inescburg@yahoo.com.br

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Produtos com transgênicos devem trazer alerta no rótulo

Do Informativo IDEC EM AÇÃO

TRANSGÊNICOS


O Idec e o Ministério Público Federal (MPF) ganharam mais uma batalha na luta contra os transgênicos. Os rótulos de alimentos que tenham qualquer elemento geneticamente modificado deverão alertar o consumidor e informar a presença de transgênicos.

Atualmente, apenas os que possuem mais de 1% de organismos modificados em sua composição precisam alertar o consumidor. Para o Idec, isso vai de encontro ao determinado pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC), que é fornecer informações claras e precisas para o consumidor escolher os produtos que prefira consumir.

A decisão judicial foi tomada em 24 de outubro e publicada no Diário Oficial da União no último dia 7. A ação civil pública foi movida contra a União, que ainda pode recorrer da decisão.

Histórico da ação civil pública
O Idec e o MPF entraram com a ação na justiça em 2001. Na época, a exigência para o alerta nos rótulos valia apenas para alimentos com 4% de organismos modificados em sua composição.

Dois anos depois, o presidente Lula publicou o decreto 4680, que tornou obrigatória a informação em alimentos que possuíssem mais de 1% de transgênicos. É essa a determinação que vale até hoje, e que deverá ser derrubada com a vitória do Idec na ação civil pública.

"Com o percentual de 1% só é possível detectar a presença de transgênicos em proteínas, presente em alimentos sólidos. Se o óleo de soja tem transgênico, por exemplo, o consumidor fica sem saber", alerta Marilena Lazzarini, coordenadora executiva do Idec, sobre a importância da decisão judicial.

Fonte:
http://www.idec.org.br/emacao.asp?id=1397



Alimentos transgênicos devem ser rotulados

O Instituto de Defesa do Consumidor e o Ministério Público Federal ganharam nesta segunda-feira uma sentença judicial que obriga os fabricantes de produtos transgênicos a rotularem os seus produtos.

A decisão da juíza ISA TANIA PESSOA DA COSTA, do Distrito Federal, determina que mesmo os produtos que contenham menos de UM por cento de transgênicos têm que trazer o alerta.

Até então, a exigência valia só para produtos que continham mais de UM por cento de transgênicos, o que contraria um direito do consumidor.
Segundo o IDEC, diversos produtos transgênicos são consumidos pelos brasileiros sem saber.

(Da CHASQUE – Agência de Notícias
http://www.agenciachasque.com.br/boletinsdiarios2.php?iddata=666502dab08a4c95b9bf50c0029e57c4)

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Concurso Latinoamericano de Documentales“Otras miradas"


Buenos Aires, 26 de noviembre de 2007

En ocasión del 40º aniversario, CLACSO anuncia el lanzamiento del I Concurso Latinoamericano de Documentales “Otras miradas: experiencias de autoorganización y luchas sociales en América Latina”, destinado a valorizar la producción audiovisual independiente.

El lenguaje audiovisual constituye hoy la principal vía masiva de articulación de sentidos culturales, políticos e identitarios. Desafiando los sentidos hegemónicos, en los márgenes de la industria cultural, crece un prominente conjunto de intelectuales y artistas que aprovechan las potencialidades de las nuevas y más accesibles tecnologías de comunicación para construir otros sentidos, con otras miradas. Así, con muy escasos recursos, se producen documentales de altísima calidad técnica y artística. Sin embargo, estas miradas -resultado de los contextos y luchas sociales en los que se articulan- habitualmente no encuentran los canales de promoción y difusión adecuados.

En consecuencia, CLACSO se propone promover y fortalecer esta forma de intervención cultural y política, y para ello ha creado el Concurso “Otras miradas” que premiará a las mejores producciones audiovisuales independientes que hagan visibles aspectos actuales de la realidad política y social de América Latina y el Caribe.

Dos trabajos serán premiados con U$D 4.000 (dólares cuatro mil) cada uno y tres recibirán menciones honorarias. El plazo para la presentación de los trabajos vence el 29 de febrero de 2008. Los afiches impresos están siendo enviados a los Centros Miembros de CLACSO en el transcurso de los próximos días

Para mayor información y/o consultas, pueden escribir a . Las bases del concurso pueden consultarse en la página web del Programa de Comunicación Audiovisual de CLACSO:

http://www.clacso.org
http://www.clacso.edu.ar




______________________________________
Gabriela Amenta
Coordinadora
Area de Comunicación y Relaciones Institucionales
Campus Virtual de CLACSO
Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales
gamenta@campus.clacso.edu.ar
www.clacso.org
www.clacso.edu.ar

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

20-11-2007


Productores de EE.UU. pedirán más por soja no modificada
Los productores dos, país
que ocupa el primer lugar en el cultivo de la oleaginosa, exigirán mayores primas el año próximo por las semillas no modificadas genéticamente y probablemente solo suministren las cosechas que ya fueron contratadas, dijo un grupo de exportadores.

Los agricultores estadounidenses están sembrando menos hectáreas de soja no modificada genéticamente, que es más cara de producir y rinde menos que las variedades transgénicas, dijo Dan Duran, máximo responsable del U.S. Soybean Export Council, en una entrevista.

Las mayores primas aumentarían los costos de los proveedores de alimentos en Japón, el mayor mercado de exportación de la soja no modificada genéticamente, en donde empresas como Shinozakiya Inc. utilizan la oleaginosa para preparar alimentos como el tofu. Las cosechas modificadas no se utilizan por dudas en cuanto a que sean seguras para el consumo. Otros compradores asiáticos, como Taiwán y Corea del Sur, también importan soja no modificada genéticamente.

``No hay garantía de que el producto estará disponible en el mercado de entrega inmediata'', dijo Duran en una entrevista en Tokio. ``Sin contratos, nadie puede garantizar disponibilidad' ', añadió.

La soja ha subido 58 por ciento este año, porque los agricultores estadounidenses sembraron la menor cantidad de hectáreas en 12 años, para producir más maíz.

Los agricultores estadounidenses están cobrando primas de US$1,50 por bushel en promedio para la soja no modificada genéticamente el año entrante, 25 por ciento más que este año, dijo Nobuyuki Chino, director general de la sociedad mercantil de Tokio Unipac Grain Ltd. Las primas son la diferencia de precio con respecto a la soja genéticamente modificada o transgénica.

Los productores estadounidenses sembraron 27,78 millones de hectáreas de soja este año, 16 por ciento menos que un año antes, según el Departamento de Agricultura del país. Es posible que aumenten la siembra de soja el año próximo entre 1,62 millones y 3,24 millones de hectáreas, mientras que el porcentaje de hectáreas sembradas con variedades modificadas podría subir 1 o 2 puntos porcentuales desde 91 por ciento este año, dijo Duran.

Fuente: Bloomberg

domingo, 18 de novembro de 2007

    Basta pensar em sentir
    Para sentir em pensar.
    Meu coração faz sorrir
    Meu coração a chorar.
    Depois de parar de andar,
    Depois de ficar e ir,
    Hei de ser quem vai chegar
    Para ser quem quer partir.

    Viver é não conseguir.

    Fernando Pessoa, 14-6-1932

    Acesse mais: http://www.insite.com.br/art/pessoa

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Livros sobre sementes de milho crioulo

Por Ângela Cordeiro

LIVRO 01

Para @s que tem interesse em dados de pesquisa sobre variedades locais de milho, a publicação: "Produtividade de grãos e qualidade da semente do milho crioulo" traz resultados de algumas pesquisas feitas por geneticistas da UFSC em parceria com agricultores e suas organizações no Oeste de Santa Catarina. Pedidos de exemplares com: Adriano Canci adrianocanci@yahoo.com.br . NA UFSC contato com: Profa. Juliana Ogliari jbogliar@cca.ufsc.br .

A Profa. Juliana está coordenando a produção de um livro que irá trazer inúmeros resultados sobre as pesquisas feitas com as variedades locais do Oeste, inclusive estudos interessantíssimos sobre o valor nutricional das variedades locais (antioxidantes e outros componentes). A edição deverá ocorrer em breve.

LIVRO 02

A CPT do RS e a Cáritas Brasileira Regional do RS, em parceria com comunidades e organizações locais, fez um levantamento das variedades locais que os agricultores ainda utilizam. O estudo resultou, entre outras coisas, na publicação de um livreto com o registro fotográfico das sementes mapeadas: "Conhecendo e Resgatando Sementes Crioulas".

Como os autores afirmam na apresentação, o livreto foi organizado sem a pretensão de seguir um formato científico na organização das informações. De qualquer maneira, é um bom registro fotográfico das espécies e variedades que os agricultores gaúchos ainda mantêm nas suas roças. Demonstra também o comprometimento das organizações populares com a agrobiodiversidade.

Pedidos de exempalres para cptrs@portoweb.com.br


Outras publicações sobre o assunto:

http://agriculturas.leisa.info/

Disruptores endócrinos ambientais: riscos à saúde pública
Environmental endocrine disrupters: public health risks

Sônia Corina Hess Departamento de Hidráulica e Transportes. Centro de Ciências Exatas e Tecnologia. Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Campo Grande (MS)
Correspondência / Correspondence
Sônia Corina Hess Departamento de Hidráulica e Transportes do Centro de Ciências Exatas e Tecnologia Universidade Federal de Mato Grosso do Sul Caixa Postal 549 Campo Grande/MS - Brasil
CEP: 79070-900 E-mail: schess@nin.ufms. br

RESUMO
Cerca de 10 milhões de pessoas ao redor do mundo recebem diagnóstico de câncer anualmente. Além disso, nos últimos sessenta anos, a contagem média de espermatozóides em alguns países caiu pela metade, enquanto a incidência de malformações do sistema reprodutivo masculino aumentou consideravelmente. Há suspeitas de que tais efeitos estejam relacionados à contaminação ambiental. O presente estudo divulga dados sobre os efeitos de determinados produtos químicos industriais na saúde de cobaias, animais selvagens e seres humanos. Esses materiais são suspeitos de atuarem como disruptores endócrinos - substâncias que causam distúrbios na síntese, secreção, transporte, ligação, ação ou eliminação de hormônios endógenos e, assim, com o metabolismo, alteram também a diferenciação sexual e a função reprodutiva. Bisfenol A, ftalatos, alquilfenóis, dietilestilbestrol, componentes de filtros solares, plásticos, detergentes e outros produtos industriais de amplo emprego são apontados na
literatura como disruptores endócrinos.
CONCLUSÕES: Os dados descritos evidenciam a necessidade de mudanças na legislação relativa ao controle do uso e à presença dos materiais sob suspeita. A avaliação dos potenciais tóxico, citotóxico e genotóxico como parâmetros de qualidade para águas de abastecimento e como requisitos para o registro de produtos industriais comercializados no mercado brasileiro deveria ser prevista em lei.

INTRODUÇÃO
Dez
milhões de pessoas são diagnosticadas com câncer todos os anos e, de 1990 até o presente, a incidência mundial aumentou 19%. No Reino Unido, entre 1989 e 1998, a incidência do câncer de próstata aumentou 38%, e a de mama, 18%. 35 No Brasil, o câncer é a segunda causa de morte entre as mulheres e a terceira entre os homens, tendo vitimado 64.724 mulheres e 76.065 homens em 2004.6

A partir de um estudo epidemiológico realizado em nove países da Europa entre 1943 e 1989, foi relatado que a incidência de câncer testicular aumentou entre 2,3% e 3,4% ao ano nos países nórdicos, e em torno de 5,0% ao ano na Alemanha e na Polônia, sendo que o maior aumento foi verificado na população jovem, entre 25 e 34 anos de idade. Os pesquisadores concluíram que são fortes as influências dos fatores ambientais sobre a incidência de câncer testicular: na maioria dos casos, a exposição aos fatores causais ocorre no começo da vida; há substancial variação geográfica; e a incidência tem aumentado com o tempo, chegando a dobrar a cada 15-25 anos para a mesma faixa etária. 2,43

Muitos estudos epidemiológicos também têm revelado que, nos últimos 60 anos, a contagem média de espermatozóides em alguns países diminuiu pela metade, e dobrou a incidência de malformações do trato reprodutivo masculino, como hipospadias. Esses estudos indicam a forte correlação desses efeitos com a geografia, e suspeita-se de que eles estejam relacionados à contaminação ambiental. 15,16,42

Uma etapa-chave na ação de determinadas substâncias sobre o desenvolvimento do trato reprodutivo dos roedores que servem de cobaias é a significativa diminuição da produção fetal de testosterona nos testículos. É importante destacar que as principais enzimas envolvidas na produção da testosterona são idênticas em ratos e em seres humanos, e acredita-se que todos os mamíferos tenham mecanismos semelhantes de ativação de processos dependentes de andrógenos. Portanto, de acordo com o conhecimento atual de fisiologia e endocrinologia comparadas, é possível que fetos humanos que tenham sido suficientemente expostos a determinados materiais apresentem em seus organismos efeitos estrogênicos e antiandrogênicos adversos semelhantes àqueles observados em experimentos com animais. 15

Disruptores endócrinos
Um número crescente de produtos químicos presentes no ambiente são suspeitos de atuarem como disruptores endócrinos - em inglês: endocrine disruptors (EDs). Em animais e seres humanos, esses produtos causam distúrbios na síntese, secreção, transporte, ligação, ação ou eliminação de hormônios endógenos e, assim, no metabolismo, diferenciação sexual e função reprodutiva. 45,46

O diclorodifeniltricl oroetano (DDT) foi o primeiro produto químico artificial a ser descoberto como estrógeno, sendo que, em 1949, relatou-se que homens que pilotavam aviões para a aplicação deste inseticida apresentavam baixas contagens de espermatozóides. 46 Também foi observado que, no lago Apopka (Flórida/EUA) , os jacarés sofreram um processo de desmasculinizaçã o e infertilidade após um derramamento de DDT.11 Posteriormente, experimentos com animais de laboratório confirmaram que o DDT, que é fracamente estrogênico, ao ser metabolizado transforma-se em 2,2-bis(p-clorofeni l)-1,1-dichloroe thileno (DDE), um potente anti-andrógeno. 18,46

Em mulheres, a exposição a estrógenos é o principal fator de risco para o desenvolvimento de endometriose, câncer de mama e útero, enquanto que a exposição de homens adultos a substâncias estrogênicas resulta em ginecomastia e interferência no funcionamento do sistema glandular associado ao hipotálamo-hipó fise-gônadas, resultando em diminuição da libido, impotência, diminuição dos níveis de andrógeno no sangue e diminuição na contagem de espermatozóides. 46 Por exemplo, em um amplo estudo epidemiológico realizado nos Estados Unidos, foi encontrada correlação entre a baixa concentração de sêmen e o baixo porcentual de espermatozóides normais, com os níveis sanguíneos dos metabólitos dos herbicidas alaclor e atrazina, e do inseticida diazinon. 51

Substâncias artificiais quimicamente muito diferentes atuam como disruptores endócrinos, por isso, é difícil predizer se um material apresentará essa propriedade a partir da sua estrutura química. Alguns exemplos de EDs são: os inseticidas - dieldrin, quepone (clordecone) , endosulfan, metoxiclor, toxafeno e diazinon; os herbicidas - linuron, alaclor e atrazina; os fungicidas - vinclozolin, procymidona e procloraz; as bifenilas policloradas (PCBs), as dioxinas e os furanos, entre muitos outros produtos industriais de emprego freqüente. 45,46

Protetores solares
Os filtros de radiação ultravioleta (UV) representam uma nova classe de substâncias ativas como EDs. Além de protetores da pele, os filtros UV têm sido acrescentados a muitos produtos para conferir-lhes estabilidade à luz, como: cosméticos, perfumes, plásticos, carpetes, móveis, roupas e detergentes em pó. Os materiais que absorvem radiação ultravioleta de onda longa (UVA - 400-315 nm) e de onda média (UVB - 315-280 nm) são acrescentados em concentrações de até 10% aos produtos para proteção da pele à radiação solar. Dentre as substâncias empregadas como protetores frente à radiação UV estão: homosalato (HMS), benzofenona- 1 (BP-1), benzofenona- 2 (BP-2), benzofenona- 3 (BP-3), benzofenona- 4 (BP-4), 3-benzilideno cânfora (3-BC), 4-metil benzilideno cânfora (4-MBC) e 4-metoxicinnamato de 2-etilhexila ( OMC). Em experimentos in vitro com células de câncer de mama MCF-7 (avaliação da atividade estrogênica) e células de câncer de mama MDA-kb2 (avaliação da atividade
anti-androgênica) , os filtros solares BP-1, BP-2, BP-3, 3-BC, 4-MBC, HMS e OMC causaram estímulo da multiplicação de células MCF-7 na faixa de concentração da ordem de partes por bilhão (ppb). 39,40 Na mesma faixa de concentração, BP-3 e HMS foram ativos como anti-androgênicos. 29,40

Os filtros solares 4-MBC e 3-BC foram administrados a ratos na dose de 24 mg/kg de massa corporal/dia, desde o período intrauterino até a idade adulta, tendo-se observado os seguintes efeitos: 1) no período perinatal: decréscimo da taxa de sobrevivência, peso reduzido do timo, peso reduzido dos testículos; 2) na puberdade: atraso na separação do prepúcio; 3) na idade adulta: aumento da tireóide e diminuição da próstata e timo dos machos, aumento da tireóide, timo, útero e ovário das fêmeas. 30,40,48 Em ensaios com ratas, os filtros solares foram administrados em mistura com os alimentos, sendo que o peso uterino aumentou de forma dose-dependente para o 4-MBC, OMC e, mais fracamente, para o BP-3. A aplicação dérmica de 4-MBC em ratas imaturas também ocasionou aumento do peso do útero. 39 Foi relatado, ainda, que BP-1, BP-3, 4-MBC e OMC, quando misturados, têm sua atividade estrogênica potencializada. 19

Os seres humanos podem estar expostos aos filtros UV por absorção dérmica ou através da cadeia alimentar, sendo que o filtro solar BP-3 e seu metabólito, 2,4-dihidroxibenzof enona, foram detectados na urina de pessoas, quatro horas após a aplicação dérmica de protetores solares comerciais. Além disso, de cada seis amostras de leite materno avaliadas, cinco apresentaram resíduos de BP-3 e de OMC em quantidades detectáveis. 39

Um levantamento dos componentes descritos nos rótulos dos protetores solares comercializados em Campo Grande (MS) - incluindo aqueles revendidos por representantes de empresas de cosméticos -, realizado em abril de 2006, revelou que todos os produtos continham OMC e que, na maioria das amostras, também havia BP-3 ou 4-MBC.

Bisfenol A
Por muitos anos, o bisfenol A (BPA) tem sido uma das substâncias químicas de maior produção ao redor do mundo, alcançando 2,7 milhões de toneladas em 2003. 53 É uma matéria-prima industrial empregada na produção de polímeros e como estabilizante em plásticos à base de cloreto de polivinila (PVC),22,46 presentes em muitos itens, como: latas de conserva revestidas internamente com filme de polímero, lentes de óculos, materiais automotivos, mamadeiras, garrafas de água mineral, encanamentos de água de abastecimento, adesivos, CDs e DVDs, etc. 32

A descoberta de que o BPA apresenta atividade estrogênica intensa ocorreu acidentalmente, quando pesquisadores verificaram que, ao serem autoclavados, os tubos plásticos de policarbonato, empregados em seus experimentos, liberavam na água essa substância - que, na concentração de 5,7 ppb, ocasionou estímulo da proliferação de células de câncer de mama (MCF-7). 25

Em experimentos realizados com ratos e camundongos, a exposição fetal ao BPA ocasionou a alteração da morfologia de diversos órgãos dos animais adultos, como útero e vagina, 33 glândulas mamárias12,31 e próstata54.

A exposição contínua (por 24 horas) de células de pâncreas a uma solução contendo BPA (10 ppb ), ocasionou a secreção de insulina acima do nível normal 1 e foi observado que, após quatro dias, a administração de BPA (10 mg/kg/dia) fez com que ratos adultos desenvolvessem hiperinsulinemia, o que aumenta os riscos de desencadeamento de diabetes melitus do tipo 2 e hipertensão.3

A administração de BPA a ratas grávidas e seus filhotes recém-nascidos induziu-os à obesidade e também resultou em mudanças no comportamento (hiperatividade, aumento da agressividade, reação alterada para estímulos de dor ou medo, problemas de aprendizagem e alteração do comportamento sócio-sexual) . 13,52

Em testes realizados em laboratórios, o BPA foi detectado: na saliva, em quantidades suficientes para estimular a proliferação de células de câncer de mama (MCF-7), uma hora após os pacientes terem sido tratados com selador dentário à base de resina derivada do BPA; 36 nos líquidos das latas de conservas de alimentos revestidas por resina contendo BPA, que estimularam a proliferação das células MCF-7;8 em amostras de leite;10 em galões de policarbonato utilizados como embalagens de água mineral; 4 em mamadeiras de policarbonato, sob condições semelhantes àquelas do uso normal;7 no soro das parturientes e dos fetos humanos.56

Produtos derivados do BPA, como o bisfenol B (BPB), bisfenol F (BPF), bisfenol AD (BPAD), bisfenol AF ( BPAF), tetrametilbisfenol A (TMBPA) e 3,3´-dimetilbisfenol A (DMBPA), amplamente empregados como retardadores de chama e como aditivos em muitos materiais plásticos, 32 apresentaram significativa atividade estrogênica frente a células de câncer de mama MCF-7 e foram capazes de interferir na atividade hormonal da tireóide, na ordem de concentração menor do que 1 mM.24
Ftalatos
Os ftalatos (ésteres do ácido 1,2-benzenodicarboxí lico) representam uma classe de materiais produzidos industrialmente em larga escala. Os mais pesados, como os ftalatos de di-(2-etil)hexila (DEHP), de di-isononila (DiNP) e o de di-isodecila (DiDP), são utilizados em materiais de construção, móveis, roupas e, principalmente, para dar flexibilidade ao PVC. Aqueles com pesos moleculares relativamente baixos, como o ftalato de dimetila (DMP), o de dietila (DEP) e o de dibutila (DBP), tendem a ser utilizados em solventes e em adesivos, tintas, cosméticos, ceras, inseticidas e produtos farmacêuticos e de uso pessoal. O ftalato de benzilbutila (BBP) é um plastificante muito utilizado na confecção de pisos poliméricos, em materiais plásticos à base de celulose, acetato de polivinila, poliuretanas e polisulfetos, em couros sintéticos, cosméticos, como agente dispersante em inseticidas, repelentes e perfumes, entre muitos outros produtos. Devido ao seu amplo emprego, a exposição
aos ftalatos pode alcançar tanto pessoas quanto animais domésticos e selvagens, por ingestão, inalação, absorção pela pele ou por administração intravenosa. 46

Brinquedos, mamadeiras e outros utensílios de material plástico representam uma fonte potencial de contaminação das crianças por ftalatos. Em estudos realizados nos Estados Unidos, foi estimada em 40 a 173 mg/kg de massa corporal/dia a quantidade de DiNP absorvida pelas crianças ao colocarem brinquedos e outros materiais plásticos na boca.38

Bolsas e mangueiras de PVC contendo DEHP são empregados no tratamento de pacientes para a administração intravenosa de fluidos, fórmulas nutritivas, sangue e também para a hemodiálise e o fornecimento de oxigênio. Foi descrito que, por exemplo, durante a transfusão de sangue, os pacientes adultos recebem entre 8,5 e 3,0 mg/kg de massa corporal/dia e os recém-nascidos, entre 0,3 e 22,6 mg/kg de massa corporal/dia, de DEHP. 38

Em estudo realizado em 2006, visando a avaliação da qualidade das águas destinadas ao abastecimento público na região de Campinas (SP), foi revelado que, d entre as substâncias monitoradas, os seguintes hormônios e disruptores endócrinos foram freqüentemente detectados: dietil e dibutilftalato (0,2-3 ppm), etinilestradiol (1-3,5 ppm), progesterona (1,2-4 ppm) e bisfenol A (2-64 ppm). Amostras de esgoto bruto e tratado também apresentaram concentrações muito próximas daqueles EDs, indicando a ineficiência do tratamento empregado na estação de tratamento de esgotos para a sua remoção. 17

A toxicidade de certos ftalatos está relacionada ao desenvolvimento do sistema reprodutivo de roedores do sexo masculino: os fetos são mais sensíveis do que os recém-nascidos, e esses, mais vulneráveis do que os animais adolescentes e adultos. Em particular, a exposição dos machos ainda no período intra-uterino ao DBP, ao BBP e ao DEHP, resulta em uma síndrome de anormalidades reprodutivas, danos aos testículos, além de mudanças permanentes (feminização). 14,15,18

Também foi observado que a administração de uma dose única dos ftalatos de diciclohexila (DCHP), DBP e DEHP a ratos com cinco dias de idade, resultou em intensa interferência no desenvolvimento do cérebro, resultando em hiperatividade. 20

Em um estudo prospectivo realizado nos Estados Unidos, foi revelado que mulheres apresentando monoetilftalato (MEP), monobutilftalato (MBP), monobenzilftalato (MBzP) e monoisobutilftalato (MiBP) na urina, durante a gravidez, tiveram bebês do sexo masculino com uma distância ano-genital (AGD) menor do que a esperada. Considerando que a AGD é aplicada em estudos de toxicologia com roedores como um biomarcador sensível para a masculinização, esse estudo comprovou que os ftalatos apresentam atividade antiandrogênica também em seres humanos. 49

Em estudos de 2005 e 2006, encontrou-se associação entre a presença de resíduos de ftalatos no leite materno e no sangue dos bebês alimentados com esse leite, com a incidência de criptorquidismo e a diminuição da bio-disponibilidade de testosterona livre, que é necessária ao desenvolvimento normal do trato reprodutivo das crianças do sexo masculino. 27

Também foi demonstrado que a exposição intrauterina de seres humanos ao DEHP e ao DBP diminui o tempo gestacional e o tamanho ao nascer 26 e que os níveis de exposição de crianças a ftalatos presentes na poeira dentro das residências estão associados ao aumento da severidade dos sintomas da asma e da rinite. 5

Em decorrência dos relatos científicos, na União Européia e nos Estados Unidos foi proibido o emprego de DEHP, DBP e de BBP na fabricação de brinquedos e de materiais para uso infantil, e também de DiNP, ftalato de di-n-octila (DnOP) e DiDP em brinquedos direcionados para crianças com menos de três anos. 38

Alquilfenóis
Os alquilfenóis como o nonilfenol (4-n-nonil-fenol) e o octilfenol (4-n-octil-fenol) são empregados como agentes plastificantes, antioxidantes e foto-estabilizantes em plásticos e, também, como matérias-primas na síntese de surfactantes não-iônicos do tipo alquilfenol etoxilato (APEs), amplamente utilizados como componentes de detergentes, tintas, herbicidas, agentes umectantes, cosméticos, pesticidas e em muitos outros produtos domésticos, industriais e agrícolas. 28,55 Nos ecossistemas aquáticos, os APEs são degradados pela ação das bactérias, liberando os alquilfenóis livres, bem como alquilfenol mono- e dietoxilatos. Tanto os alquilfenóis quanto os alquilfenol dietoxilatos são disruptores endócrinos com ação estrogênica. 46,55

A atividade estrogênica do nonilfenol foi descoberta acidentalmente, quando uma equipe coordenada por Ana Soto descobriu que o nonilfenol, que havia migrado para os meios de cultura a partir de recipientes plásticos à base de poliestireno, era o responsável pela indução da multiplicação das células de câncer de mama (MCF-7). Posteriormente, em testes realizados com o nonilfenol puro, verificou-se este estimula a multiplicação das células MCF-7 na concentração de 215 ppb. 47

O nonilfenol foi detectado na água comercializada em garrafas feitas de PVC e de polietileno de alta densidade (PEAD), no leite comercializado em embalagens contendo PEAD, 28 e em amostras de copos descartáveis, pratos e outros materiais plásticos à base de poliestireno ou polipropileno que entram em contato com alimentos. 23 Agentes estrogênicos provenientes da degradação dos APEs também foram detectados na água de consumo e em efluentes de estações de esgoto, em concentrações suficientes para causar a feminização de peixes. 44

Ao ser administrado por via oral para ratas e seus filhos (do terceiro dia de gravidez ao vigésimo dia de vida do filho), o nonilfenol ocasionou alterações de comportamento com relação a estímulos de dor e medo, 34 e a exposição de células de pâncreas de rato a uma solução contendo nonilfenol (10 ppb), por um período de 24 horas, resultou na secreção de insulina em quantidades acima do normal. 1

Dietilestilbestrol

O dietilestilbestrol (DES) é um agente anabolizante utilizado por pecuaristas para obter aumento na taxa de produção. Sua via de administração mais utilizada em bovinos é o implante em partes não comestíveis da carcaça como, por exemplo, a orelha. Entre 1950 e 1980, o DES foi utilizado como medicamento antiabortivo e a sua administração a mulheres grávidas foi proibida após comprovar-se que essa substância tem propriedades teratogênicas. Seres humanos e animais de laboratório que foram expostos ao DES no período pré-natal apresentaram problemas graves de saúde, como puberdade precoce, maior risco de desenvolvimento de neoplasias, avanços na idade óssea com repercussões negativas no crescimento, modificações de caracteres sexuais e outros danos severos ao sistema reprodutivo. 9,37,41,50

Um estudo revelou que o consumo de carnes contaminadas por DES (0,006-0,50 mM) fez com que o nível de progesterona no sangue das mulheres avaliadas aumentasse, alcançando a concentração de 97,6 nM, quando a concentração normal desse hormônio é de 7,6 a 81,0 nM. 21

Os riscos à saúde pública levaram a Organização Mundial de Saúde a proibir o uso do DES como promotor de crescimento na criação de animais de abate em 1974. No Brasil, tal proibição ocorreu apenas em 1991 e , apesar de estar legalmente prevista, tem sido precária a fiscalização das carnes comercializadas no país quanto à presença de resíduos de DES e de outros promotores de crescimento. 9
Conclusões
A Resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária número 105/1999 estabelece os limites de composição e de migração específicos para componentes de embalagens plásticas em contato com alimentos. Mas, tanto essa, quanto as legislações da União Européia e dos Estados Unidos, que estabelecem os limites de exposição ao bisfenol A, ftalatos, alquil-fenóis e componentes de filtros solares, estão defasadas com relação ao conhecimento científico atual. Portanto, sugere-se que tais parâmetros legais sejam revistos.

Entre outras, uma medida que poderia ser adotada visando à proteção da saúde pública, seria incluir na legislação a avaliação dos potenciais tóxico, citotóxico e genotóxico como parâmetros de qualidade para águas de abastecimento e como requisitos para o registro de produtos industriais comercializados no mercado brasileiro. Tais materiais também deveriam ser investigados quanto a atividades como disruptores endócrinos. Além disso, as carnes comercializadas no Brasil deveriam ser rotineiramente submetidas a análises laboratoriais visando à detecção de resíduos de DES e de outros promotores de crescimento de uso proibido no país.

Agradecimentos

À Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e ao professor doutor Kennedy F. Roche pelo apoio.

Referências

1. Adachi T, Yasuda K, Mori C, Yoshinaga M, Aoki N, Tsujimoto G, et al. Promoting insulin secretion in pancreatic islets by means of bisphenol A and nonylphenol via intracellular estrogen receptors. Food Chem Toxicol. 2005;43:713- 9.

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quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Las consecuencias de los agrotóxicos se transmiten a las futuras generaciones

Hace siete años, con relación a los agrotóxicos, la XII Conferencia Latinoamericana de la UITA denunciaba que nuestros afiliados en la agricultura deben escoger “entre morir de hambre o morir envenenados”. Y entre otras medidas resolvió dirigirse a la Organización Mundial de la Salud (OMS) solicitándole que en la misma forma que recomendaba que en las cajillas de cigarrillos figuraran fotos con las posibles consecuencias del hábito de fumar, también en los envases de los agrotóxicos figuraran fotos con las lesiones que el producto puede ocasionar, con la finalidad de orientar tanto al trabajador como al médico tratante. La OMS, posiblemente presionada por el hecho de que algunas compañías productoras de agrotóxicos también producen medicamentos y tienen gran peso en la organización, no atendió la solicitud.

Con el paso del tiempo el tema adquiere cada vez mayor vigencia. Recientes investigaciones muestran que, al contrario de lo que se pensaba anteriormente, el comportamiento y las condiciones ambientales pueden programar el ADN de los niños. Este nuevo descubrimiento sobre como los genes interactúan con el ambiente, sugiere que muchos productos químicos pueden ser más peligrosos de lo que hasta ahora se creía. Está cada vez más claro que los efectos de la exposición tóxica pueden transmitirse a través de las generaciones, de una manera que todavía no se entiende completamente. “Esto introduce el concepto de la responsabilidad en genética y herencia”, afirmó el Dr. Moshe Szyf, investigador de la Universidad McGill de Montreal, Canadá. “Esto puede revolucionar la medicina. Usted no sólo come bien y se ejercita para sí mismo, sino para su descendencia”, comentó el científico.

El nuevo campo de investigación genética, llamado epigenética, estudia lo que ciertos investigadores están denominando como “segundo código genético”, un sistema que influye en el comportamiento de los genes en el cuerpo. Si el ADN es el hardware de la herencia, el sistema epigenético sería el software. Dicho de otra forma, si comparamos la herencia genética con una computadora (hardware) el sistema epigenético serían los programas (software) que le permiten realizar distintas tareas. El sistema epigenético posee una suerte de conmutador que determina cuáles genes actúan (“on”) y cuáles no (“off”) y que cantidad de cierta proteína pueden producir.

Este sistema de conmutación determina qué material genético de cada célula influye en la creación de proteína, cuáles proteínas serán manufacturadas, en qué secuencia y en qué cantidad. Las proteínas, que son los bloques del edificio de nuestro cuerpo, también son los productos químicos y las hormonas de nuestro organismo que determinan, en gran parte, cómo miramos, cómo nos sentimos, incluso cómo actuamos.

Ahora, parece que el sistema químico de conmutación también puede actuar al revés. En la mayoría de los casos, los cambios epigenéticos (cambios de ADN por las actuales condiciones ambientales) no pasan de los padres a sus descendientes. Los científicos todavía no están seguros cómo, pero los genes al parecer emergen “limpios” después que el esperma fertiliza al huevo. Sin embargo, de acuerdo a datos recientes, la noción que cautiva a algunos investigadores es que los cambios genéticos influidos por nuestra dieta, nuestro comportamiento o nuestro ambiente, pueden traspasarse de generación en generación.

En promedio, cada año el gobierno de los Estados Unidos registra 1.800 nuevos químicos y cerca de 750 de éstos son productos que apenas pasaron las pruebas relacionadas con la salud o los efectos ambientales. En 2005, la Unión Europea respondió a esta situación aprobando una ley llamada Registro, Evaluación y Autorización de Productos Químicos (REACH por sus siglas en inglés) que exige que los productos químicos estén debidamente comprobados antes de ponerlos en venta. “Ningún dato, ningún mercado”, razonan, con toda lógica en Europa. La industria de productos químicos de Europa y Estados Unidos -a los que se sumó la Casa Blanca- comenzó a cabildear para derrocar la REACH, hasta ahora sin éxito.

El pasado mayo, un grupo de 200 científicos provenientes de todo el mundo redactaron un documento (“Declaración de Islas Feroe”) donde previenen que la exposición temprana a los productos químicos comunes, permite que los bebés tengan mayores probabilidades futuras de desarrollar enfermedades serias más adelante en su vida, incluyendo diabetes, trastorno de déficit de atención (ADD por su sigla en inglés), ciertos cánceres, desórdenes de la tiroides y obesidad, entre otras.

Lo importante es que los científicos están urgiendo a los gobiernos a no esperar por una mayor certeza científica, sino a tomar ahora una acción preventiva para proteger a fetos y a niños contra exposiciones tóxicas. Mientras, la mafia de los agrotóxicos sigue embolsando dinero.

En Montevideo, Enildo Iglesias
© Rel-UITA
5 de noviembre de 2007
SIREL # 1674

sábado, 3 de novembro de 2007

Mudança de poder na agricultura

01/11/2007

Por Carlos Walter Porto-Gonçalves

O debate a respeito dos transgênicos e da mudança climática global demonstra que a ciência está cada vez mais politizada, o que torna ainda mais necessária a exigência da precisão conceitual. Assim, devemos deixar de lado o conceito de OGM (organismo geneticamente modificado), que é tudo o que há na evolução das espécies, dentro de um processo que se dá na natureza sempre por modificação genética não intencional. Cultivares são criações humanas co-evoluindo com processos naturais por tempos longos.

O que está em debate hoje não são os OGMs, mas os OLMs (organismos em laboratório modificados), em que o processo de criação não se dá de modo livre na relação da sociedade com a natureza, mas a partir de laboratórios cada vez mais ligados ao mundo financeiro e industrial. Não estamos mais diante da agricultura tradicional, mas de negócios que operam no campo como agronegócio -forma como o complexo técnico-científico-empresarial quer se autodenominar.

A partir de 1945, com o uso da bomba atômica, quando a relação entre o conhecimento científico e o poder, por meio da guerra, ficou por demais explícita, a ciência tem se tornado um assunto sério demais para ficar nas mãos dos cientistas. Mais recentemente, essa relação vem se tornando mais banal ao chegar mais perto do nosso cotidiano.

A relação entre ciência e poder precisa ser levada em conta por exigência da própria ética, na medida em que tem implicações na natureza da produção do conhecimento, sobretudo, mas não exclusivamente, ante as condições materiais e de financiamento. As parcerias entre o Estado e as empresas, cada vez mais comuns, têm colocado novas e complexas questões, como o caráter público do conhecimento, que se traduz na exigência de publicação, e o caráter privado da instituição empresarial, que exige a proteção sigilosa do conhecimento e seu patenteamento.

A produção de conhecimento num setor fundamental para a existência humana muda de lugar com os OLMs, já que diz respeito à reprodução energético-alimentar da nossa espécie, a agricultura e a criação de animais. Estamos assistindo, com o deslocamento da produção de cultivares para os OLMs, à mudança do "locus" de poder, que passa dos campos e dos camponeses e dos mais variados povos originários para os grandes laboratórios do complexo técnico-científico-empresarial. Enfim, mais que uma revolução tecnológica, estamos ante uma mudança nas relações sociais e de poder por meio da tecnologia.

Com a recente onda pela expansão da monocultura visando a produção de combustível (etanol e diesel de origem vegetal), surge um novo complexo de poder técnico-científico-industrial-financeiro. Isso vem se configurando com a associação de empresas automobilísticas ao ramo da biotecnologia, industrializando a agricultura e submetendo cada vez mais o destino não só das plantações e dos povos originários e camponeses mas também de toda a humanidade aos desígnios de meia dúzia de empresas.

A DuPont se associou à Pionner Hi-Bred (sementes) e à British Petroleum. A Toyota se une à British Petroleum no Canadá para produzir etanol. A Volkswagen acaba de fazer uma parceria com a ADM (alimentos). A Royal Dutch Shell se lança na produção de óleo carburante, e a Cargill, na produção de óleo diesel.

O melhor exemplo disso é a aliança dos "agronegociantes" brasileiros com o setor dos combustíveis fósseis dos EUA, consagrada com a criação da Associação Interamericana de Etanol, que tem como seus principais dirigentes o ex-governador da Flórida, Jeb Bush, e o ex-ministro da Agricultura do governo Lula, Roberto Rodrigues.

As conseqüências do que está em curso são bastante graves, haja vista que, desde o século 19, os combustíveis fósseis foram colocados à disposição da produção de alimentos (máquinas a vapor nos tratores e nas colheitadeiras, por exemplo).

Atualmente, é a agricultura que se coloca a serviço da máquina a vapor para dar sobrevida a um modo de vida sabidamente insustentável do ponto de vista ecológico e que tende a agravar a injustiça social. A diversidade cultural está ameaçada, e tudo indica que o destino da humanidade e do planeta dependerá da solução dessa luta, que, cada vez mais, vem exigindo a atenção de todos.

CARLOS WALTER PORTO-GONÇALVES , 58, é doutor em geografia pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e coordenador do programa da pós-graduação da UFF (Universidade Federal Fluminense). É autor de "Globalização da Natureza e a Natureza da Globalização".

Fonte: Folha de S. Paulo, quinta-feira, 01 de novembro de 2007


sexta-feira, 2 de novembro de 2007

VIII Seminário Internacional e IX Seminário Estadual sobre Agroecologia

O VIII Seminário Internacional sobre Agroecologia e IX Seminário Estadual sobre Agroecologia tem como tema chave “Sociedade, ambiente e impactos: construindo caminhos” e está estruturado em quatro eixos temáticos: a) Impactos e tecnologia; b)Mudanças climáticas; c) Formação socioambiental; d) Agrobiodiversidade e cultura, além das tradicionais palestras de abertura e de encerramento. Como nos eventos anteriores, o Enfoque Agroecológico é assumido como a aplicação dos princípios e conceitos da Ecologia no manejo e desenho de agroecossistemas sustentáveis, numa perspectiva de construção da agricultura sustentável e na elaboração de estratégias compatíveis com a promoção do desenvolvimento rural sustentável.

A Edição 2007 está confirmada para os dias 20 a 22 de novembro, no Auditório Dante Barone, Assembléia Legislativa, Porto Alegre (RS). Lembramos que as inscrições para participar do VIII Seminário Internacional sobre Agroecologia e IX Seminário Estadual sobre Agroecologia são gratuitas e podem ser efetuadas através de formulário on line disponível no site da EMATER/RS (www.emater.tche.br), entrando por “Áreas Técnicas”.

Outras informações podem ser obtidas também pelo telefone (0XX51) 2125 3100.
Mais uma vez somos gratos pela divulgação dessa Segunda Convocatória, ao mesmo tempo em que seguimos à disposição pelos e-mails agroecologia2007@emater.tche.br e plantec@emater.tche.br

A Comissão Organizadora


Local e data
Auditório Dante Barone – Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul
Porto Alegre (RS), 20 a 22 de novembro de 2007
Inscrições on line – vagas limitadas
Site da EMATER/RS-ASCAR
http://www.emater.tche.br

Informações: telefone (51) 2125 3100
plantec@emater.tche.br e agroecologia2007@emater.tche.br

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Terminator, la guerra de las semillas

Ethirajan Anbarasan, periodista del Correo de la UNESCO

“Después de Terminator, 29 patentes similares fueron registradas por doce productores de semillas de Europa y de Estados Unidos.”

Agricultores del Sur se movilizan contra una nueva técnica que esteriliza las semillas genéticamente modificadas.

El sueño se ha hecho realidad para los productores de semillas. La revolución tecnológica ha engendrado una nueva técnica que permite producir semillas genéticamente modificadas que no germinan una vez que la planta ha alcanzado la madurez. Una mina de oro para las multinacionales, pues los campesinos que elijan esas semillas tendrán que comprar otras después de cada cosecha.
La patente de esta tecnología, bautizada “sistema de protección tecnológica” (Technology Protection System,
TPS), fue registrada conjuntamente en marzo de 1998 por la compañía de semillas Delta and Pine Land (DPL), con sede en Misisipí, y por el Ministerio de Agricultura de Estados Unidos (USDA). Las semillas así modificadas deberían comercializarse de aquí a 2005. Los fabricantes de semillas están encantados. Pero, en numerosos países en desarrollo, los agricultores han lanzado campañas –a veces violentas– contra el TPS.
Hoy, salvo algunas especies híbridas como el algodón, los agricultores rara vez compran semillas autopolinizantes como el trigo o el arroz. Estiman que tienen derecho a conservar o a intercambiar las semillas: esta práctica tiene más de 10.000 años de antigüedad.
Según las Naciones Unidas, más de 1.400 millones de personas, esencialmente campesinos pobres, utilizan semillas de la cosecha precedente o intercambiadas con sus vecinos. Los detractores de las semillas estériles estiman que éstas representan una amenaza para esos agricultores a los que empobrecerán aún más.
“Toda tecnología que les impida conservar sus propias semillas debe evitarse. El derecho de los campesinos a replantar está amenazado por el
TPS”, declara M. S. Swaminathan, científico que ha cumplido un importante papel en la revolución verde en la India.
E
n ese país, 90% de los 100 millones de agricultores utilizan sus propias semillas. Están organizados en grupos de presión violentamente opuestos a la introducción de la nueva tecnología. En el estado de Karnataka, en el sur de la India, parcelas experimentales en que se han plantado especies genéticamente modificadas, pertenecientes a Monsanto, una de las principales multinacionales de semillas, fueron destrozadas en 1998 por un grupo de campesinos:
creían equivocadamente que se trataba de nuevos granos estériles. El sitio servía en realidad para someter a prueba un algodón híbrido resistente a los insectos dañinos. Esas protestas movieron al gobierno a declarar que no autorizaba la introducción del
TPS en la India.
L
a oposición se extendió a otros países del Sur. En 1998, durante una conferencia de la Organización de las Naciones Unidas para la Agricultura y la Alimentación (FAO), delegados de veinte países africanos estimaron que el
TPS constituía un peligro para la seguridad alimentaria: “Esta tecnología destruirá la biodiversidad y amenazará los saberes locales y los sistemas de agricultura sostenible de los campesinos africanos.”
El
TPS es considerado un importante descubrimiento biotecnológico. La germinación se neutraliza con la interacción de tres genes introducidos en la planta, uno de los cuales produce una toxina que destruye la semilla en la etapa final de su desarrollo. Los que se oponen al TPS lo han bautizado “Terminator”. Para ellos, esta neutralización de la germinación fue imaginada por razones puramente comerciales. Melvin Oliver, uno de los científicos del USDA que elaboró el TPS, estima que éste “apunta a proteger la tecnología y las patentes sobre las semillas concebidas en Estados Unidos.” El tps se experimenta actualmente con el tabaco y el algodón y sus plantas estériles se comercializarán de aquí a 2005.
El anuncio de la presentación de la patente de Terminator ha suscitado una viva controversia, especialmente en Internet, acerca de la ética y de la pertinencia de introducir el
TPS en países en desarrollo. El Ministerio de Agricultura estadounidense ha recibido por correo electrónico cientos de cartas del mundo entero, cuyos autores se interrogan sobre el fundamento del nuevo método. Tomada de sorpresa por la campaña anti Terminator, Monsanto, que está a punto de adquirir DPL, anunció en abril de 1999 que no comercializará el tps antes de que se realice un estudio independiente e internacional sobre sus efectos ambientales, económicos y sociales.
En defensa del
TPS, los productores de semillas señalan que poner a punto, por manipulación genética, una variedad de alto rendimiento, supone una inversión de 30 a 100 millones de dólares. El sistema tradicional de conservación de las semillas, utilizado en la mayoría de los países del Sur, impide a esas empresas recuperar sus inversiones y algunas se han visto obligadas a suspender sus programas de investigación de nuevas especies.

Preservar la diversidad genética
Numerosos expertos y organizaciones agrícolas rechazan este argumento. “No creo que las multinacionales necesiten de Terminator para amortizar sus inversiones en investigación”, estima Swaminathan. “En realidad, las empresas que logran mejores resultados son las que venden semillas de buena calidad y a un precio abordable.”
Los contrarios a Terminator señalan, además, que los campesinos pobres de las regiones tropicales producen 15% a 20% de los recursos alimentarios mundiales y utilizan una gran variedad de especies, fuente de diversidad genética. Así, en Manila (Filipinas) el I
RRI (Instituto Internacional de Investigaciones sobre el Arroz) utiliza variedades tradicionales de arroz, a fin de elaborar especies de alto rendimiento (ver 'Gurdev Singh Khush' ). “Si los campesinos consumen o abandonan sus semillas tradicionales para adoptar las semillas Terminator, siglos de diversidad genética de especies podrán perderse para siempre”, declara Pat Mooney, director de la Fundación Internacional para el Progreso Rural de Canadá (RAFI), a la cabeza de una campaña contra la tecnología Terminator.
Una hipótesis aún más sombría es la de algunos científicos que temen que el
TPS contagie a otras especies si el polen portador del gen esterilizante se deposita en plantas de campos vecinos. “Estas producirían entonces semillas que no germinarían”, afirma Rob Marchant, investigador de la Universidad de Nottingham (Reino Unido). “Si tal es el caso, los agricultores que hubieran sembrado semillas normales podrían verse penalizados.”
Para defender a los agricultores de los países en desarrollo, Swaminathan desea que el Comité de Bioética de la UNESCO redacte un proyecto de declaración universal sobre el genoma de las plantas y sobre los derechos de los campesinos, con un enfoque semejante al de la adoptada por la UNESCO en 1997 sobre el genoma y los derechos humanos que enuncia los principios que deberían inspirar la investigación sobre el genoma humano y hace hincapié en la preeminencia de la dignidad de la persona.

Especies resistentes a los insectos
La radicalización de este debate inquieta a los científicos, que temen la exacerbación de un frente “antibiotecnología”. En el sur de Asia grupos ecologistas desean que se prohíba toda semilla genéticamente modificada, temiendo que éstas sean peligrosas para el ser humano. “La investigación genética es fuente de equívocos. Hay que eliminar los mitos”, afirma Arie Altman, profesor de horticultura de la Universidad hebrea de Jerusalén. Refiriéndose a la baja de la producción alimentaria en ciertos países de Asia, estima que la revolución verde, que ha permitido a muchos países de la región satisfacer una demanda creciente en los años sesenta y setenta, ha llegado a sus límites de eficacia. “Las especies genéticamente modificadas son la única solución para aumentar los rendimientos”, clama. “La biotecnología es la única solución para aumentar la producción.”
¿Quién tomará la iniciativa de desarrollar nuevas variedades de semillas? Los gastos de los poderes públicos en biotecnologías son reducidos. El sector privado, en cambio, ha invertido en él millones de dólares, pero las empresas se desinteresan por las especies autopolinizantes como el trigo y el arroz si no obtienen ingresos correspondientes a sus inversiones. Con el
TPS, la ganancia les parece más segura.
Según los responsables de D
PL, dentro de seis o siete años se dispondrá de especies de trigo y de arroz resistentes a los insectos y aumentará por consiguiente la producción alimentaria mundial. Pero estiman que cuando esas variedades de alto rendimiento se comercialicen, será difícil hacer respetar las patentes porque se trata de especies ampliamente cultivadas. Hoy algunas multinacionales obligan a los agricultores a firmar contratos en los que se comprometen a no volver a utilizar las semillas compradas y envían inspectores que controlan el respeto de este compromiso. Semejante sistema, cuya aplicación es ya difícil en Estados Unidos, donde existe una legislación estricta sobre patentes, es prácticamente imposible en los países del Sur. “El TPS es indispensable para proteger las patentes de las nuevas variedades”, afirma el representante del USDA.
Los partidarios del
TPS argumentan también que no se forzará a los agricultores a comprar las semillas Terminator. “Si no las quieren, siempre podrán seguir sembrando las variedades tradicionales”, declara Harry Collins, vicepresidente encargado de la transmisión de tecnología en DPL. Sin embargo, si las mejores semillas disponibles en el mercado son portadoras del gen Terminator, los agricultores que las rechacen obtendrán semillas de calidad inferior.
La tendencia a la concentración del mercado de las semillas entraña el riesgo de limitar las posibilidades de elegir. Según la Fundación RAFI, las diez principales multinacionales de semillas controlan 30% del mercado mundial, evaluado en 23.000 millones de dólares. Como Monsanto se ha convertido en una de las más importantes, puede lanzar la tecnología Terminator en el mundo. Conscientes de los extraordinarios beneficios que ello puede reportarles, otras empresas se han lanzado por el mismo camino. “Después de la patente Terminator, 29 patentes similares fueron registradas por doce productores de semillas de Europa y de Estados Unidos”, declara Pat Mooney, de la Fundación RAFI. El Grupo Consultivo para la Investigación Agronómica Internacional (C
GIAR) se opone también a la introducción del tps en los países en desarrollo y ha prohibido su utilización en sus 16 institutos de investigación agronómica. En enero de 1999, más de 50 organizaciones no gubernamentales y grupos de agricultores de América Latina, reunidos en Ecuador, formaron una coalición contra la introducción de Terminator en su continente.
“Estamos contra Terminator y contra todas las especies de semillas transgénicas”, dice Silvia Ribeiro, portavoz de una asociación de agricultores brasileños. Para los campesinos pobres no representa ninguna ventaja.” Esa agrupación ha programado una serie de encuentros y manifestaciones a través de todo el Brasil para sensibilizar a los agricultores contra el
TPS. Algunas autoridades locales han prohibido ya la introducción de semillas Terminator.
Los partidarios de las biotecnologías estiman que es prematuro rechazar de plano Terminator. “Si las nuevas semillas aumentan los rendimientos de 15% a 20%, los campesinos no se negarán a comprarlas”, declara C. S. Prakash, director de investigaciones en biotecnología vegetal en la Universidad de Tuskegee en Estados Unidos, y asesor de Monsanto.
Los campesinos estadounidenses advierten ya las ventajas de las especies resistentes a los insectos y a las malas hierbas. El maíz transgénico resistente a los insectos les permitió ahorrar 190 millones de dólares en 1997 y redujo el empleo de insecticidas.
Entre los países en desarrollo, Argentina y China no se han opuesto a los avances de la biotecnología en la agricultura. En China, algunos agricultores han logrado cultivar semillas de especies de algodón híbridas y las compran todos los años. “Los campesinos son los mejores jueces de sus intereses económicos”, declara Prakash. “Si estiman que Terminator no es viable, serán los primeros en rechazarlo.”


Algunos sitios útiles:
http://www.rafi.org
http://www.mssrf.org
http://www.ars.usda.gov/misc/fact.htm
http://www.monsanto.com
http://www.oneworld.org/panos