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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Princípio da precaução. Milho transgênico é proibido na França

Do site do Instituto Humanitas Unisinos (IHU) - http://www.unisinos.br/ihu

15/1/2008

O governo francês apelou para a cláusula de salvaguarda para proibir o milho MON 810, na última sexta-feira, dia 11 de janeiro, em nome do “princípio de precaução”. Portanto, não haverá, em 2008, cultivo do milho transgênico na França. Se o impacto econômico, no curto prazo é irrisório, são os impacto de longo prazo que são deplorados pelos defensores dos OGM. A reportagem é do jornal Le Monde, 15-01-2008.

Sábado, num comunicado, os industriais lamentam que “as empresas produtoras de semente (...) não têm mais nenhuma visibilidade”. Mas elas não mencionam a contrapartida do governo que anunciou um plano de investimento em biotecnologias no valor de 45 milhões de euros, oito vezes mais que o orçamento atual. Uma contrapartida que foi criticada pela Conferação camponesa.

Com 22 mil hectares em 2007, a produção de milho transgênico representa somente 0,7% da terra destinada a este tipo de cereal. Mas para os agricultores que se converteram ao milho transgênico, ele rende de 5% a 30% mais.

Para as produtoras, as multinacionais como Limagrain ou Pioneer(Dupont) o impacto será menor.

Uma gota de água para a Monsanto, pois o seu foco é o Brasil

A Monsanto também é atingida. Não só porque vende as sementes, mas sobretudo porque ela é que desenvolveu o elemento transgênico MON 810, o único autorizado na Europa. Ela recebe os royalties pela licença concedida às outras produtoras de sementes transgênicas. A multinacional americana se nega comentar a decisão francesa. “Seu eixo de desenvolvimento é o Brasil. A Europa é somente uma gota de água”, explicar Francis Prêtre, de CM-CIC Securities.

É o símbolo que representa a nova posição francesa que amedronta os industriais. A França, primeira potência agrícola européia, detém um conhecimento reconhecido no campo das sementes. Ela é também a segundo produtora de transgênicos, depois da Espanha. Somas enormes de dinheiro já foram investidos nas biotecnologias.

“Nós entramos numa dinâmica e as perspectivas eram boas”, explica Karine Affaton, porta-voz da Pioneer. O grupo, que utiliza o MON 810, espera uma homologação da sua própria tecnologia. De 500 hectares em 2005, a área plantada passara para os 5 mil hectares em 2006 e para 22 mil em 2007.

“O que se pasará em 2009?”, pergunta Christian Pées, presidente de Euralis. Ele teme o isolamento econômico da França.

“O milho não transgênico se vende 25% mais caro. É melhor conservar na França a especificidade não transgênica”, afirma Jacques Pasquier, da Confederação camponesa, a que pertence José Bové. O debate é ambiental, mas também econômico, conclui o jornal francês.



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