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domingo, 26 de outubro de 2008

Camionete movida a óleo vegetal ultrapassa os 100 mil quilômetros

Projeto desenvolvido pelo Instituto Morro da Cutia de Agroecologia transforma óleo vegetal reciclado em biocombustível.

Uma camionete S-10, ano 2001, com motor MWM 2.8 turbo diesel intercooler convertido para óleo vegetal, é parte de um projeto pioneiro desenvolvido pelo Instituto Morro da Cutia de Agroecologia. Neste mês, o veículo completou mais de 100 mil km rodados exclusivamente à base de óleo vegetal reciclado. Para o ambientalista Paulo Roberto Lenhardt, idealizador do projeto, a marca conquistada representa uma revolução e uma autonomia. “Agricultores ou moradores de comunidades isoladas podem, com esse
projeto, produzir o seu próprio combustível”.

As vantagens da utilização de óleo vegetal são inúmeras perante os combustíveis tradicionais. As emissões de um veículo rodando com óleo vegetal contêm 40% menos fuligem e são 75% mais puras em relação ao diesel fóssil. O óleo vegetal também propicia melhor lubrificação interna do motor. Na questão ambiental, não contribui para o efeito estufa, por ser oriundo de fontes renováveis. Além disso, cada litro de óleo reciclado como combustível é menos um agente poluidor na natureza.
Em comparação à utilização de biodiesel, o óleo vegetal oferece vantagens. A produção do biodiesel é um processo complexo e requer infra-estrutura, conhecimento de química e manuseio de materiais que podem ser perigosos. É preciso também que o combustível seja produzido constantemente.

Para adaptar um veículo ao óleo vegetal, é preciso instalar um kit para conversão do motor. O custo médio é de R$ 2.500,00. O processo é realizado apenas uma vez e não exige maiores cuidados ou manutenções. A questão econômica também é muito vantajosa. O óleo vegetal pode ser adquirido gratuitamente nos estabelecimentos que o utilizam para fritura. A maioria dos/as comerciantes não se recusa a doar o material que foi descartado para consumo humano. Porém, a utilização desse material não pode ser imediata. É preciso seguir algumas etapas para reciclá-lo.

A primeira delas é deixar o óleo recolhido parado em uma bombona ou tanque por alguns dias para que os restos de comida, lixo e água se acumulem no fundo do reservatório. Após esse processo, o óleo pode ser retirado por cima para um próximo estágio de limpeza. O óleo usado, muitas vezes, está salgado ou adoçado. O sal e o açúcar podem causar danos a componentes do motor. Para resolver essa questão, é necessário colocar o óleo já decantado em um tanque ou tonel e misturá-lo com água. A água absorverá os elementos contidos no óleo após uma semana de descanso. Mas, mesmo depois de separada, a água não é totalmente eliminada. A solução é ferver o óleo por alguns minutos e filtrá-lo. A filtragem pode ser feita com bombas equipadas com filtro prensa. Após essa etapa, o óleo vegetal está pronto para abastecer o motor.

Patrocinado pela Fundação Avina e apoiado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, o projeto espera validação técnica de um órgão de pesquisa que se disponha a realizar testes de bancada, certificação da não-emissão de gases nocivos à natureza e durabilidade do motor. “O nosso maior problema é a falta de normatização sobre a questão do óleo vegetal. Precisamos de um estudo que comprove os componentes desejáveis e indesejáveis do processo”, explica Lenhardt.

Além do projeto da camionete, o Instituto Morro da Cutia de Agroecologia já instalou, nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Goiás, 12 oficinas de conversão e converteu quatro tratores, um barco, dois caminhões, quatro camionetes, um microtrator e um motor estacionário.

Outras Informações:
Telefone: (51) 3649-6087
Endereço eletrônico: morrodacutia@morrodacutia.org
Por Cláudia Mohn – Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict

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