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segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Acesse o livro "Agroecologia e Acesso a Mercados"

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Resumo
No Brasil, as organizações de agricultores e as ONGs de assessoria a trabalhadores rurais avançaram bastante no campo das tecnologias apropriadas e da produção agroecológica. Souberam também consolidar o espaço da ação não governamental e, partindo dessa base mais firme, superar o tabu da parceria com o Estado. Hoje, a bola da vez é o mercado. A comercializaçã o da produção – in natura ou beneficiada – é certamente um dos maiores gargalos da agricultura familiar e representa um enorme desafio para os agricultores pobres da região Nordeste do Brasil.
O presente trabalho discute a viabilidade da agricultura familiar com base na experiência acumulada em três projetos de comercializaçã o da produção agroecológica, desenvolvidos pelas organizações ESPLAR, Diaconia e ASSEMA, apoiadas pelo Programa Meios de Vida Sustentáveis (PMVS) da OxfamGB. A primeira experiência, da ADEC – Associação de Desenvolvimento Cultural, de Tauá, no sertão cearense, assessorada pelo ESPLAR, lida com o comércio justo de algodão orgânico. A Segunda, da AAOEV - Associação dos Agricultores Agroecológicos Oeste Verde, no sertão do Rio Grande do Norte, assessorada pela Diaconia, visa o abastecimento de feiras locais e mercados institucionais com hortaliças. A terceira gira em torno da produção de óleo da palmeira babaçu pela COPPALJ - Cooperativa dos Pequenos Produtores Agroextrativistas de Lago do Junco, com assessoria da ASSEMA - Associação em Áreas de Assentamento no Estado do Maranhão, cuja história é vinculada à luta de milhares de quebradeiras de coco babaçu.
Essas três iniciativas fornecem a base empírica para discutir três modos de comercializaçã o da produção agroecológica: o mercado local (feiras); o mercado institucional (a compra direta pelo governo) e o mercado justo internacional, com ou sem certificação orgânica.
Este documento foi produzido, principalmente, a partir de visitas às três experiências de referência, efetuadas em setembro de 2007, e da leitura da documentação produzida no âmbito dessas experiências. Além disso, foram consultados estudos brasileiros recentes sobre a comercializaçã o da produção agroecológica e diversas publicações relativas aos temas da agroecologia, da agricultura familiar e da economia solidária.
O resultado é um amplo panorama, onde a sistematização da prática em suas etapas sucessivas – produção, transformação, comercializaçã o, difusão da experiência – traz um volume importante de informações e reflexões. Trata-se também de um texto no qual o autor defende determinadas posições, levantando questões, por vezes polêmicas, com o intuito de alimentar debates.
Uma das principais constatações do estudo é de que em todas as etapas existem sérias dificuldades. Apesar desses empecilhos, as três iniciativas mostram que é possível falar em viabilidade da produção agroecológica e da sua comercializaçã o, no âmbito de experiências localizadas (grupos de produtores familiares ou de assentamentos) . Sua viabilidade em escala maior fica, porém, na dependência de políticas públicas ainda incipientes e que, apesar da presença de forças favoráveis à agroecologia em instâncias governamentais, permanecem minoritárias.


Índice

Introdução
• O mercado, nova fronteira das ONGs rurais
• Foco nos agricultores pobres, produzindo segundo o paradigma agroecológico
• Comercializaçã o da agricultura familiar, discussão de três experiências
• Estrutura do texto

Primeira parte: produzir para comercializar

Contextualizaçã o
• O peso e a diversidade da agricultura familiar brasileira
• De que agricultores familiares estamos falando aqui?
• Alguns elementos da economia da agricultura familiar nordestina
• Políticas públicas para a agricultura familiar
• O contexto nacional e internacional: fatores favoráveis e desfavoráveis
• As polarizações brasileiras

Três projetos na Região Nordeste do Brasil: a produção agroecológica
gerando renda
• O Programa Meio de Vida Sustentáveis da Oxfam
• Avanços palpáveis: a produção agroecológica gerando renda
• Um rápido balanço das três experiências

Produzir na perspectiva agroecológica
• A produção agroecológica
• Um ambiente favorável para a produção agroecológica
• Avanços e dificuldades na produção agroecológica
• Lições para a sustentabilidade

Agregar valor à produção: desafios tecnológicos e organizacionais
• Beneficiamento e processamento da produção em unidades de médio porte
• Um duplo desafio: agregar valor a agregar gente
• Avanços e dificuldades na transformação da produção

Segunda parte: vender sem se vender

À procura de mercados diferenciados
• Lidar com o mercado para incrementar o fator "renda" na economia familiar
• Acessar, enfrentar e desenvolver mercados
• Evitar os mercados convencionais e os atravessadores
• Procurar mercados diferenciados

Foco em três mercados: Orgânico, Institucional e justo
• O mercado local das feiras orgânicas
• O mercado institucional
• O comércio justo do algodão
• Os vários mercados do babaçu

Como vender sem se vender? As lições da prática
• A dura realidade da economia de mercado
• Equilíbrio e tensão entre o político, o econômico, o social e o ambiental
• Desafios e nós organizacionais

Gênero e mercado
• O reconhecimento ainda limitado das mulheres na agricultura familiar nordestina
• Gênero na família, nos grupos produtivos e nas organizações de mulheres
• Maior força política, porém ganhos econômicos limitados para as mulheres
• O mercado emancipa as mulheres? sim! ... e não!

Terceira parte - Além do local

Ampliar o raio de ação entre a a família e a comunidade
• Que futuro para os jovens?
• Intensificação e expansão das iniciativas agroecológicas
• Conquistas políticas

Novas políticas públicas na confluência da agricultura familiar, da
agroecologia e da economia solidária
• Agroecologia e economia solidária: objetivos comuns e estratégias complementares
• SECAFES e SCJS: novas políticas públicas para a agricultura familiar e a
economia solidária
• Elementos adicionais de políticas de comercializaçã o da agricultura familiar

Um comentário:

bloch.didier@gmailcom disse...

Que tal falar o nome do autor e da Oxfam, entidade que financiou o trabalho?

Também, pode atualizar os links, pois os indicados não são mais válidos. Os novos são:

Em português http://comunidades.mda.gov.br/o/901166
Em espanhol http://www.scribd.com/doc/9633266/Agroecologia-y-Acceso-a-Mercados .


Att

Didier Bloch