam a agropecuária nacional.

- Desenvolvimento de estratégia baseada em RNAi para geração de mamoeiro resistente a múltiplas viroses, com R$ 450 mil. Este projeto visa ao desenvolvimento de novas linhagens de mamoeiros resistentes simultaneamente aos vírus da mancha anelar, do amarelo letal e o da meleira (principais doenças da cultura) utilizando ferramentas da biotecnologia. A produção de cultivares de mamoeiros resistentes à infecção por esses vírus é a opção mais promissora e desejável para ser utilizada em um manejo integrado de pragas.

- Aperfeiçoamento do sistema de manejo de Diabrotica spp. nas culturas do milho e batata, com R$ 443,9 mil. A Diabrotica speciosa é um inseto-praga que afeta diversas culturas no Brasil e que ocorre praticamente em todos os estados brasileiros e em vários países da América do Sul. A transferência de genes exógenos para espécies de plantas cultivadas a partir das novas técnicas de engenharia genética propiciou o desenvolvimento de cultivares resistentes a insetos. Os genes para resistência a insetos mais conhecidos e estudados até o momento são os que expressam as proteínas da bactéria Bacillus thuringiensis (Bt). Serão criados métodos de estudo e manejo para os organismos geneticamente modificados (OGM), como monitorar em laboratório as populações de insetos quanto à suscetibilidade ao produto comercial.

- Caracterização morfológica e molecular de populações de Noctuideos e determinação da suscetibilidade a inseticidas e toxinas de Bacillus thuringiensis, com R$ 217 mil. Para combater o aparecimento simultâneo de espécies de lagartas na cultura da soja produtores rurais têm-se utilizado cada vez mais de inseticidas químicos de amplo espectro (piretróides, organofosforados e carbamatos), o que tem restringido o uso de produtos de maior seletividade (por exemplo, o vírus AgMNPV da lagarta-da-soja e Bacillus thuringiensis). O incremento da utilização de piretróides e alguns organofosforados tem ocasionado aumento das populações de outras pragas, como, por exemplo, ácaros, dificultando o manejo adequado das pragas da soja. Portanto, o monitoramento é essencial nos programas de manejo de pragas para verificar se a ineficiência do controle químico é devida à seleção de genótipos resistentes ou ainda determinar a condição real da resposta das populações geográficas a um inseticida (ou toxina) e definir se existe a necessidade de modificar as táticas de manejo.

O restante da verba será direcionado ao aporte no Programa de Desenvolvimento de linhagens de soja geneticamente modificadas com os genes Bt e RR2, concomitante à elaboração de um programa de contenção e rastreamento – “Stewardship”, já em execução pela Embrapa Soja, com R$ 1,1 milhão, e para o gerenciamento e acompanhamento das atividades voltadas à execução dos trabalhos.
As informações são de assessoria de imprensa

Aprovada Lei que cria aPolítica Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural para a Agricultura Familiar e Reforma Agrária (Pnater)

18/11/2009 - 19h38
CRA aprova projeto que cria extensão rural para agricultura familiar

A Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) aprovou, nesta quarta-feira (18), projeto de lei da Câmara (PLC 219/09), de autoria do Poder Executivo, que cria a Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural para a Agricultura Familiar e Reforma Agrária (Pnater).

A matéria foi aprovada por unanimidade, após o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), ter se comprometido a incluir, nos editais de licitação, medidas propostas pelo senador Gilberto Goellner (DEM-MT) exigindo a comprovação de capacitação na área de assistência técnica por parte das empresas privadas que serão escolhidas para prestar assistência técnica aos pequenos agricultores.

A oposição defendeu as exigências às empresas de assistência em razão de o texto aprovado na Câmara propor a dispensa de licitação para as contratações dos serviços de assistência técnica a serem realizadas pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário. O acordo firmado - que colocou as restrições às empresas apenas nos editais e não no texto aprovado - evitou o retorno do projeto à Câmara dos Deputados para novo exame, o que ocorreria no caso da aprovação da emenda de Gilberto Goellner.

A proposição prevê a implementação da Pnater através de um programa nacional a ser desenvolvido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em parceria com os Conselhos Estaduais de Desenvolvimento Rural Sustentável que aderirem ao programa.

Esses conselhos farão o credenciamento, com validade de dois anos, das instituições e organizações capacitadas para a assistência técnica e extensão rural, que apoiarão pequenos agricultores e serão remunerados com recursos federais.

Laércio Franzon / Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Revista IDEAS - Versão OnLine

Está disponível no site: http://www.ufrrj.br/cpda/ideas/edicoes.php#

A publicação semestral é produzida por estudantes do Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (CPDA/ UFRRJ). A Revista IDEAS: Interfaces em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade, disponibiliza a edição mais recente. O primeiro número do volume 3 já está disponível integral e gratuitamente no site da publicação.

A edição está dividida em três eixos, que reúnem artigos e resenhas de ciências sociais, humanas e agrárias que abordam problemas nacionais e internacionais do meio rural. Os artigos dessa edição tratam da “Questão Agrária em Perspectiva Internacional”, “Organização Social de Assentamentos e Organização Patronal”, e de “Certificação e Meio Ambiente”. Os artigos tratam de temas como a reforma agrária no Brasil e na África do Sul, reflexões sobre as primeiras organizações patronais rurais do Pará, participação na agricultura ecológica, entre outros.

O objetivo do material é disseminar o conhecimento científico produzido em instituições de pesquisa, fomentando assim o debate sobre o mundo rural em integração com o desenvolvimento, a agricultura e a sociedade. A publicação tem apoio do Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural do Ministério do Desenvolvimento Agrário (NEAD/ MDA).

Para ler integralmente os artigos acesse o site da Revista IDEAS: http://www.ufrrj.br/cpda/ideas/edicoes.php#


Fonte: Boletim NEAD http://www.nead.org.br

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Asamblea MAELA CONO SUR 2009

4 al 7 de diciembre, Viña del Mar, Chile

“Coma sano seguro y Soberano”


Convocatoria

La utopía está en el horizonte. Camino dos pasos, ella se aleja dos pasos y el horizonte se corre diez pasos más allá. ¿Entonces para que sirve la utopía? Para eso, sirve para caminar.
Eduardo Galeano.


Según Phil Howard, del Centro de Agroecología y Sistemas Alimentarios Sustentables de California (EEUU), el 40% de los alimentos orgánicos envasados en los estantes de las tiendas naturales son producidos por las mayores compañías del mundo. El avance de las corporaciones sobre lo orgánico puede ser visto tanto como un éxito como un fracaso del movimiento orgánico. Por un lado, la superficie dedicada a la producción orgánica, sin pesticidas sintéticos, aumenta cada año para cubrir la demanda. Por otro, algunos de los ideales del movimiento orgánico, que fue en gran parte una respuesta a la agricultura industrial, han sido dejados de lado. La agricultura orgánica se parece cada vez más a la agricultura industrial y global que intenta combatir. Estas favorecen las grandes inversiones productivas y la agricultura orgánica no es la excepción y con esto se plantea desde el modelo de desarrollo rural imperante, que se asegura la seguridad alimentaria del mundo. Nuestros campos se están despoblando y son los pequeños productores/agricultores/as familiares y campesinos/as que emigran a las ciudades, que siguen sin encontrar apoyo en el marco de políticas públicas, la agricultura ecológica esta llamada a dar respuestas.

La misión del MAELA es fomentar la Agroecología como componente estratégico y político de un modelo alternativo de desarrollo, que reivindica la defensa de la SOBERANÍA ALIMENTARIA aportando ALIMENTOS SALUDABLES desde los campesinos para todos y todas, fortalece y promueve el acceso, la libre circulación y el control de las SEMILLAS NATIVAS Y CRIOLLAS en manos de campesinos, agricultores y pueblos indígenas, la BIODIVERSIDAD, los MERCADOS LOCALES que promueven formas solidarias de vínculo entre el campo y la ciudad, la valoración de la vida y los SABERES LOCALES COMO PATRIMONIO INTANGIBLE DE LOS PUEBLOS RURALES.

Como movimiento representamos a sectores diversos que tenemos en común, la lucha por los mas pobres del campo (y de la ciudad), que no tienen acceso a las condiciones de dignidad que cualquier ser humano debe tener, contra las multinacionales que sustentan agronegocios que se apropian de los recursos naturales como si fueran bienes de propiedad, que mercantilizan los alimentos, las semillas, que a través de los transgénicos, los agrocombustibles, los agrotóxicos, al negocio de los medicamentos, los monocultivos de eucaliptos, el sometimiento a los países en desarrollo a las reglas nefastas de comercio, la monocultura del consumo, la desvalorización de los saberes y sabores locales, someten al mundo a un proceso de erosión cultual, anímico, político, y creativo creciente.


A 20 años de nuestros primeros pasos en este camino, coincidimos con Eduardo Galeano. Y decimos que la AGROECOLOGIA ES ALIMENTO SANO, DIALOGO DE SABERES, CONCIMIENTOS Y MOVIMIENTO SOCIAL.

Los y las convocamos a fortalecer juntos el camino por la Agroecología en Latinoamérica.

Compañeros/as a participar de nuestra Asamblea 2009!


Programa

4 DE DICIEMBRE
8:30 a 13:30 hs.
Seminario: “Agricultura Ecológica: consume sano, seguro y soberano” .
8:30 a 09:00 inscripciones e Inauguración.
09:00 a 11:00 Mesa Redonda de Experiencias de Mercados Locales y SPGs.
11 a 11:30 café.
11:30 a 13:30 Mesa Redonda de Experiencias de Manejo de Semillas
Se presentaría en cada Mesa una experiencia por país visitante y dos de Chile, con un tiempo de 15 minutos cada una y 30 minutos en total para preguntas.
13:30 a 14:30: Almuerzo
Paralelo Feria de intercambio de semillas
15:30 hs. Conformación grupo de seguimiento de semillas CONO SUR
 Coordina: MAELA ARGENTINA
 Participantes: Miembros de MAELA
5 DE DICIEMBRE
8 a 12 hs
Círculo De Aprendizajes en Mercados Locales y Spgs
 Campaña Consuma Sano Seguro y Soberano
 Coordina: MAELA CONOSUR
Participantes: miembros de MAELA.

12 en adelante Visitas a predios y cena campestre
___ 6 DE DICIEMBRE
8:00 ASAMBLEA CONO SUR
1. Bienvenida a los y las participantes (Coordinación Regional y MAELA Chile).
2. Entrega de reconocimientos a nuevas organizaciones miembros
3. Informes nacionales
4. Informes regional y continental
5. Ejes estratégicos del MAELA regional y continental: DISCUSION Y PROPUESTAS
6. Presentación y aprobación de nuevo/a coordinador/a regional 2010 - 2013
7. Presentación de candidaturas a coordinación continental
8. Lectura de acuerdos y cierre de asamblea
Organización

 Comité organizador de los eventos: Maela Chile y MAELA Cono Sur

 Participación: Cada país coordina con los
/as coordinadores/as nacionales la delegación que participará representando al país en la reunión de semillas, el encuentro de mercados locales y la asamblea propiamente dicha. Cada país deberá presentar una experiencia de mercados locales (y spgs si los hay), y una experiencia en semillas (rescate, revalorizacion, multiplicación, etc)

 La consigna en la participacion: equidad de género y equidad entre productores/agricultores/as campesinos y organizaciones de apoyo en la delegación de cada país,

 Pasajes: MAELA dispondrá de alrededor de 1700 dólares por país, para asegurar la participación de 6 miembros. Este aporte no necesariamente implica el 100 % del costo de los pasajes sino que los miembros a través de las cuotas anuales de membresía pueden aportar lo que resta para asegurar esa delegación mínima. Se compraran por anticipado y en Chile se le reembolsara el valor asignado por país.

 Alojamiento y Alimentación: Maela aportará 4000 dólares para esto y el resto las organizaciones nacionales de Chile.

 Feria de semillas: Tendremos un espacio abierto para que las organizaciones puedan compartir materiales, proyectos, productos con los/as participantes, y si pueden semillas.






Estadía y alojamiento


 Clima en Viña: Clima agradable 20 a 25 grados Celsius.

 Alojamiento: Casa del Casino, contiguo a la Universidad

 Lugar de trabajo: salas de la Universidad del Mar
Amunátegui 1838, Recreo, Viña del Mar, Chile,

 Moneda: peso chileno (aprox. 450 a 470 pesos chilenos por dólar)

 Transporte desde Santiago a Viña del Mar
Los compas de Chile estarán esperándonos en el aeropuerto con un cartel
de MAELA y nos guiaran hasta la Terminal de ómnibus para el traslado a
Viña del Mar.

Carta Agroecológica de Curitiba - CBA 2009

VI Congresso Brasileiro de Agroecologia e II Congresso Latinoamericano
de Agroecologia

Os cerca de 3.800 participantes inscritos no VI Congresso Brasileiro de Agroecologia e II Congresso Latino-americano de Agroecologia, reunidos em Curitiba (PR), Brasil, no período de 9 a 12 novembro de 2009, tendo como tema central “Agricultura familiar e Camponesa: experiências passadas e presentes construindo um futuro sustentável” vêm através da presente afrimar o que segue:
A agricultura Latino-americana e Brasileira passam por uma crise sem precedentes caracterizada por níveis recordes de pobreza rural, fome, migração, degradação ambiental, intensificada pelas mudanças climáticas e as crises energética e financeira. O modelo agrícola industrial exportador e a expansão de monocultivos de trangênicos, agrocombustíveis e de agrotóxicos são diretamente responsáveis por essa crise. Está claro que esse modelo convencional é inviável e que a Agroecologia fornece as bases científicas e metodológicas para as estratégias de transição a um novo paradigma de desenvolvimento. A base cultural, social e produtiva desse novo paradigma está, especialmente na agricultura familiar e camponesa, fonte fundamental de saber agrícola tradicional, agrobiodiversidade e estratégias de segurança e soberania alimentar.
Considerando o acima exposto, reafirmamos:
1. O papel da Agroecologia para a mudança de paradigma de desenvolvimento capaz de construir uma agricultura biodiversa, de base familiar e camponesa e resiliente às mudanças climáticas.
2. O compromisso da Agroecologia em transformar essa realidade de iniqüidade do campo, promovendo o desenvolvimento rural e a construção de um mundo mais justo, solidário e ambientalmente sustentável;
3. A importância da adoção do enfoque científico da Agroeocologia, cuja base epistemológica pressupõe o intercâmbio dos saberes técnico,científico e popular.
4. O reconhecimento da importância da Agricultura Familiar e Camponesa,e dos saberes dos povos indígenas e tradicionais, para assegurar o fortalecimento do tecido social e da identidade cultural dos povos latinoamericano,incluindo o acesso a terra, sementes, água e o direito à segurança e soberania alimentar;
5. A necessidade de reconhecimento dos saberes e experiências das mulheres nas suas práticas ligadas à reprodução da vida: segurança e soberania alimentar, saúde, manutenção e conservação da agrobiodiversidade. Que suas reivindicações e demandas sejam valorizadas por extensionistas, pesquisadores, gestores e lideranças.
6. A importância de contemplar o tema das relações de gênero, evidenciando a necessidade de valorizar as contribuições das mulheres e as questões que dificultam a sua participação como sujeitos plenos de direitos, entre elas, a violência cotidiana enfrentada pelas agricultoras.
7. A importância do I Encontro Nacional dos Grupos de Agroecologia (I ENGA) realizado durante o congresso, onde se reuniram mais de 40 Grupos de Agroecologia (GA’s) de várias localidades do Brasil, com ou sem vínculo acadêmico, contando com mais de 500 participantes de GA’s, de Executivas de curso (FEAB, ABEEF e ENEBio), da Via Campesina e da Rede de Arte Planetária (RAP). Durante o encontro colocaram em prática princípios da Agroecologia como bioconstruções, sanitários ecológicos, feiras de trocas, oficinas, debates, entre outros.
Por fim, o ENGA cumpriu com seus objetivos: construção de uma Rede entre os GA’s, proporcionando espaços de intercâmbio entre os diversos participantes.
8. O nosso apoio às estratégias de educação em Agroecologia em todos os níveis, bem como a produção científica e tecnológica e os respectivos meios de disseminação, para fortalecer o diálogo com o conjunto dos conhecimentos necessários à construção do conhecimento agroecológico e a formação de uma massa crítica capaz de enfrentar os
desafios do futuro;
9. Que se deve ampliar as políticas públicas e as estratégias de pesquisa, de extensão e de desenvolvimento científico e tecnológico de promoção dos princípios da Agroecologia, incluindo-os como referência teórica e metodológica em todos os níveis das instituições que atuam em ensino, pesquisa e extensão, valorizando e respeitando as singularidades territoriais, promovendo a cidadania e o desenvolvimento rural
sustentável.
10. A necessidade de fortalecer e ampliar os mecanismos de interação, intercâmbio e cooperação da ABA e da SOCLA, com instituições da sociedade civil organizada, com vistas às atividades de produção, ensino, pesquisa e extensão, à construção do conhecimento agroecológico, em consonância com as demandas emergentes de estratégias de adaptação às mudanças climáticas, uso sustentável dos recursos energéticos e hídricos, e manutenção da biodiversidade;
11. Que deve ser incrementada a inserção da ABA e da SOCLA nos diversos fóruns que discussão das políticas públicas sobre as grandes questões de interesse da sociedade, tais como estratégias de desenvolvimento, biossegurança, segurança e soberania alimentar, reforma agrária, etc.
12. A necessidade de incrementar os investimentos públicos em programas e projetos de apoio à transição agroecológica, à agricultura urbana e à Agricultura Familiar e Campesina.
13. O imperativo de fortalecer as estratégias agroecológicas para a construção de uma matriz energética sustentável, ancorada em energias eólicas, hidroelétricas de pequeno porte, solar e biomassa, alternativa a atual matriz com base no uso do petróleo, para o fortalecimento da Agricultura Familiar e Camponesa, evitando a expansão dos agrocombustíveis que substituem a produção de alimentos e comprometem biomas e áreas estratégicas;
14. Que é fundamental para a humanidade manter os centros de origem das espécies cultivadas livres de organismos transgênicos e impedir o patenteamento dos recursos genéticos que permitem o livre intercâmbio de sementes.
15. Que protestamos veementemente contra o julgamento de valores por parte de membros da CTNBio e da AGU afirmados na ação civil pública no 2009.70.00.021057-7/PR e que negam o papel histórico dos agricultores no manejo, melhoramento e conservação da agrobiodiversidade;
16. Que exigimos ao CNS retratação imediata do desacato provocado pela CTNBio/MCT e AGU aos agricultores, em particular, à agricultura familiar.
17. Que somos contra práticas agrícolas, tecnologias, políticas públicas e empresas multinacionais da indústria agroalimentar que comprometem a proteção ambiental, favorecem a desigualdade sócio-econômica, atentam contra a segurança e soberania alimentar, a saúde e a vida; especialmente no que se refere aos transgênicos (OGMs) e aos agrotóxicos.
18. O nosso repúdio às ações da bancada ruralista no Congresso Nacional para a alteração da legislação ambiental que protege os diferentes biomas.
19. Que finalmente os participantes do evento destacam sua motivação em compartilhar experiências, debater e, sobretudo, sua disposição para odiálogo entre as ciências e as organizações da sociedade, a colaboração para caminhos agroecológicos que permitam cultivar e construir um mundo onde todos possam viver como ensina a vida:
Sem impor nem homogeneizar, mas multiplicar a biodiversidade de seres e culturas, com verdadeiro amor pela sabedoria de nossos povos (Felipe Iñiguez, MAELA).

Curitiba, 12 de novembro de 2009

Assinam os cerca de 3.800 participantes inscritos no VI Congresso
Internacional de Agroecologia e II Congresso Latino-americano de
Agroecologia.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Lixo no Oceano Pacífico pode ter 2 vezes tamanho do Texas

Detritos da vida humana se juntam em um redemoinho de centenas de km em uma área remota do Oceano Pacífico, ao norte do Havaí.

A bordo do Alguita, mil milhas ao norte do Havaí, em uma área remota do Oceano Pacífico, a centenas de km de uma fronteira nacional, os detritos da vida humana se juntam em um redemoinho tão grande que desafia uma medição precisa. Lâmpadas, garrafas, escovas de dente, palitos de picolé e pequenos pedaços de plástico, cada um do tamanho de um grão de arroz, habitam a mancha de lixo do Pacífico, uma vasta área de detritos que toda década dobra de tamanho e que se acredita ter hoje quase duas vezes o tamanho do Texas.

Uma organização de pesquisa, porém, estima que o lixo na verdade impregna o Pacífico, embora a maioria dele seja detectada no que oceanógrafos chamam de redemoinho, como esse que visitei - onde fortes correntes e fracos ventos mantêm o lixo girando em uma espiral gigantesca. Cientistas afirmam que a porção de lixo é apenas uma das cinco que podem ser detectadas em redemoinhos gigantes espalhados ao redor dos oceanos do mundo. Equipamento pesqueiro abandonado como boias, linha de pesca e redes correspondem a parte dos resíduos, mas outros itens vêm da terra, de galerias pluviais despejadas no mar.

O plástico é o resíduo mais comum por ser leve, durável e um produto onipresente e descartável tanto em sociedades avançadas quanto em desenvolvimento. Ele pode flutuar centenas de km antes de ser pego por um redemoinho e, então, se decompor com o tempo. Mas depois de se partir em pedaços, os fragmentos parecem confete na água. Milhões, bilhões, trilhões e mais dessas partículas flutuam nos redemoinhos repletos de lixo do mundo.

PCB, DDT e outros compostos químicos tóxicos não se dissolvem na água, mas o plástico os absorve como uma esponja. Peixes que se alimentam de plâncton ingerem as minúsculas partículas plásticas. Cientistas da Algalita Marine Research Foundation afirmam que tecidos de peixe contêm alguns dos mesmos componentes do plástico. A hipótese dos cientistas é que as substâncias tóxicas infiltram-se no tecido do peixe por meio do plástico que comem.

Os pesquisadores afirmam que quando um predador - um peixe maior ou uma pessoa - come o peixe que come o plástico, esse predador pode estar transferindo toxinas a seus próprios tecidos, e a concentrações maiores, já que toxinas de múltiplas fontes alimentares podem se acumular no corpo. Charles Moore descobriu a mancha de lixo do Pacífico por acidente há 12 anos, quando passou por ela ao voltar de uma competição de navegação no Havaí. Sob o verão, o capitão Moore transportou três pesquisadores, seu imediato e um jornalista nesta que é sua 10ª viagem científica ao local. Ele está convencido de que várias manchas de lixo semelhantes ainda precisam ser descobertas.

"Em qualquer lugar que você procurar, você vai achar", disse. Muitos cientistas acreditam que exista uma mancha de lixo na costa do Japão e outra no Mar dos Sargaços, no meio do Oceano Atlântico. Bonnie Monteleone, uma pós-graduanda da Universidade da Carolina do Norte, em Wilmington, cujo mestrado trata da acumulação de plástico no oceano, visitou o Mar dos Sargaços no final da primavera e a porção de lixo do Pacífico neste verão com Moore.

"Vi concentrações muito maiores de lixo na porção de detritos do Pacífico do que no Sargaço", disse Monteleone, embora reconheça que talvez não tenha encontrado o redemoinho do Atlântico. Monteleone, uma tripulante voluntária na embarcação de Moore, tinha esperança de ver pelo menos uma amostra coletada da área de lixo do Pacífico sem nenhum resíduo. "Só uma área, só uma", disse ela. "É tudo que queria ver. Mas em todo lugar havia plástico."

A porção de lixo do Pacífico ganhou destaque depois de três organizações de pesquisa marinha independentes terem visitado o local neste verão. Uma delas, Project Kaisei, de São Francisco, tenta desenvolver formas de limpar a área transformando o plástico em diesel. Ambientalistas e celebridades estão usando a mancha para promover suas próprias causas. O grupo sem fins lucrativos de Ted Danson, o Oceana, considerou Moore um heroi por seu trabalho na área. Outra figura de Hollywood, Edward Norton, narrou um anúncio de utilidade pública sobre sacolas plásticas, que acabam se juntando ao lixo flutuante.

Moore, porém, é o primeiro a realizar pesquisas científicas sérias coletando amostragens da porção de lixo. Em 1999, ele fez com que a fundação Algalita se dedicasse ao estudo da área. Agora, a fundação examina os resíduos plásticos e coleta amostras da água poluída na costa da Califórnia e através do Oceano Pacífico. Ao arrastar uma fina tela com seu navio de pesquisa Alguita, um catamarã de alumínio de 15 m, Moore consegue coletar pequenos fragmentos plásticos.

Os pesquisadores medem a quantidade de plástico em cada amostra e calculam o peso de cada fragmento. Eles também testam o tecido de qualquer peixe capturado nas redes em busca de substâncias tóxicas. Um peixe-rei coletado em uma viagem anterior tinha 84 pedaços de plástico no estômago.

A equipe de pesquisa ainda não testou as últimas capturas para constatar substâncias tóxicas, mas as amostras d'água mostram que a quantidade de plástico no redemoinho e no Pacífico está aumentando. Amostras da água de fevereiro continham duas vezes mais plástico do que há uma década. "Essa não é porção de lixo que encontrei em 1999", disse Moore. "Isso é um animal completamente diferente."

Para o imediato do capitão, Jeffery Ernst, a porção é "só um lembrete de que não há nenhum lugar que não seja afetado pela humanidade".

Tradução: Amy Traduções
Fonte: Terra

Agricultura familiar é tema de curso da Universidade de Feira de Santana (BA)

Feira de Santana - Adital -
A Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), município do estado da Bahia, deu início, quarta-feira (4), às atividades do Curso de Extensão em Gestão de Cooperativas, com o objetivo de formar agentes em cooperativismo nas áreas de agricultura familiar e de economia solidária.
Na abertura dos trabalhos, o vice-reitor Washington Almeida Moura ressaltou que a iniciativa proporciona oportunidades e aproxima a Universidade das classes menos privilegiadas.

Com previsão de formar nove turmas por território, com 40 vagas cada uma, o curso é dividido em quatro módulos. O público alvo é composto por representantes de empreendimentos da agricultura familiar ou ligados à economia solidária.


"Este curso é uma construção coletiva, um processo efetivo de diálogo com a sociedade, formalizando o verdadeiro papel da universidade", salienta a pró-reitora Extensão, Maria Helena Besnosik.

As atividades deste primeiro módulo prosseguiram até sábado (07) no campus da Uefs, no auditório 1 do Módulo 1º.

Outras informações na Pró-Reitoria de Extensão, localizada no prédio da Administração Central, ou através do telefone (75) 3224.8026.

Fonte: Assessoria de Comunicação da Uefs

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS

Número 467 - 13 de novembro de 2009

Acesse Boltim na integra: http://www.aspta.org.br/por-um-brasil-livre-de-transgenicos/boletim/


Car@s Amig@s,

“A proteção excessiva de direitos de propriedade intelectual na agricultura é um obstáculo, e não um incentivo à inovação”. A frase é Olivier De Schutter, Relator Especial das Nações Unidas para o Direito à Alimentação.
Recentemente foi divulgado seu novo relatório intitulado “As políticas de sementes e o direito à alimentação” (A/64/170 - Report to the General Assembly -- main focus: seed policies and the right to food).
O documento, que foi apresentado à Assembleia Geral da ONU, examina as consequências das políticas de sementes e dos direitos de propriedade intelectual aplicados à agricultura sobre a realização do direito a uma alimentação adequada. O documento também apresenta propostas aos Estados sobre políticas de sementes que levem em conta a necessidade de favorecer a inovação na agricultura e, ao mesmo tempo, assegurar que o tipo de inovação promovida contribua para a plena realização do direito à alimentação.
O relator observa que o mercado global de sementes comerciais é hoje dominado por apenas dez empresas -- elas detêm 67% do mercado de sementes protegidas por direitos de melhorista. A maior empresa, a Monsanto, domina sozinha 23% deste mercado. Além disso, 97% das patentes sobre sementes pertencem a empresas do Norte.
Segundo o relatório, as grandes empresas estão não apenas privando os agricultores pobres de insumos essenciais ao seu sustento, mas também puxando para cima os preços dos alimentos.
Existem basicamente duas maneiras de os agricultores terem acesso a sementes: estocando-as de um ano para outro e intecambiando-as localmente, ou dependendo de sistemas formais que comercializam “sementes melhoradas” certificadas por autoridades competentes.
Segundo o relatório, os sistemas tradicionais de sementes estão sendo rapidamente deteriorados devido à falta de políticas agrícolas adequadas. Em contrapartida, o sistema comercial está prosperando como resultado da globalização e do fortalecimento das leis de propriedade intelectual através de instituições como a Organização Mundial do Comércio (OMC).
De Schutter observa que o argumento habitualmente utilizado para negar o risco de aumento de dependência dos pequenos agricultores às sementes comerciais é o de que os agricultores não são obrigados a adquirir sementes protegidas por direitos de melhorista somente porque elas estão disponíveis. Entretanto, observa ele, os poderes públicos têm sistematicamente apoiado a expansão das sementes comerciais através de subsídios mediante a adoção de sementes comerciais. Comumente os agricultores recebem variedades comerciais de sementes como parte de um pacote que inclui crédito, sementes, fertilizantes e agrotóxicos. Frequentemente, a aceitação de tais pacotes constitui a única maneira de os agricultores terem acesso a crédito. O resultado final é a progressiva marginalização ou desaparecimento das variedades locais e a consequente peda de agrobiodiversidade.
Neste contexto, as sementes transgênicas apresentam ainda um problema adicional: elas são muito caras. Pesquisas mostram que em países pobres, muitos pequenos agricultores se tornam reféns de dívidas após adotarem a tecnologia.
O relator ressalta ainda a perda de diversidade genética provocada pela expansão das variedades comerciais. A pesquisa em melhoramento genético se concentrou no desenvolvimento de um número limitado de variedades de alto rendimento, fazendo com que hoje se cultivem apenas 150 espécies. A maior parte da humanidade vive de não mais que 12 espécies de plantas, e o grosso da produção se concentra nos quatro cultivos básicos mais importantes (trigo, arroz, milho e batata). Estima-se que aproximadamente 75% da diversidade genética vegetal tenha sido perdida à medida que os agricultores de todo o mundo foram abandonando suas variedade locais em favor de variedades geneticamente uniformes que produzem mais em determinadas condições. A diversidade genética dos próprios cultivos também está se reduzindo. Por exemplo, no Sri Lanka, em 1959, eram cultivadas 2.000 variedades de arroz; em 1992, eram menos de 100, das quais 75% tinham uma origem comum. Esta erosão genética em grande escala aumenta a nossa vulnerabilidade aos efeitos das mudanças climáticas e ao aparecimento de novas pragas e doenças.
“Esta tendência precisa ser revertida”, disse De Schutter. Para ele, pequenos agricultores precisam de maiores proteções legais dos governos, caso contrário a segurança alimentar estará seriamente ameaçada.
O relator observa que o artigo 11 do Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais impõe aos Estados a obrigação de respeitar o acesso a uma alimentação adequada. A introdução de legislação ou outras medidas que criem obstáculos à utilização pelos agricultores de sistemas extraoficiais de sementes contraria esta obrigação, ao privar os agricultores de um meio para obter seu sustento.
Entre outras medidas, ele recomenda que os governos apóiem e ampliem os sistemas locais de intercâmbio de sementes, como os bancos comunitários e as feiras, assim como os registros comunitários de variedades camponesas. Os Estados também poderiam desenvolver incentivos para favorecer uma maior utilização de produtos alimentares elaborados a partir de variedades dos agricultores ou favorecer seu uso mediante políticas como a merenda escolar.
Outra proposta apresentada no relatório trata da possibilidade de se utilizar a legislação antitruste para combater a concentração excessiva no mercado de insumos, que leva ao risco de abuso por parte das empresas de sementes e de fixação de preços injustificadamente altos e proibitivos aos agricultores.
Cabe ressaltar que todas estas questões e observações se aplicam perfeitamente ao caso brasileiro. E, infelizmente, a linha predominante das políticas agrícolas que vêm sendo adotadas no Brasil vai na contramão das propostas de De Schutter. Vivemos um tempo em que o agronegócio desfruta de grande poder e influência, tanto sobre o governo e o Congresso, como sobre os meios de comunicação de massa. Através deste boletim vimos sistematicamente divulgando e denunciando a implementação de medidas e a tramitação de projetos de lei que, se aprovados, irão aprofundar o grave cenário de problemas enfrentado pelos agricultores familiares do país (como são exemplos as propostas de mudanças nas leis de cultivares, de patentes e de biossegurança).
Oxalá este novo relatório possa exercer influência positiva sobre as instituições internacionais com as quais o Brasil se relaciona e motivar uma mudança de postura de nossas autoridades frente à verdadeira crise do campo.
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Neste número:

1. PV contesta projeto que elimina rotulagem de alimentos transgênicos

2. Monsanto desiste de milho com alto teor de lisina

3. Comissão Europeia autoriza a importação de três variedades de milho transgênico

4. Pesadelo assombra produtores de soja transgênica

5. Departamento de Justiça dos EUA questiona Monsanto sobre práticas anticompetitivas


6. Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura


7. Congressos brasileiro e latino-americano de agroecologia reúnem mais de 2.500 pessoas

Eventos:
Seminário Franco-Brasileiro: Patrimônio cultural e sistemas agrícolas locais

Data: 19-20 de novembro de 2009

Local: Auditório da Biblioteca de Brasília, Esplanada dos Ministérios. (Setor Cultural Sul, lote 2, Edifício da Biblioteca Nacional) - Brasília.

Inscrições: Inscrição preliminar a partir pelo endereço seminariphanird@gmail.com com indicação de nome, instituição, área de atuação e endereço eletrônico (a sala permite a entrada de 70 participantes. A partir de 10/11 será solicitada confirmação da participação).


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Campanha Brasil Ecológico, Livre de Transgênicos e Agrotóxicos

Este Boletim é produzido pela AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia e é de livre reprodução e circulação, desde que citada a AS-PTA como fonte.

Para os números anteriores do Boletim, clique em: http://www.aspta.org.br/por-um-brasil-livre-de-transgenicos/boletim/

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AS-PTA: Tel.: (21) 2253-8317 :: Fax (21) 2233 8363

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

7° Encontro Ampliado da Rede Ecovida de Agroecologia

O Centro Ecológico e a Prefeitura Municipal de Ipê tem a honra de convidar para o 7° Encontro Ampliado da Rede Ecovida de Agroecologia, que acontecerá no município de Ipê, no período de 13 a 15 de novembro de 2009.
A rede possui 25 núcleos regionais, entre os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná e está em mais de 170 municípios, totalizando assim mais de três mil famílias, 270 grupos informais (associações de agricultores) e 30 ONGs.
Há cada 02 anos a Rede Ecovida promove encontros objetivando a troca de experiências e o debate sobre assuntos relacionados à agroecologia, tendo como público-alvo agricultores familiares, ONGs e entidades relacionadas à agroecologia. Neste ano de 2009, cerca de 700 pessoas representando os núcleos da rede e entidades localizadas em todo o Brasil, como também alguns países da América Latina, além da comunidade local e visitantes participarão deste evento.

Programação:
13/11 (sexta-feira)
10h. Recepção das caravanas dos 25 núcleos da rede
Local: CTG Tronco do Ipê
14h. Abertura e plenária temática
Local: Salão Centenário
Feira de Saberes e Sabores – exposição de artesanato e produtos ecológicos, produzidos por entidades e agricultores familiares ecológicos ligados a Rede Ecovida, na Praça da Matriz. A feira acontecerá durante os 03 dias simultaneamente às demais atividades.
14/11 (sábado)
08h30. Seminários – Acontecerão 06 seminários simultâneos.
Eixos Temáticos:
• Soberania e Segurança Alimentar e Agroecologia: os desafios para a Rede Ecovida
Local: Auditório da Escola Estadual Frei Casemiro Zafonatto
• Sistemas Participativos de Garantia
Local: Salão Centenário
• Sistemas Agroflorestais
Local: Auditório do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ipê

• Biodiversidade Raças Crioulas
Local: Ginásio da Escola Estadual Frei Casemiro Zafonatto
• Juventude, Agroecologia E Educação No Campo
Local: CTG Tronco do Ipê
• Seguridade e rastreabilidade da agrobiodiversidade
Local: CTG Cancela do Imigrante – Antônio Prado

14h. Oficinas:
Ocorrerão mais de 30 oficinas simultâneas durante toda a tarde.


15/11 (domingo)
08h30. Plenária de encerramento
Local: Salão Centenário
Tarde - Saída das caravanas

INFORMAÇÕES:
Centro Ecológico
Fones: (54) 32 33 16 38/ (54) 35 04 55 73
E-mail: centro.serra@centroecologico.org.br.
Site: www.centroecologico.org.br

Prefeitura Municipal de Ipê
Fone: (54) 32 33 10 50
E-mail: prefeitura@ipe-rs.com.br
Site: www.ipe-rs.com.br / www.pmipe.rs.gov.br

Cordialmente,


Carlos Antônio Zanotto
Prefeito Municipal
Luis Carlos Diel Rupp
Coordenador do Centro Ecológico

Nanopartículas podem danificar DNA à distância

Fonte:
http://noticias.terra.com.br/ciencia/noticias/0,,OI4085704-EI238,00-Nanoparticulas+podem+danificar+DNA+a+distancia+diz+estudo.html

Nanopartículas podem danificar o DNA de células à distância, mesmo sem cruzar as barreiras celulares que protegem certas partes do corpo, afirmam pesquisadores britânicos. A surpreendente descoberta levanta novas questões sobre a segurança da nanotecnologia, que envolve a manipulação de partículas que são dezenas de milhares de vezes menores que a espessura de um fio de cabelo. Mas a tecnologia também pode ajudar cientistas a criar mais medicamentos e ferramentas de diagnósticos efetivas.

Cientistas da Universidade de Bristol testaram o impacto de altas concentrações de nanopartículas metálicas no DNA em um experimento de laboratório, que eles salientaram não ser projetado para reproduzir precisamente as condições do corpo humano.

"para a nossa grande surpresa, não só vimos danos em um lado da barreira, como também danos no outro lado da barreira", disse o pesquisador Patrick Case a repórteres.

Case e seus colegas descobriram que as nanopartículas não chegaram a passar pela barreira celular de múltiplas camadas, mas na verdade geraram moléculas de sinalização que foram então transmitidas para as células do outro lado.

Os cientistas, que publicaram o trabalho na Nature Nanotechnology, disseram que as descobertas sugerem que efeitos diretos e indiretos de nanopartículas nas células são igualmente importantes quando se considera seu uso na medicina.

As nanopartículas - com diâmetro medido em bilionésimos de metro - estão sendo estudadas cada vez mais pela medicina, onde podem ajudar na produção de medicamentos contra câncer e outras doenças. A tecnologia já é usada em cosméticos e produtos eletrônicos.

Cientistas chineses publicaram em agosto que sete mulheres jovens chinesas sofreram danos pulmonares permanentes e duas delas morreram depois de trabalharem sem proteção adequada em uma fábrica de tintas que utilizam nanopartículas.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Agrotóxicos en su estómago

João Pedro Stedile *
Publicado dia 28-10-2009 in O GLOBO, Rio de Janeiro.

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Los ricos saben de lo que estamos hablando y tratan de consumir apenas productos orgánicos. Y usted precisa decidirse. ¿De qué lado está?
Los portavoces de la gran propiedad y de las empresas trasnacionales están muy bien pagados para poder defender, hablar y escribir, todos los días, que en Brasil ya no hay más problemas agrarios. Por fin, la gran propiedad está produciendo mucho más y teniendo más beneficios. Por tanto, el latifundio ya no es un problema para la sociedad brasileña. ¿Será verdad?

Tampoco voy a abordar el tema de la injusticia social de la concentración de la propiedad de la tierra, que hace que apenas un 2%, o sea, 50.000 terratenientes, sean dueños de la mitad de toda nuestra naturaleza, mientras que tenemos 4 millones de familias sin derecho a ella.

Voy a hablar de las consecuencias para usted que habita en la ciudad, de la adopción del modelo agrícola del agro negocio. El agro negocio es la producción en gran escala, en monocultivos, empleando muchos agrotóxicos y maquinaria. Usan venenos para eliminar las otras plantas y no contratar mano de obra. Con ello, destruyen la biodiversidad, alteran el clima y expulsan cada vez más familias de trabajadores rurales.
En la cosecha pasada, las empresas transnacionales, y son pocas (Basf, Bayer, Monsanto, Du Pont, Sygenta, Bungue, Shell química…), celebraron que Brasil se transformó en el mayor consumidor mundial de venenos agrícolas. ¡Fueron vertidos 713 millones de toneladas! Una media de 3.700 kilos por cada brasileño. Estos venenos son de origen químico y permanecen en la naturaleza. Degradan el suelo. Contaminan las aguas. Y sobre todo se acumulan en los alimentos. Los cultivos que más usan venenos son: caña de azúcar, soja, arroz, maíz, tabaco, tomate, patata, uva, fresas y hortalizas. Todo esto dejará residuos en su estómago. Y en su organismo afectan a las células y algún día pueden transformarse en cáncer.
Pregunten a los científicos de nuestro Instituto Nacional del Cáncer, centro de referencia de la investigación nacional, ¿cuál es el principal origen del cáncer después del tabaco?
La Anvisa (Agencia Nacional de Vigilancia Sanitaria, de Brasil) denunció que existen en el mercado más de veinte productos agrícolas no recomendables para la salud humana. Pero nadie coloca un aviso en los rótulos de los alimentos, ni los retira de las estanterías. Antiguamente era permitido que la soja y el aceite de soja tuviesen apenas 0,2 mg/kg de residuos del veneno glifosato, para no afectar a la salud. De repente, la Anvisa autorizó que los productos derivados de la soja pudiesen tener hasta 10,0 mg/kg de glifosato, 50 veces más. Ello ocurrió ciertamente por presión de la Monsanto, pues el residuo del glifosato aumentó con la soja transgénica de su propiedad.
Eso mismo está aconteciendo ahora con los derivados del maíz. Después que fue aprobado el cultivo de maíz transgénico, lo que aumenta el uso de venenos, quieren ampliar la posibilidad de residuos del 0,1 mg/kg permitido actualmente para 1,0 mg/kg.
Existen otros muchos ejemplos de las consecuencias de los agrotóxicos. El doctor Vanderley Pignati, investigador de la UFMT (Universidad Federal de Mato Groso, Brasil), reveló en sus pesquisas que en los municipios que tienen gran producción de soja y uso intensivo de venenos los índices de abortos y malformaciones de fetos son cuatro veces mayores que la media del Estado.
Nosotros hemos defendido que es preciso valorizar la agricultura familiar, campesina, que es la única que puede producir sin venenos y de manera diversificada. El agro negocio, para tener escala y grandes beneficios, solo consigue producir con venenos y expulsando a los trabajadores hacia las ciudades.
Y usted paga la cuenta, con el aumento del éxodo rural, de las "favelas" y con el aumento de la incidencia del veneno en su alimento.
Por eso defender la agricultura familiar y la reforma agraria, que es una forma de producir alimentos sanos, es una cuestión nacional, de toda la sociedad. No es más un problema de los sin tierra. Y es por eso que cada vez que el MST y Vía Campesina se movilizan contra el agro negocio, las empresas transnacionales, sus vehículos de comunicación y sus diputados y senadores, nos atacan tanto. Porque están en disputa dos modelos de producción. Está en disputa a qué intereses debe de atender la producción agrícola: ¿tan solo el beneficio o la salud y el bienestar de la población?
Los ricos saben de lo que estamos hablando y tratan de consumir apenas productos orgánicos. Y usted precisa decidirse. ¿De qué lado está?
[Publicado en Rosa Blindada]

* Miembro de la Coordinación Nacional del MST y de la Vía Campesina Brasil