inescburg@yahoo.com.br

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

FSM 2009: Conferência internacional discute crise mundial de alimentos

O Fórum Social Mundial 2009 abre espaço para a reflexão sobre a crise do sistema alimentar mundial, que atinge diversos países desde o ano passado. No dia 29 de janeiro, às 15h30, será realizada a Conferência Internacional Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional no Contexto da Crise Mundial de Alimentos, no auditório da Prefeitura da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), em Belém, Pará.

Promovida pelo Fórum Brasileiro de Segurança Alimentar e Nutricional (FBSAN) e o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), a conferência tem o objetivo de analisar a questão e construir alianças entre os países para enfrentar a crise.

Entre os palestrantes estão Renato S. Maluf, presidente do Consea; a senadora Marina Silva; João Pedro Stédile, integrante da direção nacional do Movimento dos Traba lhadores Rurais Sem Terra (MST); Irio Luiz Conti, presidente da Fian Internacional (FoodFirst Information & Action Network - Rede de Informação e Ação pelo Direito Humano a se Alimentar) e integrante do Consea.

O evento também terá as palestrantes internacionais Silvia Ribeiro, do ETC Group (Action Group on Erosion, Technology and Concentration) ; e Alina Canaviri, representante da Federação Nacional de Mulheres Campesinas da Bolívia "Bartolina Sisa".

O evento conta com o apoio do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Oxfam Internacional e Fundação Heifer.

Serviço
Conferência Internacional Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional no Contexto da Crise Mundial de Alimentos
Data: 29 de janeiro (quinta-feira)
Hora: 15h30
Local: Fórum Social Mundial 2009 - Auditório da Prefeitura da Universidade Federal Rural da Amazônia - UFRA (Avenida Presidente Tancredo Neves, Nº 2501, Bairro Terra Firme - Belém - Pará)

Programação Fórum Social Mundial: Agroecologia, Economia e Feminismo

Realização:

Esplar, Sindicato de Trabalhadoras e Trabalhadores Rurais dos Municípios de Choró e Quixadá- CE; Comitê da Marcha Mundial de Mulheres do sertão Central – CE.


Co-realização:

REF - Rede Economia e Feminismo, PACS - Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul, Casa da Mulher do Nordeste e Grupo de trabalho Mulheres da Articulação Nacional de Agroecologia – GT Mulheres da ANA


Dia: 29 de janeiro

Local: UFRA – Ciências Florestais – CF 007

Horário: de 12 às 15hs/2º turno


Lançamento e Divulgação do vídeo "Mulheres e o Mundo do
Trabalho"
(relato das experiências de formação das mulheres do Estado
do Rio de Janeiro em Economia Feminista). Realização: PACS -
Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul, 26', color., 2008.


Exposição dialogada das interfaces entre Agroecologia, Economia e Feminismo, a partir da apresentação de diferentes estratégias de entidades, movimentos e redes que trabalham com as temáticas agroecologia e feminismo, como também economia feminista, tendo em comum a luta pela transformação do atual modelo de desenvolvimento como alternativas para a construção de uma realidade mais justa e igualitária entre homens e mulheres.
As duas experiências concretas de organização das mulheres e articulação a serem apresentadas serão as do Esplar – Centro de Pesquisa e Assessoria e GT Mulheres da ANA. A REF – Rede Economia e Feminismo fará o relato do trabalho que vêm desenvolvendo na articulação entre as
temáticas e entre diversas organizações latino-americanas. A CMN – Casa da Mulher do Nordest e facilitará esse momento.

NEAD discute biossegurança e transgênicos no Fórum Social Mundial

Boletim NEAD N. 445, 18 a 25 de Janeiro de 2009.

http://www.nead.org.br

É possível prevenir a contaminação de lavouras tradicionais, agroecológicas e orgânicas por culturas transgênicas? Ou, dito de outra forma, é possível a coexistência entre as espécies convencionais e suas equivalentes modificadas geneticamente?

Dentre tantas possíveis, estas são as perguntas centrais do seminário "Transgênicos: contaminação e coexistência", que ocorre na próxima quarta (28), na Universidade Federal do Pará (UFPA). O evento integra a programação do Fórum Social Mundial 2009, organizado em Belém (PA), entre os dias 27 de janeiro e 1º de fevereiro.

Promovido pela Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (AS-PTA), o debate reunirá especialistas no assunto, entre eles Gilles Ferment, consultor de Biossegurança do Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural (NEAD) do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

Conforme Gabriel Fernandes, assessor técnico da AS-PTA, o seminário buscará discutir o desafio de conservar a biodiversidade agrícola face às liberações das sementes transgênicas. "Vamos debater o mito da coexistência e apresentar propostas de conservação das sementes crioulas, que são fundamentais para a agricultura ecológica. Durante o evento, também pretendemos analisar a atuação da CTNBio, que é o órgão oficial responsável pelas liberações de transgênicos no Brasil", conta.

NEAD no Fórum
A AS-PTA abriu espaço para que o NEAD faça, após os debates, o lançamento de três publicações e da "Rede Virtual de Biossegurança" do MDA.

As obras divulgadas serão o livro "Biossegurança e princípio da precaução: o caso da França e União Européia", de Gilles Ferment [leia neste Boletim entrevista com o autor] e versões preliminares de duas futuras publicações das Séries NEAD Debate e NEAD Estudos. Esses textos foram elaborados conjuntamente por pesquisadores de várias instituições e consultores do NEAD/MDA. Os dois volumes – sob os títulos "Coexistência: o caso do milho" e "Sojas convencionais e transgênicas no planalto do Rio Grande do Sul" – registram o contexto jurídico-político e as implicações ecológica, econômicas e sociais da coexistência de cultivos convencionais e transgênicos.

A Rede Virtual de Biossegurança é a nova comunidade do Portal da Cidadania (http://comunidades.mda.gov.br) voltada a promover o intercâmbio de informação e conhecimento entre especialistas e interessados na temática Biossegurança e Segurança Alimentar e Nutricional. No espaço estão disponíveis, para consulta e debate, informações científicas e técnicas, resultados de pesquisas e de análises críticas relevantes sobre o tema. Também podem ser acessadas ferramentas de comunicação e interação via Internet, como webconferências, blogs, fóruns de discussão, entre outras.

Para se cadastrar na Rede, basta enviar um e-mail para: biosseguranca@mda.gov.br

Tecnologias Sociais
O NEAD/MDA também participará do Seminário "Nanotecnologia e Tecnologia Social a serviço de políticas públicas: o potencial de nanocompósitos de borracha natural para associação entre saberes populares e étnicos, e conhecimento científico". Esse evento, previsto para o dia 29 de janeiro na programação do FSM 2009, relaciona-se à chamada de trabalhos para o Fórum de Tecnologias Sociais lançado pelo NEAD (mais informações em www.nead.org.br)

Serviço:

Seminário "Transgênicos: contaminação e coexistência"
Promoção: AS-PTA, com lançamentos do NEAD/MDA
Programação:
Abertura – Gabriel Fernandes (AS-PTA)
Painel 1 – Decisões em Biossegurança no Brasil – Leonardo Melgarejo (CTNBio)
Painel 2 – O caso da soja – Gilles Ferment (NEAD/MDA)
Painel 3 – O caso do milho – Rubens Nodari (UFSC)
Painel 4 – Árvores transgênicas – Anne Peterman (Global Justice Ecology Project)
Local: UFPA, pavilhão Ap, sala Ap-01
Data: 28/01
Horário: 8h30 às 11h30

Seminário "Nanotecnologia e Tecnologia Social a serviço de políticas públicas: o potencial de nanocompósitos de borracha natural para associação entre saberes populares e étnicos, e conhecimento científico"
Data: 29 de janeiro
Horário: 15h às 18h
Local: UFPA (Sala a confirmar – informação poderá ser consultada a partir da próxima semana por meio do site http://www.forumsocialmundial.org.br/)


Livro compara regulação de transgênicos no Brasil e na União Européia

O biólogo francês Gilles Ferment (foto) é consultor de Biossegurança do Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural (NEAD) do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) desde 2007. Possui especializações em Fisiologia Animal e Vegetal, Biologia Molecular e Genética e é Mestre em Ecologia e Gestão Ambiental pela Universidade de Paris 7 – Denis Diderot.

No livro "Biossegurança e o Princípio da Precaução: o caso da França e União Européia", escrito em linguagem bastante acessível e objetiva, Ferment realiza um estudo comparativo entre os instrumentos para a regulação dos organismos geneticamente modificados no Brasil, na União Européia e na França.

A publicação, 22º volume da Série NEAD Estudos, será lançada no Fórum Social Mundial 2009, no dia 28 de janeiro (confira detalhes na matéria 1 desta edição). Já lançado no III Encontro da Rede de Estudos Rurais e na V Feira Nacional da Agricultura Familiar e Reforma Agrária, o livro também tem sua versão eletrônica disponível no Portal NEAD.

Confira, a seguir, entrevista com o autor.

Boletim NEAD: A que público, principalmente, se destina a sua publicação?
Gilles Ferment: Essa publicação pode destinar-se a qualquer pessoa que tenha interesse profissional na regulação dos transgênicos no Brasil e na União Européia, com destaque especial sobre o chamado Princípio da Precaução. Esse destaque vem do fato de que grande parte da legislação européia em relação aos transgênicos baseia-se nesse Princípio. Além disso, o mesmo já foi usado legalmente para justificar posições nacionais em conflitos internacionais.
Acredito que pode despertar também um interesse não profissional, já que a linguagem é simples – e não técnica – e traz várias informações sobre as etapas de liberação comercial das Plantas Geneticamente Modificadas no país, que representam grande parte da nossa alimentação.

NEAD: Qual o principal argumento utilizado pelo setor de biotecnologia para questionar ou relativizar o Princípio da Precaução?
Ferment: As interpretações do Princípio da Precaução, e sobretudo, os seus modos de aplicação, são diversos. Quando há desqualificação clara desse Princípio, notadamente em discursos não oficiais das empresas, é sempre o mesmo argumento que volta: danos econômicos (de curto prazo) para a sociedade. Mas nunca se perguntam a respeito dos danos econômicos resultantes da ausência de aplicação do Princípio da Precaução, como as mudanças climáticas, a pesca além das possibilidades de renovação dos estoques ou o uso intensivo de antibióticos e agrotóxicos nas cadeias agro-alimentares.

NEAD: Qual a posição da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) em relação ao Princípio da Precaução?
Ferment: Como podemos observar, existem várias posturas entre os 54 membros da CTNBio em suas reuniões públicas mensais, com relação ao Princípio da Precaução. Poucos deles consideram o Princípio da Precaução elemento-chave no processo de avaliação do risco dos transgênicos. Quando existem dúvidas científicas sobre os riscos para a saúde humana e animal ou para o meio ambiente – e essas dúvidas poderiam ser esclarecidas consideravelmente com o fornecimento de mais informações/pesquisas pelas empresas requerentes – alguns membros da Comissão apoiam-se sobre o Princípio da Precaução para exigir esses complementos.

Entretanto, a maioria dos membros enxerga no Princípio da Precaução um obstáculo à Ciência, porque ele pode ser usado para impedir a liberação comercial de transgênicos se estes apresentam riscos potenciais nem sempre comprovados. Assim, nas próprias palavras do presidente dessa Comissão, o Princípio da Precaução seria "anti-científico".

NEAD: Que elementos você aponta como principais motivadores da resistência dos países da União Européia, em particular da França, aos OGM?
Ferment: Na União Européia, principalmente na França, a resistência aos OGM vem dos cidadãos. Essa reação nasce da convergência da importância que o povo dá à gastronomia saudável e de qualidade, e dos eventos que ocorreram recentemente com a industrialização intensiva da alimentação, como a doença da "vaca loca" e o frango à dioxina, com repercussões gravíssimas sobre a saúde publica. A confiança nas empresas que "querem nosso bem" acabou e chegou a hora de entender para marcar posição nos debates científicos que têm repercussões diretas sobre a saúde e o meio ambiente.

Alem disso, as associações e organizações da sociedade civil desempenham um papel primordial de divulgação da informação cientifica, obrigam as empresas e órgãos de análise de risco a um máximo de transparência e asseguram uma vigilância nacional em relação às ações das empresas.

De outro lado, o livro Biossegurança e o Princípio da Precaução mostra que o sistema de liberação comercial de transgênicos na União Européia é bastante complexo, com instâncias de conselhos nacionais e européias. A diferença mais importante entre o Brasil e a União Européia, e que tem indiscutivelmente repercussões sobre os processos de liberação comercial dos transgênicos, é que a decisão será sempre tomada por políticos, após conselhos científicos, e não diretamente por cientistas. A posição dos cidadãos representa, então, uma orientação.

Boletim NEAD: No Brasil, onde é forte a influência política e econômica do agronegócio, os órgãos de vigilância sanitária têm capacidade de monitorar as culturas de OGM e identificar eventuais contaminações ou riscos ao meio ambiente e à saúde humana?
Ferment: Já com a soja, onde os riscos de contaminação por fluxo gênico são baixos, os órgãos de vigilância não conseguiram assegurar uma separação dos grãos convencionais e transgênicos ao longo da cadeia alimentar. Além das dificuldades próprias ao Brasil, como o imenso território e o caráter ilegal com que a soja Roundup Ready entrou no Rio Grande do Sul, e apesar de obrigações jurídicas claras em relação à rastreabilidade e rotulagem dos transgênicos, observamos que a necessidade política de uma vigilância foi subestimada. Acredito que a influência política e econômica do agronegócio incentivou essa subestimação, com o lobby freqüentemente empregado pelas empresas.

O próximo desafio dos órgãos de vigilância é não repetir esses erros com os milhos geneticamente modificados, recentemente liberados no Brasil. Mas trata-se de um desafio maior do que com a soja, porque o modo de polinização do milho possui um alto risco de fluxo gênico.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Colóquio Internacional Gênero, Feminismos e Ditaduras no Cone Sul - SC

A Comissão Organizadora do Colóquio Internacional Gênero, Feminismos e Ditaduras no Cone Sul, que será realizado na Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis, de 4 a 7 de maio de 2009, convida tod@s @s interessad@s em apresentar trabalhos a apresentarem suas propostas.
Os Grupos de trabalho funcionarão no período da tarde dos dias 5 a 7 e pretendem propiciar o encontro e discussão de pesquisador@s de um mesmo tema de maneira interdisciplinar e a formação de redes de pesquisa.
As propostas de trabalhos deverão ser apresentadas na ficha de inscrição e enviadas por e-mail ao coloquioconesul@gmail.com, em arquivo compatível com Microsoft Word 2003 (doc ou rtf).

O resumo, preenchido no formulário, deve conter no máximo 2000 caracteres, espaço 1,0, fonte Times New Roman, tamanho 12. (Baixe a ficha de inscrição aqui).
@ autor@ deve indicar o Grupo de Trabalho com o qual pensa que seu trabalho melhor se identifica:
- Feminismos em tempos de ditadura
- O Gênero da Esquerda em tempos de Ditadura
- Gênero e Memória
- Gênero e Práticas Repressivas
- Gênero e Exílio

Os resumos serão selecionados pela Comissão Científica do evento. Os resumos selecionados serão publicados no site do evento e em seus anais eletrônicos. Os textos completos que forem enviados até o dia 6 de abril de 2009 e que forem efetivamente apresentados, serão publicados nos Anais Eletrônicos a partir de junho de 2009.

A data limite para recebimento das propostas é 15 de fevereiro de 2009.
Mais informações através do e-mail coloquioconesul@gmail.com

Cursos Agroecológicos: SAFs, Pecuária Ecológica, Turismo Rural, Metodologias Participativas

Conheça os programas dos novos cursos do Giramundo no site http://www.mutuando.org.br/agenda/index.html e ajude a montar novas turmas.
Os cursos podem ser oferecidos nas instituições interessadas.


Contato para obter mais informações:
Beatriz Stamato
Instituto Giramundo Mutuando

http://www.mutuando.org.br/agenda/index.html

11 3010-0589 / 37466635 / 99610346
14 38146878 / 97350207
skype: biastamato1

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O DILEMA DO ONIVORO: O que devemos comer no almoço?

Resenha por Luciel Henrique de Oliveira
Professor do UNIFAE e da EAESP-FGV
luciel@uol.com


O DILEMA DO ONIVORO:
UMA HISTORIA NATURAL DE QUATRO REFEIÇOES

Michael Pollan. Rio de Janeiro: Intrínseca. 2007

O que devemos comer no almoço? Este livro é uma resposta longa e complexa para esta pergunta aparentemente simples. Ao longo do caminho o autor explica as implicações desta questão, e discute como uma questão tão simples pôde tornar-se tão complicada. As prateleiras de um supermercado, estágio final da cadeia alimentar contemporânea, são o ponto de partida escolhido pelo autor para começar a responder esta questão. O leitor é convidado a seguir o caminho inverso, reconstituindo o trajeto dos alimentos, desde o prato à nossa mesa até a origem de tudo: o solo. Quanto mais longo e intrincado é o percurso que liga as duas pontas dessa cadeia altamente industrializada, mais ignorantes nós nos tornamos a respeito do que estamos comendo.

Por que é cada vez mais complicado decidir o que almoçar? Os alimentos atualmente são vendidos apenas com base em seus benefícios para a saúde: um é capaz de reduzir seu colesterol, outro tem muitas fibras. Os nutrientes tornaram-se mais importantes que a comida em si, e o alimento tornou-se apenas um intermediário na entrega destas substâncias. Assim, escolher o que comer tornou-se uma decisão para profissionais, e não para amadores. Tem-se a impressão de que é necessário ter um diploma de nutrição ou bioquímica para tal escolha!

Afinal, que mistérios estão por trás de uma bolacha industrializada, de um hambúrguer, ou de um simples item de um cardápio de fast-food, como, por exemplo, um McNugget? Para responder a essa e outras perguntas, o autor leva o leitor a explorar, não apenas intelectualmente, mas sensorialmente, todas as implicações - éticas e ecológicas, econômicas e políticas - relacionadas ao ato de se produzir e consumir um alimento. O resultado da investigação é um misto de reportagem, ensaio e depoimento pessoal, numa obra que surpreende ao revelar que a aparente variedade dos modernos supermercados esconde uma alarmante uniformidade imposta pela superprodução industrial. Para chegar a um diagnóstico sobre o que considera a atual desordem alimentar, Michael Pollan investiga três mundos diferentes: o do cultivo e produção de alimentos em escala industrial, o do florescente negócio da agricultura orgânica (analisando o que tem de promissor e de enganoso), e o mundo ligado à caça e ao extrativismo. Neste último, ensaia uma volta à atividade primeira do Homo sapiens, o onívoro por natureza que todos nós somos.

Observamos que há cada vez mais produtos disponíveis nas prateleiras dos supermercados, criando a impressão de que temos mais tipos de comida disponíveis. Pollan explica que é fato que atualmente podemos encontrar diferentes frutas e vegetais do mundo todo num bom supermercado, muito mais do que encontraríamos cinqüenta anos atrás. Mas, ao analisar as fontes de calorias, nota-se que a nossa dieta está menos diversificada. Mais de dois terços das calorias consumidas diariamente vêm de apenas quatro vegetais cultivados em escala mundial e com grandes interesses econômicos: milho, soja, trigo e arroz. Há um século atrás, havia maior diversidade. Esta aparente diversidade no supermercado obscurece a realidade de que a diversidade de nossa dieta vem encolhendo.

Alimentos altamente industrializados são hoje a base da "dieta ocidental", que domina os Estados Unidos da América e se espalha pelo mundo. Nos últimos anos, a indústria vem lançando alimentos que supostamente seriam menos nocivos. Pollan denuncia essa manobra de marketing, que explora o medo dos consumidores para vender produtos de valor duvidoso. E lança um manifesto que propõe a volta à alimentação tradicional, orgânica e saudável dos nossos avós. Ele dá dicas de como qualquer um pode se alimentar com “comida de verdade”, em vez dos produtos artificiais da indústria alimentícia.

Pela primeira vez na história da humanidade, há mais pessoas obesas do que famintas no mundo. Os acima do peso respondem hoje por 1 bilhão da população mundial, diante de 800 milhões que passam alguma forma de privação na alimentação. As causas principais são más dietas e sedentarismo. Não ficamos fora desta estatística. O Brasil nunca foi tão gordo. Os brasileiros com massa corpórea superior à considerada normal já somam 43 milhões – o equivalente a 43% da população adulta, quase três vezes mais do em meados da década de 1990. Por conseqüência, a quantidade de pessoas em dieta para emagrecer também é enorme: 25% dos homens e 50% das mulheres. É um público propenso a acreditar em regimes que se vendem como capazes de operar metamorfoses na silhueta do dia para a noite, sem prejudicar a saúde.

Verifica-se atualmente uma obsessão em obter os nutrientes corretos, em alimentar-se de maneira saudável, e uma percepção errônea de que basta comer a comida correta que tudo estará bem com você e o mundo todo. Precisamos voltar a nos preocupar em conhecer toda a cadeia produtiva dos alimentos e não ficarmos obcecados com alguns nutrientes. A manutenção da saúde deve ser apenas uma conseqüência, e não o objetivo de comer bem. De forma geral devem ser aplicados cinco princípios éticos para uma escolha consciente na hora das refeições: transparência, equilíbrio, humanidade, responsabilidade social e necessidade.

Há ainda as implicações econômicas e políticas. Este livro é um importante alerta para um Brasil que se pretende transformar numa Arábia Saudita dos biocombustíveis. A afirmação de que não haverá necessidade de desmatamento para a produção e a exportação de grandes quantidades de biodiesel se baseia na avaliação de que grandes áreas de pastagens podem ser convertidas para monoculturas de oleaginosas com um pouco de modernização de nossa agricultura. Nos EUA, são necessárias duas calorias de fertilizantes sintetizados a partir do petróleo para produzir uma caloria de milho. E como o gado bovino é alimentado com milho, quase um barril de petróleo é consumido para cada animal abatido. Os excedentes da produção de milho estão na origem tanto da abundância quanto da obesidade. Os subsídios governamentais são enormes, o alimento industrializado tem preços baixos, mas dão origem aos altos índices de obesidade que custam algo em torno de 90 bilhões de dólares por ano em despesas médicas. Ou esses excedentes atravessam a fronteira do México, onde acabam com os pequenos produtores, aumentando a oferta e reduzido os preços.

Toda uma complexa cadeia de interesses gira em torno da produção de milho, impedindo que cessem os subsídios. A insensatez do agronegócio é objeto de uma análise que revela a importância de saber como se estrutura a indústria dos alimentos que chegam diariamente às nossas mesas. Há ainda a história dos outros três vegetais cultivados em escala mundial.

A industrialização dos alimentos mudou nossa relação com a comida. Como consumidores estamos desorientados, e não sabemos mais de onde vem nossa comida. A cadeia é tão grande que muita criança pensa que a comida vem do supermercado, que o leite vem da caixinha Tetra Pack. Muitas crianças hoje não entendem que a cenoura ou a batata são raízes. A indústria alimentar nos desconectou do fato de que para sobreviver dependemos de outras espécies, com as quais compartilhamos o planeta. Assim, nós entregamos a preparação dos alimentos para empresas de grande escala. Isto pode ser conveniente, porque nos faz ganhar tempo, mas estas empresas não cozinham bem: usam muito sal, gordura e açúcar, e logo a comida se torna altamente calórica e não tão nutritiva.

Em conseqüência nos tornamos mais vulneráveis. Somos vítimas mais fáceis das manipulações dos alimentos fast-food e das propagandas de dietas milagrosas. É uma das razões pela qual temos tantos problemas de saúde relacionados à alimentação. Não confiamos mais em nossas tradições, não sabemos mais como cozinhar. Precisamos tomar de volta a decisão sobre nossas escolhas alimentares e sobre a preparação das refeições. O livro segue por caminhos fascinantes e sua leitura nos faz perguntar se é isso mesmo que queremos para nossa vida.


Credenciais do autor

Escritor e jornalista estadunidense Michael Pollan é colaborador do New York Times Magazine. É professor de jornalismo na University of California, Berkeley, onde dirige o Programa de Jornalismo Científico e Ambiental. É autor de artigos polêmicos sobre a indústria alimentar. Recentemente lançou seu novo livro, In Defense of Food (Em Defesa da Comida), ainda sem tradução no Brasil.

Referências

POLLAN, Michael. O Dilema do Onívoro: Uma história natural de quatro refeições. Rio de Janeiro: Intrínseca. 2007
POLLAN, Michael. The Botany of Desire: A Plant's-Eye View of the World. New York: Random House. 2001.
POLLAN, Michael. The Omnivore's Dilemma: A Natural History of Four Meals. New York: Penguin Press. 2006.
POLLAN, Michael In Defense of Food: An Eater's Manifesto. New York: Penguin Press. 2008.

Primer Congreso Internacional sobre Pobreza, Migración y Desarrollo

Chiapas, abril 2009

Recepción de resúmenes
5 a 30 de enero

Contacto: Jorge Alberto López ArévaloProfesor de economía Facultad de Ciencias SocialesUniversidad Autónoma de Chiapas (Unach)


Objetivo
Analizar de manera interdisciplinaria la situación actual de la pobreza, la migración y el desarrollo en Chiapas, México y el mundo.
Se propone analizar las causas de la pobreza y la migración, así como las políticas públicas aplicadas en el combate a la pobreza y como fomento a las políticas de desarrollo, así como el papel que juega la Ayuda Oficial para el Desarrollo en el mundo, y en particular en el estado de Chiapas. Es decir, se trata de analizar cuáles son los principales retos, los temas centrales y las problemáticas más importantes en torno a la problemática de la persistencia de la pobreza, los flujos migratorios y el desarrollo en la actualidad, en el contexto de la globalización y las crisis financiera global, energética, alimentaria y climática.

Los objetivos del Congreso se sitúan en dos ámbitos de actuación:
a) Realizar una reflexión científica que permita obtener conclusiones para mejorar la situación de pobreza y exclusión en entidades que padecen ese flagelo y fomentar las políticas públicas y la cooperación nacional e internacional impulsada y financiada con fondos públicos y privados.
b) Realizar una acción de sensibilización social sobre la incidencia (real y necesaria) de la cooperación internacional en la promoción del desarrollo en entidades como Chiapas, pues México no es objeto de ayuda oficial para el desarrollo por formar parte de la OECD.

Este Congreso pretende la participación de todos aquellos académicos, investigadores, estudiantes, funcionarios públicos o agentes sociales (personas o instituciones) que desde su ámbito de trabajo, experiencia o análisis puedan aportar espacios de reflexión en las materias que definen los contenidos del encuentro.
La convocatoria se dirige a: universidades e institutos de investigación (nacionales e internacionales); entidades sin ánimo de lucro (ONGs, asociaciones, fundaciones), instituciones gubernamentales, organizaciones de productores.

Los gastos de transporte, alojamiento y alimentación correrán a cargo de los participantes o de las instituciones u organizaciones de las cuales forman parte.

Líneas temáticas
1) Pobreza:
1.1 La pobreza, la marginación, exclusión y falta de oportunidades en Chiapas y regiones excluidas del mundo
1.2 Análisis de las políticas públicas de combate a la pobreza
1.3 Pueblos indios: exclusión social y pobreza

2)Migración:
2.1 La migración laboral como respuesta a las condiciones de pobreza y exclusión social
2.2 ¿Son las remesas alternativas para el desarrollo de comunidades empobrecidas?
2.3 Remesas y enfermedad holandesa: el caso de México y Latinoamérica
2.4 Indicadores cuantitativos de la emigración en México: tasa migratoria y remesas
3) Desarrollo:
3.1 ¿Es posible el desarrollo local en el contexto de la globalización?
3.2 Las alternativas del desarrollo en regiones empobrecidas
3.2.1 ¿Los bioenergéticos y las ciudades rurales son alternativas para el desarrollo de Chiapas?
3.2.2 ¿Qué alternativas existen para el desarrollo de las regiones empobrecidas?
3.3 Programas de ayuda oficial al desarrollo en Chiapas y el mundo y cuáles son sus logros en el combate a la pobreza, así como programas universitarios
3.4 Los objetivos del desarrollo del milenio, análisis y perspectivas para 2015

Etapas del Congreso Internacional sobre Pobreza, Migración y Desarrollo

Recepción de resúmenes
5 a 30 de enero

Aviso de trabajos aceptados
2 a 14 de febrero

Recepción de trabajos completos y preinscripción
9 al 21 de marzo

Publicación del programa preliminar
6 a 10 de abril

Lugar del congreso: Facultad de Derecho, Unach, San Cristóbal de Las Casas, Chiapas.
Fecha: 22 a 24 de abril

Bases para las ponencias:
Para su presentación los ponentes tendrán un tiempo máximo de 20 minutos.
Las ponencias serán publicadas en un libro coeditado por la Universidad Rey Juan Carlos de Madrid, el Centro de Investigación sobre Pobreza y Desarrollo de FIDALE y la Universidad Autónoma de Chiapas, por lo que deberán reunir los siguientes requisitos:
La primera página de la ponencia debe contener: título, nombre del autor, dirección, teléfono, fax, correo electrónico y afiliación institucional.
Las ponencias deben tener una extensión máxima de 30 cuartillas (tipo de letra Times New Roman, 12 puntos, incluidos gráficos, cuadros, notas, bibliografía, mapas, ilustraciones y/o anexos. Las ponencias deben venir con las páginas numeradas en formato Word de Windows. Cuadros, gráficos, mapas e ilustraciones deben ser incluidos en archivos independientes en formato Excel y los mapas e ilustraciones en formato jpg. Las citas en estilo de la American Psychological Association (APA) y las notas deben aparecer a pie de página.

INSTITUCIONES CONVOCANTES

México

• Centro de Investigación sobre Pobreza y Desarrollo
• Cuerpo Académico de Estudios Interdisciplinarios en Ciencias Sociales, Facultad de Ciencias Sociales, Unach
• Programa de Doctorado en Estudios Regionales, Unach
• Programa Desarrollo Humano para Chiapas (UAM)
• Facultad de Economía, Universidad Nacional Autónoma de México
• Maestría en Relaciones Económicas Internacionales y Cooperación, Universidad de Guadalajara
• Academia Mexicana de Ciencias Económicas, A. C.
Centro de Estudios Migratorios del INM (Secretaría de Gobernación)

Venezuela

• Universidad de Carabobo

España
Universidad Rey Juan Carlos de Madrid
Universidad de Cantabria

Guatemala
Centro Universitario de Occidente de la Universidad de San Carlos
Organizaciones internacionales
Organización Internacional de las Migraciones (OIM)
Organismos gubernamentales de Chiapas
Coordinación de Relaciones Internacionales del Gobierno de Estado de Chiapas
Organizaciones de productores
Federación Indígena Ecológica de Chiapas (FIECH)
Federación de Sociedades Cooperativas Rurales


Coordinadores generales:
Dr. Javier Esguevillas Ruiz
Mail: javier.esguevillas@urjc.es
Dr. Jorge López Arévalo
Mail: jalachis@hotmail.com
Dra. Hilda Jiménez
Mail: hjimenez@unach.mx
Los abstracts deben ser enviados al siguiente correo electrónico: jalachis@hotmail.com , anexando los datos personales del autor o autora, según el siguiente formato:
DATOS PERSONALES DEL AUTOR (A)
Nombres y apellidos
Profesión (indicando último nivel de formación y universidad)
Área de especialidad
Institución, empresa u organización donde labora
Teléfono
E-mail
Ciudad
País
Líneas temáticas a participar:
Nombre de la Ponencia

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Marie-Monique Robin: "A Monsanto não é confiável"

Documentarista diz que maior empresa de sementes vende produtos tóxicos e ameaça cientistas

Juliana Arini

A documentarista francesa Marie-Monique Robin, autora de O Mundo Segundo a Monsanto, dedicou três anos de sua vida para desvendar como uma indústria de químicos virou a maior companhia mundial de sementes geneticamente modificadas (transgênicas) e uma das empresas mais influentes do planeta, segundo a revista Business Week. Marie trabalha há 25 anos com matérias investigativas e recebeu prêmios como o Albert Londres, em 1995, concedido a um documentário sobre o tráfico internacional de órgãos. Em 2004, ela foi aclamada na Europa ao produzir o também premiado Esquadrões da Morte: a escola francesa, sobre a relação do governo francês com ditaduras da Amérioca Latina, nos anos 70. Para escrever a história da Monsanto, Marie analisou 500 mil páginas de documentos e viajou à Grã-Bretanha, Estados Unidos, Índia, México, Brasil, Vietnã e Noruega.

A escritora fala a ÉPOCA sobre o seu último livro. Procurada pela reportagem, a Monsanto afirma que “agricultores enxergam um benefício no cultivo de seus produtos”.

(clique aqui para ler a resposta completa da empresa Monsanto: http://www.monsanto.com.br/monsanto/para_sua_informacao/documentario_frances.asp).


ENTREVISTA - MARIE-MONIQUE ROBIN

QUEM É
Documentarista e jornalista francesa. Seu documentário que denuncia táticas do serviço secreto francês e conexões com a repressão na América do Sul foi premiado pelo Senado da França.

O QUE FEZ
Já publicou livros denunciando uma rede internacional de tráfico de órgãos e a prática da tortura na Guerra da Argélia. O Mundo Segundo a Monsanto virou um documentário feito pela agência de cinema do Canadá. Para investigar a história, passou cinco anos levantando 500 mil páginas de documentos e viajando para Grã-Bretanha, Índia, México, Paraguai, Brasil, Vietnã, Noruega e Itália

ÉPOCA – Existem outras companhias que também desenvolvem a biotecnologia e possuem patentes sobre sementes. Por que fazer um livro exclusivamente sobre a Monsanto?

Marie-Monique Robin - Há cinco anos, quando trabalhava em três documentários sobre biodiversidade e os organismos geneticamente modificados – e ainda acreditava que eles não teriam problemas – eu acabei viajando muito. Fui para Canadá, México, Argentina, Brasil e Índia, e em todas essas regiões eu sempre encontrava denúncias contra a Monsanto. Foi quando eu decidi buscar quem é essa companhia que agora é a maior produtora de biotecnologia e de alimentos geneticamente modificados do planeta.

ÉPOCA – E como seria esse mundo segundo a Monsanto que você descobriu?

Marie - Cheio de pesticidas. Cerca de 70% dos alimentos geneticamente modificados são feitos para serem plantados com uso do agrotóxico Roundup. Ao comer uma transgênico, a pessoa está praticamente ingerindo Roundup. E, ao contrário do que propagou a Monsanto, esse pesticida não é bom ao meio ambiente e muito menos biodigradável. Ele é muito tóxico. Tenho certeza de que nos próximos cinco anos ele vai ser proibido no mundo, tal como aconteceu com outro produto da companhia, o DDT. O mundo segundo a Monsanto também é dominado por monoculturas. O que é um problema para a segurança alimentar, pois concentra a produção de alimentos na mão de poucos. Também considero arriscado deixar a alimentação mundial na mão de companhias que no passado produziam venenos e armas químicas como o agente laranja, despejado por tropas americanas no Vietnã.

“A Monsanto foi condenada a pagar US$ 700 milhões de
dólares pela contaminação em Annistion, nos EUA”

ÉPOCA – Os transgênicos são festejados por reduzirem o uso de pesticidas. Eles não teriam ao menos esse lado bom?

Marie – Não, isso é mentira. Os transgênicos não reduzem o uso de agrotóxicos. Pelo contrário, eles geram ervas daninhas cada vez mais resistentes aos agrotóxicos. Os transgênicos são apenas uma forma da Monsanto controlar a produção de alimentos no mundo.

EPOCA – Como uma empresa pode ter todo esse poder? Isso não é teoria da conspiração?

Marie – Não, de forma alguma. Tenho todas as denúncias que faço baseada em documentos e estudos científicos. Esse monopólio sobre a comida é um processo que acontece há um tempo. Ele começou com a permissão das patentes das sementes, na década de 80. Isso deu às empresas exclusividade sobre as sementes que selecionam. Depois, vieram as chamadas plantas híbridas, que são estéreis e não produzem outras sementes. E por último, houve os royalities sobre os transgênicos. Agoras as multinacionais podem cobrar para si, uma parte do lucro da colheita dos fazendeiros. Os transgênicos também são produzidos para reagirem com produtos específicos. No caso da Monsanto, 70% tem que ser plantado com o Roundup. O que obriga o produtor a comprar sementes e agrotóxicos da mesma empresa.

ÉPOCA – Outras multinacionais produzem nesse mesmo padrão. O que comprova que a Monsanto quer controlar a comida do mundo?

Marie - Após a liberação da venda dos transgênicos, a Monsanto começou a comprar todas as produtoras de sementes do mundo. Hoje, ela é a maior produtora de sementes do planeta. O resultado é que se um fazendeiro quiser mudar sua produção de transgênicos, e voltar ao tradicional, daqui a alguns anos, provavelmente ele não vai conseguir mais, pois só vão existir sementes transgênicas, e da Monsanto. Essa já é uma realidade com a soja dos Estados, e o trigo, na Índia. Nos EUA existem processos contra a Monsanto por monopólio, algo similar ao que aconteceu com a empresa de tecnologia Microsoft.

ÉPOCA – E qual seria interesse da empresa em controlar a produção de alimentos?

Marie - Ele querem manter o agrotóxico Roundup no mercado, o produto que responde por 45% do lucro da companhia. Acho que se o Roundup for banido, como acredito que possa acontecer daqui a alguns anos, os transgênicos vão desaparecer. Sem o Roundup, não é interessante ter transgênico.

ÉPOCA – Por que culpar exclusivamente a Monsanto pelas armas químicas do Vietnã? A opção por usar armas químicas foi do governo americano, e não das companhias. E outras empresas também venderam químicos ao governo dos EUA.

Marie - A venda de agente laranja para o governo americano foi um dos negócios mais lucrativos da Monsanto. Mas hoje, nenhuma das empresas que lucraram com esse processo quer se responsabilizar. No Vietnã, eu vi hospitais repletos de crianças deformadas, que nascem assim até hoje, porque o ambiente continua contaminado. Além do agente laranja, também usaram bifenil policlorado (um produto banido no mundo) nas misturas jogadas no país, e que a própria Monsanto sabia serem tóxicas desde 1937. Nem os soldados americanos foram alertados para os riscos. Como confiar que uma companhia com essa história domine a produção de alimentos?

ÉPOCA – Qual é a prova que a Monsanto sabia que estava vendendo algo tóxico?

Marie - Em 2002, os moradores de Annistion, no EUA, ganharam o direito de uma indenização de US$ 700 milhões de dólares da Monsanto. A empresa foi condenada por contaminar o meio ambiente e as pessoas da cidade com a sua fábrica química. Documentos mostram que desde 1937 a Monsanto sabiam dos riscos da toxidade dos PCBs.

ÉPOCA – Os produtos da Monsanto são aprovados por agências como a FDA, que regula alimentos e medicamentos nos EUA. Como dizer que a FDA e outras agências internacionais estão sendo enganadas?

Marie - A Monsanto usa seu poder econômico para pressionar governos e também infiltra seus ex-funcionários em cargos políticos. Esse processo é conhecido como portas giratórias. Tem casos célebres como a de Linda Fisher, que era funcionária da Agência Americana de Proteção Ambiental, e depois foi trabalhar na Monsanto, em 1995, e acabou retornando para EPA, em 2001.

ÉPOCA – Se a empresa possui toda essa blindagem, então não há solução?

Marie - Acho que só os consumidores podem evitar um problema maior. Na Europa isso já começou. Ninguém quer consumir transgênicos que não foram testados. Estão todos assustados com a atual epidemia de câncer.

ÉPOCA – Mas qual a ligação do câncer com os transgênicos?

Marie - Ainda estou pesquisando o assunto. O meu próximo livro vai ser exatamente sobre isso, a relação entre a comida que consumimos depois da Revolução Verde e o aumento de doenças como o câncer e o Parkison. O mais interessante, um processo que começou justamente entre os próprios agricultores, o mais expostos aos agrotóxicos.
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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

FAO seleciona coordenador nacional para o projeto "Manejo Florestal, Apoio à Produção Sustentável e Fortalecimento da Sociedade Civil na Amazônia Bras

FONTE: SFB

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) abriu processo de seleção para contratar um coordenador nacional para o projeto "Manejo Florestal, Apoio à Produção Sustentável e Fortalecimento da Sociedade Civil na Amazônia Brasileira". O candidato deverá cadastrar o currículo no site da FAO (https://www.fao.org.br/), para o cargo de "Coordenador Nacional do Projeto", até o dia 19 de janeiro de 2009.

Uma das exigências para ocupar o cargo é graduação em Ciências Florestais, Ambientais, Geografia ou Agricultura, preferencialmente com mestrado ou doutorado vinculado ao desenvolvimento sustentável, com amplo conhecimento da gestão florestal no Brasil, em especial das florestas da Amazônia.

Além disso, o candidato deve ter no mínimo oito anos de experiência comprovada em projetos nacionais e internacionais de desenvolvimento florestal sustentável, gestão de projetos comunitários rurais, produção florestal e agrícola sustentável.

O contratado será responsável pela gestão e implementação do projeto em apoio ao desenvolvimento sustentável da área de influência da BR-163, no estado do Pará. O coordenador geral trabalhará em Brasília, com viagens à região Amazônica, sob a supervisão da geral do Ministério do Meio Ambiente e em coordenação com o Oficial Nacional de Programa da FAO.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Ana Primavesi - Solo Vivo

Pioneira da agroecologia no país, Ana Primavesi ensina há mais de 60 anos que é possível aliar a produção de aliementos à conservação do meio ambiente

As palestras não tem como destino apenas ouvintes já acostumados a sua orientação ecológica. Seu público é bem mais amplo. Deveria ser lida e ouvidada por todos os que se preocupam com sua saúde e a do planeta.

Formada em Ciências Agrárias pela Universidade Rural de Viena, Áustria e com Ph.D. em Nutrição Vegetal, Ana Primavesi dá cursos, profere conferências e é consultora sobre agroecologia e correto manejo da terra. Com oito livros publicados, dezenas de artigos científicos e larga experiência, expressa com precisão seu ponto de vista sobre a presente situação planetária e as condições para a sobrevivência da espécie humana.

Saiba mais dos CDs de suas palestras lançados pela Irdin Editora pelo site:
www.irdin.org.br



TEXTO JANICE KISS
FOTOS ERNESTO DE SOUZA


Desde o início, ela manteve uma relação de intimidade com a terra. Talvez faça parte da herança da família de agricultores, no vilarejo de St.Georgen Ob Judenburg, no sul da Áustria. E foi na capital daquele país, Viena, que ela cursou Agronomia e casou-se com um colega de profissão. Mas a forte ligação com a natureza fez a agrônoma Ana Maria Primavesi ir na contramão das técnicas estabelecidas e procurar sempre se guiar pelos sinais que o solo oferece. Na sua forma de diagnosticá-lo, estão inclusas as práticas de cheirar a terra para saber se a matéria orgânica foi enterrada profundamente e sentir entre as mãos sua textura como indicativo do equilíbrio de nutrientes.

Por mais de 60 anos, a maior parte deles no Brasil, ela se aperfeiçoa numa agronomia que, no seu modo de ver, 'não compete com as leis da natureza'. A doutora Ana Primavesi que preferiu excluir o Maria de seu nome por uma recomendação da numerologia, pois 'não dava um número bom', é considerada uma das pioneiras da agroecologia no país, ciência que leva em conta o restabelecimento ou a conservação do solo permeável protegido por uma vegetação diversificada. Numa tradução simplificada, significa extrair dos recursos naturais as condições ideais para o desenvolvimento das lavouras.

Recomenda-se uma revisão de conceitos a quem se apressa em classificar essa forma de trabalho como alternativa. Essa senhora de 83 anos é responsável pela formação de três gerações de profissionais das ciências agrárias, cujo princípio básico é adequar a produção agrícola ao respeito de cada agroecossistema. Difícil de entender? Ana retoma sua própria história. 'Vivi uma época em que a agricultura química praticamente não existia', esclarece. Ela se refere à fazenda dos pais e de tantos outros camponeses que tocavam seus plantios antes da Revolução Verde, uma campanha iniciada nos Estados Unidos, durante a década de 60, que implantou a mecanização e o uso de defensivos nas plantações. O enfoque da Universidade Rural de Viena, onde se formou nos anos 40, era o mais próximo possível do que ela apregoa até hoje: garantir às gerações futuras o alimento e a conservação do meio ambiente.

No seu modo de entender, os métodos de cultivo da terra em 1945 eram mais avançados se comparados aos dos dias de hoje, porque os homens não tinham optado pela monocultura. 'O plantio único nos trouxe uma avalanche de doenças aplacadas por agrotóxicos', afirma. E Ana Primavesi aproveita para dar uma aula. 'O adubo químico é basicamente formado por três elementos e a planta necessita de 45', diz.

Suas comparações nem de longe evocam uma espécie de saudosismo. Ela as utiliza como dados valiosos nas palestras que costuma proferir, atendendo a convites, em países da América Latina e Europa. No ano passado foram quase 40.


veja um texto sobre Ana Primavesi - http://revistagloborural.globo.com/GloboRural/0,6993,EEC500416-1641,00.html

Nestlé tira do mercado americano latas de Nescau com risco de conter alumínio

WASHINGTON (AFP) — O grupo suíço Nestlé, líder mundial do setor agroalimentar, anunciou sexta-feira o recall de latas de Nescau vendidas nos Estados Unidos que "poderiam conter pequenos fragmentos de alumínio".

Estas latas de Nescau de morango de 618 gramas foram produzidas em agosto e distribuídas nos Estados Unidos e em Porto Rico, destacou a empresa em comunicado.

A Nestlé não especificou a origem deste alumínio, nem a quantidade que poderia estar presente nas latas.

O alumínio é um metal pesado muito presente na alimentação moderna, apesar de ser perigoso para a saúde.

Terça-feira a Nestlé retirou do mercado americano latas de Farinha Láctea fabricadas no Brasil, sob a suspeita de que continham um pesticida autorizado aqui mas proibido nos Estados Unidos.

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O Globo, Plantão | Publicada em 05/11/2008 às 08h37m - Economia
http://oglobo. globo.com/ economia/ mat/2008/ 11/05/nestle_ dos_eua_tira_ farinha_lactea_ brasileira_ do_mercado- 586262931. asp

Nestlé dos EUA tira farinha láctea brasileira do mercado

Valor Online

SÃO PAULO - A Nestlé dos Estados Unidos anunciou que está tirando do mercado americano a farinha láctea produzida pela subsidiária brasileira da companhia. Segundo a empresa, o cereal contém traços de um pesticida que, segundo a legislação dos EUA, não é permitido para emprego em lavouras de trigo.

O pesticida é o pirimifós-metí lico e, conforme nota da Nestlé americana, tem seu uso liberado para o grão no Brasil. A farinha láctea exportada para os EUA foi produzida na fábrica de São José do Rio Pardo (SP).

A Nestlé do Brasil enfatizou, por meio de comunicado, que a farinha láctea será recolhida " exclusivamente nos Estados Unidos " , como medida preventiva. Na nota, a empresa no Brasil " reitera que o produto é seguro para os consumidores e atende rigorosamente a legislação brasileira e o Codex Alimentarius, programa conjunto da FAO (Food and Agriculture Organization) e da OMS (Organização Mundial da Saúde). "

A companhia, no entanto, não soube informar se os EUA irão importar o produto de outro país ou se a unidade brasileira terá de se enquadrar nos padrões americanos para continuar com a exportação da produto.

(Lílian Cunha | Valor Online)

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The News-Times, DANBURY, CT -11/10/2008 06:58:48 PM EST
http://www.newstime s.com/ci_ 10949551? source=most_ emailed

Brazilian cereal, Chinese necklaces, pulled from Danbury shelves

By Robert Miller, Staff Writer

DANBURY -- It's a dangerous world out there.

Last week, the state Department of Consumer Protection ordered a Brazilian children's cereal removed from the shelves of state stores, including nine in Danbury, because the cereal contained trace elements of a pesticide.

On Monday, the department turned its eyes toward low-cost jewelry sold by Claire's, the national jewelry and accessory store that has an outlet in Danbury Fair mall.

The department announced the "Best Friends Yin Yang" necklaces Claire's had for sale contained lead. The set of children's necklaces -- one with a black pendant with the word 'Best' above it, the other, a white pendant with the word 'Friends' above it -- are manufactured in China.

Department spokeswoman Claudette Carveth said the recall began after the U.S. Department of Consumer Product Safety tested the necklaces and found the metal contained excessive levels of lead.

Lead is a toxic element that's especially harmful to children. Even exposure to low levels of lead can cause problems paying attention, behavior problems, learning difficulties and a fall in their IQ.

"There is no safe level of lead that can be ingested," Carveth said.

She said because there are several Claire's outlets in the state, the state Department of Consumer Protection wanted to get the word out about the necklaces as quickly as possible.

The department said Monday that anyone who purchased the necklaces should keep them outof the hands of children immediately and return them to the store for a full refund.

An employee at the Claire's store at Danbury Fair mall, who asked not to be named, said the store had sold the yin yang necklaces but pulled them from display Monday.

The children's cereal -- Nestle's Farinha Lactea -- is made in Brazil by Nestle Brazil. It contains trace levels of a pesticide, pirimiphos-methyl, that Brazil allows to be used on wheat products as a fumigant.

The state consumer protection department discovered the cereal in the Ronildos Mercearia E Acougue Brazilian store on Triangle Street in late October. The labels on the cereal were only in Portuguese. By state law, all products sold in Connecticut must be labeled in English, although they can have a second language on the label as well.

Carveth said the state inspectors then sent the cereal to the Connecticut Agricultural Experiment Station in New Haven for testing. The station's staff found the cereal contained trace elements of the pesticide.

Because the U.S. does not allow pirimiphos-methyl to be used on wheat crops, there is no American standard for it. Therefore, no level can be considered safe.

The level found in the cereal is above the level deemed safe by the European Union, the department said.

The U.S. does allow the pesticide to be used on other grain products, however.

The finding in Danbury prompted the U.S. division of Nestle to order a general recall of all Farinha Lactea in the U.S.

Company spokesman Edie Burge said Nestle does not control what Nestle Brazil makes and an independent food distributor, Brex American of Miami, sells the cereal here.

Berge said Nestle decided the cereal should be removed from the American market. She said company inspectors have been to all nine stores in Danbury that sold Farinha Lactea, and all of it has been removed.

"100 percent of it is off the shelves," she said.

Carveth said that with a expanding global market of goods sold in the state, "it's an increasing responsibility" to make sure they are all safe.

"At this point, things seem to be manageable," she said.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Aprovado Regulamento Técnico para os Sistemas Orgânicos de Produção Animal e Vegetal

Publicada no Diário Oficial da União a Instrução Normativa nº 64, de 18 de dezembro de 2008, aprovando Regulamento Técnico para os Sistemas Orgânicos de Produção Animal e Vegetal. A mesma revoga a Instrução Normativanº 7, de 17/05/1999.
Para maiores detalhes acesse:

http://www.agricultura.gov.br

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Curso: "Formação em Políticas Públicas para Mulheres Rurais de Grupos Produtivos"

Os prazos para encaminhamento das fichas de inscrição para o curso vão até o dia 15 de janeiro de 2009 para a Região Norte e 20 de Janeiro de 2009 para as demais regiões.

Contato: Assessoria de Gênero, Raça e Etnia - AEGRE/MDA
com Patrícia Mourão, e-mail: patricia.mourao@consultor.mda.gov.br
61 2107 0023

Concurso para professores de Agroecologia

Edital aberto com duas vagas para professor de Agroecologia na Universidade Federal do Recôncavo Baiano - Cruz das Almas.

Acesse o site: www.ufrb.edu.br

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Impacto da expansão das monoculturas de eucalipto sobre as mulheres

PAMPA
Amigos da Terra apresentam estudo de caso sobre o impacto da expansão das monoculturas de eucalipto sobre as mulheres
A Friends of the Earth e Movimiento Mundial por los Bosques Tropicales (WRM) estão desenvolvendo o projeto "A FUNÇÃO DA UNIÃO EUROPÉIA NO DESEMPODERAMENTO DAS MULHERES NO SUL ATRAVÉS DA CONVERSÃO DOS ECOSSISTEMAS LOCAIS EM PLANTAÇÕES DE ÁRVORES" e em parceria com o Núcleo Amigos da Terra/Brasil, produziu um estudo sobre a expansão das monoculturas de eucalipto sobre o Pampa gaúcho. A autoria é da bióloga e mestre em Educação Ambiental Cíntia Pereira Barenho. "É uma importante ferramenta não só para a luta contra a expansão dos megaprojetos de celulose e papel dos movimentos sociais e ambientalistas, mas também para todos os setores da sociedade porque mostra a realidade de mulheres que pouco ou quase nada têm sido divulgado pela mídia," disse. Conforme contou, a situação destas mulheres ainda é de invisibilidade social, apesar de elas já estarem protagonizando lutas de resistência.

O estudo de caso contou com a participação de vinte mulheres de movimentos sociais do campo e da cidade que relataram diferentes impactos da silvicultura em suas vidas. As participantes moram em Rio Grande, Hulha Negra, Piratini, Encruzilhada do Sul, Barra do Ribeiro, São José do Norte, Santana do Livramento, Herval e Porto Alegre.
Dentre os impactos relacionados pelas mulheres, constatou-se que dificuldades acerca das condições sociais e de sobrevivência diária, como a contaminação do ambiente e de animais devido a utilização de grande quantidade de agroquímicos nas lavouras de eucalipto; a precária situação das estradas rurais devido ao tráfego de veículos pesados; a situação de violência e assédio sexual; escassez de água; degradação da terra, as condições de trabalho são precárias. Como conseqüência a reforma agrária está neutralizada e o abandono do campo tem se intensificado.

Leia o estudo de caso em
http://www.natbrasil.org.br/Docs/monoculturas/artigo_science_impactosmonoculturas.pdf
http://www.natbrasil.org.br/monocultura.htm


Eliege Fante DRT/RS 10.164
Assessora de Imprensa
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Fone/Fax: +55 51 3332-8884

O pulsar do coração da Terra e a aceleração do tempo

Leonardo Boff, Teólogo


Não apenas as pessoas mais idosas, mas também jovens tem a experiência de que tudo está se acelerando excessivamente. Ontem, foi carnaval, dentro de pouco será Páscoa, mais um pouco, Natal. Esse sentimento é ilusório ou possui base real? Pela "ressonância Schumann" se procura dar uma explicação. O físico alemão W.O. Schumann constatou em 1952 que a Terra é cercada por um campo eletromagnético poderoso que se forma entre o solo e a parte inferior da ionosfera que fica cerca de 100 km acima de nós.

Esse campo possui uma ressonância (dai chamar-se ressonância Schumann) mais ou menos constante da ordem de 7,83 pulsações por segundo. Funciona como uma espécie de marca-passo, responsável pelo equilíbrio da biosfera, condição comum de todas as formas de vida. Verificou-se também que todos os vertebrados e o nosso cérebro são dotados da mesma freqüência de 7,83 hertz. Empiricamente fez-se a constatação que não podemos ser saudáveis fora desta freqüência biológica natural. Sempre que os astronautas, em razão das viagens espaciais, ficavam fora da ressonância Schumann, adoeciam. Mas, submetidos à ação de um "simulador Schumann" recuperavam o equilíbrio e a saúde.

Por milhares de anos as batidas do coração da Terra tinham essa freqüência de pulsações e a vida se desenrolava em relativo equilíbrio ecológico. Ocorre que, a partir dos anos 80 e de forma mais acentuada a partir dos anos 90, a freqüência passou de 7,83 para 11 e para 13 hertz por segundo. O coração da Terra disparou. Coincidentemente desequilíbrios ecológicos se fizeram sentir: perturbações climáticas, maior atividade dos vulcões, crescimento de tensões e conflitos no mundo e aumento geral de comportamentos desviantes nas pessoas, entre outros. Devido a aceleração geral, a jornada de 24 horas, na verdade, é somente de 16 horas. Portanto, a percepção de que tudo está passando rápido demais não é ilusória, mas teria base real neste transtorno da ressonância Schumann.

Gaia, esse superorganismo vivo que é a Mãe Terra, deverá estar buscando formas de retornar a seu equilíbrio natural. E vai consegui-lo, mas não sabemos a que preço, a ser pago pela biosfera e pelos seres humanos. Aqui, abre-se o espaço para grupos esotéricos e outros futuristas projetarem cenários, ora dramáticos, com catástrofes terríveis, ora esperançadores como a irrupção da quarta dimensão pela qual todos seremos mais intuitivos, mais espirituais e mais sintonizados com o bioritmo da Terra.

Não pretendo reforçar este tipo de leitura. Apenas enfatizo a tese recorrente entre grandes cosmólogos e biólogos de que a Terra é, efetivamente, um superorganismo vivo, de que Terra e humanidade formamos uma única entidade, como os astronautas testemunham de suas naves espaciais. Nós, seres humanos, somos Terra que sente, pensa, ama e venera. Porque somos isso, possuímos a mesma natureza bioelétrica e estamos envoltos pelas mesmas ondas ressonantes Schumann. Se queremos que a Terra reencontre seu equilíbrio devemos começar por nós mesmos: fazer tudo sem stress, com mais serenidade, com mais amor, que é uma energia essencialmente harmonizadora. Para isso importa termos coragem de ser anti-cultura dominante, que nos obriga a ser cada vez mais competitivos e efetivos.

A Terra Respira ! Precisamos respirar juntos com a Terra para conspirar com ela pela paz.

Agroecologia e Extensão Rural - 2009

ABAIXO OS EVENTOS JÁ PROGRAMADOS

VI Congresso Brasileiro de Agroecologia e II Congresso Latino Americano de Agroecologia - Curitiba - PR - 09 a 12 de novembro de 2009 (em paralelo ocorrerá a reunião do MAELA - Movimiento Latino Americano de Agroecología)

Iº Congresso Paraibano de Agroecologia - UFPB - Areia - 30 de abril a 03 de maio.

I Simpósio Nacional de Sistemas Agroecológicos - Rondonópolis - MT - 12 a 14 de maio.

Semana Acadêmica da UFLA - (terá uma atividade sobre Agroecologia e Extensão Rural) - 11 a 15 de maio.

Seminário sobre Indicadores de Sustentabilidade - EPAMIG-Viçosa-MG - 24 a 26 de maio.

Semana Acadêmica - UF Vale do Jequitinhonha/Mucuri - Diamantina -MG (um dos temas será O novo paradígma da Extensão Rural) - 1º a 3 de abril

Iª Semana Agroecológica do Brejo Paraibano - Areia - PB - 27 a 29 de abril.

Encontro Regional de Agroecologia - UFPB - 30 de abril a 3 de maio.



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