inescburg@yahoo.com.br

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Biodiversidade gera biodeliciosidade

Gostei do conceito que apoia produtores e os visibiliza!!!!!


COLORADO HOMENAGEIA MICROPRODUTORES – SAIBA QUEM SÃO ELES!

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Em 20 anos, muita coisa mudou na história da cervejaria Colorado, mas algumas continuam iguais como os ingredientes brasileiros feitos pelos mesmos Microprodutores da região de Ribeirão Preto.
Devido a essa tradição e o cuidado com a natureza, a Colorado decidiu homenagear os Microprodutores no rótulo de duas cervejas: Appia e Índica. Parte do lucro da venda desses dois rótulos exclusivos, são revertidos para os Microprodutores da Colorado.
Os homenageados são o casal produtor de rapadura, Zé e Maria e o Apicultor Zé Luiz. Juntos eles  mantém viva a cultura local e a biodiversidade. E por isso a marca criou um novo conceito de campanha:  “Biodiversidade que gera a Biodeliciosidade”
Dona Maria ajudava seu pai a fazer rapadura desde que tinha sete anos de idade, aos 14 anos ela conheceu o Zé que trabalhava no sítio do tio fazendo o mesmo doce. Aos 16 anos se casaram e resolveram fazer rapadura juntos!
colorado-microprodutores-casal-que-faz-rapaduraCasal que produz a rapadura, ingrediente usado na cerveja Índica
Seu Zé e Dona Maria ajudam a manter viva a natureza, fazendo a rapadura  de maneira consciente há mais de 40 anos. Desse amor e tradição, nasce a rapadura que é usada como ingrediente da cerveja Índica.
Outro Microprodutor homenageado foi o Zé Luis, que cuida das abelhas que fazem o mel para a Appia. Seu compromisso diário produz um mel com sabor único, feito no interior de SP.
Zé Luiz - Microprodutor da Colorado que cuida das abelhas do mel da Appia
Zé Luiz – Microprodutor da Colorado que cuida das abelhas do mel da Appia
Há 27 anos, Zé Luiz é apicultor e garante que as abelhas só fazem mel quando estão felizes.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Ervas e Temperos



http://www.sabordefazenda.com.br/htm/produtos/livros/index.php
Relação de Ervas e TemperosClique nos nomes para obter maiores informações
Alecrim Rosmarinus officinalisHortelã portuguesa Mentha x villosa
Alecrim macho Rosmarinus officinalisHortelã variegata Mentha suaveolens Variegata
Alecrim rasteiro Rosmarinus officinalis var. prostratusIncenso Iboza riparia
Alfavaca Ocimum gratissimumInsulina Cissus verticillata
Alfazema Lavandula officinalisJambú Acmella oleracea
Amor perfeito Viola x wittrockianaLavanda Lavandula dentata
Anador Justicia pectoralisLevante Mentha spicata
Aniseto Ocimum selloiLosna Artemisia absinthium
Arnica do mato Solidago microglossaLouro Laurus nobilis
Arruda Ruta graveolensMalva branca Pelargonium sp.
Aveloz Euphorbia tirucalliMalva cheirosa Pelargonium graveolens
Azedinha Rumex acetosaManjericão comum Ocimum basilicum
Babosa Aloe arborescensManjericão folha de alface Ocimum basilicum crispum
Babosa Aloe veraManjericão italiano Ocimum basilicum ‘Genovese’
Bálsamo Sedum praealtumManjericão italiano roxo Ocimum basilicum var. purpurascens
Boldo africano Plectranthus barbatusManjericão limão Ocimum basilicum var. citriodorum
Boldo indígena Vernonia condensataManjericão miúdo Ocimum basilicum var. minimum
Boldo miúdo Plectranthus neochilusManjericão roxinho Ocimum basilicum
Calêndula Calendula officinalis - fora de estoqueManjerona Origanum majorana
Camomila Matricaria recutitaMarcela Chamaemelum nobile
Cânfora Artemisia camphorataMelissa Melissa officinalis
Capim limão Cymbopogon citratusMenta Mentha sp.
Capuchinha Tropaeolum majusMil em rama Achillea millefolium
Carqueja Baccharis trimeraMini rosa Rosa chinensis var. semperflorens
Cavalinha Equisetum hyemaleMorango silvestre Fragaria vesca
Cebolinha comum Allium fistulosumNim Azadirachta indica
Cebolinha francesa Allium schoenoprasumNirá Allium tuberosum
Cidreira de árvore Lippia albaOra pró nóbis Pereskia aculeata
Citronela Cymbopogon nardusOrégano Origanum vulgare
Coentro Coriandrum sativumPatchouly Pogostemon patchouli
Comigo ninguém pode Dieffenbachia amoenaPeixinho Stachys byzantina
Confrei Symphytum officinalePimenta biquinho Capsicum chinense
Cúrcuma Curcuma longaPimenta caiena Capsicum annuum
Curry Helichrysum italicumPimenta dedo de moça Capsicum baccatum var. pendulum
Dente de leão Taraxacum officinalePimenta malagueta Capsicum frutescens
Endro Anethum graveolensPoejo Mentha pulegium
Erva de gato Nepeta catariaQuebra demanda Justicia gendarussa
Erva luiza Aloysia triphyllaRabo de galo Celosia argentea
Espada de são jorge Sansevieria trifasciata var. laurentiiRosela/hibisco Hibiscus sabdariffa
Estévia Stevia rebaudianaSalsa crespa Petroselinum crispum
Funcho Foeniculum vulgareSalsa libanesa Apium nodiflorum
Gengibre Zingiber officinaleSalsa lisa Petroselinum sativum
Gervão Stachytarpheta cayennensisSálvia Salvia officinalis
Guaco Mikania glomerataSegurelha Satureja montana
Guiné Petiveria alliaceaShissô Perilla frutescens var. crispa
Hortaliças variadasTomilho Thymus vulgaris
Hortelã Mentha sp.Tomilho limão Thymus x citriodorus
Hortelã branca Plectranthus sp.Trevo de quatro folhas Marsilea quadrifolia
Hortelã do norte Plectranthus amboinicusUrtiga Urtica dioica
Hortelã pimenta Mentha x piperitaVioleta perfumada Viola odorata

VI Congresso Latino-americano de Agroecologia, o X Congresso Brasileiro de Agroecologia e do V Seminário de Agroecologia do Distrito Federal e Entorno.

Atenção seguem as orientações para regularizar a situação com a ABA e se habilitar para o desconto na inscrição do Congresso.

Para pagar a anuidade ou se associar acesse: http://aba-agroecologia.org.br/…/fique-em-dia-com-sua-anui…/

Valores das inscrições para o CBA por categoria: http://agroecologia2017.com/incricoes/
Instruções para inscrição no site: http://agroecologia2017.com/instrucoes/

A submissão de trabalhos encerra dia 10/04
http://agroecologia2017.com/

sábado, 1 de abril de 2017

ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL

Agricultura familiar e reforma agrária são os maiores produtores de orgânicos no Brasil

Regulamentação e incentivos para o cultivo agroecológico e orgânico tiveram início em 2003. Região Sudeste é a maior produtora do país, com 333 mil hectares
por Luciano Velleda, para a RBA publicado 23/03/2017 18h33, última modificação 24/03/2017 09h44
LUCAS DUARTE DE SOUZA/RBA
Orgânicos_MST
Em 2016, MST inaugurou a loja Armazém do Campo no centro de São Paulo
São Paulo – Agricultores familiares e assentados da reforma agrária são os dois principais grupos responsáveis pelo aumento da produção de alimentos orgânicos no Brasil, que neste ano deve ultrapassar os 750 mil hectares registrados em 2016. Segundo a Coordenação de Agroecologia (Coagre) da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo (SDC) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), no ano passado foram registradas 15,7 mil unidades com plantio orgânico no país, mais do que o dobro das 6,7 mil computadas em 2013.
“Os assentados da reforma agrária têm uma clara preferência em incentivar a produção orgânica. A ideia deles é produzir alimento com qualidade e preço acessível, não é uma visão elitista”, afirma Suiá Kafure da Rocha, especialista em políticas públicas e gestão governamental da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead).  Segundo ela, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) está para se tornar o maior produtor de orgânicos do país, tendo como companhia a agricultura familiar. “O perfil dos agricultores familiares se encaixa com a agricultura orgânica. Junto com os assentados, são os dois pilares da revolução orgânica, é o público que mais produz.”
Criado em 2013, o Cadastro Nacional de Agricultores Orgânicos (CNPO) conta com cerca de 15 mil produtores inscritos, sendo quase 80% deles classificados como agricultores familiares. O sistema, entretanto, não permitir diferenciar quais são ligados a assentamentos da reforma agrária. “O cadastro dos produtores melhorou o acesso às informações sobre o número existente. Muitos agricultores vinham num processo de transição e adequação para a produção orgânica e agroecológica, e o aumento no número foi consequência do alcance do objetivo”, avalia a agrônoma Inês Claudete Burg, vice-presidente Regional Sul da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA).
Além dos assentados e dos agricultores familiares, completam o perfil dos produtores de alimentos orgânicos no Brasil os integrantes de ecovilas, normalmente formadas por jovens urbanos que vão para o meio rural, e a agricultura urbana e periurbana, desenvolvida por grupos que promovem hortas urbanas. Os diferentes perfis são unidos pelo desejo da alimentação saudável, combinada com uma visão de mundo comum. “Há também o discurso de voltar à terra, contra a semente transgênica e a agricultura industrializada, uma produção muito diferente do agronegócio, que é de monocultura, degrada a terra e os recursos naturais”, explica Suiá da Rocha.
De acordo com a Coagre, a região Sudeste é a que mais produz alimentos orgânicos, totalizando 333 mil hectares e 2.729 registros de produtores no Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos (CNPO). Na sequência estão as regiões Norte (158 mil hectares), Nordeste (118,4 mil), Centro-Oeste (101,8 mil) e Sul (37,6 mil). 

As razões do crescimento

Na opinião da especialista em políticas públicas e gestão governamental da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead), a explicação do grande aumento da produção de alimentos orgânicos no Brasil é consequência de uma série de ações, sendo a principal a preocupação com a alimentação saudável. “O principal fator é a saúde, tanto do trabalhador rural quanto dos consumidores. Do trabalhador, pelo uso de agrotóxicos; para os produtores, há esse estímulo, e os consumidores também passaram a ter uma desconfiança dos alimentos produzidos de modo tradicional e que causam uma série de doenças”, afirma Suiá da Rocha.
Para a agrônoma Inês Claudete Burg, o aumento é fruto de um longo trabalho, tanto em relação à prestação de assistência técnica especializada, como também às conquistas de políticas públicas que incentivam a produção orgânica e agroecológica. “Os consumidores de forma geral têm sido alertados da importância do consumo de alimentos produzidos em sistemas orgânicos e agroecológicos, pelos benefícios à saúde e ao meio ambiente, contribuindo assim com o aumento do consumo e da demanda na produção e diversificação da oferta”, explica a agrônoma.
A lei 10.831/2003, sancionada ainda no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, regulamenta a produção orgânica no país. A partir da lei, diversas ações começaram a ser colocadas em prática para estimular a produção de alimentos orgânicos, como a criação, em 2007, do Sistema Brasileiro de Avaliação da Agricultura Orgânica e, principalmente, a instituição da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Pnapo), em 2012, já no governo da ex-presidenta Dilma Rousseff.
No ano seguinte, o lançamento do 1º Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo 2013-2015) investiu cerca de R$ 2,5 bilhões, com 125 ações e beneficiando em torno de 600 mil agricultores. “O Plano é a concretização de muita luta e representa a articulação das diversas frentes que trabalham com a produção agroecológica e orgânica no país”, afirma a representante da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA).
Atualmente, está em execução o 2º Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, que abrangerá o período de 2016 a 2019, com programas e ações que tem como objetivo contribuir para o aumento da oferta. A meta é alcançar até um milhão de produtores agroecológicos, com assistência técnica e extensão rural.
“Os consumidores a cada dia têm mais preocupação com a qualidade de vida e uma alimentação saudável”, analisa Suiá da Rocha, destacando a relação entre oferta e demanda, responsável por existir hoje em torno de 600 feiras semanais de produtos orgânicos no país todo, além da maior entrada dos alimentos nos mercados. “Existem várias formas de comercialização, esse produto não fica parado, inclusive falta mais oferta, porque a demanda é muito grande.”

Compra garantida

Além do crescimento das feiras e do aumento das vendas nos mercados, os grandes incentivos à produção de alimento orgânico no Brasil são o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). Ambos consistem em sistemas de compras institucionais do Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário (MDS) e os produtos orgânicos podem ter um acréscimo de até 30% em seu valor. O PAA é exclusivo para agricultores familiares, enquanto no Pnae esse índice é de 30%. “São programas que privilegiam a agricultura familiar e, portanto, a produção de base agroecológica”, explica Suiá da Rocha, especialista em políticas públicas e gestão governamental da Sead. “É a garantia da venda. Esses produtos vão para bancos de alimentos e pessoas com insegurança alimentar, tendo como destino creches, orfanatos, asilos, restaurantes populares.”
Apesar da importância dos dois programas no estímulo à produção de alimento orgânico no Brasil, o governo de Michel Temer efetuou um corte de 30% no orçamento de ambos para 2017, em comparação com o orçamento de 2016. “É uma pena que o PAA tenha tido um corte de 30% na lei orçamentária desse ano”, avalia Suiá da Rocha, lembrando que já havia ocorrido corte em 2015, mas o de agora foi superior. Antes de 2015, o valor investido vinha sendo maior a cada ano.

http://www.redebrasilatual.com.br/saude/2017/03/agricultura-familiar-e-reforma-agraria-sao-os-maiores-produtores-de-organicos-no-brasil
SEGURANÇA ALIMENTAR

Certificação de produtos orgânicos no Brasil é bem avaliada

Enquanto país vive crise com a Operação Carne Fraca, plantio de alimentos orgânicos cresce e modelos de fiscalização são considerados eficientes pela Associação Brasileira de Agroecologia
por Luciano Velleda, para a RBA publicado 27/03/2017 17h32, última modificação 28/03/2017 10h42
ARQUIVO EBC
Fiscalização_Orgânicos
Auditoria e controle social são os dois modelos de certificação de orgânicos no Brasil
São Paulo – Em meio a polêmica envolvendo a qualidade da carne no Brasil, a fiscalização dos produtos orgânicos é, em geral, bem avaliada, mesmo com o grande aumento da área plantada registrado nos últimos três anos.
A regulamentação da agricultura orgânica no país é recente. Foi iniciada apenas em 2003, com a Lei de Produção Orgânica (nº 10.831), seguida pelas regras de certificação e fiscalização estabelecidas no Decreto presidencial nº 6.323, de 2007. Poucos anos depois, em 2011, foi criado o Selo do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica (SisOrg).
Desde então, há dois modelos de certificação em vigor no Brasil: por auditoria e pelo sistema participativo. No primeiro, a certificação é realizada por uma empresa credenciada no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). No segundo modelo, a certificação é feita por meio de um Organismo Participativo de Avaliação de Conformidade (Opac), formado por agricultores, consumidores, comerciantes e organizações públicas ou privadas que atuam na produção orgânica. Igualmente credenciado no ministério, o Opac se caracteriza pelo controle social exercido pelos membros do grupo, com o intuito de fortalecer a garantia de que os produtos orgânicos estejam adequados para a comercialização.
“A partir do cadastro dos produtores no Ministério da Agricultura, o acompanhamento na certificação se dá desde o plantio até a chegada ao consumidor final”, explica a agrônoma Inês Claudete Burg, vice-presidente Regional Sul da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA). “Ao ministério cabe a fiscalização do trabalho das certificadoras, tanto nas empresas por auditagem como nos Opacs.  Visitas periódicas são feitas ao agricultor após a certificação inicial para verificar o cumprimento das normas”, afirma Inês.
Ao contrário dos alimentos vendidos nos mercados, onde o selo Orgânico Brasil concedido tanto pelas empresas de auditoria quanto pelos Opacs é obrigatório, nas 600 feiras de venda direta ao consumidor existentes no país o selo não é exigido. Nesse caso, a comprovação ocorre por meio de uma declaração de cadastro de conformidade orgânica, concedida pelo Ministério da Agricultura, e que deve estar disponível para a verificação do cliente. Para conseguir a declaração, os agricultores também precisam ser vinculados a uma Organização de Controle Social (OCS).
“A fiscalização está funcionando bem e ocorrem auditorias sistemáticas por parte do ministério. São realizadas duas por ano, no campo de produção, na sede da unidade de produção, bem como em feiras, lojas e supermercados. Portanto, a princípio, o aumento do número de unidades de produção não representa riscos. Mas é óbvio que deve haver continuidade nas políticas públicas de apoio a assistência técnica, custeio e investimentos, bem como na contratação de fiscais que atuam pelo ministério”, analisa Inês Burg.
A vice-presidenta regional Sul da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA) pondera que os estabelecimentos comerciais que anunciam o uso de alimentos orgânicos, como restaurantes, bares e hotéis, devem identificar em lista o nome do produtor ou fornecedor, assim como dos ingredientes utilizados, e colocar à disposição dos consumidores e da fiscalização. “As certificadoras credenciadas no Ministério da Agricultura são responsáveis pela avaliação, acompanhamento e fiscalização da produção. São elas que darão as garantias da conformidade orgânica. Certificadoras e produtores não adequados à legislação são passíveis de multas e descredenciamento junto ao ministério”, aponta a agrônoma.

O olhar do consumidor

Especialista em políticas públicas e gestão governamental da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead), Suiá Kafure da Rocha acredita que o próprio consumidor tem papel importante no controle dos produtos orgânicos. Como exemplo de ação possível, ela lembra que o cliente das feiras pode exigir ver o certificado do produtor na banca e checar sua validade. Para quem compra em mercados, ela observa a importância de conferir se o selo exposto é o oficial Orgânico Brasil. E para quem tiver disponibilidade, Suiá da Rocha sugere ir na propriedade do agricultor ou mesmo conversar com outros produtores. “Aqueles que estão realmente interessados em vender produtos orgânicos denunciam os que não estão. Eles também se fiscalizam entre eles”, afirma.
Ela cita que em Santa Catarina há um programa de monitoramento que detecta apenas 5% de fraude. “Então, você pode realmente confiar”, avalia, destacando haver punições para quem comercializa de forma irregular, como perda do certificado, exclusão do cadastro nacional de produtores de orgânicos e multas.
Apesar do controle e dos diferentes modelos de certificação e fiscalização, a especialista em políticas públicas da Sead considera “uma injustiça” o pequeno agricultor ter que provar que cultiva alimento orgânico enquanto o produtor que usa agrotóxico não tem a obrigação de explicar nada. “Há uma grande inversão de valores, há uma injustiça evidente”, critica Suiá da Rocha. “Se fosse o contrário, seria muito melhor, quem produz com agrotóxico ser obrigado a informar.”
Ela inclusive lamenta que até o selo de produtos transgênicos estejam querendo retirar das embalagens, ao lembrar do projeto de lei de autoria do deputado Luiz Carlos Heinze (PP-RS), aprovado pela Câmara em 2015 e, desde então, em análise no Senado.

terça-feira, 14 de março de 2017

VI Congresso Latinoamericano de Agroecologia e X Congresso Brasileiro de Agroecologia



Chamada de apresentação de trabalhos e experiências
Atenção a data limite é 10 de abril.
Lembrem-se que tem uma modalidade de relato de experiência exclusiva para apresentação por agricultores/as.
Entre na página: http://agroecologia2017.com/


domingo, 12 de março de 2017

Onde se escondem as 300 onças-pintadas que sobraram na Mata Atlântica?

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  • Jason Edwards/National Geographic Creative
Restam apenas cerca de 300 onças-pintadas (Panthera onca) na Mata Atlântica. É muito, muito pouco. São inúmeras as razões para o desaparecimento iminente do maior felino das Américas ao longo do bioma que um dia se estendia desde o norte da Argentina, passando pelo Paraguai e Uruguai, até o Nordeste brasileiro.
A primeira e mais óbvia razão é que só restam 7% da Mata Atlântica original. A segunda, uma consequência direta, é que o pouco que sobrou é composto por áreas muito fragmentadas. Ou seja, as onças remanescentes precisam percorrer áreas muito maiores do que suas congêneres da Amazônia ou do Pantanal, por exemplo, para encontrar caça ou achar parceiros para cruzamento.
E como as áreas são muito fragmentadas, as andanças das onças na Mata Atlântica envolvem riscos cada vez mais frequentes de contato com humanos – o que envolve todo um leque de consequências letais para os grandes felinos. Elas viram alvo de caçadores, são atropeladas, são vítima da retaliação por parte de fazendeiros e pecuaristas ou perseguidas pela população em geral, que tem medo desses bichos.
Todas essas conclusões foram publicadas em novembro em um grande estudo internacional na Scientific Reports, da Nature. Entre os pesquisadores envolvidos no trabalho está o conservacionista Ronaldo Gonçalves Morato, do ICMBio.
Em outro artigo, publicado no fim de dezembro, Morato e colaboradores vão além das conclusões do trabalho sobre as onças da Mata Atlântica para começar a compor um retrato dos padrões de deslocamento das onças-pintadas em cinco grandes biomas brasileiros – e os riscos que elas correm em cada um deles. O artigo foi publicado na revista PLoS ONE. 
Arquivo ICMBio/PNPB/WikiParques
Restam apenas cerca de 300 onças-pintadas na Mata Atlântica
"O objetivo da pesquisa foi verificar as condições de deslocamento e o tamanho da área de vida das onças-pintadas em cada um desses biomas brasileiros: Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pantanal e Amazônia, e também no norte da Argentina", disse Morato.
Para a obtenção dos dados de deslocamento, entre 1998 e 2016 foram monitorados 21 indivíduos no Pantanal, 12 na Mata Atlântica, oito na Amazônia, um no Cerrado e dois na Caatinga. Foram amostrados 22 machos e 22 fêmeas. As idades estimadas variaram de 18 meses até 10 anos, sendo que a maioria das onças (41) era adulta, com mais de três anos.
"Os colares tinham baterias capazes de durar cerca de 500 dias de uso. Mas bem antes disso, geralmente com 400 dias de monitoramento, acionamos um dispositivo que permite a soltura automática do colar do pescoço do animal", disse Morato. 
"Sabemos se o animal morreu quando o sinal do GPS permanece na mesma localização por 24 horas. Neste caso, dispara um sinal automático."
De acordo com Morato, cerca de 80% dos animais residiam na região de monitoramento. Os demais apresentaram padrões de deslocamento nômades ou estavam em dispersão.
Os machos exibiram as maiores áreas de vida – o território ocupado durante a vida de cada animal. É um resultado compatível com a hipótese de que a necessidade de maiores áreas por parte dos machos de espécies carnívoras está ligada à distribuição das fêmeas e à necessidade de maximizar as oportunidades reprodutivas.
As onças com a maior área de vida foram as da Mata Atlântica, que muitas vezes precisam se aventurar por pastagens e campos cultivados para passar de um fragmento de floresta ao outro, correndo o risco de contato com humanos."

Mobilidade limitada

Entre todos os animais, o do Cerrado mostrou necessidade de maior área de vida (1.268 km²). No Brasil, a onça com menor área de vida (36 km²) estava no Pantanal. Para efeito de comparação, a ilha de Santa Catarina tem 424 km².
"Pela primeira vez conseguimos comparar os deslocamentos das onças nos diversos biomas. O próximo passo envolve saber como os animais se comportam nas diferentes estruturas e paisagens. Queremos verificar quais são os fatores que limitam a mobilidade das onças em cada bioma", disse Morato.
Segundo o pesquisador, é importante saber o que limita os deslocamentos das onças, uma vez que a saúde do animal depende da sua variabilidade genética, que por sua vez depende da capacidade de os indivíduos encontrarem parceiros sexuais de outros grupos que não os familiares. É a mesma lógica que não indica o casamento entre primos, por exemplo.
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Onça resgatada de garimpo viaja 3.000 km para ser tratada5 fotos

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Uma onça-pintada foi resgatada por agentes do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) de um garimpo do Pará. O animal recebeu o nome de Felipe. Ele era tratado como mascote no garimpo e mantido preso em uma corrente para que não comesse os animais domésticos do local. A onça-pintada viajou 3.000 km para receber tratamento em Jundiaí, no interior de São Paulo. Felipe será monitorado e deverá voltar a viver na naturezaVEJA MAIS >Imagem: Divulgação/ONG Associação Mata Ciliar