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sábado, 13 de junho de 2009

Frutas e verduras ecológicas entram na merenda escolar

Passo do Sobrado: Produtores locais vão fornecer os alimentos


A merenda escolar no município de Passo do Sobrado a partir deste mês passa a ter 30% de produtos adquiridos no mercado local, diretamente dos agricultores ecológicos do município. O procedimento tem como base a Medida Provisória 455, editada este ano pelo governo federal, que dispõe sobre os procedimentos de repasse de recursos da alimentação escolar para estados e municípios. A primeira entrega de alimentos comprados no município ocorreu no início desta semana na Secretaria de Educação, Cultura e Desporto, com a participação de entidades como o Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor (Capa), Emater/RS-Ascar, além dos grupos organizados de agricultores.

O programa autoriza a União a repassar recursos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) diretamente às escolas. Com esse novo mercado, produtores ecológicos do município, que comercializam também na feira rural de Passo do Sobrado, passam a ter outro espaço para venda de produtos orgânicos. O presidente do grupo de agricultores do Cerro dos Cultivados, Élio dos Santos, demonstra satisfação em ter mais um local para comércio. “Essa é mais uma renda ao produtor, de uma expectativa que tínhamos em comercializar para as escolas”, resume.

Com a primeira entrega, haverá a distribuição às escolas de 50 quilos de mandioca, 20 quilos de batata-doce, 40 quilos de laranja para suco, além de 26 quilos de chuchu e seis quilos de couve. Ao todo são três grupos de agricultores envolvidos nesse projeto: Novo Horizonte, Cerro dos Cultivados e das Mulheres Guerreiras.

A secretária de Educação, Cultura e Desporto, Núbia Bartz, conta que os alimentos serão repassados para todas as escolas do município. Na visão dela, além da ampliação do mercado aos agricultores familiares, os alunos também serão beneficiados. “Introduzir uma alimentação equilibrada, e acima de tudo com produtos ecológicos, transmite aos estudantes uma ideia da importância de se manter hábitos saudáveis”, defende Núbia.

O coordenador do Capa de Santa Cruz do Sul, Jaime Weber, explica que a abertura de mercado aos agricultores locais representa a realização de um sonho. “Nos anos em que trabalhamos com o assessoramento dos agricultores, sempre falamos com eles a respeito desse mercado institucional, que são as escolas. Anteriormente esses alimentos vinham de fora, com um gasto absurdo de energia com o transporte. Nosso sonho era de transformar isso”, afrima Weber.

Força da organização

O coordenador do Capa, Jaime Weber, também engenheiro agrônomo, credita à organização das diferentes entidades o fator predominante para o sucesso do projeto. “Em Passo do Sobrado temos um bom nível de organização, além de um grande potencial de produção. Desse modo, a administração municipal, com o apoio da Secretaria de Educação e de todas pessoas envolvidas, torna o projeto efetivo, justamente por esse conjunto de forças. Agora é manter o trabalho, pois já estudamos a ampliação dessa ação daqui para frente”, afirma Jaime Weber.

Na visão do prefeito Caio Baierle, o poder público municipal deve se engajar na busca da qualidade da alimentação dos alunos, bem como no desenvolvimento dos grupos de agricultores, com abertura de outros espaços para comercialização. “Esse programa, interligando a alimentação escolar com a venda direta dos produtores, é um compromisso que tínhamos com os agricultores orgânicos e, ao mesmo tempo, é uma iniciativa em garantir alimentos saudáveis aos estudantes. Isso faz com que seja agregada qualidade na alimentação e possibilitamos ainda que os agricultores tenham mais renda”, declara Baierle.

(Gazeta do Sul)

El Comite de Etica de la Univ. Nac. Rosario Rechazo Argumentos sobre Aportes Privados de Monsanto

Investigaciones para el bien común

Firmado por Noemí Nicolau y Stella Martínez, el dictamen del comité indica que "no puede predicarse una supuesta neutralidad ética", en respuesta al secretario general de Agrarias, que había justificado así los aportes de Monsanto.

Por José Maggi

"Toda actividad humana incluida la científica y tecnológica está ligada a ciertos valores y fines y acarrea consecuencias, de modo tal que no puede predicarse una supuesta neutralidad ética. Los fines que la Universidad se propone realizar mediante la investigación, enseñanza y extensión expresados en su Estatuto, se cumplen y legitiman si propenden al bien común. De modo
que su actividad debe tener como principal beneficiada a la población". Este es el diplomático pero contundente dictamen del Comité de Etica de la Universidad Nacional de Rosario, elaborado a pedido del rector Darío Maiorana, luego de las declaraciones del secretario general de Ciencias Agrarias, Hugo Permingeat, acerca de la neutralidad de la investigación científica, al reconocer los servicios a terceros prestados por la Facultad a la empresa Monsanto. Luego de conocido el documento, el rector Maiorana le requirió al Comité de Etica de la UNR, al Concejo de Investigación de la Universidad y al presidente la Comisión de Ciencia y Tecnología del Consejo
Superior que "elaboren un proyecto de ordenanza que determine claramente las áreas de conflicto de interés que puedan existir en la investigación que la Universidad hace con terceros privados, para evitar que estos conflictos de intereses surjan".

Maiorana explicó ayer a este cronista: "Sometí los artículos de Rosario/12 a consideración de la Comisión de Etica, que marcó claramente que en la ciencia no hay neutralidad, y mucho más en la Universidad en la que todas nuestras actividades están resguardadas por el estatuto, que dice claramente que la investigación tiene que ver con la misión social de la universidad. Además, aquella opinión de neutralidad está rebatida por el Consejo Superior de la Universidad cuando creó a instancias mías un Comité de Etica de Investigación. Esto significa que no hay neutralidad".

Para el Comité, en tanto, "el diseño de las políticas científicas de la Universidad, y por ende de sus unidades académicas, debe armonizarse con los intereses de la comunidad que debe recibir en forma equitativa los adelantos científicos y tecnológicos que se produzcan". Y agrega que "la formación universitaria de grado y posgrado debe organizarse en el marco de un modelo educativo con perfiles profesionales adecuados para dar respuesta a los problemas y necesidades de la población. La Universidad debe reflexionar permanentemente acerca del mejor modo de alcanzar en su actividad la satisfacción más plena de las necesidades de las personas y de la sociedad".

Por eso, en el documento se marca como "imprescindible que la Universidad trabaje en redes con otras instituciones públicas y privadas para favorecer políticas que tiendan a la identificació n de problemas genuinos de la población, alentando la investigaciones y transferencias en esa dirección y trabajando especialmente para la concreción de sus resultados".

En otro tramo, el texto firmado por Noemí Nicolau y Stella Martínez, apunta que "en el desarrollo de las actividades de extensión mediante las cuales se vuelcan a la sociedad los resultados de las investigaciones y a la vez se genera una forma genuina de financiamiento por la prestación de Servicios Tecnológicos a Terceros, deben ponderarse cuidadosamente los aspectos éticos, teniendo en cuenta las finalidades de la Universidad antes referidos. En concreto, deben respetarse los derechos fundamentales de la persona, los principios universales de precaución y prevención en el cuidado de medio ambiente, el principio de buena fe y la transparencia en las relaciones interpersonales e interinstitucionale s". El comité también ,consideró que "los universitarios están moralmente obligados a considerar las consecuencias generales y particulares de sus acciones".

Para evitar la repetición de hechos conflictivos, Maiorana pidió "una definición clara de la Universidad desde el punto de vista ético de cuáles son las áreas sensibles y los comportamientos que deben tener los investigadores cuando trabajan en nombre de la Universidad, o usando fondos de la misma" y también pide que la propia UNR defina "cuáles son las investigaciones o servicios de terceros que nuestros investigadores no pueden realizar".

quarta-feira, 10 de junho de 2009



Documentário expõe perigos na indústria alimentícia dos EUA


Por Christine Kearney

NOVA YORK (Reuters) - Frangos com peitos maiores, artificialmente engordados. Novas cepas da bactéria letal E. coli. Alimentos controlados por um punhado de grandes corporações. O documentário "Food, Inc." estreia nos Estados Unidos na sexta-feira, retratando esses perigos e as transformações operadas na indústria alimentícia norte-americana, afirmando seus efeitos prejudiciais à saúde pública, ao meio ambiente e aos direitos dos trabalhadores e dos animais. Grandes corporações como a Monsanto, produtora de alimentos geneticamente modificados, as empresas de carnes americanas Tyson Food Inc. e Smithfield Fods e a produtora de frangos Perdue Farms se negaram a conceder entrevistas para o filme. Mas a indústria alimentícia não se calou. Associações comerciais representativas da indústria de carne nos EUA, que movimenta 142 bilhões de dólares por ano, se uniram para refutar as alegações feitas no filme. Lideradas pelo Instituto Americano da Carne, criaram vários sites na Internet, incluindo um chamado SafeFoodInc.com (Alimentos Seguros.com). A campanha delas afirma que os alimentos norte-americanos são seguros, abundantes e de preços acessíveis, enquanto o filme afirma que as imagens de animais pastando em fazendas verdejantes, impressas nos rótulos de produtos alimentícios, são enganosas. "Food, Inc." explora o argumento de que os alimentos não vêm de fazendas simpáticas, mas de fábricas industriais que priorizam o lucro, e não a saúde humana. O filme mostra imagens rodadas dentro de unidades de produção de gado bovino e suíno e de frangos. Algumas foram gravadas por trabalhadores imigrantes, mostrando a falta de espaço dos trabalhadores e dos animais. A fazendeira Carole Morison, do Estado de Maryland, autorizou a entrada das câmeras para mostrar frangos morrendo antes de serem postos no mercado, devido, disse ela, à engorda rápida promovida pelos antibióticos inseridos nas rações. Morison disse que, depois disso, a Perdue encerrou o contrato que tinha com ela. De acordo com o filme, as grandes empresas americanas do setor alimentício hoje fazem uso amplo de técnicas industriais vinculadas a problemas crescentes, como obesidade, diabetes, salmonela, cepas tóxicas da bactéria comum E. coli, e poluição ambiental.O filme afirma que os consumidores podem provocar mudanças, apontando para o caso de Gary Hirshberg, cuja fazenda Stonyfield hoje vende sua linha de produtos orgânicos na rede gigantesca Wal-Mart, devido à demanda.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Grilagem na Amazônia vira lei: aprovada MP que incentiva destruição da floresta

Brasília (DF), Brasil — Medida Provisória que legaliza a invasão de terras públicas e beneficia infratores, também conhecida como PAG, passa no Senado.

Agora é lei: o Senado acaba de aprovar, por 37 votos a favor, 23 contra e três abstenções, Medida Provisória (MP) que legaliza a grilagem de terras públicas na Amazônia e beneficia infratores, estimulando assim a destruição da maior floresta tropical do planeta. Quem acompanhou, ao vivo ou pela TV, assistiu a uma sessão quase surreal, onde não se sabia quem era oposição e quem era da base aliada do governo.

A senadora Marina Silva (PT-AC) fez uma defesa candente da floresta, alertando para o impacto que a aprovação da medida pode ter no aumento do desmatamento e para o risco de transformar áreas griladas em florestas públicas na Amazônia em terras regularizadas. Durante a votação, a proposta, também conhecida como PAG, Plano de Aceleração da Grilagem, foi rebatizada de PAI, Plano de Aceleração das Invasões. Líder do governo no Senado e principal defensor da medida, Romero Jucá (PMDB-RR) foi quem pediu que o presidente Lula assinasse a medida no dia 27 de março. Na ocasião, Lula afirmou que ela atendia aos pedidos de deputados que apóiam o governo no Congresso.

Em maio a MP foi aprovada na calada da noite, horas após a demissão de Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente.

A MP 422 é uma cópia fiel do projeto de lei 2278/07, do deputado Asdrúbal Bentes (PMDB-PA), que ampliava o limite máximo de áreas invadidas na zona rural da Amazônia Legal que poderiam ser legalizadas pelo governo sem exigências, como uma licitação. A MP amplia o limite de 500 para até 1.500 hectares, com a desculpa de beneficiar pequenos proprietários. Ora, 1.500 hectares é terra para gente grande e não 'pequenos proprietários'.

"Era só o que faltava: a grilagem de terras na Amazônia agora virou lei", disse Paulo Adario, diretor da campanha Amazônia do Greenpeace.

"A aprovação do Plano de Aceleração da Grilagem só vem confirmar nossos temores de que o governo optou pelo pragmatismo eleitoreiro, em vez de ampliar os investimentos em atividades que ajudem a manter a floresta em pé e fortalecer as instituições encarregadas de zelar pelo patrimônio ambiental dos brasileiros, como Ibama e Polícia Federal, como reza a Constituição Federal."

Na terça-feira, o Greenpeace entregou ao presidente do Senado, Garibaldi Alves, um DVD contendo um vídeo que usa linguagem da década de 1970 para satirizar o processo de ocupação ilegal de terras na Amazônia. Apesar do tom bem-humorado, o vídeo é um alerta para o fato de que crimes ambientais e conflitos de terras andam lado a lado em regiões onde não existe a presença constante do Estado, como a Amazônia.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Por el uso de agroquímicos, nacen 100 bebés por año con malformaciones físicas

El presidente del Colegio de Ingenieros Agrónomos, Juan Tula Peralta, reveló hoy que se producen más de 100 nacimientos de bebés por año con malformaciones relacionadas al uso de agroquímicos como el glifosato. Las enfermedades que se presentan con mayor frecuencia son el cáncer de piel e inconvenientes en las vías digestivas y respiratorias.Tula Peralta explicó a la prensa local que esos datos surgieron de una investigación que efectuaron sus colegas durante más de un año en el interior provincial. "En Santiago se producen más de un centenar de nacimientos con malformaciones al año por el uso de agroquímicos" , aseveró el experto.Sin embargo, aclaró que no es el único problema que afecta particularmente a los recién nacidos cuyos progenitores viven en zonas rurales, sino que tienen registrados unos 300 casos de personas vinculadas a la actividad productiva que presentan problemas de salud por manipular o haber sido rociados con agroquímicos.La aplicación de glifosato, que es esencial para combatir las pestes en los cultivos de soja, se volvió común en la provincia debido al incesante incremento del área sembrada con esa oleaginosa.Pero la denuncia pública tiene otro aspecto preocupante, que es la incidencia de los tóxicos en los menores de edad, dado que muchos de ellos colaboran con sus padres en las tareas rurales y a menudo se desempeñan como banderilleros, es decir, marcan con su presencia y banderas los lugares en los que las avionetas fumigadoras deben esparcir los herbicidas.En ese sentido, Tula Peralta expuso su preocupación porque "como son chicos, no muestran de forma inmediata la sintomatologí a. Es un proceso que al cabo de unos años empieza a aparecer".Asimismo, el ingeniero agrónomo recordó que anualmente se desechan entre 600 y 700 toneladas de envases plásticos que contenían los pesticidas, que al no tener un tratamiento como residuo peligroso, llegan a convertirse en potenciales contaminantes de suelos y del agua.

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segunda-feira, 1 de junho de 2009

29/05/2009 - 01h05
Nova soja transgênica pode trazer à cena o agente laranja


Multinacional Dow AgroSciences pediu à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) liberação de estudos de nova soja transgênica. Suspeita-se que a variedade seja resistente à um antigo herbicida, o 2,4-D, componente do agente laranja.

Segundo boletim da Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos, o uso do glifosato, herbicida aplicado em transgênicos liberados, está perdendo a eficácia pois as plantas `invasoras` estão cada vez mais resistentes.
Esse é o motivo das empresas começarem a usar herbicidas ainda mais tóxicos, como o 2,4-D. Em 5 de fevereiro, um boletim da Frente Parlamentar da Agropecuária informou sobre a solicitação da Dow à CTNBio para conduzir testes de campo com soja transgênica tolerante ao 2,4-D.

Esta substância é um dos componentes do agente laranja, usado na Guerra do Vietnã pelos Estados Unidos para desfolhar matagais e bosques.Extremamente tóxico, o herbicida é responsável pelo aparecimento de milhares de casos de câncer, doenças neurológicas e pelo nascimento de crianças deficientes no Vietnã.

A Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos sugere que a divulgação pública do nome 2,4-D poderia impedir a liberação dos estudos. Por isso a Dow teria omitido o nome do herbicida no pedido feito à CTNBio.

No pedido, consta apenas a descrição de “soja transgênica tolerante a herbicidas”.


Fonte: Agência Pulsar


(Envolverde/Ecoagência)


Carta da 8a. Jornada de Agroecologia

Nós, 3.500 participantes do 8º Jornada de Agroecologia, reunidos em Francisco Beltrão - Paraná – Brasil, entre os dias 27 e 30 de maio de 2009, reafirmamos nosso compromisso com a Agroecologia – “Cuidando da Terra, Cultivando Biodiversidade e Colhendo Soberania Alimentar” - continuando nossa luta por uma Terra Livre de Transgênicos e sem Agrotóxicos e Construindo o Projeto Popular e Soberano para a Agricultura.


A Jornada de Agroecologia é uma articulação de vários movimentos sociais e organizações da agricultura familiar camponesa, organizações da sociedade civil do campo popular, técnicos e acadêmicos e se insere no grande movimento de lutas dos povos contra a mercantilização da vida, comprometendo-se a construir uma nova sociedade sustentável capaz de satisfazer suas necessidades fundamentais e garantir os direitos das gerações futuras.


A Jornada de Agroecologia é um coletivo político que se contrapõe diretamente ao Capitalismo e sua expressão por meio do Agronegócio, que se reproduz através do latifúndio, do trabalho escravo, da violência, e expulsa as famílias do campo, desestabiliza a soberania alimentar do país, degrada e contamina a natureza e explora os seres humanos.

O momento atual, com a emergência de mais uma crise do capitalismo, que vem a público pelo desabamento da agiotagem financeira expressa na ficção do dinheiro eletrônico, esconde a crise da economia real sustentada na sociedade do automóvel dependente do petróleo. Os capitalistas, negando o catecismo neoliberal, buscam salvaguardar-se e apropriar-se dos recursos públicos acumulados no Estado, alcançando cifras de mais de 8 trilhões de reais para socorrer apenas bancos e seguradoras. Esse valor é quarenta vezes maior do que os recursos destinados ao combate da pobreza e das mudanças climáticas no mundo.

Constitui-se assim um novo ciclo de oportunidades para a acumulação e concentração do capital e do poder, transferindo o custo social para os trabalhadores e populações marginalizadas: agravando o desemprego e aumentando a fome no mundo que já atinge um bilhão de pessoas.

O movimento de 'globocolonização' do capital, expresso através do Agronegócio, condiciona o Brasil a continuar como um país agro-exportador 'confinando' o agricultor a ser um mero produtor de mercadorias, tendo como uma de suas formas a subordinação dos agricultores aos complexos agroindustriais através dos contratos de 'integração'.

Nesta ordem econômica, as organizações políticas do Agronegócio - bancada ruralista CNA, OCB - estão realizando, com apoio das grandes empresas de comunicação, a maior investida para a retirada dos direitos sociais, difusos e coletivos, conquistados pela luta do povo brasileiro e assegurados pela constituição de 1988, que são considerados como obstáculos à reprodução do capital, a exemplo de:

ü mudanças na legislação ambiental precarizando o marco legal de proteção, a exemplo do Código Florestal, avançando impunemente sobre todos os biomas, especialmente sobre a Amazônia;

ü mudança na legislação agrária através da medida provisória 458 – conhecida como MP da grilagem -, que regulariza a posse de terra em até 1500 ha da Amazônia Legal, já aprovada na Câmara Federal;

ü mudança na instrução normativa que regula a titulação de territórios quilombolas, dificultando ainda mais a titulação das suas áreas;

ü decisão do STF sobre a terra indígena Raposa Serra do Sol estabelecendo uma série de condicionantes restritivas à política de reconhecimento dos territórios indígenas;

ü revisão das leis de “cultivares” e “sementes e mudas”, na tentativa de proibir os agricultores de guardar e intercambiar sementes;

ü retomada do projeto que aprova a tecnologia 'Terminator', que torna as sementes estéreis, mesmo com uma moratória mundial assinada por 191 países;

ü mudança na lei de rotulagem para acabar com a exigência de rastreabilidade de produtos transgênicos e a retirada do símbolo ´T´, que os identifica.

A expansão desta estratégia sobre o território nacional implica, ao mesmo tempo, numa investida das empresas transnacionais que impõem suas tecnologias patenteadas de transgênicos e agrotóxicos, como base para os monocultivos de grande escala, tornando os agricultores cativos, o povo submetido a pagar preços abusivos pelos alimentos e fazendo a sociedade de cobaia.

Denunciamos a contaminação genética das sementes crioulas e convencionais pelos cultivares transgênicos com prejuízos irreparáveis à agrobiodiversidade e à economia, bem como, o incremento da contaminação do meio ambiente e dos alimentos por agrotóxicos. No Paraná, a liberação dos transgênicos aumentou em mais de 400% o uso de agrotóxicos.

Em que pese este sistema hegemônico de exploração do ser humano e de depredação da natureza, o movimento da agricultura familiar camponesa e os povos tradicionais se colocam na vanguarda da reconstrução ecológica da agricultura e da transformação da sociedade. Esta é a razão pela qual a Agroecologia segue crescendo no Brasil numa multiplicidade de experiências. Enquanto isso, o Estado segue sem implementar políticas estruturantes, de apoio e fomento a agroecologia, limitando-se a ações pontuais e desarticuladas.

Reafirmamos, nesta 8a. Jornada de Agroecologia, a continuidade de nossas ações comuns, articuladas num jeito de viver em cooperação, do local até ao mundial, que se expressa na proposta da agroecologia:

  1. Lutar pela soberania alimentar, o que implica em realizar uma reforma agrária integral e o fortalecimento da agricultura ecológica familiar camponesa, como caminho sustentável para enfrentar a fome no mundo.
  2. Lutar pelo reconhecimento dos direitos dos povos tradicionais nas suas diferentes formas de ocupação do território e o estabelecimento de um limite máximo para a propriedade da terra.
  3. Lutar contra todas as formas de mercantilização da vida, buscando garantir que a terra, a água, as sementes e toda a Biodiversidade sejam Patrimônio dos Povos a Serviço da Humanidade, garantindo o direito ao livre uso da agrobiodiversidade.
  4. Fortalecer e ampliar todas as iniciativas comuns e populares de defesa das sementes crioulas lutando pelo direito, de todos os camponeses e as camponesas, de preservar e viabilizar a produção própria de sementes como garantia do princípio da soberania alimentar, e impedir que as empresas obtenham o controle da produção e da comercialização de sementes;
  5. Lutar contra a privatização e mercantilização das águas implementando propostas de proteção e recuperação dos rios e nascentes, combatendo a poluição, a degradação e a ofensiva do agronegócio que visa mudar a legislação ambiental para ampliar a devastação.
  6. Lutar para garantir a implementação das diretrizes operacionais da educação do campo pelo Estado.
  7. Promover e participar de campanhas nacionais e internacionais que combatem a violência contra os trabalhadores, as mulheres e a criminalização dos Movimentos Sociais. Lutar pela punição dos mandantes dos assassinatos de Valmir Mota de Oliveira - Keno e Eli Dalemole.
  8. Seguir lutando por um Brasil agroecológico, livre de transgênicos e sem agrotóxicos, ampliando as experiências locais e regionais.
  9. Reivindicar do Estado a efetivação de políticas públicas estruturantes para a agroecologia.
  10. Ampliar os sistemas populares de abastecimento local com alimentos agroecológicos, fortalecendo redes e feiras, bem como constituir o PAA como política pública.
  11. Que o governo do Paraná consolide o convênio entre o IAPAR e a Via Campesina, para o Centro de Pesquisa Valmir Mota de Oliveira – Keno, em Santa Teresa do Oeste, garantindo a gestão paritária e a implementação da pesquisa agroecológica voltada para a agricultura familiar camponesa.
  12. Lutar pelo reconhecimento nacional e internacional dos direitos dos agricultores familiares camponeses.

Reafirmamos nossa unidade política e de ação como um movimento agroecológico e de transformação da sociedade protagonizado pela agricultura familiar camponesa e povos tradicionais, em cooperação com todos os que lutam por um mundo digno e sustentável, no campo e na cidade.

Rememoramos o companheiro Valmir Mota de Oliveira – Keno, mártir da luta contra as transnacionais da biotecnologia e celebramos a conquista do território da sua algoz, a transacional Syngenta, e festejamos a vitória dos povos indígenas que conquistaram a demarcação do seu território Raposa Serra do Sol, em Roraima.

Plenária da 8a. Jornada de Agroecologia

Francisco Beltrão, Paraná, Brasil, 29 de maio de 2009.