inescburg@yahoo.com.br

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

SEAF abrange perdas no cultivo de sementes crioulas

23/10/2007

Os agricultores que cultivam sementes crioulas poderão ser amparados pelo Seguro da Agricultura Familiar. Este é um dos resultados práticos da Portaria nº 51, publicada no início deste mês, que torna permanente e amplia o Cadastro Nacional de Cultivares Tradicionais, Locais e Crioulas. Com essa iniciativa o Governo Federal reconhece a importância de identificar nacionalmente os trabalhos e experiências de agricultores familiares com sementes locais, tradicionais ou crioulas, para orientar iniciativas em políticas públicas nessa área.

Em julho deste ano, uma resolução do Conselho Monetário Nacional (nº 3.478) autorizou o enquadramento no Seguro da Agricultura Familiar (SEAF), de lavouras formadas com cultivares locais, tradicionais ou crioulas cadastradas na SAF/MDA. Com a publicação da Portaria, os agricultores que cultivarem sementes crioulas previamente cadastras na SAF/MDA por uma entidade responsável poderão ser amparados pelo SEAF em caso de perda.

Segundo técnicos da Secretaria da Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário (SAF/MDA), os requisitos mínimos para o cadastramento de uma cultivar, ou seja, semente crioula, são: que seja desenvolvida e adaptada por agricultores, povos e comunidades tradicionais, que tenha características fenotípicas bem determinadas e reconhecidas pelas comunidades. Também é preciso que esteja em utilização há mais de três anos, que não seja oriunda de manipulações genéticas ou industriais e que não contenha transgenes.

O cadastramento

A entidade interessada em cadastrar as sementes crioulas que produzem deverá encaminhar a solicitação por meio de um formulário específico emitido pelo Sistema SEAF, disponibilizado no portal da SAF na internet, no sitio http://seaf.mda.gov.br

As instruções operacionais para o cadastramento e outras informações úteis estão disponíveis no portal SAF/MDA, no endereço: http://www.mda.gov.br/saf

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Biblioteca Digital

Livros de ilustraçãoA Editora Fundação Perseu Abramo completou 10 anos em 2007. De 1997 para cá, temos procurado produzir obras de qualidade nos campos político, histórico, teórico e jornalístico, como estabelecia nosso projeto inicial. Para marcar esta data, uma de nossas iniciativas é o lançamento da Biblioteca Digital da Fundação Perseu Abramo.

Por meio dela estamos disponibilizando no portal, gratuitamente e na íntegra, 43 livros do nosso catálogo. A idéia central dessa iniciativa é aumentar o alcance de nossas publicações e incentivar a circulação e o debate de idéias.

Dessa forma, colocamos à disposição de um número maior de pessoas os livros que editamos, o que pode, inclusive, levar um novo público a se interessar por essas obras. Leia mais sobre essa iniciativa.

A maior parte dos livros disponibilizados na Biblioteca Digital continua à venda no site e nas livrarias.

Informação importante


A maior parte das obras disponibilizadas na Biblioteca Digital permanece sob a licença de Copyright (©), com direitos reservados à Editora Fundação Perseu Abramo e a seus autores. Nestes casos, é proibida a reprodução das obras no todo ou em parte; a citação é permitida e deve ser textual, com indicação da fonte. Existem algumas obras da Biblioteca Digital que estão sob a licença Creative Commons (Creative Commons). Isso é indicado na página de download de cada obra.


Veja a lista dos livros aqui.

Para baixar os livros, cadastre-se aqui.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Monocultivos afetam o direito à alimentação

16/10/2007 -

Adital - Hoje (16), no Dia Mundial pelo Direito à Alimentação, povos de todos os países estão se manifestando para que seus governos promovam esse direito e para pedir que se respeite a soberania alimentar das populações, afetada especialmente nos últimos anos por políticas que incentivam os monocultivos do agro-negócio em detrimento da agricultura familiar. Mais de 850 milhões de pessoas são afetadas pela fome, atualmente, em todo o mundo.

Os uruguaios rodearam hoje o Monumento ao Gaúcho, na cidade de Montevidéu, de eucaliptos e pinheiros. O ato é para simbolizar a forma como milhares deles se sentem nos campos do país todos os dias, cada vez com maiores dificuldades para produzir alimentos para a população. Nos cartazes da manifestação, pedidos de soberania alimentar e perguntas provocantes eram freqüentes: "Eu não como eucaliptos, e você?"

A população uruguaia denuncia que os monocultivos e soja transgênica, dominados pelas grandes transnacionais, prejudicam o meio ambiente, aprofundam o processo de latifundização e estrangeirizaçã o da terra. Um milhão de hectares de terras do país estão plantadas com monocultivos, que as fontes de água e o solo. Nos últimos 30 anos, desapareceram mais de 20 mil estabelecimentos rurais e 128 mil pessoas foram obrigadas a abandonar o campo. Além disso, são as transnacionais que controlam os insumos produtivos.

Em Honduras, a Aliança pela Soberania Alimentar e a Reforma Agrária em Honduras apresentará ao Congresso Nacional a "Proposta de lei por uma alimentação adequada para a população hondurenha". Hoje, também uma feira de alimentos crioulos e uma marcha integram a programação do que os movimentos chamam de "Dia Nacional sem comida estragada".

No Equador, a Mesa Agrária organiza, a partir das 18h, um Fórum com três temas: O que é soberania alimentar?; Os povos dos mangues e a soberania alimentar; e a Soberania alimentar na Nova Constituição. Ainda hoje, será apresentado o livro "A colheita perversa", sobre a debilitação da soberania alimentar do país pelas políticas de mercado.

Eles querem com o debate entender que políticas, planos e programas desempenharam papel chave para que a agricultura equatoriana seja cada vez mais dependente das sementes e dos agro-químicos controlados pelas empresas.

Os salvadorenhos prepararam uma semana inteira de ações pela justiça econômica e pelo direito à alimentação, que começou na sexta-feira (12) e no sábado comemorou o Dia da Mulher Rural. Hoje, às 14h houve um Fórum sobre Comércio Justo e Direito à Alimentação em El Salvador, na sede da Conferência de religiosos de El Salvador (Confres).

Na Colômbia, onde também a semana toda está marcada por celebrações contra a fome, uma Feira Camponesa e Solidária, na capital Bogotá, se estende hoje até às 18h. E na quinta-feira, haverá o fórum teológico "A fome: um problema ético no novo milênio, vozes da fé!". Em Santander, as manifestações se concentraram na última sexta-feira com caminhadas ecológicas e plantio de sementes.

Uma mobilização mundial começará na tarde de 22 de outubro em Samoa, de onde uma vigília irá deslocando-se através de diferentes fusos horários por Yokohama (Japão), Yerevan (Armênia), Lusaka (Zâmbia), Bratislava (Eslováquia), Quito (Equador) e terminará em Roma. Nesta última cidade as autoridades municipais organizarão um grande evento no Coliseu.

sábado, 13 de outubro de 2007

Justiça reconhece ilegalidades das normas estabelecidas pela CTNBio e determina novamente suspensão das liberações comerciais de milho transgênico

11/10/2007 - A tentativa da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio de burlar ordem judicial e apressar as liberações comerciais de transgênicos fracassou. O Poder Judiciário determinou que a Comissão suspenda novamente as análises sobre as liberações comerciais de milho transgênico.

De acordo com a Juíza Pepita Durski Tramontini Mazini, Juíza Federal Substituta da Vara Ambiental de Curitiba, em decisão desta semana, as normas recém elaboradas pela Comissão não atendem ao princípio da precaução e à Lei de Biossegurança e, portanto, deverão ser revistas. Com isso, as autorizações já concedidas para os milhos Liberty Link da Bayer e MON 810 da Monsanto estão suspensas.

Tratam-se das normas de coexistência e de monitoramento pós-liberação comercial de milhos transgênicos, cuja elaboração é requisito legal, e agora também judicial, para concretizar as autorizações já concedidas pela CTNBio e também para futuras autorizações.

Por desobedecer a legislação, a CTNBio foi obrigada, em 02/07/2007, por meio de decisão liminar, a estabelecer – previamente a qualquer liberação de milho transgênico – medidas de biossegurança para garantir a coexistência das variedades de milho orgânicas, convencionais ou agroecológicas com as variedades transgênicas. Também foi exigida a elaboração do plano de monitoramento aplicável após a introdução da espécie transgênica no meio ambiente.

A discussão das normas ocorreu em apenas uma reunião, na qual representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário e do IBAMA ressaltaram a importância da realização de estudos para subsidiar as normas de monitoramento e de coexistência. No entanto, um grupo de membros da CTNBio recusou-se a discutir o assunto e optou por aprovar uma proposta apresentada pelo Presidente da Comissão, que não havia sido discutida previamente. A Comissão sequer apreciou a proposta dos especialistas em meio ambiente e agricultura familiar.

Em resposta, alguns membros da Comissão chegaram a se retirar da sala em protesto contra a falta de embasamento científico e a pressa na aprovação de regras tão relevantes.

A Juíza Pepita Mazini, ciente da importância de tais medidas de biossegurança, repudiou as resoluções elaboradas pela Comissão, declarando: “(...) não bastando à comissão elaborar referidas normas da forma como lhe aprouver, à evidência, como forma de mera resposta ao provimento judicial, mas sim com atenção ao princípio da precaução e probabilidade de futuros danos ambientais e à saúde humana. Sendo assim, a decisão será considerada cumprida apenas se elaboradas as normas de forma pertinente, nos termos determinados pela Lei de Biossegurança”.

As normas elaboradas pela CTNBio são mais uma demonstração clara do seu descaso para com a biossegurança, a legislação brasileira e o Poder Judiciário. As ilegalidades são patentes. Na Resolução Normativa 3, a CTNBio delegou às próprias empresas apresentar um plano de monitoramento referente a sua espécie transgênica aprovada – ao invés de cumprir sua atribuição imposta pelo artigo 14, III, da Lei 11.105/05.

Por sua vez, a Resolução Normativa 4, que deveria tratar de coexistência de variedades de milho transgênicos, convencionais, orgânicos e ecológicos, se resumiu a estabelecer distâncias mínimas de 100 metros entre os cultivos transgênicos, agroecológicos e convencionais, irrisórios para uma cultura polinizada pelo vento.

De acordo com Gabriel Fernandes, agrônomo da AS-PTA, “a medida da CTNBio iria promover uma contaminação massiva do milho, acabando com diversidade genética que os agricultores familiares conservam e também com o direito de consumirmos alimentos livre de transgênicos”.

Para Maria Rita Reis, advogada da Terra de Direitos, “Uma vez mais a CTNBio demonstrou total descompromisso com a Biossegurança e a sociedade brasileira. A Comissão recusa-se a discutir biossegurança, preocupando-se apenas com os interesses das transnacionais de biotecnologia. O problema da contaminação e o direito dos agricultores cultivarem variedades não-transgênicas têm que ser tratados com seriedade.”

Especificamente sobre a Resolução 4, a decisão consignou que: “É certo que este Juízo não detém o conhecimento técnico necessário para indicar exatamente quais regras de coexistência devem ser elaboradas pela comissão. Contudo, é evidente que, mesmo para o homem médio, exclusivamente a determinação de distanciamento mínimo entre as espécies de milho não se mostra suficiente a tanto, até pelo que foi asseverado na decisão proferida e acima transcrita. Vislumbra-se que não foi apontada nenhuma medida de biossegurança, procedimentos, restrições, etc, conforme determina a Lei de Biossegurança.”

Comentando a decisão judicial, Frei Sérgio, do Movimento dos Pequenos Agricultores, afirmou que “finalmente alguém na estrutura do poder do Estado brasileiro entendeu o risco da dilapidação genética que os transgênicos vão trazer para a biodiversidade brasileira”.

A decisão judicial atendeu a uma solicitação das organizações não-governamentais ANPA – Associação Nacional dos Pequenos Agricultores, AS-PTA – Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa, IDEC – Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor e Terra de Direitos na ação civil pública que movem em face da União Federal para questionar as liberações de milhos transgênicos.

Histórico

Em 15/06, as organizações da sociedade civil (Terra de Direitos, Idec, AS-PTA e ANPA) ajuizaram ação civil pública contra a União Federal com o objetivo de anular a decisão técnica da CTNBio que autorizou a produção, comercialização e consumo do milho Liberty Link da Bayer e suspender quaisquer outras liberações de milho transgênico antes da elaboração de normas de biossegurança e regras específicas de liberações comerciais.

A aprovação do milho Liberty Link ocorreu na reunião da Comissão realizada em 16/05/07, tendo sido publicada no Diário Oficial da União somente em 08/06/07.

As organizações fundamentam a ação por meio de diversas afrontas à legislação brasileira cometidas durante todo o processo de liberação do mencionado milho transgênico, que, se não sanadas atingirão todas as demais liberações. Destacam: a inexistência de normas que orientem devidamente a CTNBio nos casos de liberação comercial de transgênicos; a falta de regras de monitoramento de OGM e de coexistência; a desconsideração das questões formuladas e de documentos entregues por organizações à Comissão. Outro argumento apresentado é a precariedade e insuficiência das respostas da empresa proponente, no caso a Bayer, a uma série de questões apresentadas por membros da CTNBio.

Além disso, ponderam as autoras da ação civil pública que existem riscos à saúde e ao meio ambiente associados ao milho Liberty Link ignorados pela CTNBio, apesar de apontados em pareceres de membros da Comissão. Entre os riscos estão o uso de gene de resistência a antibiótico - o que não é recomendado pela OMS (Genebra) /FAO (Roma), o Conselho Internacional para a Ciência (Paris), a Royal Society (Londres), a Academia Nacional de Ciências (Washington DC); e o aumento da quantidade do agrotóxico glufosinato de amônio, o que provoca vários impactos ambientais e à saúde.

Em 28/06/07, a Juíza Pepita Durski Tramontini Mazini, Juíza Federal Substituta da Vara Ambiental de Curitiba - PR, suspendeu a decisão técnica da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) referente à liberação do milho Liberty Link da Bayer.

Segundo a Juíza, a decisão da CTNBio não poderá surtir qualquer efeito até que sejam elaboradas normas de coexistência das variedades orgânicas, ecológicas e convencionais com as variedades transgênicas e até que sejam definidos os termos do monitoramento do milho Liberty Link. A liminar ainda impede a liberação do milho da Bayer nas regiões Norte e Nordeste antes da realização de estudos ambientais nas referidas regiões.

Em julho, a ANVISA e o Ibama apresentaram recurso ao Conselho Nacional de Biossegurança – CNBS contra a decisão da CTNBio de liberar o milho Liberty Link. Mais recentemente, a ANVISA apresentou recurso ao Conselho também contra a liberação do milho MON 810.


Contatos para a Imprensa:

Maria Rita Reis: 41 3232 4660 ou 41 9916- 4189 Terra de Direitos

Gabriel Fernandes: 21 8124 0095 – AS-PTA

Maria José: 61 8153 5794 – Associação Nacional dos Pequenos Agricultores

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Revista electrónica de estudios latinoamericanos

El Colectivo Editor de e-l@tina. Revista electrónica de estudios latinoamericanos tiene el agrado de anunciar la aparición del número 19, correspondiente al trimestre abril-junio de 2007.

La revista está disponible en línea en www.iigg.fsoc. uba.ar/elatina. htm, desde la cual puede descargarse gratuitamente, en formato pdf.

Recordamos que quienes prefieran recibir la revista por correo electrónico, deben suscribirse enviando una petición en tal sentido a nuestra casilla electrónica. La suscripción es gratuita.

Cordialmente,

El Colectivo Editor


VIII SEMINÁRIO INTERNACIONAL SOBRE AGROECOLOGIA E IX SEMINÁRIO ESTADUAL SOBRE AGROECOLOGIA

v

Dias 20 a 22 de novembro de 2007, no Auditório Dante Barone, em Porto Alegre.


Primeira Convocatória
Estimadas amigas e amigos colaboradores

Mantendo a tradição iniciada no ano de 1999, estamos convidando a todos para participar
do VIII SEMINÁRIO INTERNACIONAL SOBRE AGROECOLOGIA E IX SEMINÁRIO ESTADUAL SOBRE AGROECOLOGIA. Organizado através da participação de um amplo conjunto de entidades e instituições das esferas governamental e não governamental, o seu principal objetivo é “contribuir no processo de construção paradigmática para orientar estilos de agricultura de base ecológica e estratégias de desenvolvimento rural sustentável, tomando como referência a sustentabilidade e sua relação com a preservação de recursos naturais, com o manejo de agroecossistemas e com a ética socioambiental”. Assumindo a Agroecologia como ciência emergente e orientada pelos princípios da sustentabilidade em perspectiva multidimensional, este evento constitui um espaço privilegiado para debate, reflexão e intercâmbio de experiências, conhecimentos e saberes necessários para a promoção de uma cultura socioambiental ajustada às demandas sociais contemporâneas.
Nesse ano, o evento sobre Agroecologia terá como tema chave “Sociedade, ambiente e impactos: construindo caminhos”. Como eixos temáticos destacam-se: a) Impactos e tecnologias; b) Agrobiodiversidade e cultura; c) Formação socioambiental; d) Mudançasclimáticas. A Comissão Organizadora entende que o momento presente é propício para que se discutam alternativas que eliminem ou reduzam determinados impactos negativos (econômicos, sociais e ambientais) resultantes da aplicação de tecnologias e processos de produção, o que requer um continuado avanço no enfoque agroecológico como paradigma para a agricultura e o desenvolvimento rural em bases sustentáveis.

O VIII SEMINÁRIO INTERNACIONAL SOBRE AGROECOLOGIA E IX SEMINÁRIO ESTADUAL SOBRE AGROECOLOGIA está previsto para os dias 20 a 22 de novembro de 2007, no Auditório Dante Barone, Assembléia Legislativa, em Porto Alegre (RS). As inscrições são gratuitas e poderão ser efetuadas a partir de 10 de setembro, através do preenchimento e envio do formulário on line que estará disponível no site da EMATER/RS (
www.emater.tche. br).

Informações adicionais poderão ser obtidas pelo telefone (0XX51) 2125 3100.
Solicitamos o empenho e agradecemos a todos pela ampla divulgação dessa Primeira Convocatória, ao mesmo tempo em que nos mantemos à disposição pelos endereços
agroecologia2007@ emater.tche. br e plantec@emater. tche.br

A Comissão Organizadora


sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Pastoreio Racional Voisin: sob medida para a agricultura familiar de base ecológica

* Por Paulo Henrique Mayer


Pecuária Leiteira

A pecuária leiteira torna-se cada vez mais uma importante atividade geradora de trabalho e de renda na agricultura familiar. Inclusive, um fator de permanência das famílias na atividade produtiva. Não é à toa que os agricultores familiares do Sudoeste do Paraná, produtores de leite, aguardam ansiosos pelas informações do novo Censo Agropecuário do IBGE. A expectativa é de que a região salte do posto de segunda bacia leiteira do Estado para a primeira colocação, tanto em número de famílias produtoras quanto em volume de produção de leite e derivados.

Por conta dessa importância estratégica da pecuária leiteira nas regiões de predomínio da agricultura familiar e até mesmo visando barrar os avanços da monocultura de exportação e das chamadas commodities, tenho feito vários estudos e palestras pelo interior do país sobre a utilização do método de Pastoreio Racional Voisin (PRV), que oferece vantagens econômicas, sociais e ambientais. Ele tem esse nome em homenagem ao pesquisador francês, André Voisin, que difundiu a técnica no cenário da agropecuária mundial.

Coincidentemente, a palavra “voisin”, no idioma original, significa “vizinho”. O método basicamente preconiza a divisão das áreas de pastagens em piquetes, a fim de promover o descanso dos pastos e favorecer a fotossíntese, garantindo o acúmulo de reservas energéticas e protéicas nas raízes das plantas. É um sistema rotacionado racional, ou seja, conduzido pela mão humana. Não é rotativo porque o gado não segue uma seqüência pré-ordenada. Os animais mudam de piquete em busca do melhor pasto e essa constatação vem de uma análise criteriosa do estado fisiológico da pastagem. Em outras palavras, o gado é colocado no piquete que oferecer maior quantidade de matéria seca por hectare por dia, com ótimo teor de proteína e maior digestibilidade. Também é levado em consideração o critério da quantidade de matéria nas raízes para promover uma abundante rebrota da forragem.

O PRV também preconiza que haja água em abundância em todos os piquetes. Normalmente, essa água é fornecida em bebedouros que ficam ao sol. Como o gado leiteiro não tem esmalte nos dentes, ele prefere a água morna, pois a água gelada provoca dor de dente. Parece excesso de zelo dizer isso, mas já presenciei casos em que o gado morre de sede, mesmo tendo água à vontade à sua volta e uma das causas disso é o efeito da dominância que existe em lotes de gado.

Para entender melhor esse fenômeno, em locais onde o gado bebe água em açudes, os animais dominantes, chamados de animais “alfa”, são os primeiros a ter acesso a água limpa e morna, entrando no açude para tomar a primeira água. Eles adentram no açude até ficar com a água na altura do peito e com isso, consumir o líquido em melhores condições. Ao sair, normalmente urinam e defecam contaminando a água com dejetos fecais. O gado ruminante, por sua vez, possui uma memória genética, que faz com que ele rejeite a ingestão de água e de pasto que estejam contaminados com fezes e urina. Isso acontece em função da evolução da espécie bovina. No decorrer da história, todos os animais que tinham o hábito de ingerir água e pasto contaminado com fezes, contaminaram-se com verminoses. Esses animais ficaram mais fracos, mais magros e com estado de saúde mais debilitado, tornando-se presas preferenciais dos predadores do gado bovino. Conseqüentemente, no decorrer da evolução dessa espécie, os animais que tinham esses hábitos, não deixaram herdeiros, e é por isso que todos os bovinos que conhecemos na atualidade não comem o pasto que cresce ao redor do esterco e do local onde foi urinado, por um período mínimo que pode variar entre 30 e 65 dias. Da mesma forma, não bebem água contaminada com dejetos fecais.

Depois que os animais dominantes tomaram água sujaram com fezes, urina e com suspensão de argila e silte, vem o segundo lote, que não é dominante do tipo “alfa”, mais tem dominância intermediária. Esses animais, para terem acesso a água de boa qualidade, adentram um pouco mais no açude, tendo que entrar com água na altura do pescoço. Eles também contaminam a água da mesma forma que o lote de animais “alfa”. Já o terceiro lote é denominado “amimais de rabeira”, ou seja, que não apresentam dominância. Ele tem acesso a uma água contaminada e acaba ingerindo bem menos que as suas necessidades diárias. Além disso, esse líquido também apresenta contaminação de argila, areia e silte, o que pode provocar a morte desses animais, desgaste prematuro dos dendês, deficiência ruminal, e suas conseqüências.

O Pastoreio Racional Voisin elimina ou diminui o efeito da dominância, uma vez que num mesmo piquete são fornecidos em abundância os alimentos: cochos com água morna (aquecida pelo sol), cocho com sal mineral puro e outro cocho com sal comum. Os animais se revezam e se alimentam ao mesmo tempo, impedindo que um grupo de animais venha na frente e possa urinar ou defecar sobre a comida dos demais. Quando as vacas dominantes vão beber água, as outras se distribuem e se revezam em alimentação no cocho com sal comum e no cocho com sal mineral. Quando os animais dominantes vão para um cocho de sal, os outros terão acesso a água limpa e morna.

Outro fator que conta pontos favoráveis para o PRV é que os animais manejados ficam também mais dóceis quando têm acesso a pasto fresco, abundante e de boa qualidade. E, à noite, o bosteamento e a urina do gado favorecem a fertilização do solo e promovem o desenvolvimento da macro-fauna no terreno: insetos, o besouro vira-bosta, minhocas e centopéias. O besouro “vira-bosta” abre canais no solo, faz um ninho e deposita as bolinhas de bosta numa câmara interna ao solo. Nessas bolinhas de bosta, ele faz a postura de seus ovos, que quando eclodem (nascem), as larvas se alimentam dessas fezes. Com isso, ele faz a aeração do terreno, ajuda a inverter camadas inferiores de terra e melhora a fertilidade geral do solo. Também permite que raízes dos pastos penetrem mais fundo, busquem a umidade e não sofram estresse hídrico. Outra função do “vira-bosta” é fazer o controle biológico da mosca-dos-chifres, pois a mesma põe seus ovos na bosta do gado e como as larvas do besouro se alimentam dela, acabam eliminando as mesmas. Minhocas e centopéias, por sua vez, trituram melhor a matéria orgânica do solo, fazendo húmus e as bactérias em geral respondem pela mineralização dessa matéria orgânica, tornando os nutrientes da mesma disponíveis para a absorção novamente pelas plantas – a chamada ciclagem dos nutrientes.

O Pastoreio Racional Voisin permite que haja um grande salto na produtividade das áreas manejadas (pastos), tanto para a produção de leite quanto a de carnes. O período de permanência do gado no piquete é significativamente pequeno; varia de 1 a 3 dias. Isso exige que, no intervalo, o gado não fique tanto tempo num piquete a ponto de comer a rebrota tenra. Ele deve ficar, pelo menos, um dia e uma noite no piquete para que possa urinar e defecar na área e, com isso, melhorar a qualidade do sistema. Essas ações também contribuem para diminuir a infestação de doenças e de pragas. É o caso de verminoses e do carrapato, cuja ocorrência reduz significativamente por conta da eliminação do ciclo dos carrapatos e das verminoses.

Uma prática corriqueira da agroecologia, presente no PRV, é estimular a movimentação do gado pela manhã, antes de sair do piquete. Isso faz com que o animal defeque e urine no piquete, não na estrebaria, na sala de espera e ordenha ou na mangueira e reduz a contaminação por mastite (infecção do úbere – glândula mamária das vacas).

O PRV preconiza, ainda, o melhoramento dos pastos, pela introdução de forragens e leguminosas de alto valor protéico. As leguminosas apresentam a vantagem de fixar Nitrogênio do ar (fixação natural) e, em geral, seu teor de proteína fica em torno de 20%. Em uma gramínea, mesmo que de espécie melhorada, essa taxa varia de 3 a 15%. O método incentiva a sobre-semeadura de pastos em cima de potreiros ou de gramados. A técnica é bem simples: o gado pasta um dia no piquete e rebaixa o pasto. No final da tarde, semeia-se a forragem que quiser. Por exemplo, azevém sobre a grama, no mês de maio em clima subtropical, é muito utilizado para a produção de leite no Paraná e em regiões de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Deixa-se o gado pousar no piquete e ficar lá até o outro dia cedo. Durante a noite, os animais pastaram, caminharam, bostearam e urinaram sobre esse terreno. Mas o pisoteio, principalmente, vai fazer com que as sementes plantadas a lanço entrem em contato com o solo úmido e possam nascer plenamente e com mais vigor. É o caso do amendoim forrageiro (21% de proteína). Ele é plantado entre 7 a 8 dias depois que o gado defecou; é colocado embaixo da bosta e com uma ponta de fora, pois ali, encontra condições melhores de umidade e de fertilidade para se desenvolver. A planta se enraíza, pois o gado leva de 50 a 60 dias para comer. Essa técnica de plantar sob a bosta é muito eficiente, pois evita desperdício de mão-de-obra em mexer no solo e garante o enraízamento. Se optarmos por plantar mexendo o solo, deveremos garantir que o gado só entre na área para pastorear depois que a planta enraizar bem, pois, do contrário, corre-se o risco de ser arrancado do berço de plantio durante o pastoreio.

E quanto ao custo? O custo é relativamente reduzido se comparado com sistemas convencionais de implantação de pastagens. Todas as cercas devem ser eletrificadas e isso também tem impacto na redução do custo de implantação. O Voisin, embora reduza a penosidade do trabalho, demanda mais mão-de-obra especializada, o que é um fator positivo para a agricultura familiar, pois aumenta a ocupação de pessoas no campo. Em geral, o leite produzido em PRV tem custo de produção menor na cadeia. Fica em torno de R$ 0,17 (17 centavos) por litro e é vendido a R$ 0,55. Por fim, o PRV não preconiza trato do animal no cocho de forma volumosa.

Vantagens ecológicas do método de Pastoreio Racional Voisin: - Permite manter as reservas legais e triplica a produção de pasto nas propriedades; - aumenta o teor de matéria orgânica no sistema; - promove a refertilização do solo; - é um sistema de produção de leite e carne a pasto; - diminui a ocorrência de pragas e doenças no rebanho; - elimina a necessidade de limpeza de potreiros e pastos (roçados, capinas); - diminui a penosidade do trabalho; - aumenta a produtividade por área e promove o bem-estar animal.

Técnicas como as do PRV são especialmente desenvolvidas para a agricultura familiar de base ecológica. No Sul do Brasil, é correto afirmar que em torno de 90% dos produtores em regime de economia familiar utilizem-se de princípios do Voisin, não necessariamente do método inteiro. A grande vantagem do PRV é que o método permite a disponibilidade constante de forragem durante o ano todo com baixo custo. Principalmente, a partir de técnicas de sobre-semeadura. A rentabilidade também vai ser maior, considerando que o agricultor não precisa reformar área, usar adubo químico, uréia, calcário e fosfatagem. O Voisin é sinônimo de respeito à natureza e oferta de comida de qualidade ao gado o ano inteiro, com custo de produção que cabe sob medida no bolso dos produtores da agricultura familiar.


(*) Paulo Henrique Mayer é engenheiro agrônomo, especialista em agroecologia e doutorando em Meio Ambiente pela UFPR. Junto com Inês Claudete Burg, é autor do livro “Alternativas Ecológicas para a Prevenção e Controle de Pragas e Doenças” (30ª edição).


Contatos: - Paulo Henrique Mayer – (41) 3285-7564 / pauloaopa@terra.com.br.


_________________________________________

Bibliografia:

VOISIN, André. Dinâmica das pastagens: devemos lavras nossas pastagens para reformá-las? Trad. Prof. Luiz Carlos Pinheiro Machado. 2º ed. São Paulo. Mestre Jou, 1979

VOISIN, André. Produtividade do Pasto.: Trad. Norma B. Pinheiro Machado, revisão prof. Luiz Carlos Pinheiro Machado. 2º ed. São Paulo. Mestre Jou, 1981

MACHADO, Luiz Carlos Pinheiro. Pastoreio Racional Voisin: tecnologia agroecológica para o terceiro milênio. Porto Alegre: Cinco continentes, 2004. XXXi, 310 p.: il.

BURG, I. C. Mayer, P. H. Alternativas Ecológicas para a Prevenção e Controle de Pragas e Doenças. 30ª edição. Francisco Beltrão. ed. GRAFIT 2006. 153 p.

Cientistas apontam possível relação entre desodorante e câncer de mama

Seg, 03 Set, 04h44

http://br.noticias.yahoo.com/s/03092007/40/entretenimento-cientistas-apontam-possivel-rela-desodorante-cancer-mama.html

Londres, 3 set (EFE).- Um estudo de cientistas da Universidade de Keele (centro da Inglaterra) aponta a possibilidade de que o uso freqüente de desodorantes com efeito antitranspirante propicie a aparição de casos de câncer de mama.

Essa hipótese, publicada no último número da revista científica "Journal of Inorganic Biochemistry", é fruto de uma pesquisa que os especialistas fizeram com 17 mulheres que tinham sido submetidas a uma mastectomia no hospital de Wythenshawe, na localidade inglesa de Manchester.

Os cientistas acharam nos tecidos mamários elevados níveis de alumínio, substância que compõe 90% dos agentes antitranspirantes da maioria dos desodorantes que tentam evitar a sudorese.

Além disso, os especialistas observaram que as maiores concentrações de alumínio, substância que estudos anteriores relacionaram com o câncer de mama, se encontravam na zona do peito próxima às axilas, na qual geralmente se aplica este tipo de produtos e onde se detectam a maioria de tumores deste tipo.

O estudo foi feito com "apenas 17 pacientes, mas os dados que mostram uma maior concentração de alumínio na região próxima às axilas são estatisticamente significantes. Não pode ter acontecido por acaso", assegura Chris Exley, responsável por esta pesquisa.

"A maior concentração de alumínio na parte exterior do seio pode ser explicada pela proximidade desta região à axila, onde se costuma aplicar a maior parte das substâncias antitranspirantes", acrescenta Exley, lembrando que estudos anteriores indicam que a pele é permeável a este elemento.

Os cientistas, que por enquanto não conseguiram esclarecer totalmente a relação entre desodorante e câncer de mama, analisam a possibilidade de que o tecido que já desenvolveu o tumor atue como uma espécie de "corredor" para o alumínio, daí a alta concentração desta substância. EFE

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

NUEVOS DESARROLLOS SOBRE EL MARCO TEÓRICO DE LA AGROECOLOGÍA

Entrevista al Dr. Eduardo Sevilla Guzmán

Eduardo Sevilla Guzmán es Dr Ing. Agrónomo (Univ.Pol.Madrid) y PhD (Rural Sociology, Reading University, GB). Asesor de Via Campesina y del MST de Brasil. En España, desde 1992 es Director del Programa Interuniversitario (UCO e UIA) de Doctorado+Master en Agroecología. Desde 1999, miembro del CEPAR de Rosario, Argentina.

-Terminás de regresar del Primer Congreso Científico Latinoamericano de Agroecología celebrado en Medellín del 13 al 15 de agosto ¿Podrías hacer un breve balance del mismo?
-ESG: Asistieron 475 congresistas durante tres días muy apretados en los que se intercalaban “conferencias magistrales”, en plenarios con Seis Talleres Temáticos sobre “Manejo Ecológico de Plagas, Enfermedades y Malezas; Ecología, Conservación y Manejo de suelos, agua y biodiversidad; Bases ecológicas para la conversión a un manejo orgánico y sistemas diversificadosde producción; Economía Ecológica e Indicadores de Sustentabilidad; Ethnoecología y Sistemas tradicionales de conocimiento y Desarrollo Ruralsostenible, movimientos rurales sociales y Educación Ambiental.
A estos habría que añadir un nuevo Taller “ad hoc”, que propuso nada más llegar Mariana Marasa (del IPAF pampeano) sobre el “Rol del Estado y la Agroecología” y al que nos unimos para coordinar con ella Francisco Roberto Caporal y yo. Se cumplió el objetivo central del Congreso que era poner en marcha la Sociedad Científica Latinoamericana de Agroecología (SOCLA); y en general fue algo muy positivo porque se supo compaginar el rigor científico, la participación y el control democrático, junto a un compromiso político desde la ética medioambiental y social.

- ¿Por qué el calificativo de “científico” aparece tanto en el nombre del Congreso como en la nueva Asociación?
-ESG: Esto fue algo que salió varias veces en el congreso. La decisión fue tomada, previamente por el “comité gestor” de SOCLA, encabezado por Miguel Altieri, y yo creo que es acertada. Responde a la necesidad de diferenciarse de otras organizaciones latinoamericanas de agroecología, como MAELA (que articula tanto a organizaciones de experiencias productivas, investigadoras, ONG´s, como a redes y movimientos sociales). Lo cual no quiere decir que no se trabaje en estrecha relación; de hecho el “comité gestor” de SOCLA, ya firmó hace tiempo un convenio con MAELA, y al congreso fueron invitadas sus organizaciones clave (como Vía Campesina): para organizar actividades encaminadas a satisfacer sus demandas.
Por otro lado, es una especie de “ajuste de cuentas” con la Academia de las Ciencias Agropecuarias y Forestales: el grupito de académicos que comenzamos a trabajar en agroecología hace 20 años éramos unos locos ecologistas; hoy toda la estructura conceptual que elaboramos les es imprescindible para trabajar. Ello no quiere decir que no reivindiquemos la propia naturaleza pluriepistemoló gica de la agroecología; que junto a la forma de crear conocimiento de la ciencia, utiliza -¡en pié de igualdad!- otras formas de conocimiento.

- Tenemos entendido que fuiste encargado de dar una ponencia sobre los “Nuevos desarrollos del marco teórico de la agroecología” ¿Podrías resumirla?
-ESG: Pretendí hacer una actualización sustantiva del núcleo central de elementos que componen la AGROECOLOGÍA, que establecí inicialmente hace 12 años; tras otros tantos de interacción con experiencias, de producción y comercializació n alternativa, de campesinos y consumidores al sur de España, en Andalucía (Cf. “El marco teórico de la Agroecología” publicado en 1995 y reeditado en Sevilla Guzmán, 2006a: 221-248). Como entonces, mí intención es abstraer de las dinámicas productivas, de naturaleza agroecológica, aquellos conceptos que surgen de sus acciones de resistencia y de sus propuestas de cambio. Tal actualización, pretende incorporar nuestra experiencia latinoamericana. Definí entonces la Agroecología como el manejo ecológico de los recursos naturales, a través de formas de acción social colectiva, para el establecimiento de sistemas de control participativo y democrático en los ámbitos de la producción y circulación.
La estrategia teórica y metodológica así elaborada tenía, además; por un lado, una naturaleza sistémica y un enfoque holístico, ya que tales formas de manejo pretendían frenar selectivamente el desarrollo actual de las fuerzas productivas para contener las formas degradantes de producción y consumo que generaron la crisis ecológica. Y, por otro lado, tal necesario manejo ecológico de los recursos naturales, tendría igualmente, una fuerte dimensión local como portadora de un potencial endógeno, que, a través del conocimiento campesino (local o indígena allá donde pueda aún existir), permitía la potenciación de la biodiversidad ecológica y sociocultural y el diseño de sistemas de agricultura sostenible.
Así, la AGROECOLOGÍA, incorporando los elementos de actualización, puede definirse, esquemáticamente y en forma operativa, mediante tres dimensiones como (i: ecológica productiva) la consecución del manejo ecológico de los recursos naturales para, (ii: socioeconómica y cultural) mediante acciones locales de desarrollo endógeno, (iii: sociopolítica) generar procesos de transformació n y sustentabilidad social entre productores y consumidores, en su acción articulada con los movimientos sociales para incidir en las políticas públicas (Cf. Sevilla Guzmán, 2006b: 201-217).


- Estas definiciones son muy interesantes, pero ¿dónde están los nuevos desarrollos de la agroecología?
-ESG: En la larga década transcurrida desde nuestra primera caracterizació n, los acontecimientos más trascendentales son la aparición de una agroecología urbana (aquí en Argentina y en Cuba) y la irrupción de los pueblos indígenas. Por otra parte también tienen interés los procesos: por un lado, de aceptación teórica de la agroecología en Europa; y por otro, de introducción de la agroecología en Latinoamérica, tanto en las políticas públicas como en los movimientos sociales.

- ¿Podrías ampliar un poco esos conceptos?
-ESG: Respecto a la Agroecología Urbana, parece claro que ya están consolidadas varias experiencias agroecológicas que amplían su ámbito hacia el escenario urbano, donde se ha acelerado la “explosión del desorden” como consecuencia de la desbordante inmigración rural, producto de la intensificació n del manejo industrializado. Entre varias ciudades latinoamericanas con formas de agricultura urbana de gran interés aparecen, al menos, dos “faros agroecológicos” , generados por la creatividad de la sociedad civil, en los contextos urbanos de Cuba y Argentina.
Ambas experiencias se desarrollaron como consecuencia de las respuestas dispares de la sectores sociales marginados: por un lado, motivada por el “bloqueo histórico a Cuba” (al verse sin el apoyo del socialismo real); y por un lado, en reacción al embate privatizador del neoliberalismo y la globalización económica en Argentina, concretamente en Rosario. Ambas experiencias obtienen el apoyo público (de instituciones locales, en el primer caso; y del Estado, en el segundo) tras décadas de autoorganizació n productiva ciudadana, mediante “huertas orgánicas comunitarias” ; adquiriendo rasgos de un desarrollo endógeno urbano, mediante acciones sociales colectivas generadoras de tecnologías locales de naturaleza regenerativa; adquiriendo, en gran medida, la forma de “alternativas al desarrollo local convencional” . Las sistematizaciones realizadas por María Caridad Cruz et al. (2006ª y 2006b) en Cuba y por el CEPAR, en Argentina (Cf.Ottmann , 2005), así lo muestran.
Respecto a la irrupción de los pueblos indígenas en la agroecología es ésta, sin duda, la gran novedad tanto desde la Academia (por la excelente labor de AGRUCO, en la Universidad de Cochabamba), al presentar: junto a un estilo de manejo agroecológico andino; una estrategia global para los pueblos indígenas que pasa del rescate y la revalorizació n de su conocimiento a la construcción de un diálogo “intra” e intercultural con el conocimiento científico (Cf. las publicaciones del Programa COMPAS, como Delgado y Escobar, 2006). Pero además, junto al reconocimiento científico de la sabiduría indígena, conformadora de manejos orgánicos sustentables obtenidos de la coevolución, aparecen los contenidos históricos surgidos de las luchas indígenas y campesinas profundizando el avance democratizador, antiliberal y descolonizador en México, Ecuador, Perú, Guatemala y Bolivia, como ha quedado plasmado en los encuentros Andino-Mesoamerican os sobre Movimiento indígena, resistencia y proyecto alternativo de México, La Paz y El Alto: Cf. R. Gutierrez y F. Escarzaga, coordas., 2006.
Otra sorprendente novedad de este periodo es la paulatina “conversión” de científicos europeos a la Agroecología; así en 2002 Terry Marsden publica The Condition of Sustainability, haciendo una denuncia del sistema agroalimentario y señalando como único posible solución para la agricultura europea la Agroecología “que nos llega de Latinoamérica” . Igualmente el probablemente más prestigioso grupo europeo de investigación en temas de desarrollo rural, el integrado por Jan Douwe van der Ploeg y su equipo de Wageningen, descubren la agroecología y, a través de ella, un proceso de “recampesinizació n” en Europa al margen de las políticas de Desarrollo Rural, que apunta hacia un propuesta de desarrollo agroecológico surgida desde los agricultores innovadores europeos (Marsden, 2002 y Ploeg, 2002 y 2006).
Finalmente, respecto a políticas públicas, la lanza la lleva Brasil que tanto en su sistema de investigación (EMBRAPA, aún incipiente; aunque ya han publicado un primer manual: De Aquino e De Assis, 2005), como de extensión (Emater, primero a nivel estadual en RioGrande do Sul; y ahora a nivel federal en Ater) esta desarrollando una labor sumamente importante a largo plazo. Es también muy incipiente; aunque también muy prometedor el tema de los IPAFs en el INTA.

- ¿Y qué pasa con los movimientos sociales?
-ESG: Muchos de los desbordes creativos de las formas de acción social colectiva con manejo orgánico e infraestructuras socioeconómicas endógenas poseen, además, una propuesta política de enfrentamiento a la subordinación de los estados a las políticas neoliberales; impuestas ante la degradación de la democracia como sistema de representació n real ante el deterioro ideológico y operativo de partidos y sindicatos. Desde la Agroecología, nos interesan las respuestas provenientes de los grupos campesinos e indígenas que se articulan en torno a la disidencia al Neoliberalismo y la Globalización , como señalamos recientemente (Sevilla Guzmán y Martínez Alier, 2006). Desde hace más de una década décadas varias de las experiencias agroecológicas de esta naturaleza de Latinoamérica se agruparon en torno al Movimiento Latinoamericano de Agroecología (MAELA), hoy articulado como miembro de Vía Campesina, adoptando sólidos elementos de institucionalizació n.
Agricultores y campesinos, pertenecientes a las referidas experiencias en Argentina, Brasil, Bolivia, México, Chile y Colombia, se reunieron en Diciembre de 1998 en un lugar de este último país, Pereira, estableciendo una declaración de principios, como miembros del Movimiento Agroecológico de América Latina y el Caribe (MAELA), en la que expresaban su “oposición al modelo neoliberal.. . por degradar la naturaleza y la sociedad. Al mismo tiempo establecían como un derecho de sus organizaciones locales la “ gestión y el control de los recursos naturales... sin depender de insumos externos (agroquímicos y transgénicos) , para la reproducción biológica de sus culturas”, señalando su “apoyo a la promoción, el intercambio y difusión de experiencias locales de resistencia civil y la creación de alternativas de uso y conservación de variedades locales” (MAELA, 2000).
Vía Campesina reivindica en la actualidad la Agroecología como matriz tecnológica, adoptada ya por el Movimiento Sin Tierra del Brasil, por diversos de los movimientos indígenas de Bolivia o por los campesinos indígenas de Chiapas, entre otros de sus miembros; quienes han elaborado el concepto de Soberanía Alimentaria, como una muestra de internacionalismo campesino agroecológico.
A solicitud de la Página www.desruralypoliti cas.com.ar, el Dr. Eduardo Sevilla Guzmán gentilmente incorporó a continuación algunas referencias bibliográficas que pueden facilitar la profundizació n del tema por parte de los interesados. También se incorpora, como Archivo Anexo, su presentación en el Congreso SOCLA 2007: Desarrollos sobre el Marco Teórico de la Agroecología.

Bibliograf
ía citada
-Cruz, María Caridad et. al., 2006a. Ciudad Sustentable. Reflexiones sobre la agricultura y sus relaciones en el ambiente urbano. La Habana. Fundación Antonio Nuñez Jimenez de la Naturaleza y el Hombre.
-Cruz, María Caridad, e. al. (coordas.) 2006b. Permacultura criolla. La Habana. Fundación Antonio Nuñez Jimenez de la Naturaleza y el Hombre.
-De Aquino, Adriana María e Renato Linhares de Assis (Editores Técnicos), 2005 Agroecologia. Principios e técnicas para uma agricultura orgânica sustentável (Brasilia, DF: Embrapa Informaçao Tecnológica).
-Gutierrez, Raquel y Fabiola Escárzaga (Coordas.), 2006 Movimiento indígena en América Latina: resistencia y proyecto alternativo. México: Centro de Estudios Andinos y Mesoamericanos. Vol. II.
-Marsden, Terry. 2003. The Condition of Rural Sustainabillity Assen Royal Lassen: Royal van Gorcum.
-MAELA, 2000 Perspectivas del movimiento agroecológico latinoamericano en el nuevo milenio, Cochabamba: agruco.
-Ottmann, G. Agroecología y sociología histórica desde América Latina. Madrid/México: Mundi-Prensa/ PNUMA.
-Ploeg, Jan Douwe van der, Long, A. And Banks, J. 2002. Living Countrysides. Rural Development Process in Europe: The State of the Art, Doetinchem: Elsevier.
-Ploeg, Jan Douwe van der, 2006. El futuro robado. Tierra, agua y lucha campesina Lima/Wageningen: Instituto de Estudios Peruanos/Water Law and Indigenous Rights.
-Sevilla Guzmán, E. y Joan Martínez Alier, 2006 “New rural social movements and Agroecology” editado por P. Cloke, Terry Marsden and P.Mooney, Handbook of Rural Studies, London: SAGE Publications: 472-483
-Sevilla Guzmán E. 2006a Perspectivas agroecológicas desde el Pensamiento Social Agrario Universidad de Córdoba, España.
-Sevilla Guzmán, E. De la Sociología Rural a la Agroecología (Barcelona Icaria).

archivos adjuntos


CongresoSOCLA2007 Nuevos desarrollos sobre el Marco Teorico de la Agroecologia. ppt

Feira de Agricultura Familiar destaca produção sustentável


A produção farta, ecologicamente sustentável e com valor agregado da agricultura familiar brasileira, que responde por 60% de todos os alimentos que chegam à mesa do consumidor no País, converge de 4 a 7 de outubro para um único ponto: o Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade (ExpoBrasília), na capital federal. Esse é o cenário da IV Feira Nacional de Agricultura Familiar e Reforma Agrária. No evento, 480 expositores apoiados pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) apresentarão como homens e mulheres estão transformando a realidade no campo, em cada bioma. A entrada é gratuita.

Este ano, o tema da Feira é Sustentabilidade & Diversidade. Agricultores familiares, assentados da reforma agrária, extrativistas, aqüicultores, integrantes de povos remanescentes de quilombos e indígenas de todas as regiões do Brasil e inseridos nesse conceito apresentarão seus empreendimentos agroindustriais, seu artesanato e sua cultura. De mel a castanhas, de vinhos a salames, de tucupi a criações em capim-dourado. A exuberância da produção familiar nacional estará exposta em 51 mil m².

A quarta edição da Feira ainda terá Rodada de Negócios; protótipos demonstrativos de biodiesel e de elaboração da erva-mate, do chocolate e da castanha-de-baru (fruto típico do Cerrado); shows e atrações culturais; e praça de alimentação com comidas típicas. Simultaneamente, será realizado o primeiro encontro de slow food no Brasil - o movimento internacional segue o conceito da ecogastronomia -, o Terra Madre.

Foco ecológico - Reduzir, reaproveitar e reciclar os materiais são palavras de ordem na Feira. Ao percorrer os estandes, que este ano estarão distribuídos por biomas brasileiros - Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pampa -, os visitantes encontrarão formas de utilização sustentável de materiais, desde a decoração do espaço físico aos copos descartáveis. Essa é a grande diferença do evento neste ano.

A principal iniciativa será a recuperação do gás carbônico liberado no meio ambiente - processo mais conhecido como seqüestro de carbono -, antes e durante a Feira. Para isso, especialistas contratados pelo MDA farão o cálculo de quanto desse gás foi emitido na atmosfera para produzir o material que será vendido durante a exposição, para elaborar embalagens, sacolas e demais itens necessários à comercialização, para transportar expositores e produtos até o Pavilhão ExpoBrasília, para montar estandes, e promover atividades culturais e shows (veja programação culturalveja programação cultural).

Após esse cálculo, o MDA distribuirá mudas de árvores para plantio no Cerrado pelos assentados da reforma agrária. Eles receberão treinamento para realizar o plantio e o futuro manejo sustentável dessas plantas. Serão essas árvores as responsáveis por fazer o seqüestro de carbono da natureza.

De acordo com o engenheiro agrônomo Odécio Rossafa, consultor de Meio Ambiente do MDA, a partir dessa proposta o Ministério deverá lançar o Selo Carbono Agroecológico. "Em 10 anos, os assentados poderão manejar a floresta plantada para o seqüestro de carbono e extrair renda extra de seu uso", projeta.

Além disso, todos os veículos usados para fazer o transporte terrestre dos expositores e mercadorias da Feira utilizarão biodiesel nos tanques de combustível. "A maioria dos agricultores familiares e assentados selecionados para participar do evento deste ano já trabalham com o conceito de agroecologia em suas terras", ressalta.

Proposta sustentável - Na linha temática Sustentabilidade & Diversidade, os arranjos decorativos da Feira Nacional de Agricultura Familiar e Reforma Agrária foram confeccionados com tecido reciclado, com 50% de sua composição a partir de garrafas PET. Todo o material descartável que será utilizado durante o evento, como os copos, as sacolas para embalar mercadorias, os folhetos de divulgação e os crachás dos expositores e trabalhadores de apoio serão feitos de papel passível de reciclagem ou reciclado. As garrafas de água distribuídas aos expositores serão de material de uso permanente. Durante a Feira, ainda haverá coleta seletiva. O espaço de realização do evento terá lixeiras específicas para lixo seco e orgânico. O material seco, depois de passar por triagem, separação e enfardamento, será encaminhado para a reciclagem. Para reforçar essa idéia, o MDA produzirá uma cartilha de educação ambiental em papel reciclado que abordará vários pontos sobre preservação do meio ambiente e realizará oficinas interativas de reciclagem.

Serviço
IV Feira Nacional de Agricultura Familiar e Reforma Agrária
Data: 4 a 7 de outubro
Hora: Quinta-feira, das 15h às 22h. Demais dias, das 10h às 22h
Local: Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade (ExpoBrasília)
Entrada gratuita

Informações
0800 728 7000
www.mda.gov.br